on Tuesday, January 23, 2007
O impensável está prestes acontecer. Depois de 2 anos de domínio absoluto, o Chelsea pode perder o título de inglês.
Um grande treinador irá suceder a outro grande treinador, uma velha raposa conseguiu dar volta e derrotar o jovem que parecia invencível.
A concretizar-se a profecia, será a 1ª vez desde que se tornou treinador principal do nosso Porto, que o “Special One” perde o campeonato nacional.
Não fossem os golos de Van Persie e Henry, já na fase final da partida, e a profecia seria quase um facto consumado.
O que estará então na origem do abaixamento de produtividade dos londrinos?
Em 1º lugar as carências defensivas, fruto da lesão de John Terry e das saídas de Gallas e Huth. O capitão é possivelmente o melhor central da actualidade tendo igualmente o dom de decidir partidas. Não foram poucas as vezes que o duo dourado (Terry/ Lampard), ao bom estilo Oliver Tsubasa/ Misaki Taro, guiou os londrinos à vitória.
O francês Gallas é talvez o melhor defesa polivalente da actualidade, pelo que os blues saíram a perder com a “troca” com a Ashley Cole. Não querendo tirar mérito ao dono do lado esquerdo da defesa da selecção inglesa, Gallas teria dado um “jeitão” nestas últimas partidas.
O alemão Huth, não sendo um fora de série, longe disso, era um guerreiro, compondo com Terry, Ricardo Carvalho e William Gallas um quarteto de centrais de respeito.
Mourinho cometeu o erro de não ter 2 jogadores para cada posição, atacando a exigente época 2006/ 07 com somente 3 centrais.
Com Terry e o “Kamikaze” holandês lesionados, o setubalense teve que adaptar Paulo Ferreira ao centro da defesa. Não sei o que se passa, mas desde a época passada que as performances do lateral direito são de uma pobreza gritante. A continuar assim e duvido que faça a 4ª época nos “blues”.
Para ajudar à festa, Peter Cech quase foi decapitado. Veio Hilário e Cudicini, mas a equipa deixou de ter um dos melhores guarda redes do Mundo, capaz de fazer a diferença.
Depois veio a imposição de contratar Ballack.
O alemão é de facto um grande jogador, mas é completamente incompatível com Frank Lampard. Lampard e Joe Cole sim, Lampard e Ballack não. Mas lá está, Joe Cole está lesionado.
Finalmente temos Andrey Shevchenko. O ucraniano era realmente o homem certo para atacar a champions, mas tem-se revelado um autentico fiasco.
Não sei o que se passa, mas parece que os temíveis pontas de lança do Calcio falham rotundamente na Premier League! Lembram-se de Herman Crespo?
Supostamente é mais difícil jogar em Itália, mas parece que não!
É certo que o Chelsea pode ainda vencer tudo este ano e Mourinho vai-me calar se vencer a Champions, mas acabou o mito da equipa quase imbatível.
on Monday, January 22, 2007
Quando Harrisson adiantou a União de Leiria já na 2ª parte da partida, fiquei petrificado, boquiaberto, amedrontado!
Com um atraso já significativo no campenato, pensei que os encarnados poderiam ter ali hipotecado a época.
Relembrei o famigerado golo de Flávio Meireles, que nos deitou para fora da Taça na temporada transacta. Apesar de estarmos ainda envolvidos numa competição europeia, a Taça é sempre um "doce" apetecivel. Graças a Deus, o cabelo de Nuno Gomes e o pé de Mantorras operaram a cambalhota no marcador lançando o Glorioso nos oitavos de final da prova.
O Nosso Porto B... perdão, União de Leiria foi um digno vencido, mas demonstrou um péssimo perder principalmente o seu delegado ao jogo e o seu treinador principal.
A arbitragem de Lucilio Batista terá sido assim tão má?
Terá Lucio, como Domingos Paciência afirmou, efectuado uma arbitragem habilidosa que virou o resultado?
Lá que os senhores que lideram a União são brancos por fora e azuis por dentro, todos sabemos, mas ficava bem disfarçar...
Sinto-me triste e revoltado com a falta de respeito que os 2 grandes de Lisboa são vítima semana após semana.
