on Thursday, December 8, 2005

Como prometido iniciamos hoje uma rubrica semanal dedicada aos maiores combates da história do boxe. Para começar escolhemos aquele que é talvez o mais mediático combate de sempre, o famoso "Rumble in the Jungle".
Estamos a 30 de Outubro de 1974, em Kinshasa na Républica Democrática do Congo, conhecida então como Zaire.
O campeão George Foreman (25 anos), metia o seu título em jogo frente ao antigo detentor do ceptro, Muhammad Ali (32 anos). Ali tentava ser o primeiro pugilista a recuperar o título mundial, desde Floyd Patterson.
Foi o primeiro evento a ser organizado pelo polémico Don King. O Zaire precisava de melhorar a sua imagem aos olhos do Mundo, pelo que o presidente Mobutu Sese Seko Kuku engendrou todos os esforços para trazer o combate para o seu país.

"O Rumble in the jungle foi um combate que fez o Mundo ficar mais consciente. Eu queria estabelecer a união entre os negros africanos e os negros americanos. A luta foi por problemas raciais, Vietname. Tudo isso" --> Muhammad Ali

Poucos pensavam ser possível ao veterano Ali derrotar o gigante e invencível George Foreman, possivelmente o lutador mais poderoso desde Sonny Liston.

"Antes do combate disseram-me: O Ali está velho George, tem cuidado, não o massacres muito " --> George Foreman













O combate, realizou-se ao ar livre, no estádio de kinshasa com os 60 mil zairenses que esgotavam as bancadas gritando. "Ali, bomaye" (Ali mata-o).
O campeão iniciou o combate ao ataque massacrando o candidato.
Ali por sua vez, tentava contrariar o ímpeto do adversário refugiando-se nas cordas, limitando-se a defender as investidas. A táctica ficaria conhecida como "Rope da Dope".
Com o passar do tempo Foreman foi perdendo gás e no 8º round o Mundo assistiu a algo nunca visto. O gigante texano foi ao tapete não se conseguindo levantar na contagem até 10.
Ali era de novo o campeão do Mundo, podendo voltar a afirmar: "I'm the King of the World".

Não percam na próximo semana, o "Thriller em Manila" com Muhammed Ali a enfrentar "Smokin" Joe Frazier.

Para recordar os momentos finais do combate "doblados" em espanhol:
http://www.youtube.com/watch?v=IRp65JXBv0g
on Wednesday, December 7, 2005

Tal como estava estipulado, cabe-me a mim fazer a análise desta primeira fase da Liga dos Campeões. Claro que focarei mais aprofundadamente as prestações das equipas portuguesas, às quais desde já apresento, em nome do Malta da Tropa que curte Bola, as maiores felicitações.
Antes de mais, o nosso blog deixa aqui a lista de qualificados para os Oitavos-de-Final e dos repescados para a Taça UEFA:
Grupo A --> Juventos e Bayern Munique / FC Bruges;
Grupo B --> Arsenal e Ajax / FC Thun;
Grupo C --> Barcelona e Werder Bremen / Udinese;
Grupo D --> Villareal e Benfica / Lille;
Grupo E --> Milan e PSV / Schalke 04;
Grupo F --> Lyon e Real Madrid / Rosenborg;
Grupo G --> Liverpool e Chelsea / Bétis;
Grupo H --> Inter e Rangers / Artmedia.
Gostaria de destacar as brilhantes prestações do Artmedia Bratislava e de FC Thun, pois sendo estreantes na prova conseguiram ganhar os pontos suficientes para conseguirem ser repescados para a Taça UEFA, conquista que passou ao lado do próprio Manchester United! O empenho e dedicação demonstrados pelos jogadores destes clubes são um exemplo para muitos outros grandes europeus! De resto não há grandes surpresas, exceptuando a queda do United e do Porto.

Sobre as prestações lusas...
O Porto foi surpreendido pelo Artmedia no jogo do Dragão e não foi além do empate em Bratislava. O campo também não estava nas melhores condições, ou como diria o Gilberto, parecia um batatal! Uma carreira europeia fraca, este ano, por parte da equipa que encantava a Europa à cerca de dois anos atrás. Uma vitória sobre o Inter de Milão é o ponto mais positivo desta passagem, enquanto a derrota frente ao Artmedia depois de estar a ganhar 2-0 é o ponto mais negativo.
Por seu lado, o Benfica conseguiu o apuramento em 2º lugar depois de derrotar o gigante Manchester United, num jogo cheio de emoções. O ponto mais positivo desta fase foi, sem dúvida, esta vitória arrancada a ferros, enquanto que o momento mais negativo foi a derrota frente ao Villareal. A vontade de vencer, 10 anos depois, numa competição europeia foi forte e os jogadores deram o seu máximo, resta saber se depois deste jogo, estarão em boa forma para defrontar o Boavista na próxima jornada da Liga.
No último jogo devemos destacar:
Os + do Porto: Exibição de Vítor Baía
Os - do Porto: Fraca produtividade a meio-campo e instabilidade defensiva
Os + do Benfica: Esforço e vontade de vencer
Os - do Benfica: A falta de aptidão física para aguentar um jogo de alto nível até ao final.
Agora resta-nos esperar que o Benfica dê seguimento às vitórias na Europa, sim, porque eu sou Sportinguista ferrenho e convicto, mas na Europa somos todos portugueses. Este sentimento de nacionalismo é alheio a muitos adeptos, infelizmente, mas não importa porque cada um é como é... Uns mais parvos que outros.

Outro assunto que gostaria de focar é o rumor de que o Jornal "Sporting" iria ser posto de parte pelo Conselho Directivo do Sporting num acto de retenção de fundos... É verdade, o jornal não é muito lucrativo, mas e o facto de ser o jornal clubístico mais antigo da Europa(83 anos)? Soares Franco disse que não vai abandonar o Projecto e nós esperamos que essa atitude se mantenha. Pode-se cortar em muita coisa, mas no jornal não.

P.S. Lembram-se do Idanhense? É só pa informar que esse mítico clube subiu ao 1º lugar da série D da III Divisão, estando isolado, depois de uma vitória em casa sobre o Marinhense.
on Tuesday, December 6, 2005
Em Dezembro a Malta da Tropa que Curte Bola deseja aos seus leitores umas festas felizes cheias de Akebonos.
Na foto o gigante japonês encaixa um cruzado de esquerda bem na zona do estomago. Heroi nacional e praticamente invencível no SUMO, tentou a sua sorte no K1,tendo tombado ante Remy Bonjaski, Bob Sapp, Hong Man Choi... entre outros.


No corrente Post congratulamos o sprinter belga Tom Boonem pela sua vitória nos mundiais de estrada realizados em Madrid no passado mês de Outubro.
O italino Alexandro Petacchi era o principal favorito contudo não conseguiu fazer face às dificuldades (poucas) do trajecto. Á chegada um grupo de 30 ciclistas discutiu a vitória que acabaria por sorrir ao homem da Vitamo Lotto.
Em 2º lugar ficou o espanhol Alexandre Valverde.

Na reverso da medalha, recriminamos Roberto Heras pelo seu alegado envolvimento num escandalo de doping. O 1º controlo acusou positivo, restando ao asturiano esperar pelo resultado da contra-análise. A verificar-se a veridicidade dos factos a vitória na edição de 2005 da Vuelta será atribuída ao Russo Denis Menchov.


Finalizo o artigo com este nojo de cão! Chama-se Ricky Capela e é responsável pelo fim da minha relação. Tudo porque a minha namorada me apanhou a fazer cruzamentos em trivela com esta personificação da paneleirice canina. Ainda lhe tentei explicar que o Quaresma está em grande forma... mas ela não entedeu! Vá-se lá entender as gajas!
Reparam no pormenor da chapinha na coleira com o nome do animal e no guisinho. Do mais gay que já vi!
Para piorar a situação, às vezes usa um casaquinho para cão de cor azul.
Como se não bastasse só come franguinho assado e após o banho a dona passa-lhe colónia canina!!!! dasssssssse!
E depois o ladrar!!! Este maricas nem ladrar sabe! Que exemplo poderá um pai dar aos seus filhos se tiver um cão destes em casa?
Não me arrependo de nada, fiz o que qualquer homem de bem teria feito!

