on Monday, June 13, 2005
Aproveitando esta maré de relatos de grandes competições feitos pelo meu amigo Zé Cavra, relembro aqui um pouco do acontecimento que nos catapultou definitivamente para a elite do futebol europeu. Falo do Euro realizado em França,em 1984, e que tantas lágrimas fez correr em Portugal no dia 28 de Junho desse ano.

A favorita França chegava à meia-final depois de 3 vitórias na fase de grupos perante Dinamarca,Jugoslávia e Bélgica. Portugal ficara em 2º no grupo atrás da Espanha de José Antonio Camacho,depois de dois empates(0-0 com a Alemanha e 1-1 com "nuestros hermanos") e uma vitória sobre a Roménia do mítico dentista Lazlo Boloni.
A nossa selecção alinhou com: Bento,Jordão,Nando Chalana,João Pinto,Lima Pereira,Eurico,Sousa,Frasco,Pacheco,Álvaro e Diamantino.Jogaram também os suplentes Gomes e Nené. A França jogou com Bats, Domergue,Bossis,Battiston, Fernandez, Platini,Giresse, Six, Tigana, Le Roux e Lacombe.Entraram depois Ferreri e Bellone.

O jogo começou com os gauleses a pressionarem a toda a força através das investidas de Six e Tigana, sempre apoiados pelo omnipresente Luiz Fernandez,hoje um conhecido mister. O golo francês chegou por intermédio do lateral esquerdo Domergue,após um potente remate para o canto da baliza de Manuel Galrinho Bento, na cobrança de um livre à entrada da área. Nesta primeira parte fica também por destacar as sucessivas investidas de António Frasco às pernas de Michel Platini. No segundo tempo, o guarda-redes português mostrou de que era feito o bigode lusitano,tendo realizado um lote de defesas espectaculares até que, após um belissimo cruzamento do Astérix português(a par do saudoso António Borges) Fernando Chalana, Rui Jordão cabeceou sem hipótese de defesa para a baliza do francês Joel Bats. No prolongamento, as cores portuguesas continuaram a maravilhar o Velodróme. Uma jogada de ouro de Fernando Chalana(novamente) deu a vantagem a Portugal, com Jordão a bisar através de um poderoso pontapé, com a bola a ressaltar na relva e a sobrevoar o guardião francês.
Os nossos sorrisos duraram pouco,infelizmente. Uma desatenção no lado direito da defesa deu oportunidade ao lateral Domergue(que,curiosamente,só marcou presenção devido ao castigo do titular nesta posição) de empatar a meia-final. Cinco minutos depois,quando o seleccionadores já só pensavam nos pontapés da marca de grande penalidade, Tigana aproveita a confusão na área portuguesa para assistir Platini para o golo. De sublinhar a queda dos defesas portugueses no momento em que o ex-jogador da Juventus domina a bola para fuzilar Bento de seguida. Era a força da gravidade a trair o bigode lusitano.

Na final da competição, a França não encontrou tantas dificuladades para bater a Espanha. Platini marcou, aos 57 minutos, um livre que culminou com um dos maiores frangos da história dos europeus,com Arconada a deixar passar a bola de forma incrível.

Em cima do minuto 90, Bellone confirmou o triunfo gaulês e a França ficou com o caneco em casa.

Como curiosidade fica o facto da selecção da Dinamarca ter feito um pedido à Uefa para jogar com um equipamento alternativo(totalmente branco) em vez de camisola e meias brancas com calções vermelhos,pois não ganhava nenhum jogo com este uniforme há cerca de...3 anos.

Convido o amigo leitor a mais uma viagem ao passado, nomeadamente ao mundial de Espanha 82, esse belo evento que teve uma laranja animada como mascote.

Não cabe aqui recordar os camarões de Roger Milla, nem o empate neo-clássico entre RFA e Austria que ditou o afastamento da Argélia de Rabath Madger, nem analisar a borra da França de Michel Platini, Alain Giresse e Jean Amadou Tigana nas meias finais em plena 2ª parte do prolongamento, quando vencia por 3-1! Não vamos igualmente recordar os festejos de Marco Tardelli, nem o golo supersónico de Bryan Robson contra essa mesma França, ainda na fase de grupos. Vamos sim falar da estoica presença do Kuwait na competição, mais concretamente do celebre jogo contra os gauleses,... nomeadamente a interferência do Cheque Fahid al-Sabah.
Fazendo valer o seu poder monárquico Fahid invade o terreno do jogo protestando com o árbitro soviético, senhor Miroslav Stuper, contra a validação de um golo francês.
Surpreendentemente, o juiz não só permitiu a invasão de campo, como voltou atrás e mudou sua decisão, anulando o tento francês. O árbitro acabou punido pela Fifa (facto curioso).
O Resultado, o menos importante da partida, foi de 4-1 a favor de Platini Cª.
on Thursday, June 9, 2005
2º Lugar - João Domingos da Silva Pinto

