Na Europa tudo começou mal, a Super Taça Europeia referente à época transacta foi perdida no Mónaco para ao AC Milan. Um jogo de sentido único onde os italianos levaram um grande massacre. Valeu a inspiração de Dida e o golo de Schevechenko.
Mourinho disse que o Sporting, adversário seguinte, iria pagar a factura, e realmente pagou. Os leões, na estreia de Liedson, foram goleados por 4-1. Curiosidades de uma época quase brilhante.
Na fase de grupos da liga milionária as coisas também não pareciam correr de feição para o vencedor da Taça UEFA, que contabiliza apenas um ponto ao fim das duas primeiras jornadas. Um empate a 1 bola com o Partizan em Belgrado e um derrota por 1-3 em casa frente aos galácticos de Madrid, não davam grande margem para erro.
Seguiu-se a jornada dupla com o Marselha, onde o Porto conseguiu 2 vitórias, por 3-2 no Veloudroume e 1-0 nas Antas. Num ápice o Porto estava no 2º lugar com 7 pontos.
Uma nova vitória, na partida contra o Zagreb (2-1) e o apuramento ficou garantido.
A fase de grupos terminou com um empate (1-1) onde quase todos os eram goleados, o Barnabéu.
Quando o sorteio para os 8ºs de final ditou o Manchester United, todos pensarem que terminaria a aventura europeia do campeão nacional.
Empenhados em demonstrar o contrário, os rapazes de Mourinho (mesmo com alguns titulares ausentes) fizeram uma grande exibição batendo os ingleses em casa por 2-1. O 2º golo de Benni Mcarthy é um espanto. Mourinho no final disse: “Estou orgulhoso destes rapazes!”
No Old Traford, o Manchester entrou melhor e Scholes adiantou os locais com um belo golpe de cabeça. Os ingleses ainda introduziram a bola pela 2ª vez na baliza de Baía, mas o árbitro invalidou o lance.
O Lyon, futuro hexacampeão francês, que na altura apenas era tri, foi o próximo obstáculo.
Jogando sempre o 1º jogo em casa, o Porto venceu por 2-0, num jogo muito táctico cuja história se resume aos golos.
Na 2ª mão, o empate a duas bolas não deixou dúvidas sobre quem foi a melhor equipa.
Os golos desta eliminatória podem ser vistos aqui.
O Deportivo da Corunha, foi o adversário das meias finais.
Apesar goleados na fase de grupos pelo Mónaco (8-3), os galegos vinham de eliminar a Juventus e o Milan, pelo lhes era atribuído algum favoritismo.
O 0-0 da 1ª mão parecia dar razão aos entendidos. O jogo ficou contudo marcado pela expulsão de Jorge Andrade (o melhor elemento da defesa do Corunha), num lance onde foi gritante a falta de desportivismo de Deco.
15 dias mais tarde o Corunha foi incapaz de consumar perante o seu público o bom resultado conseguido no Porto.
Um penalty convertido por Derlei, a castigar uma falta estúpida cometida sobre Deco, colocou o Porto na final.
A 26 de Maio de 2004, na cidade alemã de Gelsenkirchen e perante 52 mil espectadores, o Futebol Clube do Porto escreveu mais uma página dourada no seu rico historial.
O árbitro da partida foi o senhor Kim Milton Nielson da Dinamarca, que esteve em bom plano num jogo sem casos.
Alinharam as equipas com:
Porto: Vitor Baia, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Nuno Valente, Costinha, Deco (Pedro Emanuel), Maniche, Pedro Mendes, Carlos Alberto (Dmitri Alenitchev), Derlei (Benni McCarthy)
Treinador: José Mourinho
Monaco: Flavio Roma, Patrice Evra, Gael Givet (Sebastien Squillaci), Hugo Ibarra, Julien Rodriguez, Lucas Bernardi, Edouard Cisse (Shabani Nonda), Ludovic Giuly (Dado Prso), Jerome Rothen, Vassilis-Andreas Zikos, Fernando Morientes
Treinador: Didier Dechamps
O irrequieto Giuly teve um lance de perigo mas Baía chegou primeiro. O pequeno avançado francês (que fez miséria contra o Real Madrid) saiu lesionado do lance e o jogo começou a ter um único sentido.
Carlos Alberto marcou ainda na 1ª parte, Deco e Alenichev fizeram, já no 2º tempo fizeram o 2º e 3º golos dos dragões.
Com toda a justiça e mais alguma, o Porto venceu a liga dos campeões.
Plantel:
Vítor Baía: Igual à época anterior, enorme. Estranhamente não jogou no Euro 2004, o que até está certo, se atendermos ao facto de ter alinhado injustamente no Coreia – Japão 2002.
Paulo Ferreira: Seguiu com Mourinho para o Chelsea, onde foi bi-campeão.
Este ano parece que o gás se começa a acabar. Terá sido a sua pior época desde que chegou à ribalta.
Pedro Emanuel: Esteve em bom plano sempre que Mourinho precisou dele.
Foi dos melhores no Porto de 2004-05, mas depois nunca mais se livrou das lesões.
Ricardo Carvalho: Foi com Mourinho para o Chelsea, ganhou títulos e é um dos melhores centrais do Mundo.
Jorge Costa: Nunca entendi a implicância dos treinadores estrangeiros para com o “bicho”. Primeiro foi Del Neri, depois Adrianse.
Um jogador que deu tanto ao clube, merecia mais respeito.
Ricardo Costa: Parece que desaprendeu de jogar à bola. Um daqueles jogadores, e foram muitos, que só com Mourinho conseguiam atingir níveis altos de competitividade.
Nuno Valente: Depois de ter sido campeão europeu, roubou a titularidade a Rui Jorge no Euro 2004. Deixou o Porto de forma pouco amigável e rumou a Liverpool para representar o Everton.
