on Sunday, June 18, 2006
Após o fracasso do Mundial 2002, Portugal conseguiu pôr em práctica uma remodelação ao nível da selecção nacional: a geração de ouro estava a dar as últimas e foram encontradas alternativas para colmatar a saída de jogadores fundamentais. Baia deu lugar a Ricardo, Jorge Andrade aproveitou a reforma de Jorge Costa, Costinha fez esquecer Paulo Bento, Nuno Valente ganhou o lugar a Rui Jorge e Deco substituiu João Pinto. Scolari demonstrou coragem em alguns casos neste processo de renovação e teimosia noutros, mas não temos dúvidas que, tirando o caso do ainda influente capitão Figo(o único da pretérita geração), esta nova fornada de craques nada fica a dever aos seus antecessores.
Parece-me que o principal problema da França é não ter encontrado um conjunto com um valor próximo ao que conquistou o Mundial 98 e Euro 2000. E as pedras fundamentais que restam dessa equipa estão a mostrar não aguentar um final de época extremamente cansativo. Parece que Zidane não vai ter o final de carreira pretendido, Henry não tem ninguém à altura para o acompanhar(Trezeguet não joga porquê?!), Vieira faz o que pode ao lado do estafado Makelélé. A França apresentou, frente à Suiça, 5 jogadores do 11 titular com mais de 30 anos: Barthez(34), Thuram(34), Makelélé(33), Zidane(33) e Wiltord(32). Abidal(26) e Ribery(23) , os mais jovens gauleses, não apresentaram um futebol à altura daquilo que demonstraram no campeonato francês. A equipa da França vai sofrer mudanças radicais após o final do Alemanha 2006: a remodelação que se podia ter feito aos poucos vai ser efectuada de forma abrupta. Depois dos sucessos do passado, parece que nenhum seleccionador tem coragem para pôr de parte as principais figuras da equipa, que se arrastam pelo campo de uma maneira penosa para os adeptos do futebol. E quem contribuiu de forma tão positiva para o "desporto rei" não merece passar por isto.
on Thursday, June 15, 2006
Finalmente chegamos ao México 86. Cabe-me a mim a honra desta posta sobre o último dos grandes mundiais de futebol. Foi qualquer coisa de extraordinário, desde a estonteante caderneta de cromos da Panini, ao famoso pontapé livre do Canadá, passando pela saída em falso (qual Ricardo no Euro2004) de Harold Schumacher no golo de Brown e claro… Saltillo. O famigerado caso que abriu as portas da selecção a meia equipa do Vitória de Guimarães e do Boavista:Skoda, Gilberto, Eduardo Lúcio e tantos outros…
O Mundial foi tão especial que Deus decidiu descer à terra e antecipar-se a Peter Shilton, carimbando o 1-0 para a Argentina no jogo dos quartos de final contra a Inglaterra.
Até a mascote era qualquer coisa de transcendente. Pique era fantástico só podendo ser igualado pelo Naranjito e,anos mais tarde, pelo cão do USA 94.


Inicialmente designada para organizar o 13º Mundial, a Colômbia, mergulhada numa forte crise financeira, decidiu atirar a toalha.
O México avançou, garantindo a continuidade da competição no hemisfério Oeste.
Tragicamente, o país foi abalado, em Setembro de 1985, por um violento tremor de terra. Contudo, um esforço enorme daqueles que são considerados os maiores molengas do mundo permitiu que tudo estivesse pronto a tempo e horas. Ok, os estádios não foram afectados.
Portugal esteve lá, fruto de uma campanha de qualificação com altos e baixos.
Destaque pela positiva para a vitória em Estocolmo e, claro, para a charutada do Carlão em Estugarda. “Deixem-me sonhar"...dizia José Torres antes de embarcar para a Alemanha Ocidental.
Os momentos mais importantes fase que qualificação portuguesa poderão ser vistos no seguinte link:http://oesfericonarede.blogspot.com/2005/07/rumo-ao-mxico-86.html

