on Monday, November 27, 2006
Não estará na altura de mudar o dono da baliza encarnada?
Longe vão os tempos em que uma equipa fraquinha tinha nas redes o melhor guarda-redes do Mundo, o belga Preud´Homme.
O Benfica actual é uma equipa decente, com jogadores de qualidade.Contudo o seu guardião é mediano,incapaz de fazer a diferença.
Não se pode culpar Joaquim Sampaio pelos golos sofridos (com excepção de Aves e Braga),mas este é incapaz de fazer uma defesa impossível.
Ricardo e Helton já salvaram os seus clubes de golos praticamente certos. Recordo-me da excelente parada do Labreca ontem contra a Naval e das excelentes tiradas do internacional brasileiro contra o Benfica quando o resultado era de 2-0. Nessa mesma partida, a 2ª escolha de Scolari ficou mal no 2º e 3º golos dos azuis e brancos. Mais um vez não são frangos mas eram bolas defensáveis. Os melhores do Mundo iam-nas buscar.
Com Moretto sem margem de manobra no clube e Moreira sem margem de evolução, que tal tentar Sorensen (Aston Villa) ou Isaksson (Rennes)?
Se Porto e Sporting têm dos melhores "guardiolas" da actualidade porque razão nós temos um marreta?
Lembram-se do "efeito Schmeichel" no Sporting?
on Saturday, November 25, 2006

Primeiro Ronny marcou um golo com a mão em Alvalade. Depois Quaresma amorteceu uma bola com o braço antes de fazer uma assistência para golo no Dragão. Mais tarde Anderson tocou a bola com a mão antes de um jogador do Marítimo fazer autogolo no Estádio da Luz.

Sabendo que já existem inúmeras variações do futebol, como o americano, o australiano, o canadiano e o râguebi, que se jogam mais com a mão do que com o pé, estaremos nós, povo português, na iminência de inventar uma nova modalidade desportiva, o “futebol português”?
on Wednesday, November 22, 2006

Depois do Sporting-Bayern escrevi uma posta com este mesmo título. Hoje, depois da derrota em Milão, repesco essas três palavras para definir o actual estatuto europeu do Sporting. Quando ainda falta uma jornada para jogar, os leões já não podem seguir em frente na Liga dos Campeões, mas têm ainda a faca e o presunto na mão para passarem para a Taça UEFA. O que não seria um fracasso, visto que essa foi a primeira ambição que tive quando vi a composição do grupo.

Os cinco jogos já realizados provaram duas coisas, na minha opinião: 1) O Sporting ainda está longe de ser uma grande equipa europeia, e quem ambiciona imitar o sucesso do FC Porto em 2004 ainda vai ter de esperar um bocado. 2) No entanto, apesar do ponto número um, acredito que estamos no bom caminho. Correndo o risco de ser desmentido daqui a duas semanas pelo Spartak, penso que o Sporting apresenta-se hoje como uma equipa muito mais fiável a nível europeu.

O Sporting já leva cinco jogos nesta Liga dos Campeões. Já jogou duas vezes com Bayern e Inter, dois dos maiores clubes europeus e dois eternos candidatos ao título da prova, e fora com o Spartak, que não sendo uma potência, representa um futebol com quem o Sporting historicamente se dá mal. E a verdade é que Ricardo encaixou apenas três golos nesses cinco jogos, o que considero uma marca excelente, para quem já defrontou Crespo, Ibrahimovic, Adriano, Podolski, Makaay, Pizarro e Titov, por exemplo. É certo que também só marcámos dois golos, e ficámos em branco nos últimos três jogos. Mas isto, como todos admitirão, não significa que o Sporting seja uma equipa defensiva, antes tem sido um conjunto que joga em todo o campo.

Penso que é no plano ofensivo que o Sporting tem deitado a perder o apuramento. O que é facilmente explicável. Por um lado, a juventude e falta de experiência internacional do meio-campo leva a que por vezes os leões tenham dificuldade em criar oportunidades. Isso viu-se plenamente hoje em San Siro. Por outro, tem muito a ver com os problemas que assolam o ataque leonino: Liedson atravessa a sua pior fase desde que chegou a Portugal, Alecsandro ainda está em clara adaptação ao ritmo europeu, Yannick é muito verde e Bueno simplesmente foi um barrete. Daí que os dois golos leoninos tivessem sido marcados por um defesa e por um médio.

Estive em Alvalade há seis anos e assisti à vitória do Spartak por 3-0, com um autogolo de Dimas e dois golos de Titov. Os russos parecem uma equipa acessível, mas podem tornar-se traiçoeiros. Perderam por 0-4 em Munique, mas ao intervalo estava 0-0 e os russos podiam ter ido para a cabina em vantagem. Em Milão perderam por 1-2, sofrendo dois golos nos primeiros nove minutos, mas no final o Inter sofreu bastante. O Sporting só precisa de empatar e é esse o meu receio. Muitas vezes acontece parte da equipa querer ganhar e outra jogar para o empate e no fim perde. Vamos ver o que acontece, mas vai ser um jogo de nervos, pelo menos para mim.

Se tudo correr bem, o Sporting pode sair de cabeça levantada desta Liga dos Campeões e entrar na Taça UEFA como um dos favoritos ao título. E Paulo Bento continuará o trabalho impecável que tem feito até aqui. A terminar recordo que, se o Sporting vencer o Spartak, fará oito pontos. Esse número chegou ao FC Porto há dois anos e ao Benfica há um para seguirem em frente. O Sporting não terá essa sorte.
Ansiava eu pelo golo do Manchester United em Glasgow quando subitamente o japonês Nakamura (qual Oliver Tsubasa) violou as redes à guarda desse grande guarda-redes que é Edwin Van der Sar.

Foi como se uma farpa tivesse trespassado o meu coração de águia.Pior fiquei quando Louis Saha, o tal que marcou na Luz, falhou uma grande penalidade a poucos minutos do final. Fiz cara feia como se uma litrada de vinagre tivesse tomado.
O Benfica tem agora que ganhar em Manchester, algo tão plausível como o Desportivo das Aves derrotar o nosso Porto por 2-0.
Por falar em Vinagre, aproveito a deixa e apresento-vos o melhor jogador que o Liceu Jaime Magalhães de Lima, em Esgueira, alguma vez viu. Facto hercúleo, tendo em conta que estudaram em tal estabelecimento de ensino Mats Jagunço e eu próprio... José Cavra.
Formado nas camadas jovens do Beira-Mar, quando subiu a sénior o pequeno Jorge começou a ser presença assídua no banco dos Auri-Negros.
Num encontro contra o Marítimo, Vinagre avinagrou o mítico Everton e fez o 3-1 na vitória aveirense sobre os insulares.
2 épocas em Ovar e o salto para o histórico Desportivo de Chaves.
Foi de azul-grená vestido que Jorge Vinagre viveu aquele que foi, talvez, o momento mais marcante na sua carreira, quando marcou nas Antas.
O Porto venceu por 3-1 mas o jovem aveirennse teve o seu momento de glória. Visivelmente emocionado agradeceu à sua esposa e filha.
Foi o seu 2º e último golo na condição de primo-divisionário.
Com a despromoção dos transmontanos rumou à Vila das Aves onde foi orientado, salvo erro, por essa fraude que dá pelo nome de Carlos Carvalhal.
Nova despromoção e uma aventura na 2ª divisão B com a Oliveirense.
Com o joelho já em péssimo estado, haveria de concluir a carreira no Pampilhosa da Serra.
Como consolo fica a visita a Alvalade numa eliminatória da Taça de Portugal.
Um pós moderno, um vizinho a quem prestamos a devida homenagem.
Força Jorgito!
on Sunday, November 19, 2006

Em Alcochete, na Academia
lá se formou mais um leão
que com tanta garra e talento
estragou a festa ao Paixão!
on Saturday, November 18, 2006

O Braga-Benfica desta noite provocou-me sentimentos contraditórios. Por um lado é óbvio que uma derrota do Benfica é sempre bem-vinda, em quase todos os cenários. Há excepções, como no Benfica-Porto de 1999/2000 ou no Benfica-Boavista de 2001/02, em que a vitória encarnada interessava ao Sporting. Mas de resto, confesso o meu sadismo ao ficar contente quando 6 milhões de portugueses e 14 milhões de adeptos espalhados pelo mundo estão francamente tristes. É assim a vida de um adepto de futebol, e amanhã pode calhar-me a mim ficar de trombas.

Mas o que me deixou mal-disposto, embora não surpreendido, infelizmente, foi o que se passou ao minuto 85. O Braga tinha feito o 3-1 pouco antes e a realização da SportTV mostra Rogério Gonçalves no banco. Precisamente nesse momento o novo técnico bracarense ordena a alguém no relvado que se atire para o chão. Segundos depois Paulo Santos fica estendido como se estivesse entre a vida e a morte. Foi fácil de perceber que nada se passava com o tipo, pois ao mesmo tempo em que ele era assistido o Braga fazia a terceira substituição.

Ninguém tem um pingo de vergonha e de coragem para meter fim a isto? Como será que se sente um médico ao fazer figura de urso, ao participar em todo aquele teatro plenamente consciente do que está a acontecer? Como será que se sente uma pessoa gravemente doente ao ver aquilo? O futebol é um espelho da sociedade e isto mostra muito do que eu detesto no povo português: a tendência para o chico-espertismo, a imensa lata com que alinha em esquemas.

Há poucos meses conheci um puto de 12 anos, que é familiar de um familiar de um familiar. Ele joga nos iniciados de um clube das profundezas dos distritais na região centro do país. Na época passada o melhor resultado que conseguiram foi uma derrota por 1-3. Ao trocar umas bolas com ele percebi que o talento não é muito, mas as artimanhas estavam todas aprendidas. Até me contou, orgulhoso, como tinha feito expulsar um adversário, simulando uma agressão.

Portugal está no sexto lugar do ranking da UEFA, a nível de clubes, e é presença habitual no top 10 da FIFA, no que respeita a selecções. Até me arrepio ao pensar no que seria se fossemos um país a sério.

Quando, na última Quarta-Feira, vi a capa do jornal Record, ocupada em 80% da sua totalidade pela demissão de José Veiga do Benfica, reparei principalmente na barra superior que alimentava outra polémica: "Queiroz ataca Scolari". Cá está mais um arrogante a minar o ambiente da nossa selecção, pensei eu, talvez ressentido pelo título perdido, que Robson dificilmente deixaria escapar.
Ao ler a notícia referente a esta troca de galhardetes, folheei novamente o jornal, uma vez que não seria possível criar tanto alarido à volta de declarações tão banais do adjunto de Fergunson, que dizia estar preocupado com forma física de Cristiano Ronaldo, falando de lesões e sobrecarga de jogos, etc. Nada que Mourinho não faça sempre que existem paragens de campeonato, para dar lugar às rondas das selecções ( e fá-lo com toda a legitimidade).
Mas aquilo que parece banal para os ignorantes é um tesouro no fim do arco-íris para os iluminados das redacções dos jornais desportivos. Queiroz tentou pressionar Scolari, isso sim, mas nunca teve a intenção de o criticar. O que seria, então, um bate-boca como o que envolveu Mourinho e Domenech se passado neste nosso Portogalito? Se o campeão do mundo de esperanças atacou o seleccionador nacional com tão monótonas palavras, então talvez o Record apresentasse qualquer coisa como " Queiroz tentado a cometer homicídio contra Scolari" ou " Queiroz sodomiza verbalmente Scolari". Às inofensivas e ridículas manchetes como "Proibido tocar nos craques do Benfica" ou "Nani tem música" já estamos habituados. Impensável são as que atentam contra as relações entre dois profissionais que são referências no futebol nacional. E é uma pena eles não entenderem que tudo não passou de uma consequência da gula de um bando de sanguessugas...