Costinha: Depois de uma grande época, o ministro foi uma sombra de si mesmo em 2004-05.
Acabou por ir para o Dínamo de Moscovo, mas deu-se mal com os ares da Rússia.
Actualmente joga no Atlético de Madrid, mas não é indiscutível.
Maniche: Fez o mesmo trajecto que o seu companheiro de miolo, mas ainda teve direito a 6 meses de Chelsea.
No Atlético tem papel de maior importância do que Costinha.
Ambos deixaram de fazer parte das escolhas de Scolari, mas Maniche ainda é jogador de selecção.
Pedro Mendes: De uma importância fulcral no Porto campeão europeu. Seguiu com a carreira em Inglaterra. Nunca entendi porque não faz parte das escolhas de Scolari.
César Peixoto: Lesões, Isabel Figueiras, carros potentes, despistes, Isabel Figueiras, Jet-Set, ...
José Bonsigwa: Um “bom rapaz” que Mourinho foi buscar ao Boavista.
Em Agosto afirmou que tinha o sonho legitimo de ser campeão europeu e não é que estava certo?
Na altura a elevada qualidade do plantel azul e branco não lhe dava muitas hipóteses, mas actualmente é um dos melhores elementos da equipa. O melhor lateral direito a actuar a Portugal e um dos melhores da Europa.
Dimitri Alenitchev: Foi novamente o Joker. O médio ofensivo que Mourinho fazia descansar no campeonato e lançava nos jogos europeus.
O russo foi decisivo por exemplo em Marselha e já agora marcou novamente na final.
Saiu após o Euro 2004 para o Spartak de Moscovo.
Deco: Genial, Mágico. Foi na nossa opinião o melhor jogador do ano.
Saiu para o Barcelona e continuou a ganhar títulos. Foi o único elemento a repetir a champions.
Derlei: Um dos grandes heróis da época passada, teve uma melindrosa lesão em 2003-04. Foi contra o Alverca no Ribatejo, numa partida em que o Porto venceu por 2-1.
Ainda voltou a tempo de jogar as meias finais, tendo convertido o penalty que eliminou o Corunha.
Na final actuou como homem mais avançado.
Em Janeiro de 2004 rumou ao Dínamo de Moscovo mas os índices jamais foram os conseguidos com Mourinho.
Recentemente voltou ao futebol português representar o Benfica mas revelou-se um verdadeiro fiasco.
Carlos Alberto: O miúdo que abriu caminho à vitória na final com um golo de belo efeito.
Tinha talento e irreverência para dar e vender.
Mourinho foi o único que o conseguiu meter na linha.
Saiu em Janeiro de 2004, incompatibilizado com Fernandez, o treinador da altura.
Ainda foi campeão brasileiro pelo Corinthians.
Benni Mcarthy: O goleador que Mourinho insistiu em levar para as Antas.
Um grande jogador que permaneceu contrariado por mais uma época.
Rumou a Inglaterra e no melhor campeonato do Mundo conseguiu ser o 2º melhor marcador. Só Drogba ficou à sua frente.
Maciel: Não foi inscrito na champions, mas revelou-se de enorme utilidade no campeonato quando era preciso fazer descansar os guerreiros.
Mourinho já o conhecia de Leiria.
Sérgio Conceição: Até o Porto de Mourinho tem direito ao seu “barrete”.
O histórico Sérgio Conceição que insiste em reclamar um lugar na selecção nacional.
O título que fugia há 3 anos foi conquistado sem espinhas e a Taça também não fugiu à trituradora azul e branca, fruto de uma vitória por 1-0 sobre a União de Leiria no Jamor.
A própria Taça UEFA, se exceptuar-mos os 4ºs de final e a final, foi um passeio.
A campanha europeia começou com uma vitória por 6-0 sobre o Polónia Varsóvia. O adversário era acessível mas pregou uma partida ao bater o FCP, na 2ª mão, por 2-0. Apesar da importância diminuta da partida, José Mourinho ficou com os nervos em franja.
A eliminatória com o Áustria de Viena saldou-se com 2 vitórias. 1 zero em solo austríaco (golo de Derlei) e 2-0 no Porto.
Nos 16ºs de final coube em sorte o Lens. Um massacre e 2 frangos do guardião francês contribuíram para o 3-0 na 1ª mão. Os franceses venceram em casa por 1-0 com um golo de Song precedido de falta sobre Baía.
Seguiram-se os turcos do Denizlispor. Uma eliminatória fácil, com vitória nas Antas por 6-1 e um empate a duas bolas na Turquia, onde Clayton fez relembrar o calcanhar da Madger.
O adversário seguinte fez soar o alarme. O Panathinaikos venceu nas Antas por 1-0 com um golo de Olisabebe. Mourinho disse ao treinador rival que a eliminatória não e estava acaba e realmente não estava.
2-0 em Atenas após prolongamento e a passagem às meias finais para encontrar a equipa que teoricamente era favorita à vitória na competição, a Lazio de Roma.
Na outra meia final o Boavista enfrentava o Celtic de Glasgow não sendo totalmente descabido o cenário de uma final exclusivamente portuguesa.
Os italianos costumam um osso duro de roer e pareciam querer confirmá-lo quando Chiesa bem cedo fez o 1-0, gelando as Antas. O que se seguiu foi diabólico!
O Porto cilindrou os italianos por 4-1 naquela noite de chuva intensa. Peruzzi terá sido infeliz em 1 ou 2 lances, mas evitou uma goleada histórica. Vejam aqui aquela que foi para mim a melhor exibição do Porto 2002-03.
Em Glasgow, o Boavista conseguiu um empate a 1 bola, no jogo da vida de Erivan.
