on Wednesday, August 23, 2006
Já dizia Sócrates, na Grécia antiga, "A verdadeira sabedoria está no reconhecer a própria ignorância"... E o engenheiro que lidera a "nau benfiquista" reconheceu o erro emendando-o a tempo.
Sempre defendi o chamado losango. Fiquei fã quando Mourinho escalava Costinha, Maniche, Pedro Mendes e Deco. Aquele meio campo era demolidar, chegando a ser penoso o sufoco que infligia ao adversário.
Fernando Santos tentou, mas ficou provado que Petit e Karagounis (ou Nuno Assis) não tinham capacidade para se desmarcarem sobre as alas, nem Rui Costa tem a disponibilidade física de Deco. Ficou provado que o Benfica não tem jogadores para este esquema táctico e ponto final. Contudo, as experiências fazem-se nesta fase da época. Para perder que se perca quando os jogos são a feijões.
Há um ano atrás, Koeman persistiu no erro táctico e o Benfica entrou no campeonato com 8 pontos de atraso. Foi fatal!
Do jogo frente aos austríacos não entrarei em euforias (o adversário era acessível), contudo sabe bem estar na Champions. Há muito tempo um clube português na passava a 3ª pré-eliminatória... e eu ainda me recordo de Bruxelas.
Com Simão Sabrosa no 11 a equipa só tende a melhorar, podendo claramente ombrear com 2 adversários de muita nomeada.
Em Alvalade respiram-se confiança, ambição e futebol de muita qualidade. Quanto ao Porto, é e será sempre (pelo menos num futuro a médio prazo) o principal candidato ao título.
Boa sorte, Sr. Engenheiro, não deixe a ordem (da qual me orgulho de fazer parte) ficar mal.

E prontos, mais cedo ou mais tarde tinha de ser. Ao quarto jogo com a camisola do Standard de Liège, Ricardo Sá Pinto conseguiu a sua primeira expulsão. E, por acaso ou talvez não, foi logo no jogo mais importante da época até agora, aquele que podia dar ao clube belga o acesso à Liga dos Campeões, onde nunca esteve. À hora a que escrevo, ainda não consegui descobrir os motivos para a expulsão, apenas que se deveu a dois amarelos, aos 75 e aos 82 minutos. Na altura o Standard já perdia por 1-2, depois do 2-2 da primeira mão. Altura, portanto, em que todos eram poucos para tentar igualar a eliminatória. Mas, como tem sido uma constante na sua carreira, o velho Ricardo eximiu-se de responsabilidades da pior maneira. Li num site qualquer português que ele tinha feito a assistência para o golo dos belgas. Mentira. Já vi o vídeo e ele limitou-se a saltar sem nexo na área romena, o que iludiu o defesa da casa e permitiu a Jovanovic isolar-se e fazer o golo.

Quem também não esquece é Benni McCarthy, que à segunda jornada já se estreou a marcar pelo Blackburn. Não serviu para mais que um empate frente ao Everton, mas é um bom prenúncio para o que o amigo de Co Adriaanse pode fazer durante a temporada. Depois do que Diego e Hugo Almeida têm vindo a fazer na Alemanha, mais um ex-portista mostra que a gestão de recursos humanos no Dragão também tem alguns podres.

Já que falo de portugueses e ex-portistas no estrangeiro, uma palavrinha para Ricardo Carvalho. Há muito que defendo que o homem é demasiado sobrevalorizado pela Imprensa e adeptos tugas. Esta noite o Chelsea sofreu a segunda derrota em três jogos oficiais na temporada e Ricardo deu um bom contributo. Primeiro fez penalty sobre Yakubu, mas o árbitro foi amigo. Depois adormeceu e permitiu a Pogatetz empatar o jogo. A continuar assim, o Bolo de Arroz, como diria o meu amigo Gilberto, não vai demorar muito a calçar.

Estava eu a folhear a edição de A Bolha de domingo passado quando me deparei com duas situações curiosas, ambas interligadas. O centro de estágio do Benfica, oficialmente designado por Caixa Futebol Campus, é sempre chamado na “Bíblia” de... Caixa Futebol Campus. O centro de estágio do Sporting, que esta época se passou a chamar Academia Sporting / Puma, é sempre apelidado de... Academia. E depois venham-me cá dizer que o Benfica é muito mais interessante para os investidores do que o Sporting!

on Tuesday, August 22, 2006

Cinco tiros, cinco melros. As novidades da renovada selecção nacional dão garantias. Hugo Almeida acabará por se afirmar como ponta-de-lança nº1 da selecção, mais jogo menos jogo, uma vez que o brasileiro continuará a usar Ronaldo nas alas. O "panzer" do Bremen parece querer crescer na Alemanha. E em 2 jogos já marcou tantos como Postiga na sua 1ª experiência além-fronteiras. Carlos Martins e Moutinho ainda não atingiram o patamar de Maniche, mas facilmente lá chegarão. Um mais fantasista, o outro mais pragmático, rigoroso e trabalhador. Complementam-se muito bem. Os benfiquistas há anos que reivindicavam Rocha na selecção... e com razão. Tanto ele como Tonel poderiam ser o central alternativo no novo grupo das quinas. A questão é que a sua aparição na lista está ligada à necessidade de encontrar um suplente para Paulo Ferreira. Ricardo Costa poderia ter saído para dar lugar a Rocha, apostando em Abel para rivalizar com o lateral do Chelsea. Mas Scolari tem uma relação especial com os seus e dificilmente poderá prescindir de uma aposta pessoal como foi o portista. Quanto a Quaresma, é o substituto natural de Figo. Continuará a figurar nas convocatórias, até porque Simão tem problemas de afirmação quando não está ao serviço do seu clube. O único jogo em que fez a diferença no Mundial, frente ao México, não chegou para me convencer.
Nota globalmente positiva para Scolari na primeira convocatória pós-Mundial. Algumas decisões são discutíveis, mas a verdade é que no tempo dos unanimismos não chegávamos a lado nenhum.

Arrepiante, a homenagem a Figo em Alvalade. Miserável e vergonhosa, a crónica do Sportugal ao jogo.
on Friday, August 18, 2006

"O Chelsea anunciou, esta sexta-feira, ter chegado a acordo com o Hamburgo para a contratação do defesa internacional holandês Khalid Boulahrouz."

Farto de prima-donas com tiques de estrela que fazem birrinhas pela titularidade ou para sair do plantel, o nosso Zé Mário começa a forma uma equipa com uma diferente mentalidade. Os talentosos e meio panhonhas jogadores do Chelsea deverão integrar no grupo verdadeiros homens de barba rija. Sedento de um Jorge Costa no eixo defensivo(essencial na conquista na Champions), Mourinho vê como essencial a contratação de um "varredor" na zona em que os avançados contrários costumam fazer das suas. Depois de ver Terry e Carvalho batidos por um lingrinhas como o Crouch, o setubalense perdeu a cabeça e talvez tenha exagerado na sua reacção, ao contratar o conhecido autor de uma tentativa de homicídio a Cristiano Ronaldo, Boulahrouz. Depois de tentar amputar uma perna ao madeirense e de ter encostado o braço ao Figo, o holandês mostrou-se emocionado. "A ser transferido sempre pensei que fosse para Custóias, nunca para o Chelsea", confessou o central a amigos próximos, antes de lhes aplicar uma dupla patada à lá Tarzan Taborda. "Rosé Maurinhou" não deve ficar por aqui: Charles Manson deverá ser anunciado, por Peter Kenyon, na próxima semana, de forma a colmatar o buraco na lateral-esquerda. Para prevenir a eventual reforma de Makelélé, deverá chegar a Stamford Bridge Jack o Estripador.
on Sunday, August 13, 2006
Finalmente está a começar a época de futebol a sério. Depois de um Mundial que, como sempre, foi uma festa, mas que, na minha opinião, não representa o que é a essência do futebol, o início dos campeonatos nacionais e das competições europeias é um motivo de grande alegria para os verdadeiros fans do jogo. Durante o Mundial vi pessoas “doentes” com a selecção nacional, mas que não sabiam distinguir um livre directo de um livre indirecto. Como não acho piada nenhuma a estes patrioteirismos instantâneos, fico feliz por só haver Mundial de quatro em quatro anos.

Depois de a Liga francesa já ter começado na semana passada, este fim-de-semana teve início a Bundesliga, o meu campeonato fetiche, e disputou-se o Community Shield, a versão inglesa da Supertaça. Na primeira competição, merecem destaque o facto de o Lyon já ter perdido dois pontos, e em casa, e de Pauleta manter o mesmo ritmo do Mundial: ainda não marcou e o PSG ainda não ganhou.

Em Cardiff, como tem acontecido nos últimos anos, enquanto Wembley não fica pronto, disputou-se mais um capítulo da guerra entre Chelsea e Liverpool ou, se quisermos (como diria Joaquim Rita), entre Mourinho e Benitez. E tal como tinha acontecido no último encontro, então para as meias-finais da FA Cup, o espanhol levou a melhor, vencendo por 2-1. Mourinho já tinha avisado que o Liverpool se ia apresentar em melhor condição, por ter mais tempo de trabalho e mais jogos realizados. O Special One não mentiu, os reds foram claramente melhores.


Na equipa inicial Mourinho apresentou apenas dois reforços, e os mais sonantes, Ballack e Shevchenko, além do regressado Bridge. Também Benitez colocou dois novos em campo, os extremos Pennant e González. O Liverpool marcou dois golos, um a abrir e outro a fechar, que o Chelsea não costuma sofrer: no primeiro Riise correu uns 70 metros com a bola, sem ninguém o importunar, e rematou de longe, batendo um surpreendido Cudicini; no segundo foi Bellamy quem deixou Paulo Ferreira a dormir, tirou Ricardo Carvalho da frente como quem tira um bidão de gasolina e cruzou para Crouch cabecear facilmente, perante um Terry travestido de barata tonta. Pelo meio Shevchenko marcou o seu primeiro golo oficial, concluindo com classe um grande passe de Lampard.

Mourinho perdeu já um dos cinco troféus da época, sendo certo que é o menos importante deles. Tenho para mim que esta é uma época importantíssima para o treinador sadino. Se a vitória na Liga dos Campeões voltar a fugir, acredito que nem Abramovich nem os adeptos blues ficarão muito contentes. O Chelsea tem que fazer uma época melhor que as anteriores (Campeonato e Taça da Liga na primeira e Campeonato e Supertaça na segunda). Até porque os londrinos parecem ter regredido um pouco nestas duas épocas.

No campeonato, depois de uma época em que o Chelsea sofreu apenas uma derrota em terminou com 12 pontos de avanço, a temporada passada ficou um pouco abaixo. Os blues fizeram menos 4 pontos (91 contra 95), sofreram mais 4 derrotas (5 contra 1) e sofreram mais 7 golos (22 contra 15), tendo mantido o número de vitórias (29) e de golos marcados (72). A diferença para o segundo classificado foi também reduzida para 8 pontos. Na Liga dos Campeões, o Chelsea passou de eliminado nas meias-finais para derrotado nos oitavos-de-final. Para além disso, voltou a falhar na FA Cup, não chegando à final, e na Taça da Liga, onde defendia o título, também ficou cedo pelo caminho. Por isso, e tendo em conta que o Chelsea continua a não se poupar no reforço do plantel, penso que Mourinho está obrigado a dar um passo em frente nesta temporada, se quer manter o seu prestígio intacto. Isto é, vencer a Liga dos Campeões, para além do campeonato, naturalmente.

Eu sempre defendi que a escolha pelo Chelsea não foi a melhor para Mourinho provar que é o melhor do mundo. Recordo-me que o setubalense também foi falado para o Liverpool, antes deste optar por Benitez, e penso que aí sim, Mourinho poderia cobrir-se de glória. Pegar no maior clube inglês, que não vence o campeonato há quase 20 anos e levá-lo ao título seria um feito inesquecível. No Chelsea, por muito que trabalhe e por muito que ganhe, Mourinho ficará sempre ligado ao dinheiro de Roman Abramovich. E se não ganhar tudo aquilo a que é “obrigado”, ainda pior. Ou seja, penso que Mourinho, nesta altura, tem muito mais a perder que a ganhar no Chelsea.

“Porto” ganha em Hannover

Na primeira jornada da Bundesliga, algumas ideias fortes já transpareceram. O Bayern, mesmo sem Ballack e sem brilhar, continua a ser o maior favorito ao título. Por seu lado, os assumidos candidatos ao título Hamburgo e Schalke 04 entraram em prova logo a mostrar que se calhar ainda não são ameaça ao domínio bávaro. Ambos empataram em casa, e ambos a um golo, e ambos frente a candidatos à descida: Arminia Bielefeld e o meu Eintracht Frankfurt, que tem tudo para dar mais um passo no regresso ao estatuto de grande clube alemão. Para já, queremos fazer um campeonato tranquilo, depois das aflições da época passada. Acho que temos condições.

Quem demonstrou que vai ser o grande desafiador do Bayern foi o Werder Bremen. Uma semana depois de ter derrotado os bávaros por 2-0 na final da Taça da Liga, o Bremen iniciou a Bundesliga de forma concludente, ao vencer no terreno do rival Hannover 96 por 4-2. Os verdes inauguraram o marcador por Diego, um grande amigo de Co Adriaanse que tem a responsabilidade enorme de substituir o maestro (Rui Costa, perdoa-me) Micoud, que regressou ao Bordéus. O Hannover empatou e deu a volta na segunda parte. A 11 minutos do fim, um tal de Hugo Almeida, entrado três minutos antes, fez o 2-2. Co Adriaanse também deve ter ficado muito contente. Nos 10 minutos finais, o Bremen meteu mais duas batatas, a primeira das quais pelo inevitável Klose. Quem fez as assistências? Diego, pois claro. Se Benfica e Sporting têm muitas histórias de desperdício de capital humano para contar, o nosso Porto também vai contribuindo com umas larachas...