Estiveram presentes, no México, 24 equipas repartidas por 6 grupos.
Passavam aos oitavos de final, os 2 primeiros de cada grupo e os 4 melhores terceiros.
GrupoA: Itália, Argentina, Bulgária e Coreia do Sul
O campeonato começou com um entediante empate a uma bola entre os campeões em título e a Bulgária dos futuros “portugueses” Radi (Desp. Chaves), Mihaielov (Belenenses), Mladenov (Belenenses), Petrov (Beira Mar) e Guetov (Portimonense).
A Argentina venceu o grupo com 5 pontos (2V e 1E), seguida da Itália com 4 (1V e 2E).
Com 2 pontos, fruto de 2 empates por 1-1 (Itália e Coreia do Sul), a Bulgária acabou por ser um dos 4 melhores terceiros lugares seguindo em frente na competição.
Os coreanos, onde a figura de proa era Bun Chun Cha do Bayern Leverkusen, despediam-se mas deixavam boas indicações. Parabéns aos rapazes pela excelente réplica dada à Itália (2-3).

GrupoB: México, Bélgica, Paraguai e Iraque
O México, onde pontificava o “pichichi” do campeonato espanhol Hugo Sanchez venceu o grupo com 5 pontos (2V e 1E).
O Paraguai, já então uma selecção bastante aguerrida, ficou em 2º, invicto com 4 pontos.
Apesar do início comprometedor (derrota 2-1 com o México), os "diabos vermelhos" belgas avançaram para a fase seguinte.
O Iraque despedia-se sem glória …e sem pontos.

Grupo C: URSS, França, Canadá e Hungria
Grupo dominado pela URSS e pela França que terminaram com 5 pontos.
Realce para o jogo URSS – Hungria que mereceu honras num post anterior, e claro para o pontapé livre do Canadá. Num gesto inovador, os canadianos metiam uma mini barreira à frente da barreira contrária. Algo tão original como parvo! Os 2 elementos abriam, levando muitas vezes com o petardo do companheiro. Perdia-se uma situação de perigo e o adversário podia sair em contra-ataque.
A derrota por 6-0 com a demolidora URSS (ou Dínamo de Kiev + Dassaev) acabou com as esperanças magiares. Apesar da vitória frente ao Canadá, os de leste foram para casa.

Grupo D: Brasil, Espanha, Irlanda do Norte e Argélia
Começou o grupo com uma vitória tangencial dos canarinhos sobre a fúria espanhola. Podiam contudo, nuestros hermanos queixar-se do juiz da partida que não viu um golo limpo.
3 vitórias valeram ao Brasil o 1º lugar, seguido da Espanha com 4 pontos.
Irlanda do Norte e Argélia, de um tal Rabat Madjer, ficaram no último lugar com 1 pontinho.

Grupo E: Dinamarca, Uruguai, RFA e Escócia
Um grupo teoricamente equilibrado, que viu na Dinamarca a grande revelação. Depois da excelente campanha no Euro 84, os vikings começaram por vencer a Escócia por 1-0, manietaram o Uruguai por 6-1 e acabaram infligindo uma surpreendente derrota por 2-0 à RFA. A dupla demolidora Preben Elkjær-Larsen e Laudrup faziam estragos.
A RFA fez uma fase de grupos sofrível, mas lá conseguiu, não se sabe bem como, ser 2ª com 3 pontos. Entraram mal os “panzers” germânicos, com Klaus Allofs a evitar a 10 minutos do final a derrota com o Uruguai.
Na última oportunidade da geração de ouro (Dalglish, Souness, Archibal e Cª) a Escócia voltou a desiludir e foi para casa com somente 1 pontinho, alcançado no último jogo ante o Uruguai (0-0). O embate entre sul americanos e britânicos teve a particularidade de Batista, jogador do Uruguai, ter sido expulso logo aos 56 segundos de jogo. É obra!
Os azuis celestes com 2 pontos e um saldo negativo de 5 golos (menos 2 que a Hungria) seguiram em frente.

Grupo F: Portugal, Marros, Polónia e Inglaterra
A campanha portuguesa pode ser vista mais ao pormenor neste link: http://oesfericonarede.blogspot.com/2005/07/no-mxico.html
Começou mal a Inglaterra ao perder com Portugal, naquele que foi a continuação de Estugarda.
Á entrada para a última jornada, os inventores do futebol tinham somente um ponto (empate a zero com Marrocos). Um Hat-trick de Lineker garantiu o 2º lugar o consequente apuramento.
Marrocos venceu o grupo de forma surpreendente. Foi a 1ª vez que uma selecção africana passou a fase de grupos.
A Polónia com 3 pontos foi 3º e seguiu em frente.

