on Wednesday, July 5, 2006
Ok, já foi excelente chegar às meias-finais mas...este senhor acima está colado ao banco?
E para os croissants que nos apelidaram de "batoteiros" e "manhosos" há realmente que admitir que os portugueses Henry, Abidal, Thuram e Cª exageraram nos atrasos aquando das reposições de bola e simulação da lesões.
Foi uma derrota à boa maneira portuguesa, em que trabalhámos mais e com pior resultado. Portugal dominou mas causou...uma(!) oportunidade flagrante em toda a partida, quando um dos maiores bluffs do futebol mundial largou a bola que Figo não conseguiu cabecear para a baliza. Muitas bolas cruzadas para a área onde esteve um ponta-de-lança que jogou 4 minutos neste mundial(os primeiros frente a Angola), com Thuram e Gallas a não sentirem quaisquer problemas. A entrada de Nuno Gomes seria muito mais lógica.Simão fez muito menos que Ronaldo na ala esquerda.
Podemos orgulhar-nos muito da nossa campanha. Na última década era natural Porugal ficar fora dos grandes palcos...agora até nos queixamos de não chegar à final. Uma alteração de mentalidade significativa, apesar de continuarmos a fugir a 7 pés do verdadeiro sucesso...
Com a chegada do novo milénio, o futebol ameaçou entrar num novo estado: a pós-pós modernidade! Pela primeira vez o mundial chegou à Ásia e pela primeira vez 2 países organizaram a competição. Coreia-Japão 2002, sem margem para dúvidas o pior mundial de sempre, futebol de pôr os olhos em bico, arbitragens cómicas de levar às lágrimas, em suma…espectáculos nauseabundos que nos fizeram pensar que afinal o Itália 90 não foi assim tão mau!
Portugal marcou presença pela 3ª vez numa fase final do campeonato do mundo. A geração de ouro qualificou-se às custas da laranja mecânica, iniciando uma série de confrontos com holandeses sempre às nossas cores.

Grupo A: Senegal, França, Dinamarca e Uruguai

A França, campeã mundial, da Europa e das Nações afigurava-se como a vencedora mais que lógica do grupo. Contudo viu-se privada de Zidane, lesionado num amigável, poucos dias antes do início da competição.
Começou de forma hilariante o mundial, com o “debutante” Senegal a derrotar a França com um golo de Papa Bubba Diop a passe de El-Hadji Diouf. Nomes que dá orgulho pronunciar.
Após empate sem golos com o Uruguai os campeões mundiais tinham que vencer a Dinamarca por uma diferença de 2 golos. Zidane estava de volta, contudo não foi suficiente e Tomasson e companhia triunfaram por 2-0. A melhor selecção mundial regressava a casa sem honra, sem glória e sem golos.
A Dinamarca venceu o grupo com 7 pontos, seguida do Senegal com 5.
O Uruguai de Recoba ficou em 3º lugar com 2 pontinhos fruto de 2 empates.

Grupo B: Espanha, Eslovénia, África do Sul, Paraguai
Um grupo deveras engraçado com o nosso bem conhecido Zahovic a pegar-se de razões com o seleccionador esloveno.
A Espanha orientada por Camacho venceu facilmente o grupo com 9 pontos.
Paraguai e África do Sul lutaram arduamente por um lugar nos oitavos de final. Terminaram ambas com 4 pontos. Um score de 6 golos marcados e 6 sofridos, contra 5 marcados e 5 sofridos, valeu a passagem aos sul-americanos.
No último lugar ficou a Eslovénia, com zero pontos, mas com Zahovic suspenso.

Grupo C: Brasil, Turquia, Costa Rica e China
Tal como no grupo anterior, tivemos uma equipa que metralhou a concorrência tendo vencido os 3 jogos, 2 equipas que terminaram em igualdade pontual na 2ª posição com 4 pontos e um bombo da festa, a China.
Malgrado dificuldades inesperadas para conseguir o apuramento na zona sul-americana, Felipão montou uma equipa bastante forte, alicerçada numa defesa coesa, deixando a frente de ataque entregue aos 3 Rs (Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo) magníficos.
Está certo que os canarinhos provocaram a desconfiança geral após uma vitória polémica por 2-1 sobre a Turquia no jogo de abertura, contudo os 4-0 à China e os 5-2 à Costa Rica, espelharam que estávamos na presença do mais série candidato.
O goal average permitiu à Turquia de Nihat e Hakan Sukur avançar para os oitavos.

