on Tuesday, March 14, 2006

  1. Como o prometido é devido, começamos hoje uma viagem no tempo pelos 17 mundiais de futebol, desde o Uruguai 1930 ao Coreia/Japão de 2002. A arte do italiano Meazza; os lendários magiares mágicos Puskas, Hidegkuti e Kocsis; o aparecimento do eterno rei Pele e do pantera negra Eusébio; o instinto matador de Kempes; a mão divina de Maradona; a irreverência de Higuita; a abnegação de Zidane; as muletas de Toni Oliveirinha: tudo o que de fascinante o mais importante torneio futebolístico nos trouxe ao longo de mais de 70 anos.

    O chamado “futebol internacional” teve inicio em 1872, como o desafio entre a Escócia e a Inglaterra. As primeiras grandes competições internacionais foram o Campeonato das Nações Britânicas , o campeonato da América do Sul, hoje Copa América, a Taça Mitropa( extinta para dar origem à Taça dos Campeões Europeus) e, posteriormente, o Campeonato do Mundo.

    A grande força impulsionadora do Campeonato do Mundo partiu de Jules Rimet, lendário presidente da FIFA e da federação francesa nos anos 20, que deu o nome à Taça atribuída ao vencedor até ao Mundial de 1970, depois do troféu ter ficado com o Brasil, a título definitivo, devido aos 3 mundiais ganhos. Itália, Holanda, Espanha e Suécia eram fortes candidatas à organização da 1ª edição, mas o facto do Uruguai comemorar em 1930 os 100 anos da sua independência foi decisivo para o evento se realizar na América do Sul. O 1º World Cup ficou marcado pelo surpreendente desinteresse das principais selecções europeias que, devido ao cansaço provocado pelas longas viagens de barco, decidiram não se inscrever( sim, não existia uma fase de qualificação). Porém, França, Jugoslávia, Bélgica e Roménia acabaram por se juntar ao Brasil, Argentina, Paraguai, Peru, Chile, Bolívia, México, E.U.A. e ao anfitrião Uruguai.

    Os 13 inscritos foram divididos em 4 grupos encabeçadas pelo Uruguai, Argentina, Brasil e E.U.A. . A 13 de Julho foi realizado o primeiro jogo, entre França e México. Devido à lesão do guarda-redes francês, logo nos primeiros minutos, o médio Chantrel ocupou a baliza, reduzindo a selecção a 10( não haveria lugar a substituições nos 40 anos seguintes). Ainda assim, os gauleses venceram por 4-1! Maschinot bisou, Laurent(não o Robert) e Langiller fizeram os outros dois tentos, enquanto Carreno reduziu para o 1º derrotado de sempre num Campeonato do Mundo. A França acabaria por ser eliminada na 1ª fase pela Argentina, tendo o árbitro acabado o jogo 6 minutos mais cedo, quando os gauleses se preparavam para empatar. No 1º grupo, a Argentina ficou qualificada para as meias-finais(só 1 por grupo segui em frente) e Jugoslávia( que venceu o Brasil), Uruguai e E.U.A. igualaram a façanha em cada um dos seus agrupamentos.

    Nas semi-finais, os E.U.A. não conseguiram surpreender os argentinos com o seu futebol matreiro, baseado no contra-ataque, e saíram vergados por esclarecedores 6-1. O Uruguai bateu a Jugoslávia pela mesma margem, repetindo o feito dos Jogos Olímpicos de 1928.
    Na final, no (então) novíssimo estádio Centenário, construído de propósito para o evento, em Montevideu, Pablo Dorado marcou primeiro num escaldante duelo sul-americano, mas a Argentina iria responder por intermédio de Peucello e do lendário Stábile(na foto), o primeiro “artlheiro”da prova. Reza a história que o 2º golo foi obtido em posição irregular. Pedro Cea empatou antes do intervalo e o extremo-esquerdo Santos Iriarte deixou a multidão uruguaia em delírio ao deixar a sua selecção em vantagem. Castro marcou o 4º e o placard da 1ª final de um Campeonato Mundial registou um 4-2 para a selecção anfitriã.
    É por isto que Recoba reclama que a sua selecção deveria estar este ano na Alemanha por “direito divino”, mas parece que o futebol não evoluiu muito naquelas bandas, desde há 70 anos para cá…




Uruguai:
Ballesteros, Nasazzi, Mascheroni, Andrade, Fernandez, Gestido, Dorado, Scarone, Castro, Cea, Iriarte.

