on Wednesday, July 12, 2006
Blatter tinha dito, durante o Mundial, que o actual ranking da FIFA não reflectia o real valor das equipas nem a sua prestação nas grandes competições. O modelo devia, assim, ser alterado, para que casos como o 4º lugar do México ou a presença no top 10 dos E.U.A. fossem evitados. O homem que se revolta quando ouve falar em novas tecnologias no futebol ou em actuações de árbitros russos prometeu, então, que a próxima tabela classificativa seria mais justa, pois iria contemplar os resultados das equipas nos últimos 4 anos e não nos últimos 8, como a forma de pontuação até então adoptada previa. O novo ranking foi lançado hoje e está ao nível da genialidade do presidente da FIFA:

Classificação:1. (1) Brasil, 1.630 pontos /2. (11) Itália, 1.550 /3. (9) Argentina, 1.472 /4. (8) França, 1.462 /5. (10) Inglaterra, 1.434 /6. (3) Holanda, 1.322 /7. (5) Espanha, 1.309 /8. (7) PORTUGAL, 1.301 /9. (19) Alemanha, 1.229 /10. (2) República Checa, 1.223

A Espanha, eliminada na 1ª fase do Euro e nos oitavos-de-final do Mundial, encontra-se à frente de Portugal e, mais absurdo ainda, da Alemanha. O germânicos chegaram à final do Coreia/Japão, tiveram uma prestação idêntica a "nuestros hermanos" no Euro e obtiveram um 3º lugar este ano. Mais surpreendente ainda é o facto da Holanda se encontrar no 6º posto. Não se qualificaram para o Coreia/Japão e foram eliminados das duas grandes competições por Portugal, que está dois lugares abaixo. A Inglaterra parece também não precisar de apresentar resultados para cair nas boas graças de Blatter & friends...Uns iluminados!
on Tuesday, July 11, 2006

Obrigado por tudo, Capitão! Serás sempre o melhor!...


24 de Setembro de 1994, o jovem britânico Lenox Lewis, defende o título da WBC pela 4ª vez frente ao norte-americano Oliver McCall. No 2ª round uma golpe vindo do nada derrotou o campeão. O homem que Ruddick Bowie um dia recusou enfrentar era derrubado por um desconhecido!


Após a derrota Lewis, conquistou por direito próprio o lugar de candidato principal ao título de pesados. Apresentava-se de cabelo cumprido, tendo inclusive recrutado o conceituado treinador Emanuel Stweart. Lenox cedeu contudo a posição a Mike Tyson, mediante uma indemnização milionária que Don King se prontificou a pagar.
McCall entretanto havia perdido o título, em Wembley para o popular inglês Frank Bruno. O regressado Mike Tyson, venceu Bruce Seldon e Frank Bruno conquistando os títulos da WBC, IBF e WBA. De modo a retribuir o favor "Iron Mike" deixaria o título da WBC vago, para o vencedor da desforra entre Lewis e McCall, a realizar a 7 de Fevereira em Las Vegas.
Num dos mais bizarros combates de sempre, McCall teve uma quebra psicológica e começou a chorar. Recusava-se a combater, mantendo as mãos em baixo. Num gesto de nobreza Lewis seguia o adversário, não o atingindo.
http://www.youtube.com/watch?v=nCPBaEGqmKE
"In the third round, he got in close, and then seemed frustrated, and then he just backed off and put his arms down. . . . I thought he was playing possum but then I saw his lips started to quiver and I thought, 'My God, is he crying?'" -- Mills Lane (árbitro do combate).