Grupo D: Coreia do Sul, USA, Portugal e Polónia

Agora sim, entramos na verdadeira essência da pós-pós modernidade. Apenas recordo este mundial pelas gargalhadas dispendidas às custas da selecção portuguesa.
Primeiro Vítor Baía faz 2 grandes defesas (na mesma jogada) contra a China e salta sem se saber bem porquê para a titularidade, sendo Ricardo (então em grande forma) relegado para o banco de suplentes.
Depois António Oliveira aparece misteriosamente de muletas, rezam as crónicas devido a uma noite com muito álcool e mulheres à mistura.
Começamos a prova contra os Estados Unidos, que nos surpreenderam com 3 de rajada. Beto e um autogolo de um defesa norte-americano ainda nos fizeram sonhar, contudo o pé não dava para tão grande pedalada e estava consumada a 1ª derrota portuguesa num jogo de estreia de uma fase final do Campeonato do Mundo.
Após uma vitória estrondosa por 4 bolas a zero contra aquela que seria supostamente a maior rival do grupo, chegámos ao último com hipóteses legítimas de passar. Hipóteses que João Pinto se encarregou de arruinar ao tentar partir a perna de um coreano em 4 ou 5 sítios diferentes. Expulso das 4 linhas, o “grande artista” desferiu um oblíquo ao fígado do árbitro da partida. Não fosse a frieza de Jorge “o Bicho” Costa e Armando “Petit” Teixeira e o caso poderia ter sido ainda mais grave.
Perdemos por 1-0 e deixámos, qual México 86, o Mundial, no 3º lugar no grupo.
Seguiram em frente Coreia e Estados Unidos.

O portentoso episódio da sarrafada de JVP ao coreano poderá ser recordado com mais ênfase aqui: http://futeblog-total.blogspot.com/2004_07_01_futeblog-total_archive.html


Grupo E: Alemanha, Irlanda, Camarões e Arábia Saudita
Depois do fiasco 2 anos antes no europeu, a Alemanha limpou a imagem ao vencer o grupo com 7 pontos.
Realce para a grande “cabazada” à Arábia Saudita com 8 golos sem resposta e o surgimento de um avançado talhado para marcar em mundiais, Miroslav Klose.
Os leões indomáveis, com as suas camisolas de basketball (prontamente proibidas pela FIFA) lutaram com a Irlanda pelo 2º lugar.
Levaram a melhor os britânicos que conseguiram 5 pontos, acabando a 1ª fase invictos.
A Arábia despediu-se sem golos, sem pontos e com 12 “enfardados”.

Grupo F: Suécia, Argentina, Nigéria e Inglaterra

No apelidado grupo da morte, a Argentina acabou por desiludir.
Os alvi-celestes começaram da melhor maneira batendo a Nigéria por 1-0. Seguiu-se a vingança inglesa com David Beckham a bater Caballero de grande penalidade.
O empate a 1 bola no 3º jogo contra a Suécia, levou às lágrimas uma nação que apostava forte no tri.
Ingleses e Suecos seguiram em frente, com 5 pontos cada.

Grupo G: México, Itália, Croácia e Equador
Polémica, com a Itália de Trap a protestar o jogo contra a Croácia. Venceram os dos Balcãs por 2-1 com o juiz da partida a anular 2 golos aos “azurris”.
O México foi primeiro com 7 pontos, à frente da Itália com 4.
Equador e Croácia repartiram o último lugar com 3 pontos fruto de uma vitória.