Argentina:
Botasso, Della Torre, Paternoster, J.Evaristo, Monti, Suarez, Peucelle, Varallo, Stabile, Ferreira, M.Evaristo.

Árbitro: Jean Langenus (Bélgica)
93 mil espectadores
Marcadores: Dorado(12);Peucelle(20); Stábile(37);Cea(57);Iriarte(68);Castro(90)

on Monday, March 13, 2006

"A Antena 1 referiu esta tarde que José Peseiro pode estar a caminho do Marítimo, tornando-se assim o sucessor do brasileiro Paulo Bonamigo, que ontem rescindiu com o emblema insular.De acordo com a Antena 1, o ex-técnico do Sporting reúne as preferências do presidente Carlos Pereira, ganhando na concorrência a Carlos Carvalhal, Jaime Pacheco e Jair Picerni." in Record

Um treinador com pulso fraco num balneário problemático: parece estar encontrado o caminho para a Liga de Honra. O Marítimo precisava de alguém capaz de estabilizar a equipa, transmitindo calma aos jogadores e retirando a atenção do plantel em relação à contestação por parte dos sócios perante a direcção. Penso não se tratar de uma opção sensata...mas por outro lado compreendo. O campino deu 6 pontos aos insulares na época passada, é natural que dele guardem boas recordações.
on Sunday, March 12, 2006

Reparei que o Nacional nunca mais deu uma para a caixa depois de descobrir que o seu grande rival afinal é o Sporting. Será que sofrem de stress pós-traumático pelo ambiente hostil que viveram em Alvalade?
on Thursday, March 9, 2006
Um dos grandes motivos de interesse da Liga portuguesa desta época tem sido o confronto entre dois treinadores holandeses, no comando dos dois principais candidatos ao título. Ao FC Porto chegou Co Adriaanse, que, com quase 60 anos e com trabalho realizado no Ajax, ainda não conquistou qualquer título na sua carreira. Os “highlights” do seu currículo são os bons trabalhos realizados em clubes de menor dimensão, como o Willem II e o AZ Alkmaar. Para o Benfica veio Ronald Koeman, mais jovem e com uma brilhante carreira enquanto jogador. Como técnico, o ex-central do Barcelona, mesmo com menos tempo de experiência, pode gabar-se de já ter ganho alguns troféus, ao serviço do Ajax. No entanto, segundo me foi revelado há poucos meses por um adepto do clube de Amesterdão, nem um nem outro são considerados na Holanda como treinadores de topo. Não obstante, conhecendo a intrínseca espectacularidade associada ao futebol holandês, a vinda para Portugal destes dois treinadores despertou muita expectativa. E que balanço se pode fazer das suas obras até agora, decorridos cerca de ¾ da temporada?

Desde logo, Co Adriaanse começou por entusiasmar os adeptos do FC Porto (e não só), ao montar uma equipa virada para o ataque e para o espectáculo. O 4x3x3 foi a sua primeira táctica de eleição. Na pré-temporada e nos primeiros jogos oficiais tudo parecia correr sobre rodas e, até pelos deslizes dos rivais, tudo apontava para uma vitória fácil dos dragões na Liga Betadine. Mas tudo se complicou com o aparecimento dos primeiros jogos difíceis. Na Liga dos Campeões, por exemplo. O FC Porto começou por defrontar Glasgow Rangers fora e Artmedia Bratislava em casa, os dois rivais mais fracos do grupo. Em ambos os jogos os azuis-e-brancos realizaram exibições de aparente boa qualidade, em ambos perderam por 2-3. Derrotas à moda de Peseiro, diria eu. Curiosamente, no único jogo em que o FC Porto apresentou um esquema mais conservador, venceu o Inter, por 2-0. Mas os maus resultados nos jogos grandes continuavam, até na Liga: derrota por 0-2 com o Benfica e empate 1-1 com o Sporting, ambos no Dragão.