Nunca ouvi um treinador contrário afirmar que o Sporting e o Benfica são de outro campeonato e que a sua equipa terá muitas dificuldades em conseguir um bom resultado...
No final a vitória só é justa quando o Benfica ou o Sporting vencem por mais de 3, e mesmo assim...
on Thursday, January 18, 2007
Estou alarmado! A saída de Ricardo Rocha para os Spurs de Inglaterra está-me a dar a volta aos nervos.
Com Alcides às ordens de Ronald Koeman no PSV, os encarnados vão atacar o que resta da época com 2 centrais?! Está tudo doido?!
Os jornais insistem no tal ponta de lança (Nilmar e o raio do grego o qual me recuso a escrever o nome), mas e os centrais?
Por muito que me esforce não consigo encontrar no plantel um trinco ou um lateral cujas características permitam dar uma “perninha” no eixo da defesa. Já não há Diego Sousa, Manuel dos Santos e Fyssas.
Os ajustes no plantel são necessários, mas a defesa era já um dos sectores mais deficitários do clube da Luz.
Não nos vamos precipitar, ainda estamos a lutar em 3 frentes com a Taça de Portugal e a UEFA ao alcance.
Saindo Rocha, não pode sair Alcides e vice versa.
São 2 jogadores que demonstram competência nas várias posições da defesa. Não existem “Ricardos Rochas” e “Alcides” a pontapé por esse Mundo fora.
Por mim não saíria nenhum!
Com a saída de Kikin e a penalização de Nuno Assis ficamos com 24 jogadores, querem dispensáveis?
Beto, Marco Ferreira, Manu, Paulo Jorge, Miguelito, Karyaka e Mantorras.
Basta tirar 2 ou 3.
Faz 3 anos, no próximo dia 14 de Fevereiro, que Marco Pantani faleceu, vítima de overdose de cocaína num hotel em Rimini.
Trepador exímio teve o seu primeiro ponto alto em 1994 ao seu 2º no Giro (2 vitórias em etapas) e 3º no Tour. Na prova francesa, venceu a mítica chegada ao Alpe D’Huez.
A 2 vitórias no Tour de 1995 seguiu-se uma terrível queda, numa competição em Itália, que fez perigar a sua promissora carreira.
Voltou no Giro de 1997, mas o azar bateu-lhe novamente à porta, quando um gato se cruzou diante a sua bicicleta. Recuperou a tempo de participar no Tour, alcançando novo 3º lugar, com duas vitórias em etapas.
1998 foi o seu ano de ouro, com o italiano a vencer o Giro e o Tour.
Em condições normais, o “Pirata” não teria grandes hipóteses face a Jan Ullrich, contudo um erro de alimentação por parte do alemão na primeira grande etapa de montanha levou-o a perder mais de 7 minutos.
Ullrich recuperou bastante tempo nos contra-relógios, mas Pantini conseguiu gerir bem a enorme vantagem, não esbanjando a oportunidade para fugir ao alemão nas etapas de montanhas, onde era simplesmente o melhor.
No Giro, o grande número de etapas montanhosas favoreceu o seu estilo, não dando margem de manobra a valorosos contra-relogistas com Alex Zulle e Pavel Tonkov.
Em 1999, quando liderava o Giro já com cerca de 10 minutos de vantagem e 4 vitórias em etapas, a bomba rebentou. Um exame ao sangue revelou uma elevada taxa de glóbulos vermelhos, motivados pela utilização de EPO.
Nunca mais esquecerei a vaia monumental com que os tiffosi presentearam Ivan Gotti (o novo camisola rosa) no dia em que o “Pirata” foi desclassificado.
Cumpridos os 2 anos de suspensão, voltou no Tour de 2000, alcançando mais 2 vitórias em etapas. Para recordar a escalada lado a lado, com Lance Armstrong, do terrível Mont Ventoux. No final Lance permitiu a vitória ao adversário, facto que deixou o “Pirata” ressentido. Foi a sua última grande vitória.
Em 2003, sofrendo de depressão, internou-se numa clínica especializado do norte de Itália, alegrando os tiffosi que ansiavam por novo regresso do ídolo.
Depois, a 14 de Fevereiro de 2004, a maldita cocaína, fez tombar o “Pirata”, o “Fantino”, o melhor ciclista de alta montanha que alguma vez vi. Ele era de facto especial.
on Tuesday, January 16, 2007