Grupo H: Japão, Bélgica, Rússia e Tunísia
Perante a histeria do público local, Nakata liderou o Japão à vitória do grupo com 7 pontos. Os nipónicos começaram por empatar a 2 bolas com a Bélgica, tendo vencido os 2 jogos seguintes.
A Bélgica foi 2ª com 5 pontos.
A Rússia desiludiu uma vez mais.
A Tunísia confirmou um mundial desastroso para África, onde só Senegal salvou a honra do continente negro.

Oitavos de Final
Começaram os oitavos de final com a Alemanha a derrotar o Paraguai com 1 golo de Oliver Neuville a passe de Bernd Schneider. Os comandados de Rudi Voller tinham em Oliver Kahn o expoente máximo. O guardião do Bayern de Munique seria o 1 guarda-redes a conquistar o título de melhor jogador do mundial.
Em Niigata, a Inglaterra afundou a armada viking com 3 tiros de canhão. Algo curioso se tivermos em conta a fase de grupos.
O Senegal confirmou-se como a grande sensação da prova, ao eliminar a Suécia. Decorria o minuto 103 quando Henri Camara bisou, desfazendo a igualdade a 1 bola.
Com 1-1 no final do prolongamento a Espanha venceu a Republica da Irlanda por 3-2 no desempate por pontapés na marca de grande penalidade.
No duelo da CONCACAF, os Estados Unidos levaram de vencida o México por 2-0.
Apesar da boa réplica, Felipão e o Brasil avançaram. 2-0 foi o resultado frente à Bélgica.
Nos 8ºs de final caiu um dos anfitriões. Foi o Japão que perdeu por 1-0 com a Turquia.
Para o fim fica o 1º roubo de igreja coreano. Foi a 18 de Junho em Daejeon. Frente a frente Itália e Coreia do Sul. Marcou primeiro a Itália por intermédio de Vieri de cabeça após um canto.
Uma falha de Pannuci permitiu aos coreanos empatar perto dos 90 minutos levando a partida para prolongamento.
Depois assistimos a um recital de mal arbitrar que teve na expulsão de Totti o apogeu. O capitão da Roma ludibriou um contrário sendo rasteirado para área de rigor. Os coreanos levaram as mãos à cabeça, sabiam que estavam perto da eliminação. Mas eis que o iluminado juiz equatoriano, de nome Byron Moreno Ruales, decidiu expulsar Totti por simulação!!!!!
Perto do fim os coreanos marcaram o golo de ouro, por intermédio de Ahn Jung-Hwan, atleta do Perugia que levou guia de marcha.

Quartos de Final
Em Shizuoka, David Seaman entrou para a galeria dos imortais ao levar a maior chapelada da história dos mundiais. Ronaldinho Gaúcho fez 2-1, confirmando a cambalhota no marcador.
No duelo de potências económicas, a Europa levou vantagem sobre os Estados Unidos. O 1-0 final, da autoria de Ballack, confirmou o acerto defensivo dos germânicos.
A 22 de Junho em Gwangju, assistimos ao 2º acto do “Roubo de Igreja Coreano”. Pela 1ª vez senti pena da selecção espanhola tal foi a crueldade que o árbitro da partida, o egípcio Gamal Ghandour, aplicou sempre que ajuizava um lance.
2 golos roubados e a decisão na lotaria das grandes penalidades a sorrir aos Coreanos que chegavam às meias finais sem saber ler e escrever.
Joaquin falhou e Hong Myung-Bo converteu o castigo decisivo.
Perante tal arbitragem sou obrigado a concluir que Valentim Ivanov é um génio da arbitragem e que Graham Poll tem o direito de mostrar 4 ou 5 cartões amarelos ao mesmo jogador antes de o expulsar.
No último jogo dos 4ºs, o Senegal caiu aos pés da Turquia. Um tento solitário de Ilhan Mansiz , já no prolongamento (foi de ouro… portanto!) levou os homens das basílicas às meias.

Meias Finais
A FIFA estava descontente com as arbitragens (pudera!) pelo que nomeou os melhores árbitros para as meias-finais.
Os favoritos seguiram em frente após vitórias por 1-0.
A Coreia caía finalmente! Parabéns à Alemanha e a Michael Ballack que aos 74 minutos furou a muralha coreana.