Depois da “pausa de Inverno” e consumada a eliminação das provas europeias, Adriaanse mudou o esquema de jogo. Começou a aplicar um (este sim, tipicamente holandês) 3x3x4. Apesar do espírito ofensivo patente, nas primeiras sete jornadas da segunda volta, apenas num jogo (no Restelo), os dragões conseguiram marcar mais que um golo. No entanto, ao contrário do que seria de esperar, a defesa azul-e-branca, normalmente comandada por Pepe, tem dado conta do recado e dado poucas abébias às equipas rivais. Em termos gerais, o esquema ainda não pode ser considerado um estrondoso sucesso, visto que nos jogos mais difíceis, com Sp. Braga em casa e Benfica fora, o dragão apenas conseguiu um ponto. Na jornada passada, pela primeira vez, o FC Porto conseguiu uma vitória convincente, um 3-0 perante um Nacional estranhamente disposto a jogar o jogo pelo jogo, depois da atitude que apresentou na Luz (duas vezes) e em Alvalade.

Ronald Koeman, por seu lado, não conseguiu entusiasmar os adeptos logo à partida. Aliás, continua sem o fazer hoje. O treinador com o castelhano mais correcto da nossa Liga tentou, nas primeiras jornadas, impor um 3x4x3 típico dos Países Baixos, mas os resultados (derrotas com Gil Vicente e Sporting) fizeram-no recuar. Koeman regressou, então, ao mais prosaico 4x2x3x1, que já fizera escola com Camacho e Trapattoni. Mesmo assim, o holandês não convenceu os adeptos encarnados, que o iam acusando de “inventar” na escolha de equipa, colocando jogadores fora das suas posições e insistindo noutros (leia-se Beto) que poucos sentimentos positivos despertam no público da Luz. A irregularidade tem sido uma constante no Benfica desta época. Na Liga dos Campeões, por exemplo, depois de ganhar o primeiro jogo, ao Lille, em período de descontos, os encarnados não venceram nenhum dos quatro jogos seguintes. Na última jornada, em casa, frente ao Manchester United, só a vitória dava o apuramento e ela foi conseguida, por 2-1. O Benfica somou oito pontos, que, ao contrário do que acontece normalmente, desta vez chegaram para o apuramento.

A vitória sobre o United deu início ao melhor período do Benfica na temporada, com nove vitórias consecutivas (sete para a Liga, uma para a Taça e outra para a Champions), algumas delas com muito sofrimento e nem sempre acompanhadas por bom futebol. Quando tudo parecia correr bem, veio o Sporting. O Benfica tinha toda a motivação para vencer, não só para poder aproximar-se do FC Porto como para afastar o Sporting de vez da luta pelo título. Em vez disso, derrota por 1-3 e subjugação total ao adversário. Seguiram-se derrotas em Leiria e Guimarães. Quando o céu parecia ir cair sobre as cabeças benfiquistas, vieram o Liverpool e o FC Porto. E três vitórias encarnadas, duas garantindo o acesso aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e outra a continuação na disputa pelo título da Liga.

Analisando a carreira do Benfica, é fácil encontrar um padrão. A equipa de Ronald Koeman sente-se particularmente confortável nos jogos em que não tem de assumir o comando das operações. Se tiver de dar o domínio ao adversário, fantástico, se tiver de jogar taco-a-taco, tudo bem na mesma. Foi assim que o Benfica venceu o Manchester United, empatou em Villarreal, venceu o FC Porto e o Liverpool por duas vezes. Curiosamente, nem se pode dizer que os encarnados estão talhados para o contra-ataque, visto que nem sequer incomodam assim tanto as defesas adversárias. Ontem em Liverpool, por exemplo, apenas por três vezes o Benfica chegou com perigo à área contrária. Na primeira atirou a bola à trave, nas duas seguintes marcou. A eficácia foi quase perfeita. A nível defensivo a equipa está bem, mas não perfeita. O Liverpool, só na primeira parte, teve cinco oportunidades flagrantes, com duas bolas no poste e três falhanços isolados, de Carragher, Luís Garcia e Crouch. Na Liga, a equipa de Koeman está mais ou menos ao nível da de Trapattoni. A manter-se a média actual, o Benfica terminará a prova com 66 pontos, mais um que na época passada. Mas a nível europeu, a prestação encarnada melhorou, até agora. Pelo menos, derrotas claras como aquelas que aconteceram com Anderlecht, Estugarda e CSKA Moscovo parecem fora de contexto, hoje em dia.