Oitavos de Final
O México bateu a Bulgária por 2-0, com o 2º golo a ser uma obra-prima do já falecido Manuel Negrete.
Naquele que foi talvez o primeiro grande jogo do mundial, a Bélgica venceu a URSS por 4-3, após prolongamento.
O Brasil esmagou a Polónia por 4-0, num jogo sem história e de sentido único.
Igualmente sem história, a Inglaterra bateu o Paraguai por 3-0, com um bis de Linecker.
Em Puebla, a Argentina vencia finalmente o Uruguai em jogos a contar para o campeonato do mundo. Maradona festejou como se de uma final se tratasse.
Lothar Matthaus, com golo de livre directo a 10 minutos do fim, acabou com o sonho marroquino.
Num embate entre campeões. Os campeões europeus venciam os campeões mundiais por 2-0, com golos de Platini e Yanick Stopyra. A Itália despedia-se sem glória.
El Butre, com 4 tentos pôs a nu a debilidades defensivas da Dinamarca. 5-1 foi o resultado com que a Espanha brindou os nórdicos.

Quartos de Final:
Em Gualajara, Brasil e França ofereceram ao Mundo um recital de bem jogar à bola. Parafraseando um grande amigo, por vezes parecia que eram deuses que estavam nas 4 linhas. Começaram melhor os sul-americanos com Careca a fazer o 1-0. Plantini empatou à boca da baliza, após um centro de Rocheteau..
A 15 minutos do fim, o veterano Zico falhou um penalty (cometido sobre Branco).
O jogo foi prolongamento, acabando por ser decidido nos penaltys.
Sócrates falhou e Platini também, no dia em que comemorava o 31º aniversário. Júlio César foi o último a desperdiçar e a França avançou.

Belgas e Espanhóis também empataram a 1-1, com Señor (curtia mesmo o nome deste rapaz) a igualar para os ibéricos.
Nos penaltys, Jean Marie Pfaff fez valer toda a sua classe. E lá seguiu em frente a Bélgica.

RFA e México não fugiram à regra e também, decidiram o jogo nas grandes penalidades, após o 0-0 ao fim dos 120 minutos.
Nos anfitriões só Hugo Sanchez não tremeu. A RFA venceu vencer por 4-1.

Na desforra de 66, a Argentina bateu a Inglaterra por 2-1.
Deus encarnou Maradona antecipando-se a Shilton para fazer 1-0. O golo foi irregular, uma vez que o todo poderoso jogou a bola com a mão. Minutos mais tarde, foi a vez do pequeno génio encarnar Deus, driblando meia equipa inglesa e entrando quase pela baliza a dentro.
O jovem John Barnes entrou e ainda teve tempo de cruzar para Lineker fazer o 2-1 de cabeça. Era o 6º golo do ponta de lança do Everton.

Meias Finais
Na reedição do Espanha 82, França e RFA voltaram a encontrar-se nesta fase da competição.
Foram mais fortes os germânicos que, na sua melhor exibição, venceram por 2-0.
Maradona continuou a reencarnar Deus, apontando os 2 golos com que a Argentina eliminou a Bélgica. O 2º golo é uma obra prima, ao nível daquelas que Diego nos habituou em 86.

No jogo do 3º e 4º lugar, a França subiu ao lugar mais baixo do pódio ao bater (com os suplentes), após prolongamento, a Bélgica por 4-2.

Final
29 de Junho de 1986. Estádio Azteca 2000 (114 600 espectadores)















Argentina: Nery Pumpido, Jose Luis Brown, Jose Cuciuffo, Oscar Rugeri, Sérgio Batista, Jorge Burruchaga (Marcelo Trobbiani aos 90 min), Diego Maradona "C", Hector Enrique,Ricardo Giusti, Julio Olarticoechea, Jorge Valdano

RFA: Harald Schumacher, Hans-Peter Briegel, Andreas Brehme, Karlheinz Förster, Dietmar Jakobs, Norbert Eder, Lothar Matthäus, Felix-Wolfgang Magath (Dieter Hoeness aos 63 min), Thomas Berthold , Karl-Heinz Rummenigge "C", Klaus Allofs (Rudi Voller aos 46 min)

Aos 22 minutos o defesa Brown fez de cabeça o 1-0, na sequência de um livre, marcado por Burruchaga, sobre o lado direito do ataque sul-americano. Schumacher ficou mal na fotografia ao sair completamente aos papéis.
Já na 2ª parte, Jorge Valdano surge isolado, perante a proximidade do guardião germânico, pergunta-lhe para que lado quer… fazendo o 2 - zero.
A perder a RFA reforçou o ataque e na sequência de 2 pontapés de canto haveria de lograr o empate. Primeiro aos 74 minutos por Karl-Heinz Rummenigue. 9 minutos volvidos Ruddie Voller de cabeça empatou o marcador.
Quando já todos esperavam o empate, Maradona em lance genial descobriu Burruchaga. O nº 7 argentino, isolado mas já pressionado por Briguel rematou cruzado à saída de Schumacher. Estava feito o 3-2.
A Argentina era campeã mundial e Maradona era eleito unanimemente o melhor jogador do Mundo.


Melhores Marcadores
Gary Lineker (Inglaterra): 6 golos, Diego Maradona (Argentina): 5 golos, Emílio Butragueño (Espanha): 5 golos, Preben Elkjær-Larsen(Dinamarca): 4 golos. Igor Belanov (URSS): 4 golos, Jorge Valdano (Argentina): 4 golos, Alessandro Altobelli (Itália): 4 golos.

Quando hoje liguei a televisão, quase posso jurar que o ouvi dizer: " As equipas da América do Sul são complicadas, mas vamos dar o nosso melhor frente a Trinidad e Tobago".Vá lá, podia ter dito "Ásia"...


Impressionante a diferença entre as declarações de Costinha e as dos outros jogadores da selecção. O "Ministro" tocou ontem num ponto essencial: o facto dos lobbys que sempre estiveram na base das convocatórias raramente terem dado bons resultados. É preciso ter coragem, ainda por cima sendo um jogador que já representava a selecção quando esses grupos de pressão influenciavam a federação. A forma de comunicar do agora craque do Atlético de Madrid é o oposto do típico "estou muito feliz por estou muito contente" que os futebolistas celebrizaram ao longo do tempo. E dentro de campo a sua falta foi sentida...não me digam que o Petit faz o mesmo lugar com uma perna às costas. Sem Jorge Andrade no eixo, a cobertura de Costinha aos centrais é essencial. Pelo menos até que Meira ganhe confiança...

Não gosto da selecção da Alemanha(desculpa, Kataklinsmann), mas fiquei contente com a derrota da Polónia. É impressionante: esta selecção é ainda pior do que aquela que perdeu 4-0 connosco na Coreia. Sem ideias, um jogo feio, pouca qualidade no meio-campo...Salva-se o Zurawski e o guarda-redes Boruc. Odonkor mexeu com o jogo e foi fundamental na vitória germânica. Mas parece-me que a equipa de Klinsmann vai ter muitas dificuldades com as equipas que apresentam argumentos para ganhar o Mundial... Ainda assim, desta vez os centrais não estiveram tão desastrados e o lateral-direito Friedrich não foi um buraco, como no primeiro jogo.
on Tuesday, June 13, 2006

A imagem acima não é do jogo de hoje, como é óbvio. Porque Ronaldo arrasta-se pelo campo, não corre. Não se viu nada do Fenómeno de há 8 ou 4 anos. Gordo ou não, foi uma pena ver jogar um atleta que parece não estar nem fisicamente nem psicologicamente preparado para entrar na recta final de carreira. É uma pena...não fossem lesões que duraram épocas inteiras e estava aqui um ponta-de-lança ao nível de Pelé, que compensava a menor aptidão para jogar de cabeça com fintas estonteantes que ninguém conseguia impedir. A entrada de Robinho fez bem a um Brasil onde Adriano também não encantou, apesar de ter estado bem mais mexido que Ronaldo. Valeu a magia de Ricardo Izecson dos Santos Leite, o melhor canarinho a par de Roberto Carlos, na minha opinião.Emerson e Cafú(Cicinho vai ter de esperar) também estiveram em destaque. Espera-se um espectacular República Checa - Brasil nos oitavos. E um duelo interessante entre Austrália e Croácia para se saber quem defronta a Itália, para mim a melhor selecção até ao momento. Guus Hiddink já mostrou que tem a estrelinha da sorte( e o apito da sorte na Coreia), por isso aposto nos Socceroos.
Pela 1ª vez desde 1954, a FIFA decidiu aumentar o número de equipas presentes no campeonato do Mundo de 16 para 24. A uma primeira fase com 6 grupos de 4 equipas em que passavam os 2 primeiros, seguia-se uma 2ª fase com 4 grupos de 3 equipas. Os primeiros de cada grupo avançavam para as meias-finais.
Para não fugir à regra Portugal voltou a falhar a qualificação. Incluído no grupo 6 da zona UEFA com Irlanda do Norte, Escócia, Suécia e Israel, Portugal começou com um satisfatório empate a zero em Glasgow. A 2 vitórias caseiras ante Irlanda do Norte e Israel, seguiram-se 4 derrotas amargas. Na despedida uma vitória contra a já apurada selecção escocesa. Ficámos no 4º lugar do grupo a 2 pontos da Irlanda do Norte, 2º apurado.

Grupo A: Itália, Camarões, Peru e Polónia
Depois da excelente performance da Tunísia 4 anos antes, África continuou a impressionar. Os camarões despediram-se da competição com 3 pontos frutos de outros tantos empates.
Não fosse um golo mal anulado a Roger Milla no jogo contra o Peru, e os leões indomáveis passariam à 2ª fase.
A Polónia de Zbigniew Boniek e do veterano Grzegorz Lato venceu o grupo com 4 pontos. Na última jornada os polacos brindaram o Peru com concludentes 5-1.
Sem convencer e sem ganhar a Itália passou em 2º lugar, superiorizando-se aos Camarões no goal average.

Grupo B: Argélia, Chile, RFA e Áustria
Começou e acabou com contornos de escândalo este grupo. A Argélia surpreendeu a favorita RFA ao vencer por 2-1.
Após vacilar por 0-2 contra a Áustria, os argelinos derrotaram o Chile por 3-2.
Um pobre escalonamento dos jogos por parte da FIFA, permitiu que Austríacos e Alemães pudessem “combinar” o resultado do seu jogo em prejuízo dos africanos.
A RFA bateu a Áustria por 1-0 e ambas as selecções seguiram em frente.
Depois do escândalo do Argentina-Peru em 1978, a FIFA voltava a cometer um erro que haveria de corrigir. A partir de 1982 os últimos jogos da fase de grupos passariam a ser à mesma hora.

Grupo C: Argentina, Bélgica, El Savador, Hungria
A 13 de Junho em Camp Nou, Bélgica e Argentina encontraram-se, no jogo inaugural do campeonato do mundo. A multidão catalã estava ansiosa para ver a sua nova estrela, contratada por valor record, Diego Armando Maradona. Com cerca de uma hora de jogo, Erwin Vandenbergh marcou o tento solitário que valeu a derrota dos campeões mundiais.
O treinador Minotti foi duramente criticado por continuar a apostar nos campeões mundiais de 78, contudo a Argentina conseguiu recuperar somando por vitórias os 2 jogos seguintes.
No dia 15 de Junho, assistimos ao massacre de Elche, com a Hungria a cilindrar El Salvador com expressivos 10-1. Em 7 minutos Laszlo Kiss conseguiu o hat-trick mais rápido de sempre da história dos mundiais.
Após perderem 4-1 com a Argentina, os magiares estavam obrigados a vencer a Bélgica no 3º jogo. O empate a 1-1 bola valeu aos belgas a vitória no grupo.


Grupo D: França, Inglaterra, Checoslováquia e Kuwait
12 anos volvidos, os Ingleses voltaram ao Mundial de futebol! Em grande estilo, com a selecção de sua magestada a somar por 3 vitórias os 3 jogos da 1ª fase. De destacar sobretudo os 3-1 no jogo contra a França.
Na 2ª jornada, os gauleses venceram os Kuwait por 4-1 num jogo marcado por um episódio no mínimo caricato, já relatado entretanto numa posta anterior.
Fahid Al-Sabah
Os “azuis” passaram à fase seguinte com 3 pontos, mais 1 que a Checoslováquia.
O Kuweit despediu-se com 1 ponto e uma participação dignificante.

Grupo E: Espanha, Honduras, Irlanda do Norte e Jugoslávia
Depois da pobre prestação de El Salvador no jogo contra a Hungria, pensou-se que o outro representante da CONCAF seria presa fácil para os anfitriões. Nada mais errado! Os hondurenhos conseguiram arrancar um surpreendente empate a uma bola. Após novo empate a 1-1 contra a Irlanda do Norte e as Honduras chegavam ao último jogo com legítimas aspirações de seguir em frente. A Jugoslávia venceu 1-0, acabando as duas selecções por serem eliminadas.
Com 4 pontos a Irlanda do Norte venceu o grupo, seguida da Espanha com 3 e um saldo nulo de 3 golos marcados e 3 golos sofridos. A Jugoslávia ficou de fora com 3 pontos, 2 golos marcados e 2 sofridos.

Grupo F: Brasil, Escócia, URSS, Nova Zelândia















O Brasil chegou a Espanha com a melhor equipa desde 1970, arriscando alguns que esta equipa de 1982 seria ainda melhor. Uma grande equipa que apenas pecava no guarda redes, um tal de Waldir Peres do São Paulo (e Carlos no Banco!) e no ponta lança, o também São Paulista Serginho Bernardino.
Após uma performance não muito conseguida contra a URSS, onde o escrete venceu por 2-1, Zico, Falcão, Sócrates e Cª brindaram a Escócia (4-1) e a Nova Zelândia (4-0) com o chamado “futebol arte”.
Com a Nova Zelândia fora do apuramento, soviéticos e escoceses disseram a outra vaga para a 2ª fase. Um empate a 2 bolas, favoreceu a URSS que passou graças ao gol average.

2ª FASE
Grupo 1: URSS, Polónia e Bélgica
Depois de vencerem a Bélgica, Polónia e URSS encontraram-se no último jogo para decidir a passagem ás meias-finais. O nulo permitiu a passagem dos Polacos a quem bastava o empate.







Grupo 2: Inglaterra, Alemanha e Espanha
A Alemanha venceu o grupo, depois de derrotar a Espanha e empatar a zero com a Inglaterra.
Os ingleses saíram invictos da competição, após novo nulo com a Espanha. A lesão de Kevin Keegan justifica em grande parte a ausência de golos nesta 2ª fase.
Os espanhóis desiludiram no seu mundial.

Grupo 3: Itália, Brasil, Argentina
Os campeões mundiais desiludiram. A indisciplina tomou conta dos argentinos que acabaram os 2 jogos reduzidos a 10 unidades.
Maradona foi o espelho da frustração ao ser expulso após pontapear um jogador brasileiro. Nas derrotas por 2-1 contra a Itália e 3-1 contra o Brasil, somente Daniel Passarela esteve ao nível de 1978. Kempes foi uma sombra do fenomenal jogador que aniquilou a laranja mecânica na final de Buenos Aires e Ramon Diaz, o novo ponta de lança, foi uma desilusão.
No jogo da decisão, a Itália bateu o Brasil por 3-2, com Paolo Rossi a marcar o hat-trick cruel.
Naquela tarde de 5 de Julho, Barcelona viu cair o futebol arte de Tele Santana. O "Catenacio" rumava ao título.
O Pesadelo Canarinho

Grupo 4: França, Irlanda do Norte, Áustria
Com 2 vitórias em 2 jogos, a França em crescendo dominou o grupo.
Irlanda do Norte e Áustria conseguiram 1 ponto cada.

Meias-Finais
Itália 2 Polónia 0
Paolo Rossi continuou “on fire” marcando os 2 golos da Itália.
Boniek a cumprir castigo foi o grande ausente e polacos ressentiram-se.

França 3 RFA 3 (5-4 nos Pks)
Um grande jogo de futebol com a RFA a vencer nos penaltys, após recuperar uma desvantagem de 2 golos já no prolongamento.
O árbitro holandês foi duramente criticado, após ter feito vista grossa a entrada violenta do guardião Schumacker sobre Patrcik Battiston. O jogador francês saiu inconsciente rumando ao hospital.
Incompreensivelmente, os gauleses não souberam guardar a vantagem.
Schumacker emergiu como o herói no 1º desempate por grandes penalidades numa fase final do campeonato do mundo.
A França era eliminada, mas conquistava, tal como o Brasil, os corações dos adeptos do futebol. Platini era o maestro de uma orquestra afinada, que venceria o Europeu 2 anos mais tarde.

3º e 4ª Lugares
Polónia 3 França 2
Após o estafante jogo contra a RFA nas meias-finais a França apresentou-se com as reservas, o que seria fatal.
Após cumprir castigo, Boniek voltou e liderou a Polónia à medalha de bronze.

Final
RFA 1 Itália 3













Itália: Dino Zoff "C", Giuseppe Bergomi, António Cabrini, Fulvio Collovati, Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Gabriele Oriali, Marco Tardelli, Bruno Conti, Francesco Graziani (Alessandro Altobeli aos 7 min) (Franco Causio aos 89 min), Paolo Rossi

RFA: Harald Schumacher,Hans-Peter Briegel, Karlheinz Förster, Bernd Förster, Uli Stielike, Manfred Kaltz, Paul Breitner, Wolfgang Dremmler (Horst Hrubesch aos 62 min), Pierre Littbarski, Klaus Fischer, Karl-Heinz Rummenigge "C" (Hansi Müller aos 70 min)

Tal como a França, a Alemanha Ocidental pagou cara a factura após o jogo de alta intensidade das meias-finais.
Anos mais tarde confidencializaram os germânicos, que sabiam ser muito difícil vencer caso os transalpinos marcassem primeiro.
A final já recebeu honras de posta neste blog, podendo ser acompanhada no seguinte link:

Pragmatismo vs Frieza

Para ver vezes sem conta os festejos de Tadelli. Foi aos 69 minutos que o médio defensivo da Juventus de Turin fez o 2-0, num remate cruzado ao poste esquerdo de Schumacher. As imagens que se seguem são pura beleza...!



MELHORES MARCADORES
Paolo Rossi (Itália): 6 golos
Zico (Brasil): 4 golos
Boniek (Polónia): 4 golos
Karl Heinz Rummenigue: 4 golos
















on Monday, June 12, 2006
Certamente que não será segredo para ninguém: mas sou maluquinho por futebol.

Acho até, e bem sei que estas coisas normalmente não se admitem (não, não sou gay) mas antes até de começar a gostar do F.C.Porto comecei a gostar de Jogadores de futebol, fossem de onde fossem (das suas capacidades técnicas ok?).

Recordo-me de nomes como Schuster, Karl-Heinz Rummenige, Maradona, (claro!) Hugo Sanchez, entre outros, que faziam parte do meu imaginário. Sim, antes até de gostar de futebol, aprendi a adorar os futebolistas. Mais do que as suas capacidades técnicas e qualidade de jogo, acho que era o seu carisma, aquele magnetismo que parecia levar a que todas as atenções do espectáculo, assim como todas as suas componentes, adversários, colegas de equipa, árbitros, público, pareciam trabalhar apenas, e só, para os engrandecer ainda mais.

Cresci a admirar estes senhores, e para alguém que jogava futebol 3 a 5 horas por dia, quase todos os dias do ano, isto era uma obsessão.

Depois vieram as miúdas e as noitadas e passei a admirar mais outro tipo de coisas – Burro! Mal sabia eu que a aposta na primeira fixação escancaria as portas da segunda…

Isto tudo para vos dizer que está a decorrer o Mundial, não, não é o campeonato do mundo de futebol, é o Mundial! Só existe este, os outros, os de hóquei, basquete, atletismo, etc. são isso mesmo, os “outros” e são normalmente jogados por todos aqueles que não tinham jeito para o futebol ou são americanos.

"De todas as coisas que não são importantes no Mundo,
O Futebol é a mais importante de todas"
on Sunday, June 11, 2006
Dizem-me os adeptos tugas de futebol que a Alemanha joga um futebol aborrecido, previsível e repetitivo. Por outras palavras, um futebol sem magia. Gostava de saber então como caracterizam aquilo que Portugal fez contra a simpática selecção angolana. Tivesse Angola um Wanchope em vez de um Akwá, de um Mateus e de um Mantorras e teríamos agora o país com umas trombas iguais às que teve há exactamente dois anos menos um dia.