Ps1: Não percam durante este mês a eleição dos 10 melhores atletas de 2005.
Ps2: Para os amantes do Boxe, a sequela "Grandes Duelos" começa já esta semana com o famoso "Rumble in The Jungle", onde M. Ali enfrentou George Foreman no Zaire. Foi a 1ª vez que o título de pesados foi disputado em África.
on Saturday, December 3, 2005

Em 1991, Diego Armando Maradona é detido numa residência em Napoles, incorrendo numa pena de prisão e consequente suspensão da prática desportiva."Morria" o rei sem deixar sucessor.
Lothar Mathaus, Roberto Baggio, Rud Gullit, Romário e Van Basten foram excelentes jogadores,contudo faltava-lhes algo!
Em 1997 emergiu um fenómeno, alguém que poderia dominar o jogo durante os próximos anos, alguém que fosse a referência, esgota-se os recintos.
Contudo, Ronaldo de Lima viria a ser traído por uma série de lesões e vida boémia, lançando para sempre a interrogação, " e se?"
Seguiram-se Rivaldo, Zidane e finalmente Ronaldinho Gaúcho.
3 anos no topo demonstram que Ronaldo de Assis Moreira parece ter tudo para finalmente colmatar a lacuna que se arrasta há década e meia.
Fenomenal, maravilhoso, a personificação do talento, são palavras que encontro para descrever o nº10 de Barcelona.
As exibições portentosas sucedem-se, contudo ficará para sempre na retina a maneira cruel como tratou a defesa merengue no passado dia 19 de Novembro de2005.
2 golos de antologia e o afirmar bem alto: "Eu sou o melhor do Mundo!"
Pelé afirma constantemente que quando um jogador vencer 3 campeonatos do Mundo ele estará lá para lhe passar a coroa. Permita-me, Sr Edson Arantes do Nascimento que lhe avive a memória. Em 1958 não foi titular na maior parte dos jogos e em 1962 só disputou 2.
Poderá Ronaldinho ser equiparado a Pelé, Maradona, Cruyft ou Di Stefano? Se este nível exibicional se mantiver, arrisco que os irá suplantar.Estarei correcto?
on Friday, December 2, 2005

Não pode ser considerado um grande jogo, mas acabou por ser um espectáculo agradável aquele que as 52.000 pessoas hoje presentes no Dragão presenciaram.
Falando abertamente: o Porto tem melhores individualidades que o Sporting e Paulo Bento não podia pôr a equipa a jogar de peito feito quando esta ainda está a recuperar consistência defensiva (que raramente teve com Peseiro). Os leões arriscaram pouco e passaram muito tempo resguardados no seu meio-campo? É óbvio que sim, mas com uma defesa onde os dois laterais são claramente homens de características mais ofensivas e um dos centrais é o “Capitão Fífia”, não existia outra opção senão atribuir a Carlos Martins e João Moutinho tarefas mais defensivas para melhor fazer a transição defesa/ataque.
Adriaanse surpreendeu ao incluir McCarthy no 11 titular, mas de nada valeu o sul-africano. Andou apagado, muito apagado, contrastando com aquele que costuma ser o Benny dos grandes confrontos. Quando Hugo Almeida o susbstituiu, não fez melhor. Quaresma foi, por vezes, um bico de obra para Tello e Rogério, mas os cruzamentos de trivela não saíram tão bem como é normal. Lisandro fez valer a sua capacidade física em alguns lances, mas Tonel(bom jogo) era rápido a despachar a bola. Jorginho, um grande jogador, esteve melhor que nos últimos encontros e o golo nasceu dos seus pés. Apesar disso pode fazer muito, muito melhor. Já Paulo Assunção continua a ser a referência do meio-campo defensivo portista e se o Sporting não teve oportunidade de sair mais vezes para o contra-ataque a ele o deve culpar.Um craque que Pinto da Costa “roubou” à turma de Alvalade. Lucho esteve a seu lado na organização de jogo, descortinando caminhos para o ataque e ainda assustando Ricardo com a sua boa meia distância. Ricardo Costa funcionou mais como um central que fechava a lateral direita, enquanto César Peixoto subia com regularidade. Pedro Emanuel esteve seguro, mas o mesmo não se pode dizer de Pepe. O brasileiro acusou a pressão e falhou o passe que deu a Carlos Martins a possibilidade de assistir Deivid para o golo. Baia fez o que podia durante toda a partida.
Co inventou mais uma vez, é verdade. O holandês é um autentico Professor Pardal no que toca a escalar equipas antes dos jogos grandes e a surpresa que quis fazer a Paulo Bento não resultou.
Empatar no Dragão é um bom resultado para qualquer equipa. O Sporting pode, portanto, sentir-se satisfeito com este ponto. Gosto da gestão do treinador Paulo Bento. A partir do momento em que agarrou no plantel, delineou as suas estratégias e, a partir dai, nunca mais fez mudanças radicais. E nota-se que o espírito de entreajuda é cada vez maior. É já habitual ver os jogadores mais adiantados no terreno, como foi hoje o caso de Deivid ou Carlos Martins, mostrarem o seu empenho em ajudar os colegas dos sectores mais recuados. De referir também as ultimas exibições de Ricardo. Mas que segurança fora de postes, até parecia um jogo do Boavista de 2001! Rogério e Tello atacaram, pode-se dizer, bem e defenderam como sabem, ou seja, razoavelmente( se bem que o brasileiro leva clara vantagem sobre o chileno). Tonel fez, como já referi um bom jogo, sem hesitações, enquanto Polga ficou surpreendido ao ver uma vir na sua direcção e pum, golo. Ok… vão dizer que foi azar, mas tanta fífia já é azar vezes de mais. O homem parece o Argel a abrir buracos, mas sem faceta de arruaceiro. O meio-campo de Custódio, Moutinho, Carlos Martins e, já agora, Sá Pinto, mostrou-se muito solidário quando a equipa precisava de defender ou recuperar jogo. Deivid foi letal e não se deu pela falta de Liedson. Se o ex-Corinthians, que não deixou de ser goleador, quiser sair…bye, bye. Agora aquele Wender é que não consegue dominar uma bola…será que deixou o talento em Braga???!!!

