on Monday, January 30, 2006
A temporada 2005/06 está a ser muitíssimo curiosa. Estamos apenas sensivelmente a meio da época e chegamos à conclusão de que os campeões daqueles que são os campeonatos mais competitivos da Europa já estão encontrados, a não ser que aconteça algum cataclismo. Será que começa a ser tempo de se pensar a sério numa Superliga Europeia?

O ranking da UEFA é, penso que é pacífico admitir, o grande medidor da qualidade dos vários campeonatos europeus. E esse ranking diz que Espanha, Itália, Inglaterra, França e Alemanha possuem, por esta ordem, as ligas mais fortes do Velho Continente. Mas será que uma liga pode ser forte e interessante quando no final da primeira volta o campeão já está praticamente encontrado? Senão vejamos:

Espanha: Ao fim de 21 jornadas (17 por disputar), o Barcelona lidera a classificação com 52 pontos, mais 12 que o Valência e mais 13 que o Real Madrid.

Itália: Com 22 rondas realizadas (a 16 do fim, portanto), a Juventus já soma 59 pontos, oito a mais que o Inter e 12 a mais que o AC Milan.

Inglaterra: À 23ª jornada (15 para o final), o Chelsea tem 62 pontos, mais 14 que o Manchester United e mais 18 que o Liverpool. Os “reds” têm dois jogos em atraso, mas mesmo que ganhem, ainda ficam a 12 pontos dos “blues”.

França: Disputadas 24 jornadas (restam 14 para disputar), o Lyon, mesmo com um jogo em atraso, já tem 54 pontos, nove de avanço sobre Bordéus e 12 sobre o Auxerre.

Alemanha: Realizadas 18 jornadas (faltam 16), o Bayern Munique leva 47 pontos somados, mais oito que o Werder Bremen e mais nove que o Hamburgo.

O mais curioso é que todos estes líderes são os actuais campeões dos respectivos países. Ou seja, estes campeonatos parecem estar a tornar-se marchas solitárias rumo ao título, ficando a emoção para as restantes lutas: Liga dos Campeões, Taça UEFA, Taça Intertoto e manutenção. A juntar a isto, tenho um certo “feeling” de que o actual modelo da Liga dos Campeões ainda não é a fórmula ideal para a UEFA. Ou alguém acredita que o organismo que rege o futebol europeu tenha ficado encantado com uma final FC Porto-Mónaco? Como é sabido, a UEFA tem feito tudo para que a liga milionária seja um grande despique entre os grandes tubarões da Europa. E o modelo actual ainda não garante isso.

Para mim, como adepto de futebol, a Superliga europeia seria uma opção extremamente interessante. Quem não gostaria de ter todas as semanas um Real Madrid-Juventus, um Manchester United-Barcelona, um Bