Pelos vistos, não é só o meu amigo Denzel Washington que os tem. Então não é que os jogos de hoje do Manchester United e do Chelsea na Premier League foram quase igualzinhos aos do Boxing Day?
Os blues, tal como tinha acontecido nos três jogos anteriores, sem John Terry, estiveram um desastre na defesa. Até Ricardo Carvalho, que, na sua insuspeita opinião, é “um excelente central” (agora fiquei convencido!), cometeu mais cagadas do que o costume - são 1 ou 2 por jogo, hoje foram 3 ou 4. Curiosamente nenhuma deu golo, ao contrário das de Paulo Ferreira e Essien. Tal como frente ao Reading, o Chelsea esteve a ganhar 2-1 e cedeu o empate nos minutos finais. E tal como contra o Reading, foi um resultado inteiramente justo, pois o Fulham nunca se escondeu e criou 6/7 oportunidades de golo. E vão oito golos sofridos em quatro jogos, e todos frente a equipas sem grandes ambições, desde que Ricardo Carvalho passou a liderar a defesa. Mourinho está no período mais crítico desde que é treinador principal, e não deixa de ser aliciante, para o próprio e para os amantes do futebol, ver como vai superar esta fase.
Já o Manchester, que tinha derrotado o Wigan por 3-1 na jornada anterior, venceu hoje o Reading por 3-2. Ronaldo, claro, foi o homem do jogo, voltando a marcar dois golos. E ofereceu o outro, da autoria da Solskjaer, que também tinha marcado ao Wigan. E vão seis pontos de diferença entre os dois primeiros. E Ronaldo já ameaça Drogba na lista de goleadores, com 12 contra 13. O meu amigo Porfírio não gosta da contagem decrescente que diz que a Imprensa lusa está a fazer até o puto ser o melhor do mundo. Tens razão, é escusado. Ele próprio está a fazer essa contagem, de cada vez que calça as chuteiras. E a acelerá-la cada vez mais.
Posted by
Unknown
at
4:31 AM
Nos primeiros 20 anos da minha vida (e tenho 30 neste momento), muita gente tentou, e até conseguiu, impingir-me a ideia de que um português, se fosse ao estrangeiro e dissesse de onde vinha, logo era confrontado com os nomes Eusébio e Amália. Segundo essas pessoas (muitas das quais nunca tinham saído de Portugal ou não saíam há muitos anos), só estes dois eram os portugueses conhecidos mundialmente, mais ninguém. Felizmente muito mudou nos últimos 10 anos: viajei mais que nos primeiros 20, surgiu a TV Cabo, surgiu a Internet, passei a consumir alguma Imprensa estrangeira. E hoje, como todos sabemos, felizmente, já há muitos portugueses conhecidos no mundo, incluindo nas áreas em que se distinguiram os dois acima citados. A questão é saber se surgiu algum melhor que eles, ou não. Em relação a Amália não me sinto habilitado a falar, pois não gramo fado, por isso se me dissessem que ela cantava mal, eu acreditava. Já sobre Eusébio tenho a minha opinião, que aqui já expressei: Figo, no mínimo, chegou ao seu nível e Cristiano Ronaldo tem tudo para ultrapassá-lo. Mas claro que esta é uma ideia difícil de ser difundida em Portugal, país iminentemente benfiquista, país muito conservador, país de fés, crenças e superstições, país que teve uma das mais longas ditaduras da História, país de salvadores da pátria, país com os níveis de alfabetização mais atrasados do mundo ocidental. Mas, pela primeira vez, não resisto a responder a uma posta de um meu colega de blog. No fundo, a posta dele também foi uma resposta a outras postas. O debate é sempre estimulante.
Em primeiro lugar, Figo afinal não vai ser reforço do tal clube saudita, segundo acabo de ler, pois renovou por mais um ano com o Inter. Deve ter sido um favor que o Moratti me fez, só para te contrariar ;-) Dizes que o Figo só foi indiscutível em Barcelona e nos primeiros tempos de Madrid. É peta, como sabes. Nos 10 anos que esteve em Espanha, só não foi indiscutível nos últimos meses no Real, com Vanderlei Luxemburgo, que, como sabes, não durou muito mais no Bernabéu. Figo foi o primeiro galáctico a sair, o que acaba por ser normal, pois também foi o primeiro a chegar. Desde que começou a jogar no Sporting, em 1991/92, só uma vez Figo fez menos de 30 jogos no campeonato. Foi na segunda época de Madrid, em 2001/02, onde fez 29. Como te lembras, foi a época da grave lesão dele, que o impediu de estar a 100% no Mundial. Mesmo na última época de merengue fez 33 jogos. No Inter fez 34 jogos na época passada e já leva 15 nesta, em 18 jornadas. Já não é sempre titular, mas o que exigir a um jogador de 34 anos num clube que joga campeonato, taça e Liga dos Campeões? Comparar esta prestação à de Rui Costa no Milan só se entende num plano humorístico. O maestro, príncipe, mágico, que jogou cinco anos de “rossonero”, entre os 29 e os 34, ou seja, ainda numa fase pujante da sua carreira, nunca fez mais de 27 jogos no campeonato, o que aconteceu em 2003/04. E quase sempre como suplente de Kaká, como se sabe. Portanto, comparação infeliz.
Em relação a Eusébio, nunca saberemos o que ele faria numa carreira internacional. Saiu do Benfica em 1975, após 15 anos, e em três anos jogou em oito clubes (!) de quatro países diferentes (EUA, México, Canadá e Portugal - Beira-Mar e União de Tomar). Espero sinceramente que Figo não se arraste desta maneira. Quando dizes que o King Pantera Negra ficou na Luz por estar num colosso mundial estás a ser meio irónico. O próprio já reconheceu que gostava de ter podido jogar no Inter, quando teve oportunidade, mas alguém não o permitiu. Claro que na altura não havia tantas transferências internacionais, mas havia algumas. Os nomes que citaste, Beckenbauer, Meazza, Pelé e Garrincha jogaram sempre nos seus países porque estavam nos melhores campeonatos do mundo, algo que Portugal nunca foi, como se sabe. Mesmo o campeonato brasileiro era uma coisa à parte, como mostrou o Santos de Pelé quando despachou o Benfica de Eusébio, por 5-2, em plena Luz, para a Taça Intercontinental. Já com Di Stéfano falhaste. Ele nasceu na Argentina, começou a jogar por lá, passou ainda pela Colômbia e só depois estacionou no Real Madrid. Aliás, chegou a ser internacional pelos três países, o que seria impossível hoje em dia.
Quanto aos títulos conquistados, tens razão. Não é só por eles que se vê a categoria de um jogador. Senão Nalitzis seria mais idolatrado que Balakov, no Sporting, enquanto Preud’homme seria um fiasco ao pé de Quim, no Benfica. Mas erras quando dizes que Eusébio tem mais títulos que Figo. Segundo a Wikipedia, versão inglesa, estes são os números dos dois:
Eusébio (19 títulos): Campeonato Português (11), Taça de Portugal (5), Taça dos Campeões (1), Campeonato Mexicano (1), Campeonato dos EUA (1).
Figo (20 títulos): Taça de Portugal (1), Campeonato Espanhol (4), Taça de Espanha (2), Supertaça Espanhola (3), Taça das Taças (1), Supertaça Europeia (2), Liga dos Campeões (1), Taça Intercontinental (1), Campeonato Italiano (1), Taça de Itália (1), Supertaça Italiana (2), Mundial de sub-20 (1).
Se Eusébio vai ficar por aqui, Figo ainda pode juntar mais uns títulos à sua colecção, com mais um ano e meio de contrato com o Inter.
Na selecção, pelo menos, admites a superioridade de Figo. Eusébio, em 15 anos ao mais alto nível, não conseguiu mais do que participar num Mundial, em 1966. Figo já leva dois Mundiais (2002 e 2006) e três Europeus (1996, 2000 e 2004). Eusébio ficou em 3º no Mundial e foi o melhor marcador, Figo foi 4º num Mundial e 2º num Europeu. Não há muito a contestar. Podemos argumentar que antes era mais difícil conseguir o apuramento, mas se Eusébio era um deus do futebol, tinha obrigação de ultrapassar isso. Maradona não levou, praticamente sozinho, a Argentina a duas finais do Mundial? Quanto à importância de Figo na equipa, estás a ser cruel. Tirando o Mundial 2002, onde ele não estava em grandes condições, como se sabe, foi sempre dos melhores jogadores da selecção. Pegares nos golos também não serve. Eusébio, como se sabe, não sendo um ponta-de-lança, era aquilo a que hoje se chama um “nove e meio”, isto é, joga a meio caminho entre o nº9 e o nº10. Figo é um extremo. E enquanto Eusébio defrontava 2, 3, no máximo 4 defesas, Figo defronta 4, 5, mais 1 ou 2 trincos. Mesmo assim o “Pastilhas” já leva 89 golos só em campeonatos e 32 golos na selecção. Juntando outras provas serão uns 140 golos oficiais. É mau, para um extremo?
A nível individual, Eusébio ganhou a “Bola de Ouro” da “France Football” em 1965 e Figo em 2000. Figo ganhou o prémio da FIFA para melhor jogador do mundo em 2001 e Eusébio nunca ganhou, nem podia, pois ele só existe desde 1991. Eusébio foi o melhor marcador do Mundial de 1966, coisa que Figo nunca conseguiu, pelas razões posicionais já descritas. Mas em compensação foi eleito pela UEFA o MVP do Euro 2000. Em resumo, neste aspecto, de galardões individuais, estão ao mesmo nível.
Resta um argumento. Figo terá tido mais êxitos na selecção porque estava integrado numa geração melhor. Se assim for, também aqui me enganaram durante estes anos todos. Sempre me venderam a ideia de que Costa Pereira, Germano, Coluna, José Augusto, Simões, José Torres e outros eram fantásticos jogadores de futebol, de classe internacional. Afinal não era assim? Então como se explica a primeira Taça dos Campeões do Benfica, ganha sem a participação de Eusébio?
Eusébio foi grande, mas já não é a grande referência do futebol português lá fora, por muito que isso custe a todo o mundo lampião. Figo e Ronaldo já merecem essa distinção. E ainda bem, digo eu, mal seria do futebol português se continuasse a viver de um jogador dos anos 60. O futebol húngaro ainda vive de Puskas e sabe-se a que nível eles estão, não é? Ainda há poucos meses conseguiram perder em Malta. Quanto à comparação basquetebolística que fizeste, não tenho resposta, pois não sou grande fã da bola ao cesto. Mas posso usar o ciclismo. Depois do que Lance Armstrong fez nos últimos anos, e confiando que não foi por ajudas químicas, ainda é possível dizer que Eddie Merckx foi o melhor de sempre?
Em primeiro lugar, Figo afinal não vai ser reforço do tal clube saudita, segundo acabo de ler, pois renovou por mais um ano com o Inter. Deve ter sido um favor que o Moratti me fez, só para te contrariar ;-) Dizes que o Figo só foi indiscutível em Barcelona e nos primeiros tempos de Madrid. É peta, como sabes. Nos 10 anos que esteve em Espanha, só não foi indiscutível nos últimos meses no Real, com Vanderlei Luxemburgo, que, como sabes, não durou muito mais no Bernabéu. Figo foi o primeiro galáctico a sair, o que acaba por ser normal, pois também foi o primeiro a chegar. Desde que começou a jogar no Sporting, em 1991/92, só uma vez Figo fez menos de 30 jogos no campeonato. Foi na segunda época de Madrid, em 2001/02, onde fez 29. Como te lembras, foi a época da grave lesão dele, que o impediu de estar a 100% no Mundial. Mesmo na última época de merengue fez 33 jogos. No Inter fez 34 jogos na época passada e já leva 15 nesta, em 18 jornadas. Já não é sempre titular, mas o que exigir a um jogador de 34 anos num clube que joga campeonato, taça e Liga dos Campeões? Comparar esta prestação à de Rui Costa no Milan só se entende num plano humorístico. O maestro, príncipe, mágico, que jogou cinco anos de “rossonero”, entre os 29 e os 34, ou seja, ainda numa fase pujante da sua carreira, nunca fez mais de 27 jogos no campeonato, o que aconteceu em 2003/04. E quase sempre como suplente de Kaká, como se sabe. Portanto, comparação infeliz.
Em relação a Eusébio, nunca saberemos o que ele faria numa carreira internacional. Saiu do Benfica em 1975, após 15 anos, e em três anos jogou em oito clubes (!) de quatro países diferentes (EUA, México, Canadá e Portugal - Beira-Mar e União de Tomar). Espero sinceramente que Figo não se arraste desta maneira. Quando dizes que o King Pantera Negra ficou na Luz por estar num colosso mundial estás a ser meio irónico. O próprio já reconheceu que gostava de ter podido jogar no Inter, quando teve oportunidade, mas alguém não o permitiu. Claro que na altura não havia tantas transferências internacionais, mas havia algumas. Os nomes que citaste, Beckenbauer, Meazza, Pelé e Garrincha jogaram sempre nos seus países porque estavam nos melhores campeonatos do mundo, algo que Portugal nunca foi, como se sabe. Mesmo o campeonato brasileiro era uma coisa à parte, como mostrou o Santos de Pelé quando despachou o Benfica de Eusébio, por 5-2, em plena Luz, para a Taça Intercontinental. Já com Di Stéfano falhaste. Ele nasceu na Argentina, começou a jogar por lá, passou ainda pela Colômbia e só depois estacionou no Real Madrid. Aliás, chegou a ser internacional pelos três países, o que seria impossível hoje em dia.
Quanto aos títulos conquistados, tens razão. Não é só por eles que se vê a categoria de um jogador. Senão Nalitzis seria mais idolatrado que Balakov, no Sporting, enquanto Preud’homme seria um fiasco ao pé de Quim, no Benfica. Mas erras quando dizes que Eusébio tem mais títulos que Figo. Segundo a Wikipedia, versão inglesa, estes são os números dos dois:
Eusébio (19 títulos): Campeonato Português (11), Taça de Portugal (5), Taça dos Campeões (1), Campeonato Mexicano (1), Campeonato dos EUA (1).
Figo (20 títulos): Taça de Portugal (1), Campeonato Espanhol (4), Taça de Espanha (2), Supertaça Espanhola (3), Taça das Taças (1), Supertaça Europeia (2), Liga dos Campeões (1), Taça Intercontinental (1), Campeonato Italiano (1), Taça de Itália (1), Supertaça Italiana (2), Mundial de sub-20 (1).
Se Eusébio vai ficar por aqui, Figo ainda pode juntar mais uns títulos à sua colecção, com mais um ano e meio de contrato com o Inter.
Na selecção, pelo menos, admites a superioridade de Figo. Eusébio, em 15 anos ao mais alto nível, não conseguiu mais do que participar num Mundial, em 1966. Figo já leva dois Mundiais (2002 e 2006) e três Europeus (1996, 2000 e 2004). Eusébio ficou em 3º no Mundial e foi o melhor marcador, Figo foi 4º num Mundial e 2º num Europeu. Não há muito a contestar. Podemos argumentar que antes era mais difícil conseguir o apuramento, mas se Eusébio era um deus do futebol, tinha obrigação de ultrapassar isso. Maradona não levou, praticamente sozinho, a Argentina a duas finais do Mundial? Quanto à importância de Figo na equipa, estás a ser cruel. Tirando o Mundial 2002, onde ele não estava em grandes condições, como se sabe, foi sempre dos melhores jogadores da selecção. Pegares nos golos também não serve. Eusébio, como se sabe, não sendo um ponta-de-lança, era aquilo a que hoje se chama um “nove e meio”, isto é, joga a meio caminho entre o nº9 e o nº10. Figo é um extremo. E enquanto Eusébio defrontava 2, 3, no máximo 4 defesas, Figo defronta 4, 5, mais 1 ou 2 trincos. Mesmo assim o “Pastilhas” já leva 89 golos só em campeonatos e 32 golos na selecção. Juntando outras provas serão uns 140 golos oficiais. É mau, para um extremo?
A nível individual, Eusébio ganhou a “Bola de Ouro” da “France Football” em 1965 e Figo em 2000. Figo ganhou o prémio da FIFA para melhor jogador do mundo em 2001 e Eusébio nunca ganhou, nem podia, pois ele só existe desde 1991. Eusébio foi o melhor marcador do Mundial de 1966, coisa que Figo nunca conseguiu, pelas razões posicionais já descritas. Mas em compensação foi eleito pela UEFA o MVP do Euro 2000. Em resumo, neste aspecto, de galardões individuais, estão ao mesmo nível.
Resta um argumento. Figo terá tido mais êxitos na selecção porque estava integrado numa geração melhor. Se assim for, também aqui me enganaram durante estes anos todos. Sempre me venderam a ideia de que Costa Pereira, Germano, Coluna, José Augusto, Simões, José Torres e outros eram fantásticos jogadores de futebol, de classe internacional. Afinal não era assim? Então como se explica a primeira Taça dos Campeões do Benfica, ganha sem a participação de Eusébio?
Eusébio foi grande, mas já não é a grande referência do futebol português lá fora, por muito que isso custe a todo o mundo lampião. Figo e Ronaldo já merecem essa distinção. E ainda bem, digo eu, mal seria do futebol português se continuasse a viver de um jogador dos anos 60. O futebol húngaro ainda vive de Puskas e sabe-se a que nível eles estão, não é? Ainda há poucos meses conseguiram perder em Malta. Quanto à comparação basquetebolística que fizeste, não tenho resposta, pois não sou grande fã da bola ao cesto. Mas posso usar o ciclismo. Depois do que Lance Armstrong fez nos últimos anos, e confiando que não foi por ajudas químicas, ainda é possível dizer que Eddie Merckx foi o melhor de sempre?
Alegam eles (os lagartos, claro) que o actual reforço de um certo clube saudita, foi figura de proa em vários clubes de top europeu, enquanto que o Pantera Negra jamais saiu de Portugal.
Em Espanha Figo foi realmente grande (mais em Barcelona), mas terá sido assim tão nuclear no Inter de Milão? Sinceramente comparo a sua prestação à de Rui Costa no AC Milan, se bem que o maestro estava tapado por esse grande jogador que é o brasileiro Kaká.
Figo foi titular indiscutível em Barcelona e nos primeiros anos como Merengue. Luxemburgo apresentou-lhe a porta da saída e o “Pastilhas” foi o 1º do galácticos a sair. Fê-lo pela porta pequena, há que dizê-lo com frontalidade.
Se excluirmos as suas aventuras, já em final de carreira, à caça dos dólares, Eusébio não saiu para o estrangeiro, mas porque o haveria de fazer? O Benfica era no seu tempo um dos grandes colossos do futebol mundial. A cobiça abundava mas o “rei” por uma razão ou por outra permaneceu sempre na Luz.
Nos anos 60 as transferências de jogadores nacionais para o estrangeiro rareavam como a água na planície alentejana nos meses quentes de Verão.
Frankz Beckenbauer (Bayern de Munique), Alfredo Di Stefano (Real Madrid), Giuseppe Meazza (Inter de Milão e 1 ano no AC Milan), Pelé (Santos) e Mané Garrincha (Bota Fogo, são alguns exemplos de atletas que não precisaram de sair do seu país para serem grandes, qui ça os melhores de sempre.
Fala-se também nos títulos conquistados, mas não vamos por aí, Eusébio é certamente mais galardoado do que Figo, mas se formos por esse caminho, Vítor Baía é o melhor guarda redes de todos os tempos e Jorge Costa um dos melhores centrais da história do jogo.
Ao nível da selecção nacional sou obrigado a dar um pouco a mão à palmatória, mas não se pode comparar o grau de exigência para conseguir o apuramento para uma qualquer competição de selecções. No passado não havia Lichenstein, San Marino e todos os pequenos países resultantes do fim da União Soviética e Jugoslávia.
Figo esteve presente em 3 fases finais do campeonato da Europa, 1996, 2000 e 2004.
Em Inglaterra foi uma nulidade (com excepção do golo apontado contra a Croácia), 4 anos mais tarde (talvez na sua melhor época de sempre) foi fantástico, mas perdeu justamente face a Zidane.
No Euro 2004 esteve em bom nível, mas a alma da selecção foi a maravilhosa equipa do Nosso Porto que havia sido campeã europeia um mês antes. Duvidam? Ok, aqui vai: Luís Figo = 0 golos.
Em mundiais, o Coreia e Japão foi um fiasco com o 7 da selecção a não ganhar um único lance. Uma vez mais, Figo = 0 golos.
4 anos mais tarde esteve bem, mas a idade já pesava e as pernas não davam para aguentar os 90 minutos da partida. Golos? Nem vê-los!
Figo foi um grande jogador, mas dizer que suplantou Eusébio é o mesmo que um qualquer adepto dos Los Angeles Lakers afirmar que Kobie Bryant ultrapassou Michael Jordan.
Como é da tradição, o dia 26 de Dezembro proporcionou mais uma jornada da Premier League. Depois de ter reduzido a desvantagem em relação ao líder Manchester United para dois pontos, o Chelsea voltou a perder terreno e está agora a quatro pontos do primeiro lugar. Mas apetece-me dizer duas ou seis coisas sobre os últimos jogos dos dois candidatos ao título inglês.
O Chelsea, que este ano tem o plantel mais rico desde que Mourinho e Abramovich chegaram, está a jogar um futebol cada vez mais parecido com o do Sporting. Uma das coisas que me aborrece na minha equipa é o facto de, muitas vezes, só tentar jogar futebol quando está empatado ou a perder. Quando se encontra a ganhar desiste de impôr o ritmo e permite ao adversário reagir. Como a defesa está firme, raramente se tem dado mal com isso. Mas provoca mais sofrimento que o necessário. O mesmo está a acontecer actualmente com o Chelsea. Tanto com o Wigan como com o Reading, os leões de Londres pararam de jogar após a vantagem. No primeiro caso tiveram a sorte de Robben marcar o golo da vitória em período de compensação, no segundo lixaram-se bem, sofrendo um autogolo cruel (mas merecido) perto do fim. Se no Sporting percebo algumas intermitências, pela juventude de muitos jogadores e até por algumas limitações no plantel, não consigo conceber que tal se passe num plantel como o dos blues.
Outra questão tem a ver com dependências. Tal como o Sporting depende muito de Liedson, o Chelsea está cada vez mais dependente de Drogba. Lampard ainda vai marcando alguns golos, mas de resto é quase o deserto. Outra dependência clara é de John Terry. Sem o capitão, o Chelsea sofreu dois golos em cada um dos últimos três jogos. No primeiro, com o Everton, a comunicação social tuga meteu as culpas em Boulahrouz, ilibando Ricardo Carvalho, e a verdade é que o “canibal” fez um jogo horrível. Depois, em Wigan, o Khalid esteve bem melhor, mas sofreram dois golos na mesma. Hoje o eixo da defesa foi constituído por Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho, mais Hilário, mas na SportTV não se ouviu nenhuma crítica aos portugueses. Eu continuo a dizer que são jogadores banais, incluindo Carvalho, apesar dos orgasmos que os jornalistas portugueses têm com ele. E não é que a porra dos resultados têm-me dado razão?
Já o Manchester está a jogar um futebol mais bonito, mais ofensivo e mais fresco. Hoje poupou muitos jogadores e não marcou na primeira parte, mas teve oportunidades para isso. Ao intervalo entrou Ronaldo e cinco minutos depois já tinha marcado dois golos, tal como em Birmingham. O “andorinha” já é o segundo melhor marcador do campeonato dos bifes, com 10 golos, menos dois que Drogba. Com 21 anos já vai na quinta época no futebol sénior, e sempre em crescendo. Em 2002/03, ainda no Sporting, fez 25 jogos e 3 golos, só no campeonato. Depois, no Manchester, tem os seguintes números (só campeonato): 2003/04 - 29 jogos / 4 golos; 2004/05 - 33 jogos / 5 golos; 2005/06 - 33 jogos / 9 golos; 2006/07 - 18 jogos / 10 golos. A isto podemos juntar 43 jogos e 15 golos na selecção, onde já foi vice-campeão europeu e quarto no Mundial.
Nunca vi jogar Eusébio, mas vi alguns resumos na televisão e conheço bem o currículo dele. Para mim, Luís Figo talvez já merecesse o título de melhor jogador português de sempre, pela carreira que tem feito, sempre a alto nível, sempre a titular, sempre nos melhores clubes do mundo. Mas Ronaldo, cuja carreira ainda agora começou, tem tudo para ultrapassar o “pastilhas”. Técnica? Perfeita! Habilidade? Genial! Velocidade? Explosiva! Pé direito? Forte e colocado! Pé esquerdo? Um pouco pior que o direito! Jogo de cabeça? Excelente! Autoconfiança? Interminável! Influência na equipa? Cada vez maior! O que lhe falta, então, para merecer tudo e mais alguma coisa da parte dos portugueses, especialmente da Imprensa? O mesmo que falta a Figo: nunca jogou no Benfica. Por incrível que possa parecer a quem vem de fora, esse handicap é suficiente para não subir o último degrau de reconhecimento que lhe(s) falta. Quem vir a capa de A Bola de hoje, 26 de Dezembro, percebe o que quero dizer. Não é rei, príncipe, maestro, mágico quem quer, nem sequer quem pode, mas sim quem frequenta o sítio certo.
O Chelsea, que este ano tem o plantel mais rico desde que Mourinho e Abramovich chegaram, está a jogar um futebol cada vez mais parecido com o do Sporting. Uma das coisas que me aborrece na minha equipa é o facto de, muitas vezes, só tentar jogar futebol quando está empatado ou a perder. Quando se encontra a ganhar desiste de impôr o ritmo e permite ao adversário reagir. Como a defesa está firme, raramente se tem dado mal com isso. Mas provoca mais sofrimento que o necessário. O mesmo está a acontecer actualmente com o Chelsea. Tanto com o Wigan como com o Reading, os leões de Londres pararam de jogar após a vantagem. No primeiro caso tiveram a sorte de Robben marcar o golo da vitória em período de compensação, no segundo lixaram-se bem, sofrendo um autogolo cruel (mas merecido) perto do fim. Se no Sporting percebo algumas intermitências, pela juventude de muitos jogadores e até por algumas limitações no plantel, não consigo conceber que tal se passe num plantel como o dos blues.
Outra questão tem a ver com dependências. Tal como o Sporting depende muito de Liedson, o Chelsea está cada vez mais dependente de Drogba. Lampard ainda vai marcando alguns golos, mas de resto é quase o deserto. Outra dependência clara é de John Terry. Sem o capitão, o Chelsea sofreu dois golos em cada um dos últimos três jogos. No primeiro, com o Everton, a comunicação social tuga meteu as culpas em Boulahrouz, ilibando Ricardo Carvalho, e a verdade é que o “canibal” fez um jogo horrível. Depois, em Wigan, o Khalid esteve bem melhor, mas sofreram dois golos na mesma. Hoje o eixo da defesa foi constituído por Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho, mais Hilário, mas na SportTV não se ouviu nenhuma crítica aos portugueses. Eu continuo a dizer que são jogadores banais, incluindo Carvalho, apesar dos orgasmos que os jornalistas portugueses têm com ele. E não é que a porra dos resultados têm-me dado razão?
Já o Manchester está a jogar um futebol mais bonito, mais ofensivo e mais fresco. Hoje poupou muitos jogadores e não marcou na primeira parte, mas teve oportunidades para isso. Ao intervalo entrou Ronaldo e cinco minutos depois já tinha marcado dois golos, tal como em Birmingham. O “andorinha” já é o segundo melhor marcador do campeonato dos bifes, com 10 golos, menos dois que Drogba. Com 21 anos já vai na quinta época no futebol sénior, e sempre em crescendo. Em 2002/03, ainda no Sporting, fez 25 jogos e 3 golos, só no campeonato. Depois, no Manchester, tem os seguintes números (só campeonato): 2003/04 - 29 jogos / 4 golos; 2004/05 - 33 jogos / 5 golos; 2005/06 - 33 jogos / 9 golos; 2006/07 - 18 jogos / 10 golos. A isto podemos juntar 43 jogos e 15 golos na selecção, onde já foi vice-campeão europeu e quarto no Mundial.
Nunca vi jogar Eusébio, mas vi alguns resumos na televisão e conheço bem o currículo dele. Para mim, Luís Figo talvez já merecesse o título de melhor jogador português de sempre, pela carreira que tem feito, sempre a alto nível, sempre a titular, sempre nos melhores clubes do mundo. Mas Ronaldo, cuja carreira ainda agora começou, tem tudo para ultrapassar o “pastilhas”. Técnica? Perfeita! Habilidade? Genial! Velocidade? Explosiva! Pé direito? Forte e colocado! Pé esquerdo? Um pouco pior que o direito! Jogo de cabeça? Excelente! Autoconfiança? Interminável! Influência na equipa? Cada vez maior! O que lhe falta, então, para merecer tudo e mais alguma coisa da parte dos portugueses, especialmente da Imprensa? O mesmo que falta a Figo: nunca jogou no Benfica. Por incrível que possa parecer a quem vem de fora, esse handicap é suficiente para não subir o último degrau de reconhecimento que lhe(s) falta. Quem vir a capa de A Bola de hoje, 26 de Dezembro, percebe o que quero dizer. Não é rei, príncipe, maestro, mágico quem quer, nem sequer quem pode, mas sim quem frequenta o sítio certo.
Posted by
Unknown
at
3:35 AM
Durante muitos anos venderam-me a ideia de que Portugal era um país de clima temperado, com estações do ano agradáveis, se em comparação com muitos outros países. Raros são os fenómenos atmosféricos extremos, como nevões, ciclones e outros. Afinal, descobri este ano que somos um país do norte da Europa, com um clima terrível no Inverno. Foi isso que me ensinou a nossa Liga de Futebol Profissional, ao instituir uma pausa de Inverno na principal competição do nosso futebol. Entre a 14ª e a 15ª jornadas passam exactamente quatro semanas, quase um mês sem campeonato. Acho bem, isto de jogar com neve é muito perigoso.
Agora sem ironia, admito ter-me enganado quando pensei que a redução do número de equipas nos campeonatos profissionais ia trazer melhorias. Nem pensar. Infelizmente o futebol português tem pouquíssimos clubes capazes de garantir competitividade ao mais alto nível. Por isso, ou se fazia um campeonato com 6 ou 8 clubes (e se calhar já eram muitos), ou deixava-se estar nos 18. A qualidade seria a mesma, ou seja, baixa, mas pelo menos teríamos mais quatro jornadas de pé na bola e mais duas cidades na Liga Bine. Seja como for, já é possível fazer um balanço das primeiras 14 jornadas da prova, equipa a equipa:
1º FC Porto, 37 pontos: Como se esperava, o líder incontestável. Tem o orçamento maior e o plantel mais forte e isso tem bastado e deve continuar a bastar para manter a liderança. Se Jesualdo Ferreira é um óptimo treinador é difícil dizer. Com estas condições, difícil seria não ser campeão. Co Adriaanse conquistou os seus primeiros títulos no Dragão e Jesualdo vai conseguir o mesmo. Paulo Bento e Fernando Santos também o conseguiriam, estou certo. Mas o Porto tem mostrado fragilidades, por vezes. A derrota em Braga foi justa e o empate em Alvalade foi lisonjeiro. Das 12 vitórias, cinco foram pela margem mínima e três delas (Benfica, Académica e Nacional) perto do fim. Tal mostra força mental, mas também algumas dificuldades. Helton, Pepe, Lucho, Quaresma e Postiga têm sido das maiores figuras do campeonato e permitem disfarçar algumas deficiências (Bruno Alves, Cech...).
2º Sporting, 32 pontos: Ao nível esperado. Com o orçamento mais baixo dos três grandes e o treinador e o plantel mais inexperientes, o Sporting é o principal candidato ao terceiro lugar. Não brilha muitas vezes, mas joga quase sempre de forma segura, na sequência do que fez na época passada. Empatou com o Porto quando merecia ganhar, mas perdeu bem com o Benfica. Perdeu com o Paços com um golo ilegal, mas devia ter dado a volta facilmente, tantas as oportunidades que criou na segunda parte. Em Aveiro teve o jogo mais ridículo, deixando-se empatar duas vezes nos minutos finais. Esse jogo pode ter sido decisivo na luta pelo título. Nenhum jogador tem brilhado a grande altura (Moutinho tem de ser mais decisivo, senão não vai passar da cepa torta) e as decepções têm sido as do costume (Carlos Martins, Romagnoli e um avançado, este ano é Bueno). O título vai ser difícil e o segundo lugar também, pois a segunda volta será mais complicada que a primeira.
3º Benfica, 29 pontos: Irregularidade a mais. Tem o segundo maior orçamento e um plantel com algumas vedetas, mas não consegue fazer mais que dois jogos seguidos de jeito. Faz lembrar o Sporting dos anos 90. Ninguém sabe qual é o verdadeiro Benfica. O que goleou em Leiria e ganhou em Alvalade ou o que saiu trucidado do Bessa e de Braga. Escusado será dizer que assim não se fazem campeões. Com uma segunda volta mais leve, é bem capaz de ainda garantir o segundo lugar, o que também é difícil dizer se é bom se é mau. Por um lado garante a Liga dos Campeões e é um lugar melhor que na época passada. Por outro é muito mau para quem já devia ser o maior clube do mundo nesta altura. A grande surpresa tem sido Katsouranis, que se integrou de imediato e tem marcado que se farta (era isto que eu pedia aos médios sportinguistas...). De resto, tudo normal: Simão ao seu nível, Nuno Gomes voltou à sua média de golos habitual, Miccoli vai alternando entre relva e enfermaria... Nada de novo.
4º Braga, 24 pontos: Alguma decepção. O Braga nunca partiu com tanta ambição como este ano, com um plantel reforçadíssimo e um treinador que se valesse tanto como as palavras caras que usa estaria no top mundial. Mas desde o início mostrou-se muito irregular, com belas vitórias frente a Porto e Benfica e derrotas claras frente a Sporting e Marítimo, por exemplo. Já está a 13 pontos da liderança, pelo que o desejado título para o Minho terá de esperar. Carvalhal bateu com a porta e Rogério Gonçalves comanda agora um navio depois de apenas ter capitaneado traineiras. Vamos ver como prossegue a campanha bracarense em 2007, com um plantel ainda mais reforçado. Adriano e Edgar estão garantidos.
5º Marítimo, 22 pontos: Salto qualitativo. Depois de um sensaborão 10º lugar na época passada, o Marítimo parece estar de volta às lutas europeias. Não é ainda uma equipa totalmente fiável, como provou na goleada sofrida em casa com o Belenenses, mas nota-se progressão em relação ao ano passado. E, no fundo, é isso que se pede quando se aposta no mesmo treinador. Para já, Ulisses Morais tem justificado a confiança de Alberto João Jardim, perdão, Carlos Pereira.
6º U. Leiria, 21 pontos: Normal. A União de Leiria, dando seguimento às suas excelentes e, aparentemente, até promíscuas relações com o Porto, apostou este ano numa antiga estrela das Antas, Domingos Paciência. Os resultados têm sido positivos, com a equipa do maior estádio do país a apenas um ponto da Europa. A continuar assim, Domingos pode orgulhar-se do seu ano de estreia como treinador de uma equipa profissional.
7º Nacional, 20 pontos: Ainda a tempo. Depois de na época passada ter assegurado uma presença europeia pela segunda vez na sua história, pela mão de Manuel Machado, o Nacional tenta agora não fazer pior. É Carlos Brito que tem a responsabilidade de não defraudar o presidente menos egocêntrico do futebol luso. Para já não vai mal, apenas a dois pontos de um lugar europeu, ocupado pelo rival Marítimo. Promete uma luta interessante para a segunda volta.
8º Naval, 20 pontos: Agradável. Na época passada salvou-se da descida à última hora. Este ano começou o campeonato de forma exemplar e não vacilou muito quando perdeu Rogério Gonçalves para o Braga. Se fizer mais 10/12 pontos garante a permanência e fica livre para fazer uma gracinha na luta pelo 5º lugar. Sem estrelas, mostra que é possível fazer uma equipa competitiva com capacidade de trabalho. Marca poucos golos, mas também não sofre muitos. Só Porto e Sporting têm defesas melhores.
9º Belenenses, 20 pontos: Outra das grandes surpresas. O Belenenses, como toda a gente sabe, devia estar a disputar a Liga de Honra, onde previa um ano de grandes dificuldades. Mas com um plantel limitado e sem avançados de qualidade, está a fazer um campeonato de qualidade, terminando a primeira volta em grande estilo (ou melhor, espero que não, pois ainda vai receber o Sporting na primeira volta). José Pedro tem sido a alma da equipa, a construir e a marcar, e Jorge Jesus mostra que é possível ter qualidade sem saber falar português.
10º P. Ferreira, 18 pontos: Dentro do esperado. O Paços é dos clubes mais previsíveis do futebol português. Luta sempre para não descer, nunca consegue fazer um brilharete. Só resulta com José Mota e José Mota só resulta no Paços. Gosta sempre de lixar o Sporting. Cumprida a tradição, nada mais se exige (e se espera) da equipa da Mata Real.
11º Boavista, 16 pontos: De volta à mediania. Se alguém esperava que o Boavista se tornasse num grande após o título de 2001, enganou-se bem. Se calhar para dar mais emoção à luta com o Belenenses pelo posto de quarto grande, os axadrezados imitam o seu rival: pouco público no estádio, resultados modestos, futebol pouco interessante. Mesmo assim, a seis pontos do 5º lugar, o Boavista ainda pode chegar à Europa. Veremos se consegue, pois Jaime Pacheco parece também já não ter o élan de 2001.
12º E. Amadora, 15 pontos: Porreiro. Normalmente não tenho grande simpatia pelo Estrela, mas este ano é excepção. Depois do excelente 9º lugar da época passada, este ano a tarefa era mais complicada. Para além de ter de jogar fora os jogos em casa, o Estrela apresentou um treinador novo. Acompanho a carreira de Daúto Faquirá há uns anos e simpatizo com ele. No entanto, sempre foi alvo de um certo escárnio, não sei se pelo nome exótico, se por ser preto, se por ambos os dois... Mas já tinha mostrado competência no Sintrense, no Odivelas, no Barreirense e no Estoril, pelo que a oportunidade é merecida. Começou muito mal, mas começou a ganhar pontos discretamente e neste momento já tem quase o dobro dos dois últimos.
13º Académica, 13 pontos: Decepção. A Académica é hoje um clube de boa capacidade de investimento e que não tem hesitado em fazê-lo. Já era tempo da Briosa regressar às lutas europeias, mas continua agarrada à segunda metade da tabela. Com um treinador de provas dadas, Manuel Machado, tem sido uma desilusão. A segunda volta só pode ser melhor.