E prontos, o vosso amigo Kataklinsmann fica-se por aqui, em termos de colaboração com a prezada Malta da Tropa que Curte Bola (e não só). Parece-me uma boa altura. Segundo confirmei, faz amanhã 16 meses que comecei a colaborar neste blog, a convite do Gilberto Mandamil. Parece-me um bom período, durou mais que certos empregos que tive. Por outro lado, com a posta que publiquei ontem sobre o que é, para mim, ser adepto de um clube, acho que não tenho muito mais a dizer, pelo menos com muita regularidade.

Alguns factores concorrem para a minha cessação de actividade:

- Ao contrário do que aconteceu nas origens deste blog, e do que eu próprio cheguei a conseguir fazer inicialmente, neste momento não tenho disponibilidade temporal nem cerebral para me dedicar a postas de carácter mais histórico, que requerem alguma investigação.

- Como eu sempre lamentei, não conseguimos ter muita pluralidade de opiniões. Os portistas e o boavisteiro que chegaram a fazer parte da “redacção” fugiram e acabámos por transformarmo-nos num Sporting-Benfica, com vitória leonina por 3-2.

- Para finalizar, assumo o meu fracasso nalguns aspectos. Sinto-me uma espécie de Peseiro do blog. Futebol muito bonito (pensava eu), mas pouco eficaz. Esta última posta é um bom exemplo. Tentei lançar um debate sobre a condição de adepto de futebol, esperando ler argumentos pró ou contra a minha opinião, mas que permitissem chegar a algumas conclusões. Afinal tive o Cassius a dizer apenas que eu puxo a brasa à minha sardinha, sem adiantar os seus próprios argumentos; tive o Cavra apenas a bater no mesmo, “Vivó Eusébio e abaixo as Supertaças!”; tive o fmshark a chamar-me palhaço, a dizer que o meu clube é uma merda, que os sportinguistas são gays e que gostamos é de pixotas (eu pichotas conheço, pixotas não, mas acho que te percebo). Em resumo, não consegui fazer passar a minha mensagem. Enfim, nem todos podemos ser Mourinhos, também há os Peseiros da vida.

Posto isto, e reconhecendo que o blog tem vindo a crescer coerentemente a nível de leitores, resta-me desejar as maiores felicidades aos meus colegas e ao blog. Ou, como dizemos lá em Teutónia, “machs gut!”.
on Monday, January 15, 2007
Há uns tempos, o meu amigo Porfírio fez-me uma pergunta. Recordo-me que na altura não lhe dei nenhuma resposta por aí além e a conversa não foi longe. Mas nos entretantos reflecti um pouco sobre o tema e cheguei a algumas conclusões filosóficas. Não tenho a presunção de serem conclusões universais, mas são pelo menos pessoais da minha pessoa. A pergunta era mais ou menos esta: “Achas que nós, adeptos de futebol de clubes diferentes, somos assim tão diferentes uns dos outros?”. A verdade é que, depois de pensar um pouco, normalmente durante o banho mensal, acho que sim, somos diferentes. Vou tentar explicar as minhas ideias, de uma forma tão concisa quanto possível. Como não posso analisar o que é ser adepto de todos os clubes nacionais, vou tentar analisar sobretudo o que é ser adepto dos três grandes.