Lane parou o combate quando McCall "cessou fogo" novamente no 5º round, e Lewis o atingiu com golpes violentos.
Lenox tronava-se campeão mundial pela 3ª vez.
on Monday, July 10, 2006
E assim termina esta longa jornada do nosso blog, depois de percorrer todos os Mundiais de Futebol, desde o Uruguai 34.
O Alemanha 2006 foi, sem dúvida, um grande evento desportivo, onde a organização, o empenho e o entusiasmo foi preponderante!
Saliente-se o facto deste Campeonato do Mundo ter contribuido, em muito para a união do povo alemão, uma verdadeira vitória a nível político e social. Gostaria, também, de sublinhar a importância deste evento, não só a nível desportivo, como também, a nível político... Veja-se que durante o Campeonato do Mundo, muitos foram os líderes e chefes de Estado que estiveram presentes na Alemanha e essas presenças não deixaram de ser importantes para o enraizamento das relações internacionais entre todos esses países. Vamos então ao futebol...
Grupo A: Alemanha, Ecuador, Polónia e Costa Rica
O Ecuador foi a grande surpresa deste grupo tendo vencido a Costa Rica e a Polónia, facilmente. A Alemanha, sem surpresas, fez o pleno de vitórias e mostrou muita motivação neste início de Mundial. O Ecuador é uma selecção a ter em conta nos próximos torneios em que participe, pois parece estar a construir uma equipa sólida e muito eficaz. A Alemanha, com uma equipa jovem, mostrou, novamente, que é uma das grandes selecções do globo, em termos de beleza de jogo e eficácia. A Polónia e a Costa Rica ficaram pelo caminho e não impressionaram, de todo.
Grupo B: Inglaterra, Suécia, Paraguai e Trinidade&Tobago
A sempre favorita Inglaterra e a Suécia eram, sem margem de dúvida, os dois grandes favoritos e provaram-no passando aos oitavos sem grandes dificuldades, com excepção da Suécia que ainda apanhou um susto, com a selecção de Trinidade&Tobago. A Inglaterra mostrou que tem um leque de individualidades muito bom e que até trabalham bem em equipa. A Suécia continua a crescer de forma visível e começa a lançar jovens talentosos. O Paraguai não foi mais além de uma vitória sobre a selecção de Dwight York. Trinidade&Tobago estreou-se nestas lides com um empate contra a Suécia, nada mau para a primeira vez. Um grupo um pouco desigual e que não despertou grande interesse, excepto no jogo Inglaterra-Suécia, em que Joe Cole marcou um golo absolutamente fantástico!
Grupo C: Argentina, Holanda, Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro
Novamente, um grupo em que os favoritos são notórios... A Argentina fez uma primeira fase muito positiva, marcada pela goleada por 6-0 à Sérvia, um jogo absolutamente fantástico por parte dos argentinos, onde mostraram toda a sua capacidade atacante e veia goleadora. A Holanda fez os mesmos pontos que a Argentina, tendo empatado com esta, e provou que, embora seja uma selecção jovem e em construção, Van Basten está realmente a fazer um bom trabalho e os talentos da Laranja Mecânica prometem... A Costa do Marfim ganhou à pobre Sérvia, mas não conseguiu o apuramento. É uma selecção relativamente jovem e que, penso eu, pode incomodar no futuro, já se viu na Taça das Nações Africanas... Sobre a Sérvia não há muito a dizer, a pior selecção do Mundial, na minha opinião.
Grupo D: Portugal, México, Angola e Irão
Sem surpresas, Portugal passou aos oitavos de final, tendo feito, tal como a Alemanha, o Brasil e a Espanha, o pleno de vitórias. Foi melhorando as suas prestações e o jogo contra o México foi muito bom táctica e técnicamente. Portugalfez uma primeira fase tranquila e sem qualquer sobressalto. O México passou com alguma dificuldade, tendo empatado contra Angola, a revelação. Como disse, a revelação do grupo foi Angola, que contra Portugal fez uma exibição muito agradável e só não conseguiu o empate graças a Ricardo "Labreca" e à defesa lusa. Empatou contra o México, quando todos diziam que ia ser goleada e contra o Irão foi a mesma coisa, mas merecia ganhar e se tal acontecesse não sei quem passaria... O Irão fez um ponto, contra Angola e com muita dificuldade e saiu de cena tal como a Arábia Saudita e a Coreia, tendo a Ásia ficado sem representantes na mais alta prova de futebol profissional do Mundo.
Grupo E: Itália, Gana, República Checa e EUA
Neste grupo a maior surpresa foi a passagem do Gana, em detrimento da República Checa e dos EUA. A Itália passou descansada e sem qualquer problema. O Gana foi a surpresa, tendo derrotado os seus concorrentes directos e, teoricamente, mais fortes. A República Checa fez 3 pontos contra os EUA e estes fizeram unicamente 1 ponto, empatando contra a Itália, curiosamente.
Grupo F: Brasil, Austrália, Croácia e Japão
O Brasil fez o pleno, sem surpresas, tendo tido alguma dificuldade, unicamente, contra a Croácia. A Austrália foi a surpresa do grupo tendo ganho ao Japão e empatado com a Croácia, garantindo assim a passagem aos oitavos de final, com 4 pontos. A Croácia fez dois pontos, pouco para uma selecção com tanto potencial. O Japão fez apenas 1 ponto, resultado do empate contra os croatas.
Grupo G: Suíça, França, Coreia de Sul e Togo
A Suíça mostrou-se forte tendo derrotado a Coreia e o Togo e tendo empatado com a França. Com 7 pontos foi a líder do grupo. A França, depois de empatar com a Suíça e com a Coreia, fez os gauleses tremer de medo, recordando o Mundial 2002, mas com a vitória sobre o Togo, garantiu a passagem aos oitavos. A Coreia conseguiu 4 pontos com o empate com a França e com a vitória sobre o Togo. O Togo foi, a par da Sérvia, a pior selecção do Mundial, tendo sofrido mais 4 golos e marcado mais um que a equipa Sérvia.
Grupo H: Espanha, Ucrânia, Tunísia e Arábia Saudita
Neste grupo não houve grandes surpresas... A Espanha fez o pleno, numa campanha brilhante com a goleada sobre a Ucrânia a ser a cereja no topo do bolo. A Ucrânia, depois de ser goleada pela Espanha, recuperou da melhor forma e venceu os dois jogos seguintes. A Tunísia e Arábia Saudita conseguiram 1 ponto cada uma, resultado do empate entre as duas selecções, curioso...
Oitavos de Final
