on Wednesday, May 17, 2006
É um lugar comum dizer-se que uma mentira muitas vezes repetida acaba por tornar-se numa verdade. É um lugar comum, mas é, igualmente, uma realidade. E no futebol português, esse mundo tão cheio de especificidades, esse cliché ajusta-se que nem uma luva (por falar em clichés...).

No ano passado tivemos pelo menos duas enormes mentiras que, com a repetição, tanto da parte dos envolvidos, como da indescritível comunicação social desportiva que temos, se tornaram em verdades absolutas junto da comunidade futeboleira nacional. Uma dizia que o Benfica de Trapattoni tinha chegado ao título devido à sua grande consistência defensiva. Como é possível, num campeonato como o nosso, o campeão sofrer 31 golos, uma média de quase um por jogo, e falar-se em consistência defensiva? Então o que se pode dizer do FC Porto este ano, que sofreu metade dos golos (16)? A outra grande peta referia que o Sporting de José Peseiro era uma equipa de grande pendor ofensivo. Como se pode dizer isso de uma equipa que ficou em branco em 11 dos 34 jogos do campeonato, isto é, num terço dos encontros realizados? Em 72 anos de I Divisão, só uma vez o Sporting ficou mais jogos sem marcar golos num campeonato. Foi em 1988/89, a tal época de Jorge Gonçalves e da crise que parecia insolúvel, em que o Sporting ficou em branco em 13 jogos, mas num campeonato de 38 jornadas. Eis como duas tangas com T grande se tornaram em dogmas assumidos por quase todos, desde o comum e quase analfabeto “índio” da bancada até ao supostamente bem informado e esclarecido jornalista.

Esta época surgiu outro mito do mesmo género. Ronald Koeman referiu várias vezes que o Benfica ficou afastado do título devido aos pontos perdidos em casa. Hoje mesmo, alguns dos brasileiros do plantel (Moretto, Anderson, Manduca), no aeroporto, antes de partirem de férias, mencionaram o mesmo facto. Resolvi consultar a classificação da Liga Betadine para conferir se esta “verdade” é mesmo verdadeira. Na realidade, o Benfica somou 37 pontos em casa, menos um que o Sporting e menos cinco que o FC Porto. OK, terão razão os profissionais benfiquistas. Mas olhando para as prestações fora de casa concluímos que as diferenças foram ainda maiores. O Benfica fez 30 pontos fora de portas, menos quatro que o Sporting e menos sete que o FC Porto. Ou seja, se por acaso as três equipas tivessem feito os mesmos pontos nos jogos em casa, a classificação final seria sempre a mesma. O que motiva as pessoas a chegarem a determinadas conclusões e a persistirem nelas, mesmo sendo visivelmente falsas? E como se explica que essas conclusões sejam depois assumidas pelos outros, sem que estes se preocupem em verificá-las, o que, na maioria dos casos, até é bastante simples? Mistérios do pé na bola luso.
Jogar em Inglaterra e ter a oportunidade de ser campeão de terras de sua Majestade e, quiça, da Liga dos Campeões é um prémio justo para que um bom guarda-redes português que esteve tapado durante parte da carreira por Baia e Ovchinikov. Claro que terá à sua frente os "gigantes" Petr Cech e Cudicini, mas podemos dizer que saiu a sorte grande ao guarda-redes da escola dos "dragões". Da Choupana para Stamford Bridge, o substituto de Pidgeley entra em fase final de carreira pela porta grande com 18 jogos em 96/97 e 19 em 99/2000 pelo Porto no currículo, ao quais se juntam várias épocas como titular do Varzim, Académica, Estrela da Amadora e Nacional. Uma forma bonita da parte de José Mourinho de compensar um homem que podia ter ido mais longe na sua carreira.
on Tuesday, May 16, 2006
Sugar Ray Robinson (Walker Smith Jr) foi possivelmente o maior pugilista de sempre.
Mesmo Muhammad Ali, afirmou sem hesitar, que apesar de se considerar o melhor peso pesado de sempre, Ray Robinson é sem dúvida o melhor lutador de todos os tempos.
Campeão mundial na categoria de meios médios (5 vezes), deteve igualmente o título de meios médios entre 1946 e 1951.
Em 1952 retirou-se, pela 1ª vez, após sofrer o único KO da carreira, num combate com Joey Maxim para o título de super médios.
O impressionanto registo de 131 vitórias, 3 derrotas, 1 empate e 1 nulo, falava por si.
3 anos volvidos e a lenda voltou conquistando por mais 2 vezes o título de médios.
Finalmente em 1965, Walker Smith Jr pendurou definitivamente as luvas. Para trás ficavam 200 combates, com o saldo de 173 vitórias (108 KO's), 19 derrotas, 6 empates e 2 nulos.

Curiosidade
Um jovem aspirante a pugilista entrou num restaurante em Harlem, propriedade do campeão mundial de pesos médios, Sugar Ray Robinson.
Dirigindo-se ao seu ídolo, pediu-lhe um autógrafo, algo prontamente recusado.
Abatido, o jovem jurou nunca negar um autógrafo caso um dia viesse a ser campeão mundial.
O rapaz era Cassius Clay, mais tarde conhecido por Muahmmad Ali.

Uma Profecia
Em 1947, Robinson defendeu pela primeira vez o título mundial, derrotando por KO ao 8º assalto, Jimmy Doyle.
Antes do combate Sugar Ray sonhou que iria matar Doyle no ringue.
Em pânico, pediu para se suspender o combate.
Um padre falou com o campeão, convencendo-o a combater.
Infelizmente Doyle viria a falecer devido ás lesões sofridas no combate.
A profecia confirmava-se...
on Monday, May 15, 2006
Já sabíamos que o Record é anti-Porto, mas dar prioridade a um jogo amigável em vez de fazer manchete com a Taça de Portugal é algo que só mesmo estes jornalistas pós-modernos conseguem entender. Enfim... o jornal da Cofina é perito em lançar farpas para o rival da Travessa da Queimada mas tenta seguir-lhe as pisadas.
Os energúmenos que invadiram o estádio 25 de Abril voltaram a atacar no Jamor. Lamentável a imagem de um pai que foi obrigado a proteger o seu filho de tenra idade, que chorava enquanto voavam cadeiras sobre a sua cabeça. A organização deixou passar os petardos mais uma vez...
Com Petacchi fora, Robbie McEwen da Davitamon-Lotto parece não ter rival á altura nas chegadas ao sprint. Á 6ª etapa, o ciclista australiano, campeão do mundo de estrada nos mundiais de Madrid, alcançou a 3ª vitória na presente edição do Giro. Na chegada a Fordi, Robbie superiorizou-se com relativa facilidade ao alemão Olaf Pollack da T-Mobile.
A camisola rosa mudou de corpo, com Pollack, fruto das bonificações, a destronar o colega de equipa Serguey Honchar.

O 7º dia consagrou Rik Verbrugghe da Cofidis.
Na sua 3ª participação no Giro, o ciclista belga conseguiu o seu 3º triunfo. Uma etapa por cada participação... não é para todos!
No último km, com rampas de 12% de inclinação, Salvodelli atacou, fazendo perigar a fuga do ciclista belga. O italiano da Discovery Channel foi 2º a escassos 14 segundos do vencedor,ganhando tempo a Ivan Basso que chegou 2 segundos mais tarde.
Na geral, Honchar reconquistou a liderança. Aos 36 anos o russo da T-Mobile é ociclista mais velho a liderar a volta a itália.

Ao 8º dia tivemos finalmente a primeira grande etapa de montanha.
Di Luca prometeu atacar, contudo a CSC foi fantástica, dominando por completo aconcorrência. Com Carlos Sastre a marcar o ritmo os favoritos começaram a ceder.
Honchar e Salvodelli foram os primeiros, a cerca de 8kms para o fim. Di Luca seguia com dificuldades no grupo da frente e acabou por ficar para trás a 4kms da meta. Quando Cunego atacou, a 3 kms do fim, somente Basso conseguiu reagir, ultrapassando inclusive o jovem ciclista da Lampre com enorme facilidade.Na chegada a Passo Lanciano, Basso foi primeiro confirmando o favoritismo. Cunego, chegou com 30 segundos de atraso, superiorizando-se ao sprint a José E. Gutierrez da Phonak.
Simoni, aos 34 anos, continua a ser um grande ciclista! Chegou com pouco mais de1 minuto.
Di Luca conseguiu encontrar o seu ritmo, e acabou por minorar os estragos, ao cortar a linha de meta, com 1 minuto e meio de atraso. Salvodelli e Honchar chegaram a 2 minutos e 20.
Ao 8º dia, definiu-se muita coisa.


A 9º etapa disputada entre Francavilla al Mare e Termoli, teve em Tomas Vaitkus (Ag2r) o vencedor.
O lituano bateu numa chegada apertada, o italiano Paolo Bettini (Quickstep) e Olaf Pollack (T-Mobile).
Robie McEwen da Davitamon Lotto quedou-se pela 4ª posição.
on Sunday, May 14, 2006

E pronto, lá vai mais uma.

É a quinta dobradinha do Porto e a 13º taça do seu historial.

O jogo não teve grande história: o Setúbal demonstrou que foi pouco mais que um acaso ter chegado à final e nunca conseguiu sequer colocar qualquer tipo de dúvida sobre quem levaria a taça para casa, o Quaresma voltou a fazer uma assistência primorosa para golo, o Alain e o Jorginho continuam a demonstrar as inúmeras limitações que possuem – particularmente a nível cerebral, os Super-Dragões continuam a tentar manter a sua reputação por todos os estádios (e estações de serviço) por onde passam, e, no final, o Porto ganhou.

Também podia falar aqui sobre o facto do melhor português a actuar no campeonato nacional 2005-06 nem sequer ser convocado para o mundial, enquanto que outros, como Costinha, que está sem jogar há “n” meses, ou como Ricardo, que atravessou um péssimo momento de forma desportiva e psicológica, têm lugar cativo na selecção aconteça o que acontecer.

Deve ser muito frustrante para um jogador saber que não lhe basta ser o melhor. (aconselho a leitura deste artigo “Quaresma ou o clube de Scolari”)
on Thursday, May 11, 2006
Iniciou-se ,no passado dia 6 de Maio, mais uma edição do Giro de Itália.
O italiano Paolo Salvodelli da Discovery Channel iniciou da melhor maneira a defesa do título ao vencer o prólogo de 6,2 quilómetros, realizado em Seraing, na Bélgica.
Um dia antes de completar 33 anos, Salvodelli, já por 2 vezes vencedor do Giro, impôs-se por 11 segundos ao sprinter australiano da Francaise des Jeux, Bradley McGee.
De entre os favoritos só Serguey Gontchar da T-Mobile esteve ao seu nível, ao ser 5º com 15 segundos de atraso.
Cunego, Di Luca, Basso e Simoni perderam mais de 20 segundos.


A 2ª etapa, realizada em solo belga, ligou Mons e Charleroi, numa extensão de 197 kms.
Etapa propícia para os sprints, com Petacchi a comprometer o trabalho da Team Milram ao ser 4º. O mais forte foi Robbie McEwen, que triunfou com facilidade sobre Olaf Pollack (T-Mobile) e Paolo Bettini (Quick Step-Innergetic).




O 3º dia de prova consagrou o alemão Stefan Schumacher (Gerolsteiner), que venceu a no alto de Namur.
2 segundos mais tarde chegou o espanhol da Discovery Channel, José Luís Rubiera.
O campeão Olímpico Paolo Bettini liderou um grupo do camisola rosa, que chegou 6 segundos atrasado.
Com as bonificações, Schumacher "roubou" a rosa a Salvodelli, tendo a camisola presa por 13 segundos.
O piso escorregadio (a etapa foi realizada debaixo de chuva) terá estado na origem da queda que ditou o abandona de Petacchi. A equipa Milran perde assim o seu líder, já vencedor de 19 etapas no Giro.

Na chegada a Otton (Bélgica), Robbie McEwen foi de novo o mais forte, apesar da forte oposição de Paolo Betinni.
Stefan Schumacher mantinha o símbolo de liderança.


4ª feira cumpriu-se o primeiro dia de descanso.
5ª feira foi o dia do prólogo por equipas, algo até então praticamente exclusivo do Tour de França.
A CSC de Ivan Basso superiorizou-se à T-Mobile por 1 escasso segundo, vencendo este contra relógio realizado entre Piacenza e Cremona (ai que saudades da Cremonese!).
A Discovery Channel de Paolo Salvodelli foi 3ª a 39 segundos.
O ucraniano Gontchar da T-Mobile é o novo líder, tendo 6 segundos de vantagem sobre o alemão Jens Voigt da CSC.
Ivan Basso, o principal favorito à vitória final é agora 5º a 11 segundos do líder.
Salvodelli é 6º, com 20 segundos de atraso para a camisola rosa.

E é tudo, prometemos voltar em breve com mais novidades desta grande prova que é o Giro de Itália.