Ser benfiquista


Até aos meus 7/8 anos dizia que era benfiquista. Não ligava nenhuma ao futebol, mas a maioria dos meus amigos eram lampiões e eu também pensava que era. Depois mudei para o outro lado da Segunda Circular. Hoje não me imagino como benfiquista. Na minha opinião os benfiquistas sofrem de arrogância de gigantismo. Não duvido que têm mais adeptos e mais títulos, mas não me agrada a conversa de que são a medida de todas as coisas. As tretas do Glorioso e da Catedral, que até a Comunicação Social adoptou, mostram parte dessa arrogância. Outra manifestação acontece quando proclamam que o Benfica há-de ser sempre o maior, independentemente do que o futuro traga. A frase “se o Benfica acabar, o futebol português também acaba” é outro marco lampiónico.

Há uns dez anos os benfiquistas gabavam-se de ter mais campeonatos que todos os outros juntos. Hoje em dia essa questão já nem se coloca. Também se orgulhavam de ter mais títulos internacionais que os outros, mas também nisso já estão a perder. Alguns ainda tentam atirar a Taça Latina para o barulho, como se fosse um título europeu, mas não pega. Outros desvalorizam as Supertaças, competição onde têm menos títulos que Porto e Sporting. Agora, à falta de resultados, temos o Guinness. O Benfica é o clube do mundo com mais sócios - até num forum na “Kicker Online” apareceu um lampião residente em Estugarda a chagar os pobres adeptos alemães com isso. Como se não soubesse(mos) que na Alemanha e em Inglaterra, os dois países com melhores assistências nos estádios, os sócios têm muito menos importância do que no sul da Europa. E depois temos o caso-Eusébio, que terá de ser sempre o melhor jogador português de sempre, mesmo que alguns façam melhor que ele.

Mas há que dizer que essa arrogância gigantista não é exclusiva do Benfica. Por isso eu não gramo clubes como o Real Madrid, a Juventus, o Bayern, o Liverpool, o Flamengo ou o Boca Juniors, entre outros. Quem ouve adeptos destes clubes a falar acredita que se tratam de entidades quase divinas, em que ninguém pode tocar, mesmo que os resultados em determinada altura contrariem essa grandeza. É óbvio que ser adepto do Benfica, ou dos outros clubes mencionados, é mais fácil: estão em maioria, têm mais títulos para mostrar, se comprarem o jornal ou ligarem a TV sabem que vão ter mais espaço que os outros, etc. Mas, curiosamente, em cerca de 100 anos de futebol em Portugal, o Benfica só dominou 20. Até aos anos 50 o Sporting tinha mais títulos (18 contra 10 no Campeonato de Lisboa, 4 contra 3 no Campeonato de Portugal e estava também em vantagem no campeonato nacional). Depois vieram os anos 60 e 70 que foram efectivamente dominados pela águia, e foi aí que se ganharam muitos adeptos. A partir dos anos 80 esse domínio foi sendo perdido para o FC Porto.

Outro aspecto é o orgulho da dimensão popular do clube. O Benfica é o clube do povo, do garrafão e do coirato, em suma, é um clube com uma vertente pimba muito pronunciada. É o clube onde se vê uma senhora a chorar de orgulho depois do Benfica ter eliminado o PAOK nos penalties, como se tivesse ganho a Liga dos Campeões. Onde se vê um senhor de muita idade chorar de alegria por ver o nome do clube no Guinness. Pode ser pitoresco, mas não acho piada a esse estado de alma, “seremos sempre os maiores por mais fundo que batamos”. Em resumo, penso que essa arrogância de gigantismo eterno se encontra apenas no Benfica, por isso penso que ser benfiquista não é igual a mais nada.

Ser portista


Ser adepto do FC Porto até aos anos 70 era um acto de coragem. O Kataklinsmann Sénior, por exemplo, tornou-se portista nos anos 50, por isso também deve ter penado muito, enquanto adepto. Nos últimos 20 anos tudo se tornou diferente. O Porto tornou-se no clube mais bem sucedido do futebol português e, do nada, começaram a surgir adeptos do FêQuêPê. Pessoas que eu não sabia sequer que gostavam de futebol, um dia acordaram com o dragon no coração. Ou seja, hoje em dia é muito mais fácil ser adepto do Porto do que de outro clube em Portugal. Há uns meses a “FHM” publicou uma reportagem sobre pessoas que mudaram de clube enquanto adultos. E 70 a 80% dessas pessoas mudaram precisamente do Benfica para o Porto. O que confirma a minha teoria de que a paixão por ganhar é maior do que a paixão pelo clube.