Confesso que tive grandes dificuldades em escolher o vencedor e que me custa bastante colocar João Pinto no 2º lugar. Dou ao amigo leitor a possibilidade de efectuar a permuta se assim o desejar. O histórico lateral-direito do nosso Porto ficará para sempre ligado à conquista da Taça dos Campeões Europeus em Viena. Bonito de ver o sprint de Artur Jorge de Melo Braga Teixeira (e restante equipa, staff técnico e dirigentes) para tocar na taça que João Domingos insistia em proclamar sua (e só sua) por direito.
Chamou a si todo o protagonismo, lançando para 2º plano o calcanhar de Madjer, o golo de Juary e as arrancadas de Paulo Jorge Jorge dos Santos Futre. Acabaria por perder a titularidade para outra lenda viva do clube...Carlos Secretário, retirando-se 2 épocas depois.
Para trás ficou uma carreira repleta de êxitos e de liderença.

1º Lugar - Jorge "0 Bicho" Costa

Jorge Paulo Costa Almeida é, sem dúvida, nenhuma o último grande capitão em actividade do futebol português, quiça mundial. Homem que trata por tu o árbitro, chega por vezes a funcionar como uma espécie de auxiliar da arbitragem, suplantando a influência dos"bandeirinhas".Uma carreira recheada de sucessos, aos quais se acrescentam as recentes conquistas europeias e mundiais. Anteriormente, havia entrado em rota de colisão com Octávio Machado, rumando ao Charlton, após o episódio da braçadeira.Voltaria 6 meses mais tarde, sendo-lhe restituída a honra de capitanear o conjunto azul e branco.Um grande capitão que temos o (des)prazer de ver jogar todos os fins de semana. Com 32 anos é natural que Jorge ainda tenha muito para dar ao futebol, designadamente ao nosso Porto.
on Tuesday, June 7, 2005
4º Lugar - Andrade da Cruz Oceano

No final dos anos 80 e década seguinte, Oceano foi o rosto do sporting. Conhecido pelos seus pontapés de primeira, normalmente ao lado...bem ao lado diga-se de passagem, teve uma curta passagem por Sean Sebastian representando aReal Sociedad, onde alcançaria toda a projecção europeia.
Voltaria ao leão 2 anos mais tarde para continuar o seu legado. Trinco de origem, foi também utilizado a defesa central, lateral direito e médio direito...
Poucos devem saber mas após a expulsão de Paulo Costinha, Oceano defenderia com classe a baliza do Leão, nas Antas em jogo da Supertaça Candido de Oliveira, mantendo as suas redes invioláveis durante 20 minutos.
Ainda recordo com saudade as afirmações de um grande analista desportivo, na época de 94-95, o qual me recuso a dizer o nome (porque não me lembro). "O Benfica não tem ninguém que encha o campo, como um Oceano".
Lindo!
Acabaria a sua carreira no Toulose, ostentando cabelo e barba loura, numa clara profecia a Abel Xavier.

3º Lugar - António Augusto da Silva Veloso

O último grande capitão dos encarnados. Homem raçudo (antes quebrar que torcer) viria a ser afastado do mundial de 86 devido a um controlo anti-doping enganoso, falharia a grande penalidade decisiva contra o PSV em Estugarda (final da taça dos campeões europeus) e seria punido com um cartão amarelo (qual Liedson) que ditaria o seu afastamento da final da taça dos campeões europeus de 90 contra o Milan AC. E que falta faria o seu bigode!
Nesta curta biografia pode-se pensar que António Veloso é o clássico "abutre",mas não, Veloso era único, alguém que a determinada fase da sua carreira decidiu começar fintar o avançado contrário mesmo em frente à sua grande área, levando ao desespero os adeptos dos encarnados, mas normalmente arrancando aplausos.
Pendurou as chuteiras no final da época de 1994-95 sendo então orientado por esse grande senhor do futebol que é Artur Jorge de Melo Braga Teixeira.
on Sunday, June 5, 2005
O nosso Blog presta a devida e sentida homenagem a José António Prudêncio Conde, falecido no passado dia 3 de Junho, enquanto jogava uma partida de futebol com um grupo de amigos num campo em Carcavelos.
Defesa central de posição, iniciou a carreira no Grupo Desportivo de Carcavelos, tendo passado por Estoril, Benfica e Belenenses.
É ao serviço dos azuis do Restelo, onde formou dupla com Sobrinho, que viveu os melhores momentos enquanto jogador vencendo a Taça de Portugal em 1989-90.
Na foto José António e Jaime das Merces exibem o ambicionado trofeu após vitória sobre o Benfica por 2-1. Marcaram Chico Faria e Juanito para os azuis, tendo Vata Vatanu Garcia descontado para os encarnados.

