Depois de uma vitória justa sobre o Inter Milão e um empate sofrido contra o Spartak, em Moscovo, o Sporting voltou ontem à sua realidade com a derrota caseira frente ao Bayern, na terceira jornada da Liga dos Campeões.
Por muito que me venham falar em infelicidade, falta de sorte e azar (são sinónimos, mas reforçam melhor a ideia), penso que se viu bem em Alvalade a diferença que separa o Sporting das grandes equipas europeias. Tal como já aconteceu inúmeras vezes esta temporada (incluindo pré-época), o Sporting começou muitíssimo mal o jogo. E, normalmente, quando o Sporting começa mal um jogo, sofre sempre um golo, sobretudo frente a equipas mais fortes (Boavista, Spartak, Bayern, para não falar do Sevilha, no Torneio do Guadiana). Parece que os leões não só começam mal, como estão mesmo ausentes do campo.
Ontem não foi por falta de avisos que o Bayern chegou ao golo. Antes do golo de Schweinsteiger, aos 19 minutos, os bávaros já tinham ameaçado com dois ou três remates de fora da área e nem mesmo assim os jogadores sportinguistas tiveram capacidade para tentar evitar esses remates. O golo de “Schweini” leva-me a pensar que nenhum jogador do Sporting deve ter assistido ao Alemanha-Portugal do último Mundial. É natural, férias são sagradas, e mesmo a selecção tuga entrou de férias a seguir ao jogo com a Holanda, pois não voltou a ganhar na prova. Antes do golo já o Bayern se podia queixar de um penalty por marcar, por falta de Caneira sobre Pizarro. E depois do golo o mesmo Pizarro podia ter feito o 2-0, mas cabeceou à rede lateral depois de uma saída disparatada do Labreca.
A partir dos 25 minutos, o Sporting dominou o jogo. Só que, ao contrário do que aconteceu nos jogos atrás referidos, desta vez não conseguiu remediar o mal. Ainda teve uma mão cheia de boas oportunidades, mas a este nível isto não chega. É preciso metê-la lá dentro. E, ao contrário do que os portugueses muitas vezes gostam de fazer crer, falhar oportunidades não é uma questão de sorte ou azar, mas sim de treino e de concentração.
Por vários motivos o Sporting não chegou pelo menos ao empate, a meu ver:
- Kahn, apesar de tudo, continua a ser o “Titã” e a fazer a diferença; aquela defesa ao remate do Liedson foi assombrosa.
- Enquanto esteve 11 contra 11, o Sporting até reagiu bem, mas alguns jogadores estiveram longe do esperado. Nani nunca apareceu no jogo e Carlos Martins continua a não mostrar regularidade nenhuma (será o novo Sá Pinto?). Os avançados continuam sem acertar na baliza.
- Depois da expulsão de Schweinsteiger, o Sporting não soube aproveitar a superioridade. Jogou como o Bayern queria, com um futebol demasiado lento e pensado. Para desmontar esta equipa, o Sporting teria de jogar em velocidade, tanto pelo centro, como pelas alas, com bolas rasteiras. Mais ou menos como o Spartak jogou contra o Sporting, principalmente nos primeiros minutos. Agora tentar construir jogo a partir dos defesas, de forma muito pensada, permite aos defesas alemães posicionarem-se como querem. E aí a diferença de estatura faz a... diferença.
- Para além disso, foi visível a diferença de maturidade táctica na hora de defender. Enquanto estiveram 11 contra 11, o Bayern conseguia muitas vezes colocar dois ou três homens a pressionar o transportador da bola. O Sporting nunca o fez, pelo que mesmo contra 10 tinha dificuldade em tirar a bola aos bávaros.
- Finalmente as substituições. Yannick esteve melhor que Carlos Martins, mas tem que ser muito mais decidido a finalizar; não serve de nada passar por toda a gente e depois oferecer a bola ao guarda-redes. Entre Alecsandro e Bueno não se notou nenhuma diferença, se bem que o primeiro pareça ser melhor que o segundo. A perder ficou o Sporting com a troca de Veloso por Paredes. O paraguaio fez um jogo horrível e foi a partir da sua entrada que o Sporting baixou o ritmo e deu logo a entender que não ia marcar. Não acertou um passe, jogou muito lento e na única vez que subiu para rematar fê-lo de forma ridícula. Pré-reformados não, obrigado.
Agora vêm aí dois jogos fora, frente aos dois favoritos do grupo. Zero pontos é o esperado. Admitindo esse cenário, o jogo com o Spartak, da última jornada, será uma final, para decidir quem vai para a Taça UEFA. Se os russos não ganharem nenhum jogo nas recepções a Inter e Bayern, um empate será suficiente para o Sporting ficar em terceiro lugar.

O Record continua a manietar a concorrência e a cativar os leitores com reportagens fantásticas. Depois do "Grito da Águia" de Kikín Fonseca, vestido a rigor com um poncho mexicano, e do guerreiro António Leonel, tive o prazer de comprar o jornal no Sábado e de ser presenteado com um artigo pormenorizado acerca da visita de LFV ao bairro que o viu nascer, o das Furnas. Destaque para dois excertos:
- Como estudante, Luis Filipe Vieira ficou-se pela 4ª classe. "Mas não era uma 4ª classe qualquer. Tinha o carimbo de Maria Helena Nunes(professora primária)", destaca o presidente da Associação de Moradores do Bairro das Furnas, José Francisco Silva, que foi colega de escola do presidente do clube da Luz. (...) "Era um bom aluno e muito bonito. Distinguia-se por isso", recorda (Maria Helena Nunes), entre sorrisos.
- (Sobre LFV) Benfiquista - "Era fanático", asseguram os amigos-, o pai do presidente do clube da Luz não esquece os dias em que ia ver os jogos, em grupo, "com o garrafão do vinho e o bacalhau cru".
A devida vénia ao Record. São reportagens destas que me incentivam a encarar o dia-a-dia de cabeça erguida e a pôr as adversidades para trás das costas. Ainda assim, pedem-se esclarecimentos ao autor da peça, o jornalista Nuno Martins:
- Será a 4ª classe de Maria Helena Nunes superior ao 3º ano de José Nuno Pinto ou de Teresa Emília Lopes? Ou será equivalente, por exemplo, a um bacharelato em Bioquímica ou um mestrado em Filosofia?
- Maria Helena Nunes optava pelos TPC´S propostos pelo manual ou elaborava ela os seus próprios exercícios?
- O que preferia Maria Helena Nunes: o castigo das orelhas de burro ou a "menina dos 5 olhos"?
- O que prefere LFV: Floribella ou Morangos com Açúcar?
- LFV utilizava a unha do dedo mindinho mais crescida que as restantes, para se coçar enquanto comia o bacalhau e bebia o vinho?
- LFV assistia aos jogos calçado com meias brancas e sandálias? E camisa aberta com fio de ouro?
Jornalismo de investigação, meus amigos, é o ponto fraco da nossa imprensa...
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Unknown
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12:06 PM
2 dias após completar 35 anos, o carismático capitão põe um ponto final na odisseia iniciada em Agosto de 1991.
Foi com as cores do Penafiel que o jovem central campeão do Mundo de sub-20 em Lisboa fez a sua estreia na divisão maior... e logo contra o nosso Porto.
Depois de novo empréstimo (agora ao Marítimo), Jorge Costa ingressou no plantel principal dos dragões em 1993.
A qualidade dos outros centrais azuis e brancos (Fernando Couto, Aloísio e José Carlos) relegou-o para o banco de suplentes.
Titular na selecção nacional era a 4ª opção no seu clube.
Na visita a Alvalade, Tomislav Ivic escalou um sempre militarista e ambicioso 6-3-1. 4 centrais subiram ao velhinho estádio José de Alvalade. 4 centrais guardaram estoicamente e com alguma (muita) sorte a vantagem que Domingos conseguiu logo aos 6 minutos aproveitando uma saída disparatada de Costinha.
A formula dos 6 defesas haveria de dar uma vez mais resultado na visita a Roterdão, com o nosso Porto a guardar a vantagem de 1 bola conseguida na 1ª mão.
Com o retorno ao esquema com 2 centrais, Jorge Costa voltou ao banco de suplentes.
Em 1996, já com Couto e Zé Carlos fora do plantel, nasceu uma das mais famosas duplas de centrais dos anos 90: Jorge Costa e Aloísio.
Recordamos com saudades (e alguma ira) 2 tentos obtidos no estádio da Luz, na época 1996-97. Na famigerada vitória por 5-0 para a Super Taça, desviou de cabeça um canto, fazendo o 3 a 0. Nessa mesma partida, Jorge Costa partiu o braço de Dimas em 4 ou 5 lugares.
Para o campeonato, aproveitou uma defesa para a frente de Preud´Homme, que não conseguiu segurar um livre de Barroso, e entrou literalmente com a bola pela baliza a dentro.
Entretanto o defesa central converteu-se no sucessor do histórico João Pinto, herdando a camisola nº2 e a braçadeira de capitão.
Em 2001 Octávio Machado chegou às Antas, perdendo Jorge Costa o estatuto de intocável. Reagindo mal a uma substituição, o capitão atirou a braçadeira para o chão. Foi punido e acabou por ser emprestado ao Charlton onde ganhou a alcunha "The Tank".
No entra e sai de treinadores pós-Mourinho, o grande capitão acabou uma vez mais por abandonar o clube do coração. Co Adriaanse comunicou-lhe que era a 5ª opção.
A camisola do Standard de Liége foi a última.
Para trás ficaram 8 títulos de campeão Nacional, 5 taças de Portugal, 7 Supertaças, 1 Taça UEFA, 1 Liga dos Campeões e 1 Campeonato Mundial de sub-20.
Um herói, amado pelos seus, odiado pelos rivais.
Como homenagem, deixamos esta posta de Junho de 2005.
Sou daqueles que pensam que Portugal devia pertencer a Espanha. E não é um desabafo momentâneo, como muitas vezes acontece quando a vida nos corre mal. É uma opinião amadurecida*. Por um lado porque teríamos um nível de vida bem superior, por outro porque a nossa maneira de ser não é assim tão diferente dos espanhóis. Ou melhor, as diferenças que há entre portugueses e espanhóis não é maior do que a que há entre galegos e catalães, ou entre bascos e andaluzes, por exemplo.
Uma das semelhanças acontece precisamente no futebol. Descobri isso in loco há três anos, quando assisti a um Atlético de Madrid-Albacete, no Vicente Calderón. Logo no primeiro minuto, Fernando Torres tentou ganhar um penalty, mas o árbitro não foi na conversa. Mas foi o suficiente para a afición colchonera desancar no árbitro pelo jogo fora. O ambiente era muito semelhante aos dos estádios portugueses, descontando o pormenor de estarem umas dezenas de milhar de espectadores a mais do que acontece por cá.
E tal como cá, também em Espanha existem árbitros capazes de coisas incríveis. Acabei de assistir ao Atlético-Recreativo pela TV e, apesar de ser adepto colchonero convicto, no que respeita ao futebol espanhol, não deixei de ficar impressionado pela forma como o árbitro decidiu o resultado do jogo, vitória madrilena por 2-1. Na última meia hora, o colegiado conseguiu fazer isto: inventar um penalty a favor do Huelva; não assinalar um penalty claro a favor da mesma equipa; marcar um penalty duvidoso que permitiu o empate ao Atlético; validar o 2-1 marcado por Agüero, uma fotocópia do golo de Ronny em Alvalade; mostrar dois amarelos a um jogador visitante e esquecer-se de o expulsar, só o fazendo depois de alertado pelo quarto árbitro. O nome do senhor do apito? Não me recordo ao certo, talvez Juan Ferreyra.
* Claro que preferia que Portugal pertencesse à Alemanha, à Suíça, à Suécia ou à Noruega, mas não tenho ilusões, não só por dificuldades geográficas, mas sobretudo pela enorme diferença de culturas entre Portugal e os países citados.
Uma das semelhanças acontece precisamente no futebol. Descobri isso in loco há três anos, quando assisti a um Atlético de Madrid-Albacete, no Vicente Calderón. Logo no primeiro minuto, Fernando Torres tentou ganhar um penalty, mas o árbitro não foi na conversa. Mas foi o suficiente para a afición colchonera desancar no árbitro pelo jogo fora. O ambiente era muito semelhante aos dos estádios portugueses, descontando o pormenor de estarem umas dezenas de milhar de espectadores a mais do que acontece por cá.
E tal como cá, também em Espanha existem árbitros capazes de coisas incríveis. Acabei de assistir ao Atlético-Recreativo pela TV e, apesar de ser adepto colchonero convicto, no que respeita ao futebol espanhol, não deixei de ficar impressionado pela forma como o árbitro decidiu o resultado do jogo, vitória madrilena por 2-1. Na última meia hora, o colegiado conseguiu fazer isto: inventar um penalty a favor do Huelva; não assinalar um penalty claro a favor da mesma equipa; marcar um penalty duvidoso que permitiu o empate ao Atlético; validar o 2-1 marcado por Agüero, uma fotocópia do golo de Ronny em Alvalade; mostrar dois amarelos a um jogador visitante e esquecer-se de o expulsar, só o fazendo depois de alertado pelo quarto árbitro. O nome do senhor do apito? Não me recordo ao certo, talvez Juan Ferreyra.
* Claro que preferia que Portugal pertencesse à Alemanha, à Suíça, à Suécia ou à Noruega, mas não tenho ilusões, não só por dificuldades geográficas, mas sobretudo pela enorme diferença de culturas entre Portugal e os países citados.
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