A análise da arbitragem ficou a cargo de Francisco Beckenbauer, o Jorge Coroado deste blog, que a partir da sua mansão em Gelsenkirchen fez a sua análise ao trabalho de Lucílio Baptista (para além do seu sábio contributo na análise do encontro nas linhas anteriores):
Em relação à arbitragem pode-se dizer que foi um jogo sem grandes polémicas, mas não isento de falhas, afinal estamos a falar de liga Betandwin.com. Cada equipa viu um golo anulado, primeiro o Sporting depois de Deivid ter rematado em fora-de-jogo, após grande jogada do colectivo leonino, aos 17 minutos. Depois foi a vez de Lisandro ver o seu golo anulado quando cabeceou para dentro da baliza cometendo falta sobre Rogério, aos 51 minutos do encontro. Dois supostos penaltys terão ficado por marcar, nomeadamente, a mão de Anderson Polga, aos 61 minutos, e a mão de César Peixoto, minutos a seguir. Outro lance houve que envolveu o mais recente craque leonino, Nani, em que este concretizou uma jogada individual fantástica com um golo de belo efeito, mas cometendo falta sobre um defesa portista. Em suma, o árbitro esteve bem durante todo o encontro, nomeadamente nos lances de supostas grandes penalidades em que agiu conforme os critérios que o regeram durante todo o jogo.
São de lamentar, no entanto, os arremessos de objectos para o relvado. São situações a que já nos habituámos no futebol mas não valorizam, de todo, as instituições.


Os + do Porto: Paulo Assunção e Lucho – Dois craques que qualquer equipa gostaria de ter no seu plantel e que são tão bons a destruir como a construir jogo.

Os + do Sporting: Espiríto de grupo e grande entreajuda; demonstração de que Douala e Liedson têm alternativas à altura.

Os – do Porto: Insegurança de Adriaanse em relação ao 11 titular, variando sempre de jogo para jogo; erros de Pepe

Os – do Sporting: Mais uma vez Polga a comprometer; Sá Pinto, apesar da garra, raramente ganha no 1 para 1.
on Thursday, December 1, 2005

