
Esta é pela bola ao poste do Cocu...

Chegou o dia! Sábado, 24 de Junho, marca o início do tão aguardado Mundial 2006. Depois de algumas semanas de intermináveis jogos de preparação frente a simpáticas selecções de África, Ásia e América Central e do Norte, eis que chegam finalmente os jogos a sério. Tirando o Uruguai estão lá todos os campeões do Mundo, por isso a prova promete. Não consigo adiantar um favorito, mas espero que a Alemanha chegue ao tetra. Nos três títulos anteriores também começou a prova como underdog, por isso basta cumprir a tradição.


Fantástica a prestação dos Palancas Negras.Esteve melhor que Costa Rica e Sérvia e Montenegro, muito mais "calejadas" nestas competições, e não ficou em último no grupo, jogando taco-a-taco com uma selecção superior em termos de historial como a do Irão. Togo e Tunísia não farão, provavelmente, melhor figura. Não envergonhou...e era isso que se pedia.





A organização de uma equipa, a sua forma física e a assimilação de princípios de jogo é essencial no futebol e pode ofuscar o talento individual. E isso é notório nos jogos em que os pequenos batem o pé aos favoritos. Mas é igualmente verdade que um só jogador pode resolver um jogo. E a 24 de Junho de 1990, em Milão, quando Holanda e Alemanha disputavam o acesso aos quartos-de-fianl, isso foi visível.
Ao minuto 20, Voller foi expulso e Rijkaard seguiu-lhe os passos em direcção aos balneários, depois de cuspir no avançado por 2 vezes. A Laranja parecia ter a organização necessária para colmatar a falta de um jogador influente, mas o destino apontava para a glória alemã. Ajudado por Matthaus e Littbarski, Klinsmann fez o jogo da sua vida. Jurgen cortou um mau passe no inicio do 2º tempo e abriu o marcador. Brehme deu a estocada final aos 84`. Ronald Koeman ainda marcou de penalty, mas já era tarde. 16 anos depois o “Palhaço Ronald” voltaria a sentir o sabor do insucesso, ao liderar um clubezeco de um bairro de Lisboa.
Roger Milla marcou mais dois golos à Colômbia, na vitória camaronesa por 2-1. Foi preciso esperar até à 2ª parte do prolongamento para ver a bola entrar na baliza. A selecção africana tinha já o seu campeonato feito, consumando-se o estatuto de sensação da prova. A Checoslováquia derrotou a Costa Rica por 4-1 e os brasileiros desiludiram ao perder com a Argentina(1-0). Maradona assistiu Caniggia para o tento.
Depois de um jogo sem golos, a República da Irlanda derrotou a Roménia nos penaltys. David O´Leary marcou a grande penalidade decisiva. Os anfitriões derrotaram o Uruguai com golos de Toto Schillaci e Serena. Stojkovic marcou os golos da vitória da Jugoslávia sobre a Espanha, respondendo ao tento de Júlio Salinas(2-1) e a Inglaterra obrigou a Bélgica a fazer as malas graças à inspiração de David Platt(1-0)
Quartos-de-Final:
Os Camarões estiveram perto das meias-finais. As “Milla e uma noites” africanas(um trocadilho ao nível de José Marinho) obrigaram Robson a pensar fazer as malas. O jogo foi decidido através da marcação de dois penaltys cometidos sobre Gary Lineker e convertidos pelo mesmo. O secretário de Estado dos E.U.A., Henry Kissinger, adepto fervoroso do desporto-rei, chegou a dizer nesse dia: “Eles têm o futebol no corpo e praticam o jogo do século XXI. Fazem lembrar os brasileiros".Platt marcou primeiro. Milla sofreu o penalty que deu o 1-1 e assitiu Ekeke no 2-1, depois de deixar para trás Gascoigne, Wright e Platt.
Matthaus marcou o penalty que eliminou os checoslovacos e Schilacci deu também a vitória à sua Itália ante a Irlanda. A Argentina derrotou a Jugosláia depois de um resultado de 3-2 no desempate na marcação de grandes penalidades(0-0 aos 120`).
Meias-Finais:
A Alemanha e a Inglaterra defrontaram-se e proporcionaram um espectáculo fantástico, decidido no desempate por penaltys. Aos britânicos eram dirigidas críticas relativamente ao trabalho do seleccionador e falta de jogadores de topo. Paul Gascoigne chorou perante as câmaras após a derrota por 4-3, tornando-se o menino bonito dos “media” e dos adeptos ingleses. José Roberto Wright deixou jogar e conduziu o jogo de forma exemplar. Os alemães não se adaptavam a este estilo de arbitrar…mas os seus adversários estavam radiantes pela forma de dirigir uma partida típica da velha Albion. Brehme abriu o marcador com um remate que embateu em Parker antes de sobrevoar Peter Shilton. Lineker empatou aos 80 minutos. Pierce e Waddle falharam nos penaltys e viram a sua equipa ser eliminada.
No outro jogo, a Itália abriu o marcador por intermédio de…claro…Schilacci, a passe de Gianluca Vialli. Cannigia empatou aos 67`. O resultado foi decidido também através da lotaria das grandes penalidades e o marcador registou números iguais aos da outra partida…4-3, favorável à Argentina. Donadoni e Serena falharam, “El Pibe” marcou o ultimo dos homens das Pampas.
A final do Estádio Olímpico de Roma foi um jogo feio, que não ficou guardado de forma especial na memória dos que assistiam em todo o Mundo( a não ser na Alemanha, claro). Cannigia não actuou por castigo e Maradona era tudo o que restava aos albicelestes. Mas a organização adversária não o deixou brilhar. O árbitro Edgardo Codesal não viu um penalty do alemão Augenthaler e outro do argentino Monzón. Aos 85 minutos, Andreas Brehme converteu o penalty que recentemente afirmou não ter existido…O triunfo acabou por ser merecido, uma vez que o pragmatismo e eficácia alemãs ofuscaram uma Argentina que se resumiu às tentativas de ataque inconsequentes do melhor jogador do mundo na época. A Itália derrotara a Inglaterra por 2-1, ficando com a medalha de bronze do Mundial de 1990.

Alemanha: Illgner, Berthold(Reuter), Kohler, Augenthaler, Buchwald, Brehme, Littbarski, Hassler, Matthaus, Voller, Klnsmann.
Argentina: Goycochea, Lorenz, Serrizuela, Sensini, Ruggeri(Monzon), Simon, Basualdo Burruchaga(Calderón), Maradona, Troglio, Dezotti
Melhores Marcadores:
Schillaci(Itália) – 6 golos;
Skuhravy(Checoslováquia) – 5 golos;
Michel (Espanha),
Milla(Camarões),
Matthaus(Alemanha),
Lineker(Inglaterra) – 4 golos