A Alemanha, jogando muito bem em todo o campo, conseguiu uma vitória sobre a Suécia, com dois golos do jovem Podolski, a figura do jogo. A Argentina teve algumas dificuldades em bater o México, tendo mesmo sido a equipa de Lavolpe a abrir o marcador com um golo de cabeça de Marquez, o capitão. Mas Crespo empatou passado pouco tempo e o jogo foi desinteressante até ao prolongamento, que ao minuto 98 assistiu ao melhor golo do Mundial, para mim... Maxi Rodriguez recebe a bola de peito fora da área, de costas para a baliza, faz a rotação para o alvo e remata com força para o ângulo superior esquerdo da baliza de Sanchez: Um golo belíssimo. A Inglaterra ganhou ao Equador pela margem mínima, com um golo de Beckham, de livre, como não podia deixar de ser. Um jogo fraco em que a Inglaterra não fez muito para ganhar, prova disso é a nomeação de John Terry como melhor jogador em campo. Portugal e Holanda protagonizaram um feio espectáculo, marcado pelos muitos cartões mostrados pelo árbitro Valentin Ivanov. Portugal venceu com um belo golo de Maniche, mas ficou com uma imagem de fazer jogo sujo e anti-jogo, o que não corresponde, de todo à verdade. A Itália ganhou à Austrália, no último minuto com um penalty inexistente, mas a selecção transalpina já nos habituou a este sistema de jogo... A Ucrânia bateu a Suíça nos penaltys depois de um jogo muito fraco. O Brasil ganhou ao Gana, por três golos sem resposta. O último jogo dos Oitavos de final marcou a despedida da Espanha, de novo, do Mundial, numa derrota expressiva (3-1) contra uma França que se apresentou muito melhor nesta fase do campeonato, depois de uma primeira fase um pouco tremida.
Quartos de Final
A Alemanha e a Argentina encontraram-se num jogo que prometia muito. A Argentina adiantou-se no marcador no início da segunda parte, mas o imprevisível Miroslav Klose empatou a 10 minutos do fim. O jogo não foi grande coisa e teve de ser decidido nos penaltys, onde Jens Lehman brilhou, tendo defendido o penalty decisivo de Cambiasso. A Itália bateu a revelação, Ucrânia, por 3-0 e terminou o sonho do país de Shevchenko que, mesmo assim, se estreou muito bem num Mundial. Portugal e Inglaterra voltaram a encontrar-se e, novamente, o jogo foi decidido nos penaltys. Um jogo marcado pela expulsão de Rooney que motivou um sentimento geral de raiva sobre Cristiano Ronaldo que, dizem os adeptos ingleses, pressionou o àrbitro para mostrar o vermelho. Mas o cartão era mesmo merecido! O jogo esteve longe de ser um grande espectáculo e os penaltys forma mesmo a decisão mais justa, onde brilhou Ricardo, novamente o carrasco dos britânicos, ao defender três penaltys e entrando para a história do Mundial. O Brasil, pela primeira vez em muito tempo, ficou pelos quartos, tendo sido derrotado pela França, que mostrou muito pragmatismo e sentido de oportunidade.
Meias Finais
As meias finais retiraram as melhores selecções, para mim, da final. A Alemanha perdeu 2-0 contra a Itália, nos últimos 2 minutos, quando já tudo esperava pelo prolongamento. Portugal perdeu contra a França, com um penalty sobre Henry e convertido por Zidane, onde é que eu já vi isto? Zizou voltou a ser o nosso carrasco. Mas é verdade que se é penalty sobre Henry, e eu penso que é, também é penalty sobre Ronaldo e esse não foi marcado. Penso que o árbitro teve uma certa dualidade de critérios e não foi só no penalty não assinalado, mas Portugal saiu honrado deste jogo. Não haja dúvidas.
Jogo de apuramento do 3º e 4º lugares
Talvez o melhor jogo do Mundial. As equipas não tinham nada de mais a perder e entraram descontraidas e alegres. A Alemanha venceu por 3-1 mas o verdadeiro vencedor foi o espectáculo e o fair-play. Um jogo muito agradável, com oportunidades de parte a parte (Tivéssemos um ponta de lança a sério e veríamos se o resultado era este!). Os jogadores estiveram bem e foram um verdadeiro exemplo de amizade que deve existir dentro de campo... Pena não terem sido todos os jogos assim.
A Final
A final opôs França e Itália. As duas equipas chegaram a este ponto com uma estratégia de jogo assente no futebol apoiado vindo de trás. Em suma, defenderam e apostaram no contra-ataque. A Itália aí leva uma certa vantagem, mas o jogo foi mesmo a penaltys, depois de Zidane ter convertido um penalty, que sinceramente, não consegui ver se existe ou não, e Materazzi ter feito um belo golo de cabeça na sequência de um canto do fantástico Pirlo. Nem Barthez, nem Buffon defenderam qualquer penalty e a falha de Trezeguet foi fatal e deu a vitória aos transalpinos. Uma vitória justa deva-se dizer. Num Mundial onde a grande maioria das equipas apostou no futebol defensivo, pragmático e apoiado, o criador do sistema foi o vencedor, jogando da mesma forma, mas já leva muitos anos de experiência...
Prémios FIFA:
Bola de Ouro: Zinedine Zidane
Melhor Marcador: Miroslav Klose (5 golos)
Melhor Guarda Redes: Gianluigi Buffon
Melhor Jogador Jovem: Lukas Podolski
Prémio Fair-Play: Espanha e Brasil
Equipa Mais Empolgante: Portugal
Dream Team
Guarda Redes: Gianluigi Buffon(ita)
Laterais: Zambrotta(direita/ita) e Lahm(esquerda/ale)
Centrais: Ricardo Carvalho(por) e Cannavaro(ita)
Médios: Pirlo(ita); Zidane(fra); Ballack(ale)
Atacantes: Figo(por); Zé Roberto(bra); Klose(ale)
Estatísticas
Mais Golos: Klose(ale/5)
Maior Média de Golos: Crespo(arg/0.75)
Mais cartões: Costinha(por/4 amarelos e 1 vermelho) e Asamoah(gan/idem)
Mais faltas: Gattuso(ita/47 faltas)
Mais defesas: Buffon(ita/27) e Ricardo(por/25)
on Sunday, July 9, 2006
A Itália venceu esta noite a França, nos penalties, e conquistou o seu quarto título mundial, quebrando um jejum de 24 anos. Foi um Mundial curioso. Muitos dos candidatos ao título abdicaram das suas características de jogo e adoptaram uma filosofia italiana, isto é, raramente assumir o jogo, mantendo a rectaguarda segura e esperando que um golpe de sorte permita chegar à vitória. Curiosamente, todas essas equipas se deram mal com esse sistema e o título acabou por ir para o “pai da criatura”, que já desesperava por este título. Entre as equipas que optaram por esse esquema tivemos o Brasil, a Argentina, a França (excepto na final) e até Portugal, que, ao contrário de outras provas anteriores, não colheu grande simpatia dos espectadores. Das selecções grandes só a Alemanha apresentou um futebol positivo e virado para a frente, o que lhe valeu o 3º lugar - num ano em que ninguém dava nada por ela -, o melhor ataque e marcador da prova e ainda a reconciliação com o próprio país.



Recapitulando a prova desde o início, a primeira fase não trouxe grandes surpresas. Apenas os apuramentos de Gana e Austrália em detrimento de República Checa e Croácia abriram algumas bocas de espanto. Quanto a jogos, e reconhecendo que falhei alguns, o que mais me entusiasmou foi o Suécia-Inglaterra, que terminou 2-2.

Nos oitavos-de-final, houve duas meias supresas. A Ucrânia bateu a Suiça nos penalties, mandando os helvéticos para casa sem sofrerem um único golo durante a prova. Maior destaque merece a eliminação da Espanha pela França. Os gauleses tinham sido o “grande” que maiores dificuldades tinha revelado para passar a primeira fase, enquanto os nuestros hermanos andavam eufóricos e já falavam no título. Mas, mais uma vez, tiveram que recorrer àquele célebre provérbio futeboleiro castelhano: “Jogámos como nunca, perdemos como sempre.” Os restantes favoritos seguiram em frente, com maior ou menor dificuldade. Intragável foi a forma como os italianos seguiram em frente: um penalty inventado pelo árbitro em tempo de compensação permitiu-lhes eliminar a Austrália. Se a expulsão de Materazzi tinha sido um pouco dura, isto foi um crime contra o futebol. Quanto a Portugal, eliminou a Holanda. Nada de novo, como demonstra o historial entre as duas equipas.