E já cá cantam mais 3 pontos! Quando os adeptos do Vitória já saíam do estádio e alguns já despediam Norton de Matos(!!!), Auri cabeceou para o 4º lugar. O clube do Sado, que não tem dinheiro para mandar cantar um cego( os nossos leitores Stevie Wonder e Andrea Bocceli que me perdoem) , é, pela 2ª época consecutiva, uma das grandes revelações. Estrelinha? É essencial, mas não explica tudo.
Após os “golden years” do Vitória( compreenda-se as épocas mágicas de José Maria Pedroto ou o “drible macumba” de Jacinto João), em que os sadinos lutavam assiduamente pelas posições cimeiras(2º posto foi a melhor posição), o clube quedou-se por classificações a meio da tabela, com descidas pelo meio . Os últimos 9 anos são exemplo disso: 12º em 96/97; 13º em 97/98; 5º em 98/99; 16º em 99/00; 3º da II Liga em 00/01; 13º em 2001/2002; 18º em 2002/2003; 2º na II Liga em 2003/2004 e 10º na pretérita temporada. De destacar a presença na Taça Uefa após o 5º lugar em 99 ( derrota por 7-0 com a Roma fora e vitória por 1-0 no Bonfim), com uma descida dramática no ano seguinte, em casa aos pés do Leiria, enquanto o Salgueiros, que seria despromovido em casa de vitória sadina, era cilindrado em Paranhos por um Sporting a fazer a festa do título.

Mas concentremo-nos nas últimas três temporadas. Em 2003/2004, a direcção aposta em Carlos Carvalhal, um jovem técnico que dava nas vistas no Leixões, tendo levado os homens da Matosinhos à final da Taça de Portugal, onde complicou a vida ao Sporting de Boloni. A última época tinha sido simplesmente desastrosa, com uma descida prematura sob a batuta desse maestro que é o desaparecido Luís Campo: 6 vitórias, 13 empates e 15 derrotas levaram o Vitória à posição de laterna vermelho. Carvalhal não alterou radicalmente a espinha dorsal da equipa e são apenas necessárias referir as aquisições do esquerdino Bruno Ribeiro(de volta a casa) e do sempre influente Manuel José, formado no Porto e que viria a ser decisivo. O Vitória foi a Alvalade eliminar da Taça o Sporting de Fernando Santinho, com um golo de Orestes, e subiu de divisão, classificando-se entre Estoril(1º) e Penafiel(3º). A equipa que venceu 18 jogos, empatou 10 e perdeu os outros 6 era sensivelmente: Roberto Tigrão, Costa, Bruno Ribeiro, Orestes, Auri, Zé Pedro, Hélio, Sandro, Manuel José, Jorginho e Meyong.

No ano seguinte, Carlos Carvalhal foi aliciado pelo ambicioso projecto do Belenenses e deixou o Bonfim. José Couceiro foi o sucessor. Uma aposta de risco, visto que no currículo do jovem técnico apenas constava uma descida de divisão pelo Alverca, para além de experiências como dirigente. O início de campeonato foi fantástico: goleada em Penafiel por 4-1; vitória sobre o Sporting por 2-0 e triunfo em Braga por 3-2, para além dos 6 pontos conquistados ante Guimarães e Académica. E tudo até à 8ª jornada.
Em finais de Janeiro, após um empate em Alvalade, Couceiro sucede ao malogrado Víctor Fernandez no comando do Porto. Chumbita Nunes escolhe José Rachão, treinador do Torreense e seu amigo, por sinal, para técnico. Uma aposta clara na Taça de Portugal leva o clube à conquista do troféu, com vitórias sobre Braga, Boavista e Benfica, com uma estabilização no 10º posto da Superliga.
Na equipa titular eram presenças habituais: Moretto, Éder, Auri, Hugo Alcântara, Nandinho, Sandro, Ricardo Chaves, Manuel José, Bruno Ribeiro, Jorginho e Meyong.
Mas o destino de Rachão, conhecido como “viking” pelo seu peculiar visual enquanto jogador, estava traçado. Luís Norton de Matos, há muito muito tempo sondado para o cargo, era o próximo.
À 12ª jornada a soma já vai em 23 pontos, mais 3 do que o técnico havia estabelecido como meta até à 17ª jornada! Mais fascinante é esta classificação inserida na conjuntura actual: o presidente admite receber 6000 euros por mês + 2000 euros para despesas( sem atrasos, é claro), apesar de ser proibida a remuneração a administradores, segundo uma acta de 2004. Os jogadores têm de esperar ao regularização de salários e o treinador tem de ficar de bico calado. Esteve muito bem, Norton, ao dar relevância ao espírito de grupo quando apelou ao cumprimentos dos compromissos, após o jogo com o Gil Vicente.
3 anos, 4 treinadores bem sucedidos em Setúbal. Carvalhal e Couceiro não conseguiram cumprir os objectivos nos clubes para os quais saíram, enquanto Rachão continua desempregado.
Como conseguiu o Vitória transformar Carvalhal, Couceiro, Rachão e Norton de Matos em figuras consideradas, unanimemente, competentes, enquanto antes eram vistos com desconfiança? Couceiro era um técnico derrotado por uma descida de divisão na última jornada, Rachão foi olhado de lado na chegada a Setúbal e saiu com o 1º titulo da carreira e Norton, visto como um menino bem que só queria festas e capas das revistas cor-de-rosa, é actualmente um dos treinadores mais admirados da Liga.
Se a direcção não ajuda, alguma cara deverá estar por trás. E, como já foi dito por todos, o plantel não é formado por craques e não se pode dizer que seria qualquer um a realizar um bom trabalho nestas circunstâncias.
Quinito, conhecido técnico que treinou Porto, Guimarães, Estrela da Amadora e que subiu de divisão com o Setúbal há 10 épocas, ocupa actualmente o cargo de director desportivo. É um dos mais criticados pela má-lingua, que insiste em dizer que o seu trabalho é nulo e o ordenado avultado. Mas não será Quinito um elo de ligação entre a administração e o balneário? Seria possível realizar uma época como esta se equipa técnica e jogadores estivessem em completa rotura com a direcção? Não se pode esquecer que o homem que não sabia se havia de treinar ou pedir autógrafos ao Porto campeão da Europa é uma personalidade muito respeitada pela mais importante instituição de Setúbal.
Por mais que os problemas financeiros ou a irresponsabilidade do presidente afecte o Vitória, o clube continua a ser uma rampa de lançamento não só para jogadores mas também para treinadores. Segredos do sucesso? Existem, certamente.