Há umas semanas Hélder Postiga deu uma entrevista a “O Jogo” onde dizia que os adeptos portistas eram muito mais exigentes do que os benfiquistas ou sportinguistas e que não tinham problemas em mostrá-lo aos jogadores. Acho isso uma situação perfeitamente normal. Se grande parte dos adeptos portistas só descobriram a sua paixão devido às vitórias do clube, é normal que não gostem nada de perder. Nos últimos anos também surgiram muitos novos adeptos do Lyon e do Chelsea. Compreende-se, o sucesso traz adeptos. Mas quando um clube está tão dependente dos sucessos para atrair paixão, corre muitos riscos. Tenho a certeza absoluta de que se um dia o Porto voltar a ser o que era até aos anos 70, uma quantidade enorme de adeptos fugirá a sete pés do Dragão. Resumindo, enquanto os benfiquistas consolam-se com a “verdade absoluta” de serem um colosso eterno, os portistas só se consolam com vitórias atrás de vitórias. Por um lado é bom haver sede de vitórias. Por outro quando a sede é muita e as vitórias deixam de aparecer, muitos vão matá-la noutro lado.

Ser sportinguista


Eu tornei-me sportinguista no período mais complicado possível. Estávamos em 1984 e mal sabia eu que teria de esperar 16 anos para saborear o primeiro título de campeão. Os meus colegas Mandamil e Beckenbauer, bem mais jovens começaram a sofrer quando o jejum já era enorme. Por outro lado, esperaram menos para verem o caneco em Alvalade. Passar tantos anos a ver o sucesso fugir, a ouvir piadas constantes sobre o meu clube e inclusivamente a ler que o Sporting estava a ficar mais perto do Belenenses do que do Benfica e do Porto, em termos de dimensão, não foi fácil, ainda por cima quando sou um adepto apaixonado de futebol e não apenas um curioso de fim-de-semana. Mas sinceramente nunca tive vontade de mudar de clube ou simplesmente de me borrifar para o futebol (OK, durante a era-Peseiro pensei nisso, mas não fui capaz).

Não sei se ser sportinguista é ser mais dedicado e fiel que os outros. Por um lado não temos a mania de grandeza do Benfica, por outro não somos tão dependentes das vitórias como os portistas. A verdade é que mesmo com quase 30 anos de quase secura de títulos, não se verificou grandes alterações no sportinguismo. As assistências no estádio estão ao nível das dos rivais e o número de sócios continua razoável, tendo em conta que não se fez nenhuma campanha recentemente. O que se pode dizer então dos sportinguistas, em comparação com os seus rivais? Acho que um facto positivo e um negativo: por um lado são mais razoáveis e mais pacientes, por outro são também mais conformados com o destino do clube, seja ele bom ou mau. Pessoalmente, gostando muito de ganhar, tenho sobretudo simpatia por clubes com características semelhantes ao Sporting, isto é, que variam muito entre momentos de glória e outros de desgostos profundos. Tudo isso mantendo sempre a fidelidade dos adeptos. Por isso sou fã de clubes como o Eintracht Frankfurt, o Atlético de Madrid, o Inter, o Saint-Étienne, o Newcastle... Podem chamar de masoquismo, eu chamo paixão pelo futebol e estar preparado para subir às nuvens, mas, sobretudo, para descer bem ao fundo do poço.

Nem tudo é perfeito no Sporting e há certas coisas com as quais não me identifico. Por um lado não sou rico nem monárquico, duas condições a que o Sporting normalmente é associado. E não pensem que não lamento, pelo menos a primeira condição. De resto, não gosto de ouvir os meus consócios dizerem que “somos diferentes”. Para já, é verdade, como tento demonstrar nesta longa posta. Mas sei que a intenção é dizerem “somos melhores”. Eu gosto de ser sportinguista, mas não me considero melhor pessoa por isso. Também não gosto quando se fala em futebol e os sportinguistas dizem que somos o segundo maior clube da Europa em termos de títulos nas várias modalidades, a seguir ao Barcelona. Mudar de assunto não abona em nosso favor. Prontos, não somos perfeitos.