Nos quartos-de-final começaram a cair os favoritos. A Argentina, para muitos a equipa que estava a jogar melhor, caiu aos pés da Alemanha, nos penalties. Os sul-americanos viram um golo cair-lhes do céu e depois só quiseram segurar o resultado. Os alemães não desistiram e chegaram ao empate. Na absurdamente chamada lotaria, os teutónicos levaram a melhor, mantendo um registo de cem por cento de apuramento em Mundiais por este sistema. Mais que sorte, é uma questão de nervos e confiança. O Brasil, que nunca apresentou um futebol decente, caiu aos pés da França, cada vez em melhor forma. A Itália, com mais um adversário fácil, venceu a Ucrânia por 3-0, não sem ter passados por uns sustos. Portugal deixou para trás outro pseudo-favorito, a Inglaterra. Mais uma vez, os tugas honraram a sua história recente. Portugal não jogou bem, mesmo com mais um homem durante 60 minutos quase não criou perigo, mas nos penalties o factor psicológico favoreceu claramente a equipa de Scolari. Aos ingleses, tal como aos espanhóis, aconteceu-lhes o mesmo de (quase) sempre: regressar a casa com um enorme melão. A verdade é que os ingleses, inventores do futebol e fanáticos pela modalidade, como mostram os milhares de adeptos que sempre acompanham a selecção, raramente vão longe. Em 30 grandes competições (18 Mundiais e 12 Europeus), os “bifes” apenas chegaram a uma mísera final, no Mundial de 1966, a jogar em casa. E só venceram a Alemanha graças a um golo fantasma no prolongamento. Que raio de candidato é este?