on Friday, November 25, 2005
O futebol português é uma tristeza. OK, eu sei que não descobri a pólvora, mas tinha de deixar aqui o meu desabafo. O motivo mais recente para a minha indignação aconteceu ontem, quinta-feira. Como é possível que nenhum canal televisivo tenha transmitido em directo o V. Guimarães-Bolton, da fase de grupos da Taça UEFA?

Aquilo que se passa em Portugal, na relação entre o futebol e a comunicação social, é o privilégio do chamado “interesse do público” em detrimento do “interesse público”. O “de” faz toda a diferença. O conceito de interesse público diz que é aquilo que interessa de forma objectiva e prática a uma determinada população. O interesse do público é aquilo que pode não mexer com a vida das pessoas, mas que suscita interesse, muitas vezes apenas voyeurístico. Trocando por miúdos, saber como vai o debate e a aprovação do Orçamento de Estado tem interesse público, saber quem foi o último a ser expulso da 1ª Companhia não tem interesse público, mas desperta interesse em muita gente.

No futebol passa-se o mesmo. Ontem o jogo do V. Guimarães era claramente de interesse público, ainda para mais sendo a equipa de Jaime Pacheco o único representante português na Taça UEFA. Vendo as coisas por baixo, no mínimo o Vitória é um contribuinte para o ranking português na UEFA. Nenhuma TV achou interessante transmitir o jogo. Por outro lado, os jogos do Benfica na pré-época, frente a equipas da 8ª divisão suiça merecem transmissão directa. Este é um exemplo de falta de interesse público: não há nada em disputa, há muitas substituições e as equipas utilizadas normalmente nem são as previsivelmente titulares, muitas vezes nem sequer os árbitros são a sério. No entanto, reconheço que provavelmente um Etoile Carouge-Benfica amigável tem mais telespectadores que um Guimarães-Bolton para a Taça UEFA. Mas não deixa de ser estranho, num dos países que mais jogos do campeonato transmite na TV (cinco em cada jornada, em nove possíveis), nenhum canal ter transmitido o jogo de ontem. E eu pergunto: será que um Boavista-U. Leiria ou um Belenenses-Marítimo tem mais audiência que um V. Guimarães-Bolton? Tenho dúvidas.

O problema não é só das TV’s, estende-se aos outros órgãos. Por exemplo, pegando nos dois jornais desportivos de Lisboa (de forma um pouco mais acentuada na Bola), o processo de escolha para uma manchete é mais ou menos o seguinte: 1) Arranjar alguma coisa de interessante do Benfica; 2) se não houver algo de interessante sobre o Benfica, tenta arranjar-se algo menos interessante sobre o mesmo clube; 3) se mesmo assim não for possível, tenta arranjar-se qualquer coisa interessante sobre o Sporting; 4) se não existir, procura-se um fait-divers sobre o Benfica e aí surgem os penteados de certos jogadores, os álbuns de família de outros... Só depois destas opções é que se pensa em fazer manchete com o FC Porto. Os outros clubes, bem podem esperar deitados.

