on Tuesday, October 4, 2005
Escrevo o meu primeiro post neste grande blog, para o qual tive a honra de ser convidado a colaborar, no dia em que Jorge Alberto Valdano, campeão do mundo em 1986, faz 50 anos.
Neste primeiro post vou falar de um clube pelo qual nutro o maior respeito... O Arsenal. Admiro o clube mas muito concretamente o trabalho do Sr. Arsene Wenger. Na minha opinião, Wenger é dos melhores treinadores hoje em actividade. Não só pelo seu conhecimento táctico e pela sua experiência como também pela sua capacidade de descobrir novos talentos. Quando Ljungberg, Patrick Vieira ou Robert Pires chegaram ao Arsenal, eram completamente desconhecidos mas hoje são jogadores de topo, todos lançados por Wenger.
O modo de actuar de Wenger e bastante simples... O Arsenal tem uma vasta rede de olheiros espalhados por todo o mundo que informam o clube dos talentos que observam, os jogadores passam por uma experiência no clube e depois são emprestados pelos clubes ao Arsenal... Se se justificar, contrata-se o jogador. É simples mas, pelos vistos, eficiente.
Hoje em dia o Arsenal tem uma equipa sólida e completa desde a baliza até ao ponta-de-lança.
Os gunners contam no seu plantel com uma nova vaga de jovens talentos... Fabregas(Médio centro), Eboube(Defesa), Owusu(Avançado), Senderos(Central), Van Persie(Extremo esquerdo), Flamini(Médio centro) e Arturo Lupoli(Avançado), entre outros.
Mas o Arsenal não é o único clube inglês que aposta forte nos jovens... Temos o exemplo de Cristiano Ronaldo e Rooney no Man. United, de Joe Cole e Johnson no grande Chelsea, de Carson e Sinama no Liverpool e de Ridgewell e Whittingham no Aston Villa.
Mas, para qualquer efeito, Arsenal será sempre o pioneiro.
Escrevo este post só agora para não falar "a quente", pois a noite de domingo e o dia de ontem conheceram o meu mau génio. O assunto é óbvio: José Peseiro.
É impressionante a falta de carisma e personalidade que o ribatejano tem. A sua dignidade é posta em causa por (quase)todos e a reacção é sempre a mesma, a resposta é sempre vaga e pouco esclarecedora. Em condições normais, compreenda-se sem uma direcção autista e apenas interessada nos "projects finance", um novo técnico já teria pegado nas rédeas da equipa. Os cenários prováveis são os mais variados:

Hipótese nº1:
Peseiro continua no clube até à 7ª jornada, perde o jogo com a Académica, é assobiado mais uma vez por milhares e é despedido, saindo com a honra manchada.

Hipótese nº2:
A direcção actua neste espaço de 2 semanas, constatando que,como é óbvio, esta situação é insustentável e arranja um treinador da mesma linha. Jovem, sem títulos...enfim, mais uma aventura em busca de um novo Mourinho que nunca existirá.
Para mim é um dos cenários mais perigosos, pois é necessário alguém com experiência de liderança e com trabalho em clubes com uma dimensão ao nível da do Sporting, pelo menos. Um Couceiro ou um Vitor Pontes no banco, nesta altura, seria um "harakiri" dos dirigentes, que como é certo e sabido, não contam com o apoio dos adeptos, muito por culpa da personalidade arrogante que Dias da Cunha e companhia têm mostrado.

Hipótese nº3:
Já ouvi o nome de Paulo Autuori como provável substituto. Tem lógica: se o problema está relacionado com os brasileiros ou se faz uma total remodelação de balneário ou se contrata um treinador...brasileiro. Os mais xenófobos não concordaram, certamente, mas foi isso que o Marítimo fez e, a julgar pelo jogo com o Porto, a equipa apresenta outra atitude.

Hipótese nº4:
Peseiro despedido e o Sporting contrata alguém de renome e com capacidade de liderança reconhecida. Não um campeão do mundo ou um vencedor da Champions, pois o clube não poderá suportar financeiramente alguém com esse currículo, pelo que tem vindo à baila. Mas refiro-me a um Camacho ou a um... Paul Le Guen.

Hipótese nº 5:
Deixo este cenário para o final pois é aquele que eu mais temo. Peseiro ganha à Académica e possivelmente o jogo seguinte...e o cancro continua instalado no clube e no balneário.