14º V. Setúbal, 9 pontos: De esperar. Depois de duas épocas muito boas o Vitória regressa à sua realidade actual. Sem conseguir segurar os melhores jogadores, resta apenas lutar para não descer. Quando o plantel é limitado, resta a atitude para tentar alcançar melhores resultados. Mas o Vitória, com uma cultura de futebol bonito, não tem jogadores comedores de relva. Se a permanência acontecer, a capela do Senhor do Bonfim vai encher, bem mais do que tem acontecido no estádio, cada vez mais frio e abandonado.
15º Aves, 8 pontos: Sem nível. Neca voltou a trazer o Aves para a I Liga e, provavelmente, vai levá-lo de volta para a II. Com um plantel fraco, um futebol defensivo, mas nem por isso eficaz, quase sem adeptos, o Aves é daqueles clubes que não faz falta nenhuma ao escalão principal. Há outros, é certo.
16º Beira-Mar, 8 pontos: Inesperado. Com vedetas como Jardel e Danrlei e um treinador campeão como Inácio, esperava-se, no mínimo, um campeonato tranquilo. Mas uma única vitória em 14 jogos mostra que algo vai mal para os lados da ria. É outro clube a viver acima das possibilidades, com um estádio gigantesco e jogadores com nome, mas sem rendimento. Saiu Inácio para o último da liga grega (aqui se vê como a qualidade de vida em Portugal é grande), chegou Carvalhal, mas a incapacidade continuou. Mas não seria de admirar que conseguisse a manutenção, até porque parece uma equipa melhor que Setúbal e Aves.
Agora sem ironia, admito ter-me enganado quando pensei que a redução do número de equipas nos campeonatos profissionais ia trazer melhorias. Nem pensar. Infelizmente o futebol português tem pouquíssimos clubes capazes de garantir competitividade ao mais alto nível. Por isso, ou se fazia um campeonato com 6 ou 8 clubes (e se calhar já eram muitos), ou deixava-se estar nos 18. A qualidade seria a mesma, ou seja, baixa, mas pelo menos teríamos mais quatro jornadas de pé na bola e mais duas cidades na Liga Bine. Seja como for, já é possível fazer um balanço das primeiras 14 jornadas da prova, equipa a equipa:
1º FC Porto, 37 pontos: Como se esperava, o líder incontestável. Tem o orçamento maior e o plantel mais forte e isso tem bastado e deve continuar a bastar para manter a liderança. Se Jesualdo Ferreira é um óptimo treinador é difícil dizer. Com estas condições, difícil seria não ser campeão. Co Adriaanse conquistou os seus primeiros títulos no Dragão e Jesualdo vai conseguir o mesmo. Paulo Bento e Fernando Santos também o conseguiriam, estou certo. Mas o Porto tem mostrado fragilidades, por vezes. A derrota em Braga foi justa e o empate em Alvalade foi lisonjeiro. Das 12 vitórias, cinco foram pela margem mínima e três delas (Benfica, Académica e Nacional) perto do fim. Tal mostra força mental, mas também algumas dificuldades. Helton, Pepe, Lucho, Quaresma e Postiga têm sido das maiores figuras do campeonato e permitem disfarçar algumas deficiências (Bruno Alves, Cech...).
2º Sporting, 32 pontos: Ao nível esperado. Com o orçamento mais baixo dos três grandes e o treinador e o plantel mais inexperientes, o Sporting é o principal candidato ao terceiro lugar. Não brilha muitas vezes, mas joga quase sempre de forma segura, na sequência do que fez na época passada. Empatou com o Porto quando merecia ganhar, mas perdeu bem com o Benfica. Perdeu com o Paços com um golo ilegal, mas devia ter dado a volta facilmente, tantas as oportunidades que criou na segunda parte. Em Aveiro teve o jogo mais ridículo, deixando-se empatar duas vezes nos minutos finais. Esse jogo pode ter sido decisivo na luta pelo título. Nenhum jogador tem brilhado a grande altura (Moutinho tem de ser mais decisivo, senão não vai passar da cepa torta) e as decepções têm sido as do costume (Carlos Martins, Romagnoli e um avançado, este ano é Bueno). O título vai ser difícil e o segundo lugar também, pois a segunda volta será mais complicada que a primeira.
3º Benfica, 29 pontos: Irregularidade a mais. Tem o segundo maior orçamento e um plantel com algumas vedetas, mas não consegue fazer mais que dois jogos seguidos de jeito. Faz lembrar o Sporting dos anos 90. Ninguém sabe qual é o verdadeiro Benfica. O que goleou em Leiria e ganhou em Alvalade ou o que saiu trucidado do Bessa e de Braga. Escusado será dizer que assim não se fazem campeões. Com uma segunda volta mais leve, é bem capaz de ainda garantir o segundo lugar, o que também é difícil dizer se é bom se é mau. Por um lado garante a Liga dos Campeões e é um lugar melhor que na época passada. Por outro é muito mau para quem já devia ser o maior clube do mundo nesta altura. A grande surpresa tem sido Katsouranis, que se integrou de imediato e tem marcado que se farta (era isto que eu pedia aos médios sportinguistas...). De resto, tudo normal: Simão ao seu nível, Nuno Gomes voltou à sua média de golos habitual, Miccoli vai alternando entre relva e enfermaria... Nada de novo.
4º Braga, 24 pontos: Alguma decepção. O Braga nunca partiu com tanta ambição como este ano, com um plantel reforçadíssimo e um treinador que se valesse tanto como as palavras caras que usa estaria no top mundial. Mas desde o início mostrou-se muito irregular, com belas vitórias frente a Porto e Benfica e derrotas claras frente a Sporting e Marítimo, por exemplo. Já está a 13 pontos da liderança, pelo que o desejado título para o Minho terá de esperar. Carvalhal bateu com a porta e Rogério Gonçalves comanda agora um navio depois de apenas ter capitaneado traineiras. Vamos ver como prossegue a campanha bracarense em 2007, com um plantel ainda mais reforçado. Adriano e Edgar estão garantidos.
5º Marítimo, 22 pontos: Salto qualitativo. Depois de um sensaborão 10º lugar na época passada, o Marítimo parece estar de volta às lutas europeias. Não é ainda uma equipa totalmente fiável, como provou na goleada sofrida em casa com o Belenenses, mas nota-se progressão em relação ao ano passado. E, no fundo, é isso que se pede quando se aposta no mesmo treinador. Para já, Ulisses Morais tem justificado a confiança de Alberto João Jardim, perdão, Carlos Pereira.
6º U. Leiria, 21 pontos: Normal. A União de Leiria, dando seguimento às suas excelentes e, aparentemente, até promíscuas relações com o Porto, apostou este ano numa antiga estrela das Antas, Domingos Paciência. Os resultados têm sido positivos, com a equipa do maior estádio do país a apenas um ponto da Europa. A continuar assim, Domingos pode orgulhar-se do seu ano de estreia como treinador de uma equipa profissional.