Nas meias-finais, a tradição falou mais alto. A Alemanha, mesmo a jogar em casa, não conseguiu ultrapassar o trauma de não vencer os italianos em Mundiais. O jogo foi muito equilibrado, mas, à medida que se aproximava do fim, os teutónicos começaram a pensar nos penalties, onde são imbatíveis até hoje, enquanto os italianos arriscaram como quase nunca se lhes vê. Marcello Lippi acabou por ser recompensado, ao ver a sua equipa marcar a um minuto e meio do fim do prolongamento. Depois ainda chegou outro golo. No outro jogo, Portugal perdeu com a França, como manda a tradição. Tudo parecia equilibrado, mas Henry, num golpe de génio, partiu Meira e Carvalho e ganhou um penalty, que Zidane aproveitou. A partir daí, os tugas tentaram reagir, mas apenas uma rotação de Pauleta e uma cabeçada de Figo por cima, de baliza aberta, assustaram os galos. De resto, Portugal dedicou-se a dar razão aos seus maiores críticos, com alguns meninos a tentarem ganhar penalties de forma absurda e, ainda por cima, incompetente.

O jogo de apuramento para o terceiro lugar acabou por ser dos mais agradáveis do torneio. Alemanha e Portugal, mesmo algo desfalcados, realizaram um jogo de ataque, com muitas oportunidades. A equipa da casa foi melhor e contou com um Schweinsteiger inspirado, depois de uma prova demasiado discreta. Ricardo deu o seu primeiro e único frango do torneio e Petit marcou um autogolo e ficou mal visto nos outros dois golos, ao não fazer uma cobertura eficiente. Eu também não compreendo como Costinha pôde ser titular indiscutível, mas ao ver Petit achei que até fazia algum sentido. Nuno Gomes entrou e marcou, na última assistência de Figo pela selecção. A verdade é que a Maria Alice é muito mais fiável que Pauleta. Por um lado, participa muito mais no jogo que o açoriano, por outro lá vai marcando a grandes equipas, enquanto o “Brisa dos Açores” (Ciclone é demasiado simpático) vê as balizas diminuirem quando os adversários não se chamam Luxemburgo, Cabo Verde, etc. Do lado alemão, Kahn despediu-se em beleza, com uma grande exibição, e jovens como Lahm, Metzelder, Jansen, Schweinsteiger e Podolski mostraram que a Nationalmannschaft vai continuar a ser um candidato aos títulos das provas em que entra, com ou sem o meu quase homónimo no comando.