A estreia na selecção nacional deu-se em Estugarda no inequescível RFA-Portugal, onde Carlos "a locomotiva do Barreiro" Manuel mandou a famosa charutada à baliza de Schumaker, carimbando a presença da selecção das quinas no México86.

Seria um dos seleccionados por José "deixem-me sonhar" Torres, tendo efectuado uma épica exibição frente à Inglaterra, onde Portugal saíria vencedor por 1-0 (novo golo de Carlão).
"Saltilho" afastaria "o calvo" da selecção.
Um dos melhores centrais portugueses dos anos 80, faleceu aos 47 anos.
Paz à sua alma.
on Friday, June 3, 2005
Inicio agora uma série de 3 artigos dedicados ao grande capitão, o portador da braçadeira, a voz de comando, o veterano...
Requisitos:
- nº de golos por época compreendido entre 0 e 1;
- nº de toques seguidos na bola não superior a 2;
- nº de faltas por jogo, igual ou superior a 20;
- raramento punido com cartões
- mais influente no pantel doque o próprio mister;
- trata os árbitros por tu, não tendo pejo de o mandar para a outra parte caso necessário;
- nº de épocas no clube superior a 10;
- Uma vez terminada a carreira, transforma-se em treinador das camadas jovens,vendo recompensada toda a abnegação e esforço....

5ª Lugar-Fusco (Beira-Mar)
Apesar de pouco utilizado, contabilizando nas ultimas 3 épocas pouco mais de 10minutos em campo, este pequeno grande trinco foi o símbolo dos auri-negros.
A sua retirada coincide com a posterior despromoção dos aveirenses, orfãos de uma voz de comando que os levasse a assimilar os princípios do futebol de ataquedefendidos por Luis Filipe Hipólito Reis Pedrosa Campos.
Actualmente treina os miúdos do Beira-Mar, jovens que chegando a seniores, normalmente acabam na 1ª Divisão...Distrital.
on Wednesday, June 1, 2005
Estamos em Madrid, estádio Santiago Barnabéu, 11 de Julho de 1982, joga-se afinal do campeonato do Mundo. De um lado a frieza germânica da RFA orientada por Derwall, com:
Schumacher, B.Förster, Briegel, Kaltz, K.H. Förster, Stielike, Littbarski,Dremmler (62’ Hrubesch), Fischer, Breitner, Rummenigge (70’ Müller).
...e do outro todo o pragmatismo de Bearzot com:
Zoff, Bergomi, Cabrini, Gentile, Collovati, Scirea, B.Conti, Tardelli, Rossi,Oriali, Graziani (7’ Altobelli, 89’ Causio)
A uma primeira parte sem história de onde se destaca somente a lesão de Graziani, segui-se um autêntico vendaval de pragmatismo transalpino.
Paolo Rossi, o "destrutivista" do futebol espectáculo de Telé Santana, abriu o activo aos 56 minutos.
Ao minuto 69, Marco Tardelli remata forte e cruzado ao poste direito da baliza à guarda de Harold Schumacher...Segue-se então um dos momentos mais marcantes da história do futebol, Tardelli corre de braços abertos, punhos fechados e abana a cabeça. As lágrimas correm-lhe pelo rosto, estava feito o 2-0 e a Itália tem o tri praticamente garantido.


Alessandro Altobeli aos 80 minutos dissiparia todas as dúvidas colocando o marcador nuns claros 3 a 0, de nada valendo o tento de honra obtido por Breitner 3 minutos volvidos.
O pragmatismo venceu sem dificuldades a frieza, calando os críticos e conquistando o Mundial.

Fica o vídeo da partida:

http://www.youtube.com/watch?v=MNlSYLmElZI&mode=related&search