Na 2ª mão, a Lazio não conseguiu violar as redes de Baía, que enorme defendeu uma grande penalidade.
A mesma Lazio que um ano mais tarde eliminaria o Benfica na pré eliminatória da Liga dos Campeões foi bastante vulgarizada.
Entretanto um golo de Larson já no último quarto de hora acabou com o sonho boavisteiro.
Na final, as equipas alinharam com:
FCP Porto: Vítor Baía, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Deco, Costinha, Maniche, Alenichev, Capucho, Derlei. Suplentes: Nuno, Emanuel, Ricardo Costa, Tiago, César Peixoto, Clayton, Marco Ferreira.
Celtic: Douglas, Mjallby, Balde, Valgaeren, Agathe, Lennon, Petrov, Lambert, Thompson, Sutton, Larsson. Suplentes: Hedman, Sylla, McNamara, Maloney, Fernandez, Laursen, Smith.
A final de Sevilha foi um hino ao futebol, com direito a invasão de campo por um homem nu e tudo. O Porto claramente mais forte foi importunado pelos escoceses que fizeram valer o empenho e o querer. O sueco Larson marcou por 2 vezes de cabeça, contrariando os golos de Derlei e Alenitchev.
Com 2-2 no período regulamentar, o jogo foi para prolongamento. O defesa central francês Balde foi expulso, logrando o Porto o 3-2 num lance onde Marco Ferreira foi grande abrindo o caminho ao golo de Derlei. O golo de prata que valeu ouro.
O Ninja estava estafado mas foi uma vez mais decisivo. Para recordar os 3 golos do FCP com direito a hino tripeiro.
Plantel:
Vítor Baía: Depois de uma aventura de certa forma falhada em Barcelona, voltou ao Porto com o joelho num 8.
Pensava-se que estava acabo, mas conseguiu atingir a sua melhor forma de sempre.
Inicialmente entrou em rota de colisão com Mourinho, mas o Special One mostrou-lhe quem mandava, conferindo a titularidade a Nuno Espírito Santo.
Resolvidos os conflitos, tudo foram rosas.
Paulo Ferreira: O defesa direito internacional sub-21 que Boloni quis um dia levar para o Sporting. Acabou por ir para o Porto por valores bem mais baixos aqueles que foram pedidos aos leões.
Era um “ironman” capaz de jogar 50 jogos numa época com uma regularidade impressionante.
Jorge Costa: O capitão que Octávio correu, voltou após 6 meses no Charlton. Ele e Baía eram os líderes do balneário, os guardiães da mística azul e branca. Dificílimo de ultrapassar.
Ricardo Carvalho: Na altura já era o melhor central português e um dos melhores do mundo. Scolari demorou muito tempo em reparar nele.
Pedro Emanuel: O 3º central da equipa. Foi chamado por várias vezes (uma delas na final) cumprindo sempre com distinção. Um senhor que anos antes havia sido campeão pelo Boavista.
Ricardo Costa: Defesa central era muitas vezes adaptado ao lado esquerdo da defesa. Viveu com Mourinho os melhores momentos da sua carreira. Parece que desde que foi lançado com 19 anos, a sua evolução foi nula.
Nuno Valente: Um dos 3 que Mourinho levou consigo de Leiria.
Discreto, mas de grande utilidade era melhor jogador do que parecia.
Foi um erro o Sporting, clube que o formou, ter dispensá-lo.
Mário Silva: Na ausência de Nuno Valente, Mourinho preferia adaptar Ricardo Costa ao lado esquerdo da defesa. Penso que está tudo dito.
Costinha: O ministro era uma peça fundamental no esquema de Mourinho que raramente abria mão do seu médio defensivo.
O antigo jogador do Mónaco, tinha o hábito de marcar nos grandes jogos.
A época seguinte seria ainda mais proveitosa em termos individuais.
Tiago: Outro dos que foi com Mourinho de Leiria para a invicta. Em tempos trocou o Marítimo pelo Benfica, alegando medo de andar de avião.
Fez uns bons jogos de águia ao peito, mas foi estranhamente dispensado por Souness quando Michael Thomas chegou ao clube.
Era utilizado sobretudo no campeonato, dando descanso a Costinha.
Maniche: A grande surpresa da época. Depois de um ano de interregno onde por castigo se limitou a treinar no Benfica-B, o médio ingressou no rival nortenho pela mão de um treinador que já havia apostado nele a quando da sua fugaz passagem pelo emblema da águia.
Só por incompetência o Benfica deixou escapar um jogador assim.
Deco: O que foi dito para Maniche é aplicado a dobrar.
Veio para Portugal, proveniente do Corinthians Alagoano para jogar no Benfica, mas nunca actuou com a camisola encarnada do auto denominado Glorioso.
Só Simões reparou nele, mas nada pode fazer.
Vale e Azevedo ameaçou inclusive prendê-lo a uma árvore.
Foi emprestado ao Alverca e após uma “ponte” em Vidal Pinheiro, ingressou no Porto.
Jackpot.
Capucho: Médio ala direito, campeão do Mundo de sub-20 em Lisboa, formado nas escolas do Sporting.
Em tempos chegou a remeter para o banco de suplentes o genial Luís Figo.
Deve ter tido um abaixamento de forma e foi dispensado.
Ingressou no Vitória de Guimarães e depois foi para o Porto onde ganhou muito.
Era fino a jogar. Na final actuou como ponta lança, posição que não lhe era completamente estranha e cumpriu.
Teve o azar de escolher sair para Espanha no final da época.
Marco Ferreira: O suplente de Capucho que o Porto foi contratar a Setúbal.
Actuou alguns minutos na final e a sua persistência permitiu o golo da vitória.
Esforçado mas um pouco limitado, não caberia no Porto 2003-04.
Depois de um ano no Penafiel, ingressou no Benfica e quase não se houve falar nele.
César Peixoto: Na época anterior marcou um grande golo, na vitória por 3-0 dos azuis do Restelo sobre um Porto destroçado.
Tinha muita qualidade, mas passou a época quase toda no estaleiro.
Alenitchev: O “Joker” que Mourinho insistia em lançar nos grandes jogos europeus. Foi fulcral na carreira europeia, como também o seria um ano depois.
A gestão do plantel fez com que o russo encontra-se o seu espaço no plantel azul e branco e o russo correspondia. Marcou na final.
Clayton: Avançado brasileiro que em tempos foi o abono de família do Santa Clara.
No Porto nunca se afirmou, mas marcou alguns golos no início da campanha europeia. Os adversários também ajudavam.
Derlei: O ninja que foi a par de Deco o grande jogador portista da época. Mourinho confidenciou que Derlei terá sido ainda mais preponderante.
Veio de Leiria com o mister para se tornar no melhor marcador da Taça Uefa.
Na final bisou, como já havia bisado na meia final contra a Lazio de Roma.
Hélder Postiga: Terá feito a sua melhor época de sempre.
Não jogou a final por castigo.
Rumou a Londres para uma aventura mal sucedida nos Spurs.
Jankauskas: Um dia disse que o Benfica era uma espécie de religião. Na semana seguinte assinou pelo Porto.
Foi perdendo preponderância na equipa.
NA final Mourinho preferiu adaptar Capucho a ponta de lança deixando o lituano no banco.
Começa aqui a nossa homenagem aos campeões nacionais.
A Taça foi para a Amadora com o Estrela de João Alves a bater na finalíssima por 2-0, o Farense (2ª Divisão) de Paço Fortes.
A odisseia europeia começou na Irlanda do Norte com uma vitória por 2-1 sobre o Derry City. Na Luz os simpáticos irlandeses saíram vergados a concludentes 4-0.
Seguiu-se o Honved de Budapeste dos irmãos Diztel, que não fez mais do que confirmar a crise porque passava (e continua a passar) o futebol húngaro. 2-0 na Roménia e 7-0 na Luz não deixa margem para dúvidas sobre a diferença de poderia entre as duas equipas.
O sorteio dos 4ºs de final foi novamente favorável. O Dinepr não era um adversário fácil, mas estava longe de ser um gigante do futebol europeu.
A 1ª mão ficou marcada pela dificuldade dos encarnados em ultrapassarem a muralha defensiva da equipa da ex URSS. Magnusson fez o único golo da partida ao converteu um penalty que castigou um derrube sobre Vítor Paneira.
15 dias depois arrancámos uma grande exibição e vencemos facilmente por 3-0. Lima sonhou que ia marcar e marcou por 2 vezes.
O último obstáculo antes da final foi o Marselha de Bernard Tapie, uma das melhores equipas europeias no início dos anos 90 contando com Enzo Francescoli, Carlos Mozer, Boli, Jean Pierre Emanuel Amores Papin e Chris Wadle.
No Veloudrome, o Benfica marcou contra a corrente do jogo. Lima respondeu da melhor maneira de cabeça a um canto e fez o 1-0.
Os Marselheses lançaram-se ao ataque e ainda antes do intervalo Papin bisou.
Com alguma dose de sorte e algum engelho das suas linhas recuadas o Benfica conseguiu manter o 2-1 final que abria boas perspectivas para a 2ª mão.
A luz vestiu-se de gala para receber o encontro das meias finais, mas o jogo foi fraco, com os franceses a limitarem-se a gerir a vantagem abdicando quase do ataque.
Com Magnusson e Lima e serem completamente anulados por Mozer e Boli, Erickson tirou o brasileiro e meteu o angolano Vata.
Golo do Benfica perante o espanto dos franceses que não queriam acreditar na decisão do árbitro da partida.
Antes do final Veloso carregou Wadle e viu o amarelo e não pode alinhar na final.
Lima que estava com veia goleadora lesionou-se antes da final e não seguiu viagem, a equipa viu-se privada de 2 titulares.
Os italianos eram mais fortes e confirmaram-no no campo, vencendo por 1-0 (golo de Frank Rijkaard aos 68 minutos) , mas não permitindo que o Benfica criasse perigo junto da baliza de Galli (podem confirmar aqui).
Pelo menos não fomos esmagados como o Steua de Bucareste um ano antes.
Foi a 23 de Maio de 1990 no Estádio do Prater em Viena, sob a arbitragem do também austriaco Helmut Kohl.
Perante 57500 espectadores as equipas alinharam com:
Benfica: Silvino; José Carlos, Ricardo, Aldair e Samuel; Hernâni e Thern; Vítor Paneira (Vata, 75), Valdo e Pacheco (César Brito, 58); Magnusson.
Treinador: Sven-Goran Eriksson (Suécia).
Treinador: Arrigo Sachi
Plantel:
Na baliza Silvino continuava a ser o titular, o veterano Bento o suplente e um tal de Dias Graça o 3º.
Veloso era o dono do lado esquerdo da defesa:
José Carlos era o defesa direito, formando com Vítor Paneira uma boa ala. Era melhor a atacar do que a defender. Depois do Benfica ingressou no Vitória de Guimarães voltando a encontrar o colega de corredor.
Fonseca: Um azelha que actuou várias vezes no lado esquerdo da defesa.
Na final com Veloso castigado, Erickson optou por adaptar o central Samuel. Acho que está tudo dito.
Ricardo Gomes: Um grande jogador. Central, capitão da canarinha era um goleador ao bom estilo de Mozer e de Humberto Coelho.