3º e 4º Lugar
No pior jogo de consolação de sempre, a Turquia conseguiu amortizar o descontentamento geral, vencendo os famigerados coreanos por 3-2.

Final
Estádio:Yokohama International Stadium, 69.029 espectadores


Perante a arbitragem do grande Pierluigi Colina, auxiliado pelo sueco Leif Lindberg e o inglês Philip Sharpeas equipas alinharam com:

Brasil
Marcos, Cafu, Roberto Carlos, Lúcio, Edmilson, Roque Jr, Gilberto Silva, Kleberson, Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho


Alemanha
Oliver Kahn (c), Thomas Linke, Carsten Ramelow, Christoph Metzelder, Torsten Frings, Bernd Schneider, Jens Jeremies (Gerald Asamoah aos 77 min), Dietmar Hamann, Marco Bode (Christian Ziege aos 84 min) , Oliver Neuville, Miroslav Klose (Oliver Bierhoff aos 74 min)

Com a Brasil a dominar claramente a partida a resistência germânica foi vencida aos 66 minutos, quando Oliver Kahn tem a sua única falha em todo o Mundial não segurando um remate fraco. Na recarga Ronaldo abriu o activo.
12 minutos mais tarde e o mesmo Ronaldo carimbou o 2 a 0. O Brasil era campeão do Mundo pela 5ª vez e Ronaldo com 8 golos, tornava-se no primeiro homem a quebrar a barreira dos 6 golos, desde 1974, altura em que o polaco Lato marcou 7.




Melhores Marcadores - Ronaldo (Brasil): 8 golos,
Miroslav Klose (Alemanha): 5 golos,
Rivaldo (Brasil): 5 golos,
Jon Dahl Tomasson (Dinamarca): 4 golos,
Christian Vieri (Itália): 4 golos
on Tuesday, July 4, 2006

O raptor já veio a público declarar que tudo não passou de um equívoco:
- Juro que pensava que era o Mantorras! Mas quando vi que o rapaz nem um parafuso tinha no joelho pensei logo: "Fosga-se, Tó Zé, já não vais ganhar 18 milhões...este nem para suplente do 1º Novo Eusébio Akwá serve." Por isso tratei logo de o libertar - declarou o suspeito.
A Malta da Tropa conseguiu ainda apurar que diversos rumores tinham dado conta que o senhor Nuno, proprietário do cão de água "Dragão", estaria por trás do crime, uma vez que Co Adriaanse pretende alterar o seu sistema de jogo, utilizando 4 defesas, e que para isso a contratação de um polivalente central/lateral-direito seria essencial. Alcides seguiria o exemplo de outros raptados como Maniche, Jankauskas e Sokota.
on Monday, July 3, 2006
Uma vergonha, é o que se está a passar com ciclismo mundial. Como amante da modalidade sinto-me incomodado. Será que eles nos enganaram este tempo todo?
Ullrich, Basso, Mancebo todos de fora da edição de 2006 do Tour de França por suspeitas no envolvimento no caso de doping espanhol.
Primeiro os boatos sobre Armstrong, depois Heras perdeu a Vuelta da secretaria e agora isto...?
Manolo Sainz um dos directores desportivos mais disciplinadores em termos de doping, vê agora o seu nome nas ruas da amargura. 5 ciclistas da sua equipa, a Wurth, foram suspensos, pelo que Vinokourov se viu impossibilitado de alinhar à partida.
A operação Puerto (cume da montanha) fez rolar cabeças!
Teremos supostamente o Tour mais limpo de sempre, mas também o menos interessante.

No Prólogo de 7,1 kms, em Estrasburgo, o norueguês da Credit Agricole, Thor Hushovod, foi o mais rápido com 8 minutos e 17 segundos.
As escassos 70 centísimos ficou George Hincapie, colega de José Azevedo na Discovery Channel.
Valverde da Caisse d'Epargne (5º a 4 s), Paolo Savoldelli da Discovery Channel (8º a 8 s) e Floyd Landis da Phonak (9º a 9s) foram os melhores de entre os favoritos... se é que se pode dizer que há favoritos este ano!