Outro factor importante é a obsessão doentia dos diringentes pelas finanças. Ok...obviamente que a sanidade financeira é muitíssimo importante num clube, mas os cofres da Alvalade não estariam bem mais recheados se o Sporting tivesse sido campeão e vencedor da Taça Uefa? E se a fase de grupos da Champions tivesse sido alcançada? E se os leões nao tivessem caido perante o Halmstad?
O grande problema é a empatia que não existe entre sócios e dirigentes. O problemas daqueles que estão à frente do clube não é a sua honestidade ou competência, mas sim o facto de serem puramente gestores que tomam o plano desportivo como secundário. O fim do cargo de "manager", que era protagonizado(e muito bem) por José Eduardo Bettencourt foi um erro tremendo. A ideia de passar as funções de figura principal do futebol leonino para Peseiro não foi, de facto, nada positiva. Falta alguém que dê a cara pelo Sporting....
on Saturday, October 1, 2005

Um teimoso 0-0 imperava naquela tarde quente no México. Os goleadores estavam de relações cortadas com as redes adversárias e os adeptos desesperavam por golos. Até que o árbitro aponta para a marca de grande penalidade. O habitual cobrador avança com convicção, mas falha. Não foi preciso esperar muito mais para a mesma equipa ter uma oportunidade idêntica. O jogador que tem a árdua tarefa de facturar no penalty já é outro, mas falha. O rigoroso árbitro apita, minutos depois, o 3º castigo máximo da tarde para o mesmo lado( não, isto não é um remake do Benfica – Oliveirense). Outro jogador avança novamente, mas imita os colegas de equipa. Eis que a mesma indicação é dada pela 4ª vez(!). O sacrificado para tentar marcar olha para as bancadas e é fuzilado pelo olhar atento dos milhares de espectadores. Visivelmente nervoso, dirige-se ao árbitro e pede que seja marcado um pontapé de canto em vez de uma grande penalidade…
A situação é descrita por Hugo Sanchez e demonstra a tensão que é sentida aquando da marcação de um penalty. Inúmeros profissionais já sentiram na pele a sensação de falhar no momento mais decisivo. Estão bem patentes na memória dos adeptos a célebre final de Estugarda onde Veloso não concretizou, a bola na trave de Miguel Garcia no derby para a Taça de Portugal ou o a defesa de Buffon em resposta a Luís Figo na meia final da Champions League.
O sérvio Djukic protagonizou um dos mais dramáticos casos. O Deportivo da Corunha chegava à última jornada com uma ligeira vantagem sobre o Barcelona e seria campeão se ganhasse a partida seguinte. O derradeiro jogo estava empatado nos minutos finais, até que os galegos vêem ser assinalado um castigo máximo a seu favor. O defesa que viria a ser transferido para o Valência não conseguiu concretizar…e o título foi para a Catalunha.
Mas memória também é marcada por casos de sucesso. Na final do Europeu de 1976, defrontavam-se a Checoslováquia e a Alemanha(RFA). O jogo, realizado em Belgrado, terminou com 2-2 e nom prolongamento nada se alterou. Os primeiros 4 penaltys para cada lado foram concretizados, mas ao 5º o alemão Honess chutou por cima e deixou a selecção de Beckenbauer, Muller e Vogts em maus lençóis. É então a oportunidade de Antonín Panenka, possuidor de um bigode digno(que tanta falta faz ao futebol português) de nos fazer lembrar os tempos áureos de um Carlos Manuel, dar o título aos homens de leste. O checoslovaco não tremeu. Quando se preparava para rematar, o gigante Sepp Maier já tombava para o seu lado esquerdo, como era hábito. Podia ter rematado forte para o lado contrário, mas a rebeldia corria nas veias de Panenka. Um remate leve em folha-seca foi a solução e a Checoslováquia enlouquecia. Postiga, Totti ou Vieri imitariam-no décadas depois….
on Friday, September 30, 2005
Ontem fui uns dos cerca de 14 mil sortudos que estiveram em Alvalade. Mal terminou a final da Taça UEFA do ano passado, que o Sporting perdeu de forma estúpida, prometi a mim mesmo que não voltaria a pôr os pés naquele estádio enquanto José Pereiro (des)orientasse a equipa. Mas a verdade é que não consigo resistir ao apelo dos jogos internacionais, mesmo contra equipas de vão de escada. E fiz bem, ontem assisti a um momento histórico, vi o Sporting perder pela primeira vez em casa e ser eliminado por uma equipa sueca.