Ser adepto

Um dos problemas do futebol português, como eu me farto de vincar, é de haver paixão sobretudo por ganhar. Por isso aqui em Setúbal sempre houve muitos pseudo-vitorianos que afinal gostavam mesmo é do Benfica. Nos últimos anos tenho vindo a descobrir que afinal têm um fraquinho é pelo Porto. Nunca mais hei-de esquecer um jogo da III Divisão alemã, em Agosto de 2004, entre o Fortuna Düsseldorf e o Eintracht Braunschweig. São dois clubes que já foram campeões alemães, mas que entretando caíram nas profundezas dos campeonatos nacionais. Mas estavam quase 7000 espectadores num ambiente frenético. No final, ao viajar de metro, deparei com centenas de jovens adeptos do Fortuna, que festejavam a vitória como se tivesse sido um título. Pensei: “Chiça, num clube que já foi campeão, festejam assim uma simples vitória na III Divisão?”. Isto, meus amigos, é ter paixão pelo futebol e por um clube, independentemente do destino que este tiver. Comparado com isto, ser sportinguista não é assim tão doloroso.

Com isto espero ter respondido à questão do caro Porfírio. Sim, somos todos diferentes. Um adepto do Fortuna Düsseldorf não pode ter os mesmos sonhos, enquanto adepto, que um do Bayern Munique. Tal como um do Atlético (se ainda houver mesmo adeptos do Atlético) não pode ter os mesmos de uma adepto do Benfica. E só por isso merecem toda a consideração e, de certa forma, inveja, por estarem dispostos a levar uma vida de sofrimento (futebolísticamente falando) em nome de uma paixão.
on Friday, January 12, 2007
Completo a trilogia de antevisões à 2ª parte da época dos 3 grandes com o Sporting CP.
A nível interno as aspirações são similares às do rival da 2ª circular, se bem que no campeonato e porque vão à frente os leões têm uma ligeira dose de favoritismo caso o nosso Porto ceda... e que bom seria! Confesso em 1ª mão (e o Matts pode confirmar) que sempre tive uma certa simpatia pelo Sporting contrastando com o ódio visceral que nutro pelo rival do norte. Admiro os feitos dos azuis e brancos, mas não me peçam muito mais. Recusei inclusive um bilhete para ir ao terreno do Shalk-04 (sim não sei escrever o nome da cidade).
Como para o SCP não há liga dos campeões nem taça UEFA, poderia terminar desde já a posta, mas não resisto a focar algo que me tem inquietado.
Pouco depois de Paulo Bento ter assumido o cargo de treinador, muito se falou no chamado “Segredo do Sporting”, indo alguns leigos mais longe ao ponto de apelarem para as alegrias que a equipa de futebol tinha dado à massa associativa.
Pergunto eu, qual segredo? Que alegrias? Vencer na Luz por 3-1 e ganhar os torneios do Guadiana e Sevilha?
Por amor de Deus, não é por o Benfica ter vencido o Torneio do Dubai que vou proclamar aos 7 ventos que temos uma grande equipa capaz de ombrear com os grandes colossos do futebol.
Desde os tempos da dupla pai e filho (João Vieira Pinto e Mário Jardel) que o Sporting não vence um título oficial. Já lá vão 5 anos sem ganhar o campeonato!
O problema do Sporting (e não o segredo) reside numa certa pequenez de espírito, ao ponto de se dar a época por bem empregue caso o Benfica não vença nada. Vivem-se os insucessos dos encarnados como se de títulos se tratassem.
Preocupam-se em demasia com um rival que padece de um mal mais ou menos similar. O Benfica foi grande, já não o é (em termos desportivos) desde os inícios da década de 90. As grandes conquistas do clube datam do passado e ponto final.
É hora do leão abrir a pestana e deixar de estar conformado com a hegemonia do Porto.