A 1ª etapa em linha teve no francês da Cofidi, Jimmy Casper, o vencedor.
Numa etapa com partida e chegada em Estrasburgo, o camisola amarelo Thor Hushov foi o grande azarado ao ser ao ser atingido por um espectador que lhe provocou um golpe no braço esquerdo.
Como consequência, a camisola amarela está agora no corpo de George Hincapie, norte americano da Discovery Channel.




Sem Petacchi, a luta pelos sprinters fica mais aberta, contudo, tal como sucedeu no Giro, Robbie McEwen aproveitou bem a ausência da locomotiva italiana.
Depois de 3 vitórias no Giro, o australiano venceu agora a etapa do Tour que ligou Obernai a Esch-sur a Alzette, numa extensão de 228,5 kms.
Fruto das bonificações Thor Hushovd reconquistou a camisola amarela.
Após cumprir uma pena de 3 anos por alegada violação de Desiree Washington, Mike Tyson voltou aos ringues em 1995. Depois de 2 "aquecimentos" contra Peter McNeeley and Buster Mathis Jr, Mike venceu o título da WBC, em Março de 1996, ao derrotar Frank Bruno por KO no 3º round.
Em Setembro do mesmo ano, Tyson recapturou o título da WBA vencendo Bruce Seldon em somente 93 segundos. Seldon parecia acusar todos os golpes desferidos por Mike, ao ponto de muitos o terem acusado de ter subido ao ringue demasiado assustado.
A 9 de Novembro de 1996, Tyson enfrentou a valorosa oposição do antigo-campeão mundial Evander Holyfield.O combate durou 11 assaltos, altura em que Holyfield venceu por KO-Técnico, sagrando-se campeão mundial pela 3ª vez.
Tyson não combateu mais até 28 de Junho de 1997, altura da muito aguardada desforra.
Após perder claramente os 2 primeiros rounds, Tyson começou o 3º com agressividade massacrando Holyfield nos 15 primeiros segundos. O campeão conseguiu com maior ou menor dificuldade bloquear a grande maioria dos golpes. Frustrado Mike mordeu a orelha de Holyfield!!!!! Depois de atribuir 2 pontos de penalização ao candidato, o árbitro Mills Lane, reiniciou o combate. Tyson mordeu novamente a orelha de holyfield e foi desqualificado.
Em sua defesa "Iron" Mike disse que apenas respondeu a uma cabeçada de Holyfield (é verdade eu vi), que Mills Lane ignorou .Curiosamente Teddy Atlas, antigo treinador de Tyson, preveu antes do combate que Mike iria fazer tudo para ser desqualificado.
Fiquem com o combate: http://www.youtube.com/watch?v=n6FgmhEGZ8A
on Saturday, July 1, 2006

Como não sei o que escrever sobre a prestação de Ricardo, deixo um excerto de uma crónica de um dos melhores jornalistas portugueses, Ferreira Fernandes, na "Sábado":

"Um penálti marca-se a 11 metros. Quem remata tem pela frente um rectângulo imenso, 7.32 m de largura entre os postes, 2,44 m de altura do chão à trave. Quase 18 metros quadrados já fazem um quarto razoável, onde só há que encaixar uma bolita de 22 cm de diâmetro. Um homem guarda esse buracão. Reparem, os livres marcados ao dobro da distância, o guarda-redes tem direito a uma barreira de colegas que tapam todas as nesgas. No penálti, não. É um duelo desigual: meter a bola é infinitamente mais fácil do que impedir que ela entre. Num penálti, as chances do rematador são como as de Stanley Ho na roleta: 36 contra 1. O escritor austríaco Peter Handke escreveu uma novela célebre, A Angústia do Guarda-redes no Momento de Penálti, um título tolo. Se há alguém que não está angustiado no momento do pénalti é o guarda-redes. Ninguém dá parte de fraco por receber um tiro na testa e morrer. Deixar entrar golo de penálti está na ordem natural das coisas. Marcar é fácil, há fortes probabilidades de eu conseguir meter um golo ao italiano Buffon, se me permitissem cinco tentativas. E se marcar é fácil, quem chuta é que parte angustiado."