A verdade é que não sofri nada, o meu coração andou 120 minutos a baixíssimo nível. Quando não se tem expectativas, é normal isso acontecer. E dei por mim a aplaudir de pé os dois últimos golos suecos. Fiz isso porque gosto muito do Sporting e, acima de tudo, gosto muito de futebol. Pelo segundo motivo sou obrigado a considerar a passagem do Halmstads justíssima, se o Sporting tivesse passado seria um crime de lesa-futebol. E por gostar imenso do Sporting também fiquei contente. Porque pensei imediatamente: Bem, depois desta vergonha, não há hipótese nenhuma de Peseiro continuar... E, no futebol como na vida, às vezes é preciso dar um passo atrás para depois dar dois em frente. O passo atrás já demos com a eliminação da UEFA, os passos à frente são óbvios e não incluem José Peseiro no futuro do clube.

Eis que chego a casa, ligo a Internet e leio que Peseiro se sente com condições para continuar. Até compreendo: O Peseiro está agarrado ao lugar porque sabe que, saindo do Sporting, dificilmente conseguirá trabalhar num clube maior que o Oriental. A não ser que Pinto da Costa o leve para o FC Porto, para fazer pirraça aos rivais. Mas depois de isso ter falhado com Ivic e Octávio não acredito que o Papa volte a cair na esparrela. O mais fantástico foi ler as declarações de Rui Meireles a dizer que Peseiro fica, porque no Sporting o treinador não sai por causa dos resultados. Fantástico! Se um treinador não precisa de alcançar resultados para se manter no Sporting, afinal que qualidades precisa de demonstrar? Saber fritar um bife com ovo a cavalo? Saber fazer o pino só apoiado na cabeça? Saber citar a Bíblia em servo-croata? Palavra que não compreendo.

Numa coisa há que dar mérito a Peseiro. O pragmatismo que ele vem revelando começa a dar frutos. Ontem o Sporting teve uma excelente eficácia ofensiva: Em 120 minutos marcou dois golos em três ocasiões de perigo. Claro que um foi autogolo, outro nasceu de um lance individual, tal como o remate de Pinilla à barra, mas foi 67% de eficácia. O problema é que esse pragmatismo ainda não se manifestou na defesa, visto que os suecos, mesmo sendo uma equipa que no seu campeonato só quer não descer de divisão, criou sete ou oito oportunidades flagrantes de golo. Mas não se pode ter tudo, né?

Como escrevi em posta anterior, o Peseiro não pode argumentar, em defesa do seu trabalho, os resultados, que têm sido péssimos desde o início. Então ele tem falado na qualidade do futebol apresentado. Eu não concordo, sinceramente não gostava do futebol da equipa no ano passado. Além disso, o Sporting já teve outros treinadores que apresentavam um futebol muito bonito e nada ganharam. Nos últimos 20 anos lembro-me de Marinho Peres, Bobby Robson e Mirko Jozic. E, que me lembre, todos eles foram despedidos antes do final dos contratos. Que tem Peseiro a mais que eles?

Isso leva-me a outra questão: No último ano, sempre que os adeptos do Sporting pediram a demissão de Peseiro, Dias da Cunha (além de chamar escória aos adeptos, o que fica sempre bem, naturalmente) afirmou que o clube é gerido de dentro e não de fora. Apetece perguntar: Então o que é que aconteceu ao Mourinho, que estava quase contratado e foi deixado cair porque alguns adeptos não o queriam? Chiça, fazem tudo ao contrário!
on Tuesday, September 27, 2005
Sentes um nó na garganta , um fogo interno que te magoa, ... tentas falar, mas as palavras não fluem,...
Parece que tudo se desmoronou, nada mais tem sentido.
Aquela para quem viveste, todo este tempo, não estará mais presente. O sorriso, a mão amiga, o abraço, o carinho e o beijo apaixonado não passarão de recordações... boas recordações.
Equacionas-te como vai ser a vida apartir de agora? Terá significado? Valerá mesmo a pena?
Fica a esperança de nos reunirmos num mundo melhor e de reviver tudo de novo.
Obrigado por tudo "Re", nunca te esquecerei.