A final correu como quase todos os portugueses (eu não incluído) desejavam: a Itália ganhou. O jogo começou de forma aberta, ao contrário do esperado. Zidane marcou primeiro, mais uma vez de grande penalidade, e Materazzi empatou ainda antes dos 20 minutos, pondo a nu o facto de a França possuir o pior guarda-redes de entre as melhores equipas. Depois a Itália foi-se fechando cada vez mais, enquanto a França era a única equipa que queria ganhar nos 90 e, depois, nos 120 minutos. Mas não chegou lá e depois Zidane decidiu acabar a carreira e, quiçá, começar outra noutra modalidade desportiva, ao cabecear Materazzi no peito. A Itália mesmo assim não arriscou nada e lá levou o jogo para penalties, onde só Trezeguet falhou. E os italianos lá foram campeões, para satisfação de muitos portugueses. Incluindo José Peseiro, que não se cansou de vociferar contra os mergulhos dos franceses na primeira parte, mas não abriu a boca contra os dos italianos, em todo o resto do jogo. Parabéns então.
Ahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!Ó Zizou, a Nossa Senhora do Caravaggio também é italiana...
on Saturday, July 8, 2006

Este foi o lema da Selecção de todos nós na magnífica campanha do Mundial FIFA 2006!
Portugal iniciou o Mundial com algum entusiasmo, mas ocupando o 7º posto no ranking da FIFA. É certo que o futebol não é, definitivamente, uma ciência exacta, mas a passagem deste pequeno grande país às meias finais foi uma surpresa para muitos!

A fase de qualificação foi tranquila e Portugal conseguiu terminar em 1º lugar, com 9 vitórias e 3 empates, sem qualquer derrota. Notável, de facto. A sorte esteve do nosso lado, uma vez que o grupo não era muito complicado: Eslováquia, Rússia, Estónia, Letónia, Liechtenstein e Luxemburgo. O maior problema seria a Rússia, mas foi, também, a esse adversário, que Portugal aplicou a maior vitória: 6 secas! Portugal terminou a fase de qualificação com 30 pontos, 35 golos marcados e apenas 5 golos sofridos pelo nosso Ricardo.

A aventura lusa começou no dia 11 de Junho, em Colónia, num jogo aparentemente fácil contra Angola. Foi uma coincidência feliz podermos apadrinhar a estreia deste nosso país irmão numa competição como o Mundial. Mas o jogo revelou-se mais complicado do que seria de esperar e a vitória foi "tirada a ferros", com um golo de Pauleta(?!?) logo no início do jogo.
Seguiu-se o Irão, sem dúvida, a equipa asiática mais poderosa, mas facilmente ultrapassável. A vitória com dois golos, de Deco e Cristiano Ronaldo, não convenceu e todos nós ficámos com a sensação que teria de se melhorar muito a forma de jogar para ultrapassar a sempre temida selecção mexicana.
Depois do Irão, em Frankfurt, Gelsenkirchen esperava o grande embate entre a selecção das Quinas e o México... Esse sim, um jogo mais à maneira portuguesa. A exibição não foi brilhante mas viu-se esforço, entrega, dedicação, raça! Um jogo pragmático, à Scolari. Acabámos por ganhar 2-1, com golos de Maniche e Simão, para Portugal, e Fonseca, para o México.

Depois do pleno alcançado na fase de grupos, seguiu-se a Laranja Mecânica, em Nuremberga. Um jogo polémico. Nunca tinham sido mostrados tantos cartões num jogo do Mundial. O árbitro esteve mesmo muito mal, desfalcando a nossa selecção de dois jogadores nucleares, Costinha e Deco, e deixando consequências graves, como os amarelos a quase toda a equipa. Mas os nossos heróis debateram-se bem. Lutaram contra os holandeses e o árbitro, Valentin Ivanov, e a vitória suada pela margem mínima foi conseguida, com um belo golo de Maniche. Este jogo deu uma imagem péssima da nossa selecção, no estrangeira, fomos criticados e atacados por tudo e por todos e acusados de fazer jogo sujo! Uma acusação totalmete absurda! Revolta-me profundamente que se refiram aos enormes talentos portugueses como batoteiros e interceiros, quando neste mesmo jogo, com um jogador português magoado no relvado, a Holanda seguiu jogo e sacou uma falta absurda que resultou num cartão amarelo para Deco. Para além de que se a Selecção Portuguesa levou muitos cartões, a laranja levou outros tantos! É completamente surreal a rotulação da nossa equipa nacional como batoteira, quando somos nós, invariavelmente, vítimas do jogo sujo e do Anti-jogo... Veja-se a final do Euro2004 e o jogo das meias-finais contra a França neste Mundial!