7º Nacional, 20 pontos: Ainda a tempo. Depois de na época passada ter assegurado uma presença europeia pela segunda vez na sua história, pela mão de Manuel Machado, o Nacional tenta agora não fazer pior. É Carlos Brito que tem a responsabilidade de não defraudar o presidente menos egocêntrico do futebol luso. Para já não vai mal, apenas a dois pontos de um lugar europeu, ocupado pelo rival Marítimo. Promete uma luta interessante para a segunda volta.
8º Naval, 20 pontos: Agradável. Na época passada salvou-se da descida à última hora. Este ano começou o campeonato de forma exemplar e não vacilou muito quando perdeu Rogério Gonçalves para o Braga. Se fizer mais 10/12 pontos garante a permanência e fica livre para fazer uma gracinha na luta pelo 5º lugar. Sem estrelas, mostra que é possível fazer uma equipa competitiva com capacidade de trabalho. Marca poucos golos, mas também não sofre muitos. Só Porto e Sporting têm defesas melhores.
9º Belenenses, 20 pontos: Outra das grandes surpresas. O Belenenses, como toda a gente sabe, devia estar a disputar a Liga de Honra, onde previa um ano de grandes dificuldades. Mas com um plantel limitado e sem avançados de qualidade, está a fazer um campeonato de qualidade, terminando a primeira volta em grande estilo (ou melhor, espero que não, pois ainda vai receber o Sporting na primeira volta). José Pedro tem sido a alma da equipa, a construir e a marcar, e Jorge Jesus mostra que é possível ter qualidade sem saber falar português.
10º P. Ferreira, 18 pontos: Dentro do esperado. O Paços é dos clubes mais previsíveis do futebol português. Luta sempre para não descer, nunca consegue fazer um brilharete. Só resulta com José Mota e José Mota só resulta no Paços. Gosta sempre de lixar o Sporting. Cumprida a tradição, nada mais se exige (e se espera) da equipa da Mata Real.
11º Boavista, 16 pontos: De volta à mediania. Se alguém esperava que o Boavista se tornasse num grande após o título de 2001, enganou-se bem. Se calhar para dar mais emoção à luta com o Belenenses pelo posto de quarto grande, os axadrezados imitam o seu rival: pouco público no estádio, resultados modestos, futebol pouco interessante. Mesmo assim, a seis pontos do 5º lugar, o Boavista ainda pode chegar à Europa. Veremos se consegue, pois Jaime Pacheco parece também já não ter o élan de 2001.
12º E. Amadora, 15 pontos: Porreiro. Normalmente não tenho grande simpatia pelo Estrela, mas este ano é excepção. Depois do excelente 9º lugar da época passada, este ano a tarefa era mais complicada. Para além de ter de jogar fora os jogos em casa, o Estrela apresentou um treinador novo. Acompanho a carreira de Daúto Faquirá há uns anos e simpatizo com ele. No entanto, sempre foi alvo de um certo escárnio, não sei se pelo nome exótico, se por ser preto, se por ambos os dois... Mas já tinha mostrado competência no Sintrense, no Odivelas, no Barreirense e no Estoril, pelo que a oportunidade é merecida. Começou muito mal, mas começou a ganhar pontos discretamente e neste momento já tem quase o dobro dos dois últimos.
13º Académica, 13 pontos: Decepção. A Académica é hoje um clube de boa capacidade de investimento e que não tem hesitado em fazê-lo. Já era tempo da Briosa regressar às lutas europeias, mas continua agarrada à segunda metade da tabela. Com um treinador de provas dadas, Manuel Machado, tem sido uma desilusão. A segunda volta só pode ser melhor.
14º V. Setúbal, 9 pontos: De esperar. Depois de duas épocas muito boas o Vitória regressa à sua realidade actual. Sem conseguir segurar os melhores jogadores, resta apenas lutar para não descer. Quando o plantel é limitado, resta a atitude para tentar alcançar melhores resultados. Mas o Vitória, com uma cultura de futebol bonito, não tem jogadores comedores de relva. Se a permanência acontecer, a capela do Senhor do Bonfim vai encher, bem mais do que tem acontecido no estádio, cada vez mais frio e abandonado.
15º Aves, 8 pontos: Sem nível. Neca voltou a trazer o Aves para a I Liga e, provavelmente, vai levá-lo de volta para a II. Com um plantel fraco, um futebol defensivo, mas nem por isso eficaz, quase sem adeptos, o Aves é daqueles clubes que não faz falta nenhuma ao escalão principal. Há outros, é certo.
16º Beira-Mar, 8 pontos: Inesperado. Com vedetas como Jardel e Danrlei e um treinador campeão como Inácio, esperava-se, no mínimo, um campeonato tranquilo. Mas uma única vitória em 14 jogos mostra que algo vai mal para os lados da ria. É outro clube a viver acima das possibilidades, com um estádio gigantesco e jogadores com nome, mas sem rendimento. Saiu Inácio para o último da liga grega (aqui se vê como a qualidade de vida em Portugal é grande), chegou Carvalhal, mas a incapacidade continuou. Mas não seria de admirar que conseguisse a manutenção, até porque parece uma equipa melhor que Setúbal e Aves.


Maciel, Marcel, João Pinto, Zé Carlos e Césinha constituem um ataque de grande qualidade, como já se pôde ver nesta primeira metade da Liga BWIN. Qualquer um deles, em boa forma, tem lugar no 11 titular de um dos 3 grandes. Se Maciel e JVP já foram, em tempos, essenciais num clube de topo do futebol português, Marcel falhou incompreensivelmente no Benfica( e fica a sensação de teria capacidade para singrar facilmente se lhe tivessem dado mais tempo...) e Zé Carlos parece-me claramente melhor que Fonseca e Bueno.
O Natal é uma época de alegria, principalmente para Rogério Gonçalves. Ao que tudo indica, Adriano chega em Janeiro. O clube da cidade dos arcebispos contará ainda com um ponta-de-lança de 19 anos, internacional brasileiro de sub-20. Edgar notabilizou-se ao serviço do Joinville, representava o São Paulo e foi campeão no ano transacto, apesar das poucas oportunidades para se mostrar.
A quantidade e qualidade do plantel do Braga deve assustar Sporting e Benfica, principalmente. Com este enorme rol de profissionais com virtuosismo reconhecido, os jogos da UEFA não devem fazer o Braga claudicar nas competições internas. É impossível não destacar a competência da direcção de António Salvador na prospecção dos talentos disponíveis no mercado. Com o melhor ataque da Liga, esta equipa promete...
Subscribe to:
Posts (Atom)