E o que se pode dizer de quem contraria 3 vezes(em 4 oportunidades) a ordem natural das coisas?
E prontos, estão definidas as quatro equipas que vão até ao fim neste Mundial. Alemanha (tricampeão), Itália (tricampeão) e França (campeão) são três países habituados a estas andanças. O mesmo não se passa com Portugal, que há 40 anos que não chegava a esta fase de um Mundial. Mas como vice-campeã europeia, a selecção tuga tinha algum prestígio a defender. E fê-lo com categoria, independentemente do que aconteça nos dois últimos jogos. A grande sensação da prova é o facto de só estarem equipas europeias nas meias-finais, o que não acontecia desde 1982. Aliás, nesse ano disputou-se a última final sem a presença da Argentina ou do Brasil. Até agora.

A não presença destes dois países nas meias-finais é, sem dúvida, o grande destaque deste Mundial. Brasil e Argentina são, sem margem para discussão, os dois países do mundo que mais talentos produzem para o futebol. O que falhou então? Na minha opinião, falhou a disposição com que as duas equipas entraram na maioria dos cinco jogos disputados por cada uma. Brasil e Argentina abdicaram, sem um pingo de vergonha, das suas melhores características, e resolveram apostar na italianização do seu futebol, isto é, num controlo absoluto das circunstâncias, a partir de trás e apenas arriscando em determinadas ocasiões. Ambas se deram mal.

Frente à Alemanha, a Argentina apostou num jogo de contenção. Os comandados de Pekerman tiveram muita posse de bola, mas quase toda ela no seu meio-campo. Os argentinos não queriam arriscar e os alemães não pressionavam muito à frente. A equipa sul-americana acabou por chegar ao golo na primeira oportunidade que teve, num lance de bola parada (ou esquemas tácticos, como diz o génio José Peseiro). Sinceramente temi que o resultado estivesse feito, tal era o conforto com que os argentinos pareciam sentir-se naquela situação. Menosprezei os alemães (shame on me), que, ao seu estilo, foram intensificando a pressão quase sem se dar por isso. O golo surgiu naturalmente, numa bela combinação aérea. Nos entretantos, a Argentina pouco aproveitou para contra-atacar (apenas uma oportunidade de Maxi Rodriguez, após uma perda de bola da defesa alemã) e Pekerman acreditou que o jogo acabava aos 90 minutos, como demonstram as substituições que fez. Só na segunda parte do prolongamento a Argentina veio para a frente, talvez por perceber que nos penalties dificilmente bateriam os alemães. Já foram tarde e na estupidamente chamada “lotaria” perderam sem apelo.

Já o Brasil deu-me a sensação de não ter optado ostensivamente por este tipo de jogo frente à França. Simplesmente os brasileiros estavam mal habituados, devido às equipas macias encontradas até então, e foram surpreendidos pela França, a equipa mais experiente deste Mundial. Depois de um começo razoável, os canarinhos perderam completamente a posse da bola e o controlo do jogo. A França, a subir de forma depois da primeira fase, fez o que quis do jogo e até Zidane fez uma exibição como há muito não se lhe via. Quando quis reagir, o Brasil não encontrou meios, o que lhe valeu a eliminação da prova.

Curiosamente ambas as equipas sul-americanas tiveram um jogo excepção. O Brasil frente ao Japão e a Argentina contra a Sérvia e Montenegro. De resto, as duas equipas optaram sempre por jogar de forma muito controlada, deixando o espectáculo de lado, o que contraria a sua natureza. Esse estilo de jogo é desde (quase) sempre utilizado pela Itália, considerado o país dos mestres da táctica. No entanto, e apesar de a Itália já estar nas meias-finais (beneficiando do calendário mais fácil na segunda fase), está por provar que esse estilo dê tão bons resultados que valha a pena transportá-lo para outras equipas. Que eu saiba a Itália só venceu um Mundial depois da II Grande Guerra. Porque é então tão sobrevalorizada a sua alegada mestria táctica?