Voltámos a Gelsenkirchen, para defrontar a poderosa Inglaterra, nos quartos-de-final. Um jogo muito equilibrado com ocasiões esporádicas de parte a parte e que ficou marcado pela expulsão, justa, penso eu, de Wayne Rooney, factor de indignação para os britânicos que não perderam tempos a arranjar um bode expiatório: Cristiano Ronaldo. Mas os cotovelos tratam-se, e as costelas também! Viu-se desde cedo que o jogo não sairía dali sem ser com a lotaria dos penaltys que acabou por acontecer, previsivelmente. Ricardo aí foi enorme! Tornou-se o primeiro guarda redes a defender três penaltys numa série de cinco na história do Mundial. E que defesas! Ronaldo marca o penalty decisivo e passámos às meias-finais do Campeonato do Mundo, 40 anos depois!

Seguiu-se o jogo contra a França, em Munique. Uma desilusão, morrer na praia! Tudo os nossos heróis fizeram para passar à final, mas nada puderam fazer contra o Anti-Jogo e as fitas dos gauleses. Mais uma vez o árbitro teve uma certa dualidade de critérios... Não gosto de parecer faccioso, mas se há penalty sobre o Henry, e há, também há penalty, momentos depois, sobre Cristiano Ronaldo e isso, para mim, é indiscutível! Para quem tanto nos acusou de jogo sujo, a França usou e abusou de quedas e faltas artísticas. Mas nós já estamos habituados. Diga-se que foi uma derrota à portuguesa: Jogámos melhor, demos uma lição de bola... Perdemos como sempre! Zidane voltou a ser o nosso carrasco! É sem dúvida um talento enorme que sai em grande! Zizou marcou profundamente o futebol actual, só o odeio mesmo por nos ter morto duas vezes! Até sempre Zidane... Até nunca Zizou!

O Mundial acabou para nós, da pior forma... Hoje, devo confessar, não estou muito disposto a falar do jogo. Todos nós vimos o que vimos, mas o que importa retirar deste jogo? O fair-play! A amizade entre os jogadores! Este jogo será, certamente, recordado pela rectidão dos atletas e dos ténicos. Outra chapada de luva branca a todos os nossos críticos!

Concluindo... Eu, pessoalmente, congratulo-me pela prestação da Selecção Nacional neste Mundial de Futebol. Ficámos em 4º lugar, podia ser melhor, mas somos a quarta melhor equipa do Mundo, nada mau para um país com 10 milhões de habitantes que teve de competir com países com o triplo ou o quádruplo da nossa população.
A grandeza de Portugal viu-se neste Mundial: A fé, as bandeiras novamente, a união nacional em torno de um objectivo, o optimismo, a esperança, a confiança... Foi um mês inesquecível!
Resta-me agradecer à Selecção Nacional! Este post pode ter sido um pouco maçador, pois repeti muito do que todos já sabem, mas fiquei indignado ao ver tantas pessoas a atacar a selecção que tanto apoiaram durante tanto tempo...
Para breve prometo um novo post sobre o presente e o futuro da nossa Selecção, depois de um ciclo vitorioso marcado por duas amargas derrotas em 4 anos...

Quem perde os seus bens, perde muito; quem perde um amigo, perde mais; mas quem perde a coragem, perde tudo. A arte de vencer aprende-se nas derrotas...