Conclusão: o FC Porto, de Co Adriaanse, com uma filosofia de jogo tipicamente holandesa, tem chegado e sobrado (até ver) para ter sucesso na Liga Betadine, mas nos palcos europeus não teve a mínima hipótese; o Benfica, de Ronald Koeman, com um estilo e uma mentalidade de jogo decalcados do italiano (apesar de Koeman não ter tido qualquer experiência em Itália, como jogador ou treinador), tem sentido grandes dificuldades para se manter com ambições na Liga, mas tem progredido paulatinamente na Liga Milionária. Mais uns dois meses e veremos quem leva a melhor, o holandês holandês ou o holandês italiano. Por mim, espero que seja o português espanhol, esse mesmo, Pablo Biento.
on Wednesday, March 8, 2006

O Benfica está nos quartos-de-final da Champions. Ao contrário do que muitos pensavam, incluindo eu, os encarnados conseguiram suster a pressão , graças à consistência defensiva, beliscada poucas vezes por tabelas entre Luis Garcia, Morientes e Crouch( que é muito alto mas de talento tem pouco) e por uma quota parte de sorte, sempre necessária nestes jogos. O Liverpool atirou 2 bolas aos ferros da baliza de Moretto( bom jogo), mas o Benfica também assustou Reina graças a um remate de primeira de Geovanni. Carragher ainda desperdiçou uma oportunidade flagrante, com a baliza deserta, atirando á malha lateral.
A 2ª parte foi uma miséria por parte dos ingleses. Muito jogo a meio-campo e perigo nulo na área benfiquista, que só foi perturbada por um pontapé( fortíssimo) de Beto, que ia marcando na baliza errada( os Betos têm tendência para isso). Depois do soberbo pontapé de Simãozinho, Miccoli confirmou a vitória ao cair do pano, com um excelente pormenor aquando da finalização, fuzilando Reina com um remate acrobático. O Benfica está de parabéns pela competência com que encarou o Liverpool, mostrando aos bifes que não eram favas contadas e que as equipas portuguesas não são "poor", como dizia o tablóide The Sun Há duas semanas. Está de parabéns o Benfica, resta esperar pelo sorteio. Hello (Benfica), Goodbye (Liverpool), como diriam Paul McCartney, John Lennon, Ringo Star e George Harrison.

"Dois exemplos que mostram à saciedade como a rutilância da arbitragem apregoada e defendida no areópago do futebol europeu e mundial, em conjugação com o sucedido a nível nacional, não passa de um mero equilíbrio geopolítico na composição dos órgãos gerentes."

Jorge Coroado, na sua crónica em "O Jogo"

Um pires de caracóis e uma grade de cerveja para quem descodificar isto. Quem lhe tirar a azia leva ainda um prato de pica-pau.
on Tuesday, March 7, 2006
Lembram-se do "Rumble in the Jungle"?
20 anos depois, George Foreman (45 anos) enfrentou Michael Moorer (28 anos) para o título mundial de pesos pesados.
Moorer, que havia vencido o título após derrotar aos pontos o lendário EvanderHollyfield, começou o combate ao ataque massacrando o seu adversário com combinações fortíssimas.
A capacidade defensiva e o poder de encaixe de George Foreman mantiveram-no"vivo" no combate, contudo o candidato apresentava dificuldades para entrar naguarda do campeão.
No 10º round um golpe quase saído do nada derruba Michael Moorer, perante uma multidão boquiaberta.
"The Big" George Foreman tornava-se, 20 anos depois de perder o título, no mais velho campeão mundial de sempre.
http://www.youtube.com/watch?v=tc8pEoZCPvY
O momento foi belíssimo!