(Para vocês amigos e leitores da Malta da Tropa que Curte Bola )
Foi engraçada esta brincadeira, a amizade fictícia com José Mourinho, o idolatrar de Carlos Cardoso, Luis Campos e José Rachão, as idas a Vizela, Fafe,Covilhã, Portimão, nunca esquecendo as viagens ao passado.
Deixo a responsabilidade ao restantes administradores deste espaço de continuarem com o legado do "Cavrismo". Não deixem morrer este blog, façam com que cresça de dia para dia.
Fica a promessa de regressar um dia.
A todos um muito obrigado e até sempre.
Marco Coelho (aka José Cavra)
melo_coelho@hotmail.com
on Friday, September 23, 2005
A bola já rola em mais um fim de semana desportivo. O Benfica quebrou enguiço de Penafiel, triunfando por 3-1 com Nuno Gomes finalmente a revelar veia goleadora.
O Porto recebe o sempre perigoso Belenenses de Carlos Carvalhal, por sua vez o Sporting tem teoricamente o embate mais fácil de entre os 3 grandes, ao receber o Vitória de Setúbal.
O jogo de Alvalade marca igualmente o regresso de Ricardo Pereira à baliza dos leões.

Após o desastre de Udine e durante 4 jogos, Nelson defendeu as redes verdes e brancas com segurança e autoridade.
Curiosamente é após o jogo na Choupana, em que Nelson efectuou uma das mais belas paradas que alguma vez vi um guarda redes fazer, que se vê remetido para o banco dos suplentes.
O Sporting perdeu é certo, mas será certo crucificar Nelson? O que fez Ricardo para voltar a merecer a confiança de Peseiro? E como se sente Nelson neste momento?

Ricardo perdeu a titularidade por culpa própria. Está certo que só erra quem lá está, mas o "Labreca" tem errado demasiadas vezes de leão ao peito.
Não me interpretem mal, não estou a atacar gratuitamente Ricardo, quem me conhece sabe que fui dos primeiros a apontar o dedo a António Oliveira por ceder a baliza da selecção nacional a Vitor Baía no Mundial de 2002. Foi injusto!
Penso contudo, que o rapaz do Montijo lida mal com a crítica e em Alvalade ainda não demonstrou nem metade das capacidades que o notabilizaram no Bessa. Aí sim, Ricardo ostentava orgulhosamente o estatuto de melhor guardião nacional, pelo menos para mim.
Uma vez mais fica patente a falta de classe de José Peseiro, que não sabe esperar pelo momento certo, demonstrando uma enorme falta de pedagogia para com o seu pupilo Nelson, campeão em 2002 como titular e em 2000 como suplente de um certo gigante dinamarquês.
É preciso coragem para tomar decisões arrojadas e Peseiro pura e simplesmente demonstra falta de "pulso" para lidar com situações delicadas. Se o campino tivesse a coragem de castigar exemplarmente Fabio Rochemback e Anderson Polga pelos acidentes disciplinares da época passada, talvez as coisas tivessem sido diferentes.
Sabendo que corro o risco de Ricardo "sacar" uma excelente exibição, continuo a pensar que o timing não é o correcto. Nelson devia manter a titularidade.
on Tuesday, September 20, 2005
Confesso que já tinha decidido escrever esta posta hoje, qualquer que fosse o resultado do Sporting de ontem, na Choupana. Mas o Peseiro provou que é meu amigo e conseguiu perder um jogo que aparentemente parecia ganho, dando-me assim mais argumentos para o arrasar.

Como quase todos os sportinguistas, torci o nariz à chegada deste treinador ao meu clube, independentemente de, ao que parece, ter tido melhor nota no curso que José Mourinho. Como tal, tenho o nariz em estado deplorável, pois ando a torcê-lo há mais de um ano e, pelo que me apercebo, isto não tem fim à vista. José Peseiro é, para mim, o pior treinador que vi a comandar o meu clube, e já tive de levar com Octávio Machado e Carlos Manuel, entre outros. Ao fim de mais de um ano à frente da equipa, ainda não percebi (e se me tenho esforçado!) perceber a que nível Peseiro é uma mais-valia. Tacticamente? Estrategicamente? A motivar os jogadores? Discurso vencedor? Disciplinador? Para mim, em nenhum. Claro que tudo isto seria dispensável se tivesse acumulado títulos. O problema é que para acumular títulos é preciso ter qualidade. Ou seja, é um círculo vicioso no qual José Peseiro já mostrou que não consegue entrar.