Esta semana Jesualdo Ferreira foi questionado, pela milhonésima vez, sobre a candidatura ao título do Sp. Braga. A resposta do professor foi mais ou menos a seguinte: “Eu sei que para vocês seria interessante eu assumir isso. Mas de que me serviria, sabendo que vocês nos iriam tratar de forma diferente da que tratam os candidatos habituais?”. Tem toda a razão Jesualdo. Seria interessante comparar as manchetes dos desportivos na época 2000/01, em que o Boavista foi campeão e o Benfica acabou em 6º lugar.

No entanto, penso que a culpa deste estado de coisas não é só dos jornalistas. Os adeptos têm muitas responsabilidades. Eu, por exemplo, nasci e vivo em Setúbal, mas tenho uma simpatia apenas moderada pelo Vitória. Nem sequer é o meu segundo clube, apesar de ser sócio há mais de 20 anos. E quando se pergunta a uma criança de que clube é, primeiro pergunta-se se é do Benfica, do Sporting ou do Porto e só depois do Vitória. O mesmo se deve passar na maior parte das cidades do país. Mas mais grave, para mim, são aqueles adeptos desses clubes mais pequenos, que depois torcem por um dos grandes em segundo lugar. Ou seja, são do Vitória (ou outro clube de dimensão idêntica ou menor), mas contentam-se em lutar por objectivos modestos (manutenção, de vez em quando a Europa) e depois torcem por um dos grandes para a luta pelo título. E se o grande da sua preferência derrotar o seu clube não ficam propriamente tristes. Daí que seja complicado, quase impossível mesmo, qualquer clube chegar ao patamar dos três grandes, tirando uma ou outra época excepcional.

Dou um exemplo para mostrar que noutros países as coisas são diferentes. Eu sempre me interessei muito pelo futebol alemão e tenho uma grande paixão pelo Eintracht Frankfurt. Sendo um histórico da Bundesliga, o Eintracht tem sido na última década um clube que tem oscilado entre a 1ª e a 2ª divisões. Uma espécie de Vitória de Setúbal, portanto, descontando o triunfo na Taça e as duas participações europeias recentes dos sadinos. Mas eu acompanho o dia-a-dia do Eintracht, leio muitas opiniões em fórums, já assisti inclusive a jogos ao vivo e sei que os seus adeptos só pensam no Eintracht e não têm qualquer espécie de simpatia pelo Bayern, pelo Bremen, pelo Hamburg, etc. Por isso o Eintracht tem uma média de espectadores em casa de 45.000, num estádio para 50.000. Em Portugal, hoje em dia e tirando os três grandes, só o Guimarães e o Braga conseguem passar dos 10 mil em alguns jogos. Nem Belenenses, nem Boavista, nem V. Setúbal, nem Académica, para só falar em clubes históricos, chegam lá perto.

O último parágrafo é dedicado a um imortal do futebol, que hoje morreu fisicamente: George Best. Dos jogadores que nunca vi jogar ao vivo ou em directo, apenas assisti a alguns resumos na TV, Best só tem um rival no meu imaginário: Mané Garrincha. Curiosamente, duas figuras muito semelhantes: ambos extremos-direitos, ambos mágicos, ambos arruinados por causa do álcool. A grande diferença é que Garrincha teve a sorte de fazer parte do fabuloso escrete e Best a desgraça de ser norte-irlandês. Por isso fizeram carreiras bastante diferentes a nível de selecções. Muita gente recorda as “maldades” que Best fez ao Benfica em 1966 (vitória por 5-1 na Luz), em 1968 (4-1 em Wembley na final da Taça dos Campeões), ao serviço do Manchester United. Eu acrescento com agrado a “maldade” que o Sporting lhe fez em 1964, quando despachou o United da Taça das Taças com 5-0 em Alvalade, com Best em campo. A morte física de Best é, desculpem a frieza, um pormenor (excepto, claro, para a família e amigos). Porque aquilo que fez nos relvados garantem-lhe a imortalidade, como a qualquer artista de génio superior.