Após uma aventura no PSG voltou em 1996 à Luz conquistando a Taça de Portugal na fase mais negra da história do clube.
Aldair: Só actuou uma época no Benfica, tendo-se revelado um central com qualidade mas demasiado macio.
Esteve no Mundial de Itália (juntamente com Ricardo e Valdo), onde apesar de não ter actuado um único minuto, acabou por lá ficar, assinando com a Roma (por 750 mil contos), equipa na qual permaneceu durante anos a fio.
Samuel: Era a 3ª escolha como central. Mostrava competência sempre que era chamado.
No 2º jogo das meias finais, actuou ao lado de Ricardo Gomes, fruto do castigo de Aldair. Esteve muito bem.
Na final foi defesa esquerda.
Jogou também no grande Boavista de Manuel José, onde continuou a fazer belas exibições.
Paulinho, internacional português mas que não tocava na “xixa” e o ex júnior Paulo Madeira completavam o grupo de centrais
Thern: Médio defensivo sueca era uma autêntica carraça. Trabalhador incansável e um dos jogadores preferidos do treinador.
Concluída a aventura no Benfica, transferiu-se para o Nápoles.
Hernâni Madruga: Médio defensivo proveniente do Vitória Sadino.
A sua carreira ficou marcada por um controlo anti doping, que alguns juram a pés justos que foi incriminado para “salvar” Carlos Mozer.
Depois do futebol de 11, tornou-se num dos melhores jogadores mundiais de futebol de praia.
Vítor Paneira: Quando veio do Vizela para o Benfica foi alvo de chacota por parte do Sr. Jorge Nuno. Numa das raras vezes, o imperador do Porto teve que engolir as suas palavras.
Paneira era um grande jogador, sendo um regalo vê-lo jogar. Erickson por vezes dava-lhe todo o corredor, mas ele rendia mais como médio ala direito.
Saiu em 1996 depois da limpeza de balneário levada a cabo por essa besta que foi Artur Jorge de Melo Braga Teixeira.
Jogou ainda no Guimarães e na Académica.
Abel Campos: Era o protótipo do jogador africano. O futebol estava-lhe no corpo, mas era indisciplinado tacticamente.
As suas fintas levantavam o 3º anel.
Uma boa alternativa a Paneira.
Pacheco: Continuava a ser o médio ala esquerdo. Estava mais maduro.
Valdo: Um número 10 de se lhe tirar o chapéu era o motor do meio campo.
A “Bailarina”, como era apelidado pelos adeptos dos clubes rivais, jogava que se fartava.
Depois de uma aventura no PSG, voltou à Luz juntamente com o companheiro Ricardo Gomes.
Diamantino: Estava a perder influência na equipa sendo raramente chamado.
Sairia pouco depois para o Vitória de Setúbal.
Lima: Avançado que no Grémio era o complemento de Valdo em termos de concretização.
Chegou à Luz rotulado de craque (e com um penteado super pós moderno), mas só após o 1º jogo com o Dinepr é que mostrou algo.
Quando estava em super-forma lesionou-se e não seguiu viagem para Viena.
Consta-se que não era muito bem visto no balneário, fruto das suas preferências sexuais.
Mats Magnusson: Continuava a ser o homem de área da equipa e na final foi uma nulidade, o costume nos grandes jogos.
Vata: O herói da meia final já teve honras de post aqui.
César Brito: Viveu o seu grande momento de glória um ano mais tarde no estádio das Antas, ao marcar, de rajada, os 2 golos da vitória do Benfica.
Tinha muita qualidade, mas um acidente de viação prejudicou-lhe de certa forma a carreira, igualmente marcada pelas lesões.
Veio do Portimonense e depois do Benfica ainda actuou no Belenenses e no Salamanca.
Com os desaires a sucederem-se a direcção entregou a equipa ao adjunto Toni ainda antes do final da 1ª volta. As melhorias foram evidentes, mas actual campeão europeu, Futebol Clube do Porto, não deu hipóteses a nível interno, vencendo o campeonato com 15 pontos de vantagem (sobre o Benfica) e a taça de Portugal (1-0 frente ao Vitória de Guimarães com golo de Jaime Magalhães).
Na Europa lavou-se de certa forma a face com o Benfica a voltar, 20 anos depois, à final da Taça dos Campeões Europeus.
O 1º adversário foi o Partizani Tirane, numa eliminatória atípica, sendo os albaneses punidos e impedidos de disputar o 2ª jogo após os incidentes na Luz onde o placard registou 4-0 para o Benfica.
Segui-se o AGF Aarhus que se mostrou um osso duro de roer. Na Dinamarca, Silvino foi crucial ao defender uma grande penalidade mantendo o 0-0 final. Na Luz o médio Adelino Nunes marcou o tento solitário que valeu a passagem.
Nos 4ºs de final, tivemos a oportunidade de nos vingar do Anderlecht. 2 a zero na Luz com golos de Rui Águas e Chiquinho Carlos e derrota em Bruxelas com um golo bastante semelhante ao do Manchester United em Lille.
Nas meias finais o adversário foi o Steua de Bucareste de Hagi, Marius Lacatus e Piturca, campeão europeu 2 anos antes.
Uma vez mais os encarnados deram-se bem com os ares da Roménia, conseguindo um precioso empate sem golos. No final o cumprimento entre Silvino e Mozer era o espelho da alegria da nação benfiquista.
Ficam alguns videos da partida que encontrei no youtube: aqui e aqui e aqui).
15 dias depois, Rui Águas com uma excelente exibição marcou os 2 golos da vitória (1º golo), ante uns romenos que mostraram pouco.
No ensaio geral para Estugarda a equipa demonstrou estar em grande forma manietando o europeu Vitória de Guimarães por 3-0. Perto do final a mancha, Diamantino foi carregado por Adão lesionando-se gravemente. O capitão fez muita falta.
A final realizou-se no Neckarstadium de Estugarda, perante 68 mil espectadores e com a arbitragem do italiano Luigi Agnolin. As equipas alinhado com:
Benfica: Silvino, Veloso, Mozer, Dito, Álvaro, Elzo, Shéu, Chiquinho, Pacheco, Rui Águas (Vando aos 57 min) e Magnusson (Hajry aos 111 min)
Treinador: Toni
Treinador: Guus Hiddink
Um factor engraçado foram as botas dos jogadores do Benfica que insistiam em saltar. Num lance caricato, Pacheco ia-se a isolar, mas a malvada bota saiu no pior momento provocando uma aparatosa queda ao rápido extremo esquerdo.
Com o 0-0 a manter-se teimosamente ao fim de 120 minutos de jogo, tudo se decidiu na 6ª grande penalidade quando Veloso (eleito o melhor benquista em campo) falhou. Van Breukelen benzeu-se e o PSV venceu a taça dos campeões no ano de ouro do futebol holandês.
Plantel
Silvino Louro: Quis o destino (cruel) que um guarda redes mediano defendesse a baliza do Benfica em duas finais europeias.
A lesão de Bento no México 86 deu a titularidade a um guarda-redes que havia defendido as cores do Desportivo de Aves, já na altura era orientado pelo professor Neca.
Saiu em 94 e ainda representou o Setúbal, o Porto e o Salgueiros.
Com o emblema de Paranhos conseguiu a sua ultima internacionalização, foi nesse célebre Alemanha – Portugal da fase de qualificação para o Mundial de França.
António Veloso: Ficará para sempre ligado à final fruto do penalty falhado.
2 anos mais tarde viu um amarelo na meia final que o impossibilitou de jogar a final, numa altura em que jogava a lateral esquerdo.
Foi o capitão da última grande equipa do Benfica, aquela que conquistou o título em 94.
José Carlos NEPOMUCENO Mozer: Um grande jogador com um nome mega pós moderno. Patrão da defesa, era exímio no jogo aéreo.
No ano seguinte formou com Ricardo Gomes aquela que é na minha opinião uma das melhores duplas de sempre do futebol português.
Em 1989, foi para Marselha, mas voltou em 1992 ainda a tempo de conquistar um campeonato e uma taça.
Eduardo Dito: Estava muitos furos abaixo do seu companheiro de sector.
Discreto, causou espanto quando rumou ao Porto na companhia de Rui Águas. Aí eclipsou-se.
Samuel e Edmundo completavam o quarteto de centrais.
Álvaro Magalhães: O raçudo lateral esquerdo estava a viver os últimos dias de glória de águia ao peito.
Uma lesão salvo erro na época seguinte, acabou por fazê-lo perder a titularidade para um tal de Fonseca que era bem limitado.
Elzo: Internacional brasileiro esteve presente no México 86, tendo actuado por exemplo nesse estonteante França – Brasil.
Tinha qualidade mas creio que no Benfica nunca atingiu o seu verdadeiro potencial.
Tueba: Um militarista, cuja carreira pode ser revista aqui.
Augusto: Um hiper, mega, super pós moderno proveniente do Varzim. Pouco ou nada sei sobre ele. Lembro-me actuou sobretudo nas vésperas dos confrontos europeus e o Benfica não ganhava.
Shéu: Um senhor. Discreto, não sabia jogar mal. Numa escala de 0 a 10, Shéu nunca tinha o 10, mas tiraria sempre 7. De uma regularidade impressionante era adorado pelos treinadores.
Retirou-se no ano seguinte, tendo recebido uma merecida e bela homenagem no jogo da consagração, contra o Boavista.
Adelino Nunes: Um carregador de piano. Como focado anteriormente foi nuclear na eliminatória contra o Aarhus. Também me recordo de um golo que valeu uma vitória contra o Sporting na época 86-87.
Jogou ainda no Setúbal e posteriormente na mítica selecção de futebol de praia.
Carlos Manuel: O herói de Estugarda sairia pouco depois para o Sion da Suiça. Seguiu-se o Sporting (equipa que chegou a capitanear), o Boavista e o Estoril Praia.
Pacheco: Foi a grande surpresa da época, tornando-se rapidamente na coqueluche da equipa. Se não estou errado que era proveniente do Portimonense.
Muito rápido e tecnicamente evoluído fazia a cabeça em água aos laterais direitos na época. Para mal dos seus pecados ocupava a mesma posição que Futre, pelo que a titularidade na selecção era-lhe constantemente vetada.
Traiu o clube no Verão Quente de 93, rumando juntamente com Paulo Sousa a Alvalade. Como mais tarde o veio a admitir, foi o seu maior erro a nível profissional.
Hajry Redouane: Teve poucas oportunidades no Benfica, mas este marroquino (utilizado na final, sobretudo para marcar o penalty) foi em 1987 o melhor jogador do torneio de Toulon tendo superado estrelas como Kristo Stoichkov, Penev, Kostadinov, Paul Gascoigne e David Ginola.
Saiu para o Farense onde permaneceu 11 épocas. Também actuou uma época no União da Madeira.
Chiquinho Carlos: Recebeu honras de recentes que podem ser vistas aqui.
Vando: Médio ala brasileiro proveniente do Sporting de Braga, chegou ao clube já com a época a decorrer.
Suplente utilizado na final, criou o lance de maior perigo da equipa com um remate cruzado a passar perto do poste esquerdo da baliza contrária.
Diamantino: Lesionou-se antes da partida para Estugarda. Os colegas ressentiram-se e de que maneira. Era o motor da equipa.
Depois da lesão nunca mais foi o mesmo.
Rui Águas: Filho do mítico José Águas e irmão da bela Lena D’Água era muito forte no jogo aéreo.
A sua lesão na final pesou nas opções de Toni que perdeu uma referência na área.
Espantou tudo e tudo quando traiu o clube de sempre rumando ao Porto, onde permaneceu por 2 épocas.
“Arrumou” o bi bota de ouro Fernando Gomes da selecção nacional e do Porto.
Apesar de ser um goleador nato, apenas por 1 vez (com as cores do Benfica) venceu a bola de prata.
Mats Magnusson: O 3º nórdico do clube, depois de Stromberg e Michael Maniche.
Era muito forte contra as equipas chamadas pequenas, mas eclipsava-se nos grandes jogos. Nas finais contra o PSV e contra o Milan foi uma autentica nulidade.
Valia mais de 20 golos por época pelo que era de grande utilidade. Não me importava nada de ter um Magnusson no plantel actual.
Tudo começou quando o Presidente Fernando Martins contratou o jovem treinador Sven Goren Erickson. Apesar da desconfiança dos sócios, o técnico já tinha provas dadas nomeadamente a Taça UEFA conquistada ao serviço do Gotemburgo, numa final com o Dundee United.
A nível interno o Benfica venceu o campeonato e a Taça de Portugal (belos tempos!!), mas o que ficou na “retina” dos adeptos do futebol foi a campanha europeia.
O 1º adversário foi o Bétis de Sevilha, batido na Luz por pouco confortáveis 2-1. No encontro da 2ª mão o Benfica foi para o intervalo a perder por 1-0. Reza a lenda que Erickson deu um valente puxão de orelhas aos seus pupilos exigindo-lhes que jogassem como se estivessem no seu reduto. O discurso arrojado deu furtos com a equipa a virar o resultado e a seguir em frente.
Depois de Lokeren (2-0 e 2-1) e FC Zurique (1-1 e 4-0) terem sido despachados o “azar” bateu à porta ao sair a poderosa AS Roma de FrancoTancredi, Falcão e Bruno Conti.
Lembro-me que o jogo em Itália foi à tarde e teve honras de transmissão televisiva (um luxo para a época). Zoran Filipovic, a grande figura da equipa na prova europeia, bisou na bela vitória por 1-2.
Na Luz, o Benfica marcou 1º por intermédio de... Filipovic, mas Falcão a 10 minutos do fim igualou o marcador. Apesar de nunca ter criado muito perigo junto da baliza à guarda de Bento, a Roma exerceu grande domínio pelo que aqueles 10 minutos foram terríveis para quem viu o jogo ao vivo e em especial para os que o acompanhavam via rádio.
Os golos dos 4ºs de final podem ser vistos aqui.
Faltava um obstáculo para a final, o Universidade de Craiova onde militava Camataru cuja transferência posterior para o Benfica merecia no mínimo um blog inteiro.
A 1ª mão, na Luz, quedou-se por um empate sem golos, muito por culpa dos aguerridos romenos que estacionaram o autocarro à frente da baliza.
Na Roménia um golo madrugador na transformação de um livre directo e onde o malogrado Manuel Bento não ficou nada bem na fotografia, não agourava nada de bom. Para bem dos nossos pecados, Filipovic continuava on fire e acabou por fazer o empate batendo o enorme (na verdadeira essência da palavra) Lung. Este jogo (cujos golos podem ser vistos aqui) também foi transmitido à tarde e eu embora com 5 aninhos na altura, lembro-me perfeitamente.
Chegou a final e com ela o poderoso Anderlecht, que no ano anterior havia sido eliminado nas meias finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus pelo Aston Vila.
O resto já todos sabem, derrota em Bruxelas por 1-0 num jogo onde José Luís foi expulso a meio da 2ª parte e um empate maldito no lotado Estádio da Luz. De nada valeu o golo de Shéu pois LoZano empatou logo a seguir.Shéu aos 35 minutos empatou a eliminatória.
Eis as equipas que alinharam nos 2 jogos da final:
1ª mão
Estádio do Heysel, Bruxelas, Bélgica 4/05/1983.
Espectadores: 55. 000
RSC Anderlecht 1 Benfica 0
Anderlecht: Munaron; Hofkens, Peruzovic, Olsen e De Groote; Frimann, Coeck, Vercauteren e Lozano; Vandenbergh (Czernatynski) e Brylle
Treinador: Paul van Himst
Benfica : Bento; Pietra, Álvaro, Humberto Coelho e José Luís; Shéu (Alberto Bastos Lopes), Frederico, Carlos Manuel e Chalana; Filipovic (Nené) e Diamantino
Treinador: Sven-Goran Eriksson
Marcador: Brylle (29')
2ª mão
Estádio da Luz. Lisboa, 18/10/1983.
Espectadores 80.000
Benfica: Bento; Pietra, Humberto Coelho, António Bastos Lopes e Veloso (Alves); Carlos Manuel, Stromberg, Shéu (Filipovic) e Chalana; Nené e Diamantino
Treinador: Sven-Goran Eriksson
Anderlecht : Munaron; Peruzovic, De Greef, Broos, Olsen e De Groote; Frimann, Lozano, Coeck e Vercauteren; Vandenbergh (Brylle)
Treinador: Paul van Himst
Marcadores: Shéu (36') e Lozano (38')
Para concluir e ao jeito de Jorge Kataklisnman no post dos 5 violinos vou tentar caracterizar os principais jogadores da equipa.
Manuel Galrinho Bento: um grande guarda-redes, dos melhores do seu tempo. O suplente Delgado nem a cheirava. Ganhou a alcunha de “homem de borracha”. Quando engatava era muito difícil de bater. Temperamental de vez em quando também dava o seu “franguito” mas quem não os dá?
Minervino Pietra: Defesa lateral à moda antiga, não deslumbrava mas raramente comprometia. Jogava bem com os 2 pés pelo que tanto podia actuar na direita como na esquerda.
Humberto Coelho: O capitão de equipa. Defesa central autoritário gostava de subir no terreno e não foram as vezes em que acabou a época como um dos melhores jogadores da equipa. Já estava na fase final da sua carreira, uma bela carreira diga-se de passagem.
António Bastos Lopes: Formava com Humberto uma bela dupla de homens altos espadaúdos e sobretudo de bigode. Não era tão bom como o colega de sector mas tinha a sua qualidade.
O irmão Alberto também fazia Benfica mas não atingiu o patamar do “mano velho”. Digamos que era uma 2ª escolha. Erickson contudo tinha o bom senso de rodar a equipa não caindo no erro que Fernando Santos cometeu na presente época. Frederico Rosa completava o quarteto de centrais (sim, uma grande equipa tem que ter 4 centrais no mínimo).
Álvaro Magalhães: Compensava uma certa falta de jeito com um empenho desmedido. Formava com Nando Chalana uma asa esquerda capaz de fazer a cabeça em água a muito boa gente.
O entendimento era perfeito, funcionando na base do grito.
António Veloso: Já na altura era um polivalente podendo actuar na defesa ou no meio campo. Normalmente alternava a titularidade com Álvaro.
Era dos mais jovens do plantel pelo que ainda havia de conseguir muitos títulos. Uma brilhante carreira marcada por alguns episódios menos felizes, o controlo anti-doping enganoso que o privou de ir ao México 86, o penalty falhado na final de Estugarda e o amarelo que o impossibilitou de jogar a final de 90 contra o Milan.
O seu filho Miguel Veloso segue as pegadas do pai, mas no rival Sporting. Arrisco contudo que o jovem defesa/ médio pode vir a ser dos melhores do mundo.
Shéu: O pulmão do meio campo. Salvo erro era o médio mais defensivo. Marcou o golo (insuficiente) na final contra o Anderletch. Capitaneou a equipa 5 anos mais tarde na final de Estugarda contra o PSV.
José Luís: Pouco sei dele enquanto jogador do Benfica. Acho que era médio ala e foi expulso no jogo de Bruxelas. Foi internacional A pois tenho-o na minha caderneta do Euro84.
Saiu do clube pouco depois tendo actuado com o irmão no Marítimo de Everton e Paulo Ricardo.
Carlos Manuel: A locomotiva do Barreiro. Natural da Moita tinha uma apetência especial para os golos nos jogos decisivos. O herói da classificação para o México 86 era igualmente um exímio marcador de livres.
Apesar do Sporting ser o clube do seu coração, mostrou ser um grande profissional enquanto representou o Benfica.
Saiu para o Sion da Suiça, mas ainda voltou a Portugal para representar o Sporting, o Boavista e o Estoril Praia, conhecendo no clube da linha o prazer (argg) que é ser treinado por Fernando Santos.
Fernando Chalana: O pequeno genial. Era na minha modesta opinião, e não só, o melhor jogador da equipa. Não fossem as lesões e a esposa Anabela e poderia ter brilhado ainda mais.
Fez um grande Euro84, tendo no final sido transferido por valor recorde para o Bordéus.
Fustigado pelas lesões, ainda voltou à Luz. Jogou igualmente no Belenenses e no Estrela da Amadora.
Diamantino Miranda: Outro dos grandes craques da equipa. Era titular indiscutível no Benfica e na selecção nacional a qual viria a renunciar com apenas 27 anos. Problemas com o Dr. Silva Resende.
A sua carreira ficou marcada pela lesão que contraiu dias antes da final contra o PSV. Foi na Luz na vitória por 3-0 ante o Guimarães que um tal de Adão fez com que o Benfica começasse aí a perder a final.
Saiu do clube no início da década de 90, assinando pelo Vitória de Setúbal. Ainda me recordo após uma vitória por 2-0 sobre o clube do coração um Diamantino emocionado disse “ganhámos à melhor equipa do Mundo”.
Stromberg: era o jogador que maior curiosidade me despertava. Um homem tão alto e loiro não era nada normal. O meu pai dizia-me que era de molhar o pão no ovo estrela. Enfim, coisas que não vos interessam nada mas que a mim me dizem muito.
Foi o pioneiro do sucesso do clube com os nórdicos (até à chegada de Pringle, claro).
Do Benfica transferiu-se para a Atalanta de Itália.
Nené: O meu ídolo. Era conhecido por não sujar os calções e por marcar golos de pantufas. Começou a carreira a médio direito mas acabou-a como ponta de lança.
Era extremamente correcto e bastante oportuno. No global era o melhor marcador da equipa.
Já com 34 anos, marcou o golo que nos colocou nas meias finais do Euro84. Foi na vitória por 1-0 contra a Roménia.
Zoran Filipovic: Foi o herói da campanha europeia do Benfica época 1982-83.
Marcou muitos e decisivos golos, entre os quais os 2 no Olímpico de Roma e o do empate em Craiova.
Actuou ainda pelo Boavista. Como treinador levou o simpático Salgueiros à Taça UEFA fruto de um brilhante 5º lugar no campeonato, manteve o Beira-Mar na 1ª divisão e fez parte daquela mítica equipa técnica de Artur Jorge que incluía igualmente o Professor Neca.
João Alves: Um tecnicista. Médio de elevados recursos tinha a particularidade de actuar sempre de luvas pretas, daí a alcunha “o luvas pretas”. Era uma homenagem ao seu avô.
Quando saiu do Benfica, jogou no Boavista.