Vejamos os desempenhos do Sporting nas várias competições que disputou sob o comando de Peseiro:

Superliga 2004/05: Apesar de ter lutado pelo título até à 33ª jornada, o Sporting de Peseiro somou a sua terceira mais baixa pontuação desde que o campeonato tem 18 equipas, 61 pontos. Piores só as equipas de 97/98 (56 pontos, numa época em que teve quatro treinadores) e de 02/03 (59 pontos com Bölöni, numa época cheia de problemas, a começar nos de João Pinto e Jardel). Outro dado esclarecedor do mau campeonato realizado pelo Sporting é o número absurdo de jogos que terminou em branco: 11!!! (onze!!!), o que em 34 jornadas dá um terço dos jogos sem marcar golos. Ora, para uma equipa que Peseiro apelidava de super-ofensiva... Nem quero imaginar como seria se fossemos uma equipa defensiva... OK, podem falar nas goleadas ao Boavista, ao Rio Ave e a outros, mas desde quando é que isso apaga as derrotas com o Penafiel, o Nacional e os empates com a U. Leiria, a Académica, o V. Setúbal, só para falar nos jogos caseiros? Em resumo, o Sporting fez um dos piores campeonatos de sempre!

Taça 2004/05: Passámos duas eliminatórias obrigatórias (Naval e Pampilhosa) e fomos eliminados na Luz, nos penalties. Não é escandaloso, mas não me esqueço que por duas vezes o Sporting esteve em vantagem e nas duas vezes não as soube segurar por mais de cinco minutos...

Taça UEFA 2004/05: Fomos finalistas vencidos. Muitos sportinguistas e o próprio Peseiro ficaram orgulhosos com a “maravilhosa campanha” (palavras do próprio Peseiro), mas a verdade é que o Sporting não fez mais que a sua obrigação ao chegar à final (e aí Peseiro tem esse mérito, pois outros não cumpriram essa obrigação, graças a Casinos, Rapids, Grasshoppers, Vikings e afins). Ora vejamos, na fase de grupos o Sporting era segundo cabeça-de-série e mesmo assim terminou em 3º lugar, atrás de Newcastle e Sochaux (com quem perdeu em Alvalade). Daí até à final, tudo foi favorável ao Sporting. Senão vejamos: só apanhou equipas holandesas (em seis eliminatórias contra equipas deste país, os leões seguiram sempre em frente) e inglesas (dos países mais poderosos é o mais acessível ao Sporting, que em oito eliminatórias ganhou cinco e perdeu apenas três). Ou seja, até à final o Sporting evitou sempre clubes de países com quem se dá mal, casos de Alemanha, Itália, Espanha e França. Para além disso, os adversários ingleses que defrontou, além de não serem de topo, ainda estavam dizimados por lesões naquela altura. Finalmente... a final! O Sporting apenas tinha defrontado equipas russas uma vez, o Spartak Moscovo na Liga dos Campeões de 2000/01. Resultados? 0-3 em casa e 1-3 fora. Ou seja, aqui Peseiro não inverteu a História, limitou-se a segui-la. E até Maio passado, apenas uma equipa tinha perdido uma final europeia em casa: A AS Roma em 1984 foi derrotada pelo Liverpool nos penalties, na final da Taça dos Campeões. Ou seja, aquilo que para Peseiro foi “maravilhoso”, para mim foi traumatizante, pois não sei se teremos outra oportunidade destas.

Liga dos Campeões 2005/06: Depois de ter perdido o título e o acesso directo à Liga dos Campeões nas duas últimas jornadas da época passada, o Sporting teve pela frente a Udinese, de Itália. Havia adversários mais acessíveis, é verdade, mas uma equipa que quer estar na “Milionária” tem que estar preparada para defrontar as melhores. E se o Sporting fez a figura que fez frente à Udinese, qual seria o interesse em jogar contra Milan, Juventus, Manchester, Chelsea, Bayern... Para envergonhar ainda mais o emblema?

E por fim chegou a derrota de ontem na Choupana. Na primeira vez que teve oportunidade de se isolar na frente da Liga, o Sporting falhou. E é assim o Sporting de Peseiro, o clube do quase. Quase ganhou tudo, mas quase ganhar tudo é diferente de ganhar quase tudo e é essa a diferença entre um clube simpático e um clube grande. Somos quase grandes. Quase... odeio esta palavra!

PS - Tenho mais a dizer sobre José Peseiro, mas não quis tornar o texto ainda mais longo, pelo que deixarei para uma próxima oportunidade. Aliás, tenho (infelizmente) a certeza de que motivos para descascar no campino não faltarão...