on Wednesday, March 29, 2006

Quando já pairava no ar o fantasma da II Grande Guerra, a França acolheu o 3º Mundial de Futebol. Selecções como a Polónia, Cuba e as Índias Orientais Holandesas fizeram a sua estreia na prova, enquanto grandes potências como Uruguai ou Argentina não participaram. Passo a explicar: convencidos de que o certame seria organizado de forma alternada entre Europa e América do Sul, os argentinos apresentaram a sua candidatura, de forma a jogar em casa, estando plenamente confiantes de que a FIFA lhes daria essa possibilidade. Porém, o organismo máximo do futebol mundial não correspondeu ao pedido. Estavam ainda na memória as dificuldades de deslocação que afastaram os países europeus do Mundial organizado no Uruguai, para além do facto da esmagadora maioria de países filiados serem representantes do velho continente. A França foi, assim, a escolhida, estando aqui patente uma prova de lealdade para com Jules Rimet, o pai da prova.
Portugal, mais uma vez, foi derrotado no jogo de qualificação, desta feita pela Suiça, por 2-1.A primeira eliminatória foi sinónimo de equilíbrio e dificuldades para os favoritos. A Roménia, depois de ter empatado 3-3 com Cuba, perdeu o jogo de repetição por 2-1. A Checoslováquia bateu a Holanda por 3-0, mas para inaugurar o marcador foi necessário um prolongamento. De mais 30 minutos para vencer precisaram, igualmente, Brasil(6-5 com a Polónia!), único representante do continente sul-americano e Itália (2-1 com a Noruega). Os transalpinos foram salvos pelo guarda-redes Olivieri que, em cima do minuto 90, executou uma grande defesa. Depois, Piola (melhor jogador do torneio) resolveu. Em Estrasburgo, num relvado enlameado, a Polónia recuperou de uma desvantagem de 3-1 e causou calafrios ao “escrete”. Willimowski fez um “poker”, marcando por 4 vezes, mas o “artilheiro” do Mundial, Leónidas(na foto), igualou o registo e o Brasil seguiu em frente.
A França beteu a Bélgica por 3-1, a Hungria ganhou às Ilhas Orientais Holandesas por “escassos” 6-0 e a Suiça, depois do resultado de 1-1 no primeiro jogo, impôs-se com um 4-2 à Alemanha.

Os quartos-de-final ficaram marcados pelo embate entre Checoslováquia e Brasil. O futebol canarinho começava a afirmar-se no panorama internacional, sendo para isso fundamental a vitória por duas bolas a uma, no 2º jogo, frente à poderosíssima equipa de leste, finalista vencida quatro anos antes. O primeiro jogo tinha terminado com um empate a 1-1 no “placard”. Nos outros jogos, a Hungria(2-0 com a Suiça), Suécia(8-0 com Cuba) e Itália(3-1 com a França) levaram de vencida os respectivos oponentes.
Nas meias-finais, Guiseppe Meazza, que já tinha sido campeão em 1934, foi decisivo, ao apontar o penalty que deu a vitória à Itália sobre o Brasil. O já referido goleador Leónidas ficou de fora da equipa com o propósito de estar a 100% na final, numa decisão muito controversa do treinador.
A Suécia, depois de golear o país de Fidel Castro, estava confiante de que nada podia correr mal frente à Hungria. A verdade é que os magiares humilharam os nórdicos por 5-1, tendo Zsengeller apontado um hat-trick. No jogo de apuramento do 3º lugar, foram mais uma vez vencidos, desta feita pelo Brasil, com Leónidas, o “criador” do pontapé de bicicleta, a apontar 2 golos.
Após a eliminação da França, o entusiasmo do público diminuiu. Não foi, portanto, de estranhar o facto do Estádio Colombes não estar cheio para acolher a final entre Itália e Hungria. Porém, esse entusiasmo foi suficiente para o mestre da táctica Vittorio Pozzo, treinador transalpino, adiar a saída do autocarro para o jogo crucial, uma vez que as ruas se encontravam sobrelotadas.
A Itália adiantou-se no marcador por intermédio de Colaussi, que bateu Szabo aos 6 minutos. 2 minutos volvidos e Titkos, que viria a treinar a selecção nacional da Hungria, empatou com um remate poderoso. Piola apontaria o 2º golo e Colaussi bisava perto do intervalo. Com 3-1 no marcador, Sarosi ainda reduziu para os magiares. Piola fez novamente o gosto ao pé, após passe de Biavati.
Vittoria Pozzo, Ferrari e Meazza conquistavam o seu 2º troféu e Foni, Rava e Locatelli acrescentavam mais um título à sua medalha de ouro dos Jogos Olímpicos. O Campeonato Mundial só regressaria em 1950, após tempos muito conturbados.


Itália:
Olivieri, Foni, Rava, Serantoni, Andreolo, Locatelli, Biavati, Meazza, Piola, Ferrari, Colaussi.


Hungria:
Szabo, Polgar, Biro, Szalay, Szücs, Lazar, Sas, Zsengeller, Sarosi, Vincze, Titkos.


Marcadores: Colaussi(6 e 35); Piola(15 e 80);Titkos(8); Sarosi(70)

55.000 espectadores
Árbitro: Georges Capdeville(França)

Actualmente nos distritais, o Recreio de Águeda teve uma passagem meteórica (tal como Vizela, Covilhã, Alcobaça, Amora,..) pela divisão maior do futebol português.
Foi em 1983 que um célebre jogo frente ao sempre complicado Peniche, a contar para a 2ª divisão zona centro, ditou a subida dos aveirenses.
5 a 2 foi o resultado, com um jovem guiniense de nome Mamadu Bobo a encher o campo e a apontar 1 tento.
Seguiram-se as férias, os reforços, a pré-época e o ataque à 1ª divisão com o objectivo único de garantir a manutenção. Objectivo que não passou disso mesmo, tal a pobreza do futebol apresentado pelos galos do botaréu.
Para a posteridade fica a saudosa equipa do Recreio de Águeda que recebeu o Benfica, em Fevereiro de 1984.
Perante a maior enchente de sempre no Municipal, esmagaram os galos com uns contundentes 4-1.Com 6 aninhos de idade eu estive lá... e vi Nené fazer o primeiro, aos 26 minutos de grande penalidade. Fiquei petrificado e a gaguejar quando César empatou ainda antes do intervalo. No 2º tempo Nené, Diamantino e Álvaro fixaram o resultado final, dando-me um sorriso de orelha a orelha.

De notar na foto a presença de Jorginho, que haveria ainda de passar por Desportivo de Chaves, Sporting e Beira Mar; de Tibi, o guarda redes que chegou a representar o nosso Porto e do avançado Flávio (2º em baixo a contar da esquerda), ex Marítimo e pós Associação Desportiva de Fafe.
Da presença do Águeda na 1ª divisão destacamos igualmente os 6-0 enfardados nas Antas, a 1ª vitória no campeonato ante o Varzim (1-0 com golo de César) e o jogo de despedida em Vila do Conde, derrota por 5-1.
E pronto, foi a nossa homenagem à simpática colectividade que é o Recreio de Águeda. Um grande bem haja às suas gentes e um muito obrigado à Soberania do Povo pelas informações prestadas.
http://campeoesdeagueda.blogspot.com/

on Sunday, March 26, 2006
Os jogadores e treinadores de futebol são, é sabido, um tratado na arte ou na ciência de mal falar Português. Desde não querer falar de assuntos do “forno interno do clube” até alguém se recusar a ser o “bode respiratório” de uma derrota, ouvimos de tudo. O mister Jorge Jesus, para mim um dos melhores treinadores do nosso país, é, por si só, um génio na arte de inventar novo vocabulário. Mas, ao menos, não é um ingrato, como mostrou há uns anos ao agradecer o apoio dado ao Estrela pelos “motocards da Amadora”. Curiosamente, uma outra expressão do cabeludo treinador que à primeira vista me pareceu disparatada, acabou por se revelar correcta. Efectivamente, garantir que a equipa está “embebida no espírito de vitória” é perfeitamente certo, pois embeber é um sinónimo de imbuir, o verbo que normalmente é utilizado nesta frase.

Mas o “cherne da questão”* deste post é o facto de, pelo menos nos últimos tempos, também os jornalistas desportivos estarem a contribuir para a evolução da língua portuguesa. Só nas últimas semanas tive o prazer de ler nos nossos jornais e sites desportivos expressões tão geniais e imaginativas como “pousar para a fotografia”, “couro de assobios” e “assento tónico”, para não falar num desgraçado qualquer que se lesionou no “calcanhar de Aquiles”. É compreensível: à falta de talento para dar pontapés numa bola, pontapeia-se outra coisa qualquer. Porque não a língua portuguesa?

* Naturalmente que eu sei distinguir “cerne” de “cherne”, mas não quis deixar de entrar no espírito do post.
on Friday, March 24, 2006

2 anos, 1 Taça de Portugal e outra final, boas classificações no campeonato. O tal clube que não era exemplo para nenhum outro vive um período invejado por muitos. Não tem a capacidade financeira de uma Académica, não tem a simpatia dos jornalistas de um Belenenses nem consegue mover molduras humanas como o Gumarães( apesar de ser dos melhores nesse capítulo), mas fez mais que todos eles juntos nos últimos tempos. O Vitória de Setúbal foi "vítima" de muita pressão e maledicência por parte da comunicação social, até porque nunca foi dos clubes com mais ordenados em atraso, apesar de uma situação frágil, como é óbvio. É assim o clube, mal-amado por todos, à imagem da cidade. Um bem haja ao Vitória!
on Wednesday, March 22, 2006
Diz-se que um jogo de futebol dura 90 minutos (ou 120, se for necessário recorrer a um prolongamento). Pois bem, essa não é uma verdade absoluta. Há jogos que não terminam nunca. São aqueles jogos que ficam na História, que quem assistiu nunca há-de esquecer, que quem não assistiu daria tudo para poder ter lá estado. Tivemos alguns casos desses no nosso futebol. Quem não se recorda (com maior ou menor vontade) de um Sporting 7-1 Benfica, um Sporting 3-6 Benfica, um Benfica 0-5 FC Porto, um Vitória de Setúbal 5-2 Benfica? Neste blog vou tentar recordar e resumir alguns desses jogos que merecem capítulos especiais na grande História do futebol.

Para iniciar a série escolhi um jogo que foi para muitos o melhor jogo do século XX. No mínimo, terá sido a melhor final de sempre da Taça dos Campeões Europeus. Realizou-se a 18 de Maio de 1960, no Hampden Park, de Glasgow, e colocou frente a frente o tetracampeão europeu, o Real Madrid, frente ao campeão alemão, o Eintracht Frankfurt. Perante 127.621 espectadores, a maior assistência de sempre na prova, os espanhóis conquistaram o seu quinto título europeu consecutivo. O resultado foi um fantástico 7-3 e, apesar de o jogo ter ficado decidido no início da segunda parte, ninguém foi capaz de abandonar o estádio antes do apito final, tal era a qualidade do futebol apresentado pelas duas equipas.

Quem tem pachorra para ler os meus posts conhece o meu sportinguismo. Mas o Eintracht ocupa praticamente tanto espaço no meu coração como o clube de Alvalade, apesar de ter o encarnado no equipamento e de ter como símbolo uma águia (!). Tudo começou no início dos anos 90, quando o Eintracht lutava pelo título da Bundesliga e praticava o melhor futebol da Alemanha, apelidado de “Fußball 2000”, tal a espectacularidade que apresentava. O título esteve quase a aparecer em 1992, mas uma arbitragem deplorável na última jornada, em Rostock, deu o campeonato ao Estugarda. Até o árbitro veio mais tarde reconhecer que tinha prejudicado decisivamente o Eintracht. As semelhanças entre o Eintracht e o Sporting da época (futebol muito bonito e ofensivo, zero títulos) levou-me imediatamente a simpatizar com o clube de Frankfurt. Depois veio a decadência, iniciada em 1994/95 com a inestimável ajuda do então treinador Jupp Heynckes e culminada com a primeira descida de divisão da história do clube, na época seguinte. A partir daí o clube entrou num sobe e desce constante e só agora parece reencontrar o caminho da estabilidade e, quem sabe, do regresso às grandes lutas do futebol alemão.

Regressando ao tema do post, o Real Madrid participou na edição 1959/60 da Taça dos Campeões como (tetra)detentor do troféu, já que o título nacional tinha fugido para o Barcelona nas duas épocas anteriores. Nas quatro finais anteriores, os merengues foram vencendo o Stade Reims (França), por 4-3, a Fiorentina (Itália), por 2-0, o AC Milan (Itália), por 3-2, e novamente o Stade Reims, agora por 2-0. Já o Eintracht, que era a primeira equipa alemã a chegar a uma final europeia, entrou na prova depois de na temporada anterior ter conquistado o seu primeiro (e único, até hoje) campeonato nacional. Na final, as “águias” tinham derrotado o seu grande rival Kickers Offenbach por 5-3, após prolongamento.

Na primeira ronda da competição, o Real Madrid ficou isento, uma benesse alcançada por ser o campeão em título. Ao Eintracht caberia defrontar o Kuopio PS. Mas o campeão finlandês resolveu desistir da prova antes de ela começar, pelo que os alemães seguiram em frente sem calçar as chuteiras. Na segunda eliminatória, correspondente aos oitavos-de-final, os espanhóis encontraram uma pêra doce, o Jeunesse D’Esch, do Luxemburgo. As vitórias por 7-0 e 5-2 mostram a facilidade da vida merengue. O Eintracht teve de se haver com o campeão suíço, o Young Boys. Os alemães resolveram a eliminatória em Berna, ao vencer por 4-1. O 1-1 de Frankfurt confirmou o que já se sabia. Nos quartos-de-final, o Real teve pela frente o Nice, então campeão francês. Os espanhóis ainda perderam na Riviera Francesa por 2-3, mas resolveram o assunto em casa, com um 4-0 peremptório. A equipa de Frankfurt encontrou o campeão austríaco, o Wiener SC. Foi um duelo equilibrado, com os alemães a levarem a melhor com uma vitória caseira por 2-1 e um empate 1-1 em Viena.

Nas meias-finais, o Real Madrid teve de defrontar o seu grande rival Barcelona, então campeão espanhol. Esperava-se uma grande batalha, mas os merengues acabaram por não sentir muitos problemas para deixar pelo caminho o inimigo catalão. Duas vitórias por 3-1 serviram de vingança pelo facto de o Barça ter voltado nesse ano a sagrar-se campeão espanhol, com uma escassa vantagem de dois... golos sobre os madridistas. O outro confronto opunha o Eintracht ao campeão escocês Glasgow Rangers. Toda a Grã-Bretanha, confiante na superioridade do seu futebol, esperava uma tarefa fácil para os escoceses. Mas tudo ficou decidido na primeira mão, no Waldstadion de Frankfurt: 6-1 para o campeão alemão. Ficou na lenda o telefonema de um jornalista escocês para a sua redacção, perto do fim do jogo: “5-1! Yes! No, not for the Rangers! Eintracht, 5 - Rangers, 1... Oh, no! Eintracht, 6 - Rangers, 1!” Mesmo com semelhante desvantagem, os escoceses encheram o Ibrox Park para a segunda mão, talvez para confirmar se a qualidade do Eintracht correspondia ao que tinham lido do primeiro jogo. Pois bem, os alemães não os quiseram desiludir e aplicaram novo correctivo ao Rangers: vitória por 6-3.

E foi Glasgow que teve a honra da grande final. Desta vez não o Ibrox, mas sim o Hampden Park, o estádio nacional escocês. Quase 130 mil espectadores tiveram o privilégio de assistir a um espectáculo único. O Eintracht começou melhor e dominou os primeiros 25 minutos. E foi sem surpresa que inaugurou o marcador aos 18 minutos, por Kreß. O 2-0 esteve à vista, mas foi o Real a chegar ao empate aos 27 minutos, por Di Stefano. O argentino-espanhol aproveitou o choque alemão e fez o 2-1 dois minutos depois. Quando o resultado ao intervalo parecia feito, Puskas fez o 3-1 em cima do apito e mostrou o que estava para vir na segunda parte. O Major Galopante marcou mais três golos consecutivos e decidiu o encontro. O 4-1 surgiu aos 56, na marcação de uma grande penalidade duvidosa. Mais dois golos aos 60 e 70 minutos e o húngaro fechou a sua loja. Com 6-1 no marcador, o Eintracht não desanimou e dedicou-se a aproveitar a oportunidade de estar naquele palco. Aos 72 minutos, Stein reduziu para 2-6. No minuto seguinte Di Stefano fez o seu terceiro golo e aumentou para 7-2. Mais dois minutos passaram e Stein bisou. Até final muitas mais oportunidades houve, para ambos os lados, impedindo os espectadores de irem mais cedo para casa. Mas o 7-3 manteve-se, honrando vencedores e vencidos. Não foi a final mais imprevisível de sempre, mas foi seguramente a mais bem jogada. Bobby Charlton resumiu assim o desafio: “O meu primeiro pensamento foi que este jogo era uma mentira, um filme, porque estes jogadores fizeram coisas que não são possíveis, não são reais, não são humanas!”

Ficha do jogo:

Local: Hampden Park, Glasgow.
Espectadores: 127.621.
Árbitro: A. Mowat, Escócia.

Real Madrid: Dominguez; Marquitos e Pachin; Vidal, Santamaria e Zarraga; Canario, Del Sol, Di Stefano, Puskas e Gento.

Eintracht Frankfurt: Loy; Lutz e Höfer; Weilbächer, Eigenbrodt e Stinka; Kreß, Lindner, Stein, Pfaff e Meier.

Golos: 0-1, Kreß (18m); 1-1, Di Stefano (27m); 2-1, Di Stefano (29m); 3-1, Puskas (45m); 4-1, Puskas (56m, g.p.); 5-1, Puskas (60m); 6-1, Puskas (70m); 6-2, Stein (72m); 7-2, Di Stefano (73m); 7-3, Stein (75m).
on Tuesday, March 21, 2006

Mussolini viu no futebol uma forma de fazer propaganda às suas ideias fascistas e conseguiu trazer o Mundial de futebol para o continente europeu. Foi realizada pela 1ª vez uma fase de qualificação, disputada por 32 países (22 da Europa, 8 da América, 1 de África e outro da Ásia).
Agastado com a fraca adesão por parte dos países do velho continente à 1ª edição da prova, para além de problemáticas greves de jogadores, o Uruguai não aceitou defender o título, não participando neste Mundial.
Como é conhecimento do leitor, a selecção tuga não participou no certame, tendo efectuado uma fase de qualificação a roçar o brilhantismo. Calhou-nos em sorte a Espanha, sendo que na primeira mão fomos derrotados em Madrid por 9-0. Em Lisboa, a equipa das quinas “vingou-se”, pois ,apesar de nova derrota, o resultado ficou selado com meros 2-1. Vítor Silva foi o autor do tento solitário da formação treinada por Ribeiro dos Reis, que carimbou a qualificação da Espanha por “sofridos” 11-1. E ainda falamos nós mal do Scolari…
A 1ª etapa da fase final da competição não foi jogada em grupos mas sim num só jogo de “mata-mata”. A anfitriã Itália fez os Estados Unidos atravessarem o Atlântico mais cedo, de regresso a casa, com esclarecedores 7-1. Outra das selecções favoritas, a Áustria, bateu a França após prolongamento, por 3-2.A Bélgica era derrotada pela Alemanha por 5-2 e o Brasil voltava a desiludir em Mundiais após perder 3-1 com a Espanha (“nuestros hermanos” eram bons de bola). A grande revelação da prova Checoslováquia (2-1 com a Roménia), Suiça(3-2 com a Holanda), Suécia(3-2 com a Argentina) e Hungria(4-2 com o Egipto) passavam à 2ª fase.
Um dos confrontos mais espectaculares da prova envolveu as equipas espanhola e italiana. 1-1 foi o resultado de um jogo que nem no prolongamento se resolveu e, como os jogos não eram resolvidos em penaltys( que azar tiveram Veloso, Baggio e Miguel Garcia por não terem jogado nesta época!), foi disputada nova partida. O mítico Giuseppe “Peppino” Meazza(na foto), o melhor avançado italiano da década de 30 que passou por Inter e A.C. Milan, resolveu a questão com um golo solitário e colocou os transalpinos nas meias-finais. A Áustria seguiu-lhe as pisadas, ultrapassando a Hungria após sofridos 2-1.
No estádio San Siro,num campo que mais se assemelhava a um batatal, só comparável ao saudoso Adelino Ribeiro Novo em Invernos rigorosos ou à praia de “Stamford Beach”, em Londres, Itália e Áustria decidiram a passagem à final da prova. Guaita fuzilou o guarda-redes Platzer aos 18 minutos e, para agrado do ditador Benito “Il Dulce” Mussolini, a Itália obtia visibilidade na final.
Os Checoslovacos começavam a ganhar fama no panorama internacional. Despacharam primeiro a Suiça(3-2) e depois a Alemanha, por 3-1. Oldrich Nejedly era o goleador e estrela da comapanhia, sendo o melhor marcador da prova com 5 golos, à frente de Schiavio(Itália) e Conen(Alemanha).
No estádio PNF, antecessor do Olímpico, em Roma, sob o olhar de 55 mil pessoas, o sueco Ivan Eklind dirigiu a 2ª final de um Campeonato do Mundo. Os homens do leste dominaram grande parte do encontro, demonstrando-se especialmente motivados. Realce para os interessantes duelos entre o médio criativo checo Cambal e o italiano Monti. Só aos 70 minutos é que se pôde ver o esférico tocar a rede. Antonin Puc agarrou na bola que tinha sobrado após a marcação de um canto e, de ângulo apertado, não teve piedade para com o “keeper” dos homens da casa, Combi, facturando a 20 metros da baliza. O jogo podia ter ficado resolvido nos minutos seguintes e tal só não aconteceu devido às constantes perdidos por parte de Sobotka e Svoboda. Mas nos últimos 10 minutos de jogo tudo mudou de figura. Raimundo Orsi aproveitou um passe do influente Guaita e, depois de passar toda a defensiva checa, simulou um remate com o pé esquerdo e finalizou com o direito. Chegava ao fim o tempo regulamentar.
A Itália parecia estar destinada a morrer na praia, tendo em conta a lesão de Meazza, que jogava infiltrado.Mas foi isso mesmo que decidiu o jogo. Os jogadores da Checoslováquia deixaram de se preocupar com o histórico atacante, abdicando da marcação cerrada. Aos 95 minutos, Meazza apanhou a bola na ala e fez um passe fatal para Guaita. Este só teve de encostar para Schiavio, que ultrapassou um defesa e bateu Planicka. A Europa ganhava um Campeonato do Mundo pela 1ª vez…
Curioso ainda o facto do médio-centro Luís Monti se ter sagrado campeão do mundo 4 anos após perder a final para o Uruguai…sim, o italiano naturalizou-se depois de ter envergado a camisola da Argentina.

Roma, 10 de Junho
Estádio PNF
Árbitro: Ivan Eklind(Suécia)
55.000 espectadores




Itália:
Combi, Monzeglio, Allemandi, Ferraris IV, Monti, Bertolini, Guaita, Meazza, Schiavio, Ferrari, Orsi

Checoslováquia:
Planicka, Ctyroky, Zenisek, Kostalek, Cambal, Krcil, Junek, Svoboda, Sobotka, Nejedly, Puc

Marcadores: Puc(70);Orsi(82);Schiavio(95)
Maurício Zacarias Reinaldo R. Gomes, nasceu em Bissau no dia 2 de Novembro de 1957.
Chegou a Portugal em finais da década de 70, para vestir as cores da briosa de Coimbra.
O poder e a aptidão do para dizimar as defesas contrárias abriram-lhe as portas da Luz.
De vermelho vestido, Reinaldo saboreou a fama, a glória de conquistar o campeonato nacional e o orgulho de ser internacional A por Portugal.
A exigente concorrência no plantel encarnado, levou-o a rumar ao Bessa, numa tentativa de ganhar minutos de jogo. Estavamos em 1982.
No Boavista formou com Palhadores (também ele merecedor de 4 ou 5 posts) uma das piores duplas atacantes de que há memória no clube das panteras.
Subitamente caiu no esquecimento.., tendo sido, anos mais tarde, visto a treinar por um fabricante de ferragens no histórico Recreio de Águeda.

A carreira e vida pessoal de Reinaldo ficariam igualmente marcadas por um famoso incidente envolvendo uma cantora do famoso quarteto "as Doce".
Outros Blogs ordinários, qual TVI, certamente iriam aprofundar a notícia. Contudo, a Malta da Tropa é um espaço sério, onde não pactuamos com notícias brejeiras e ordinárias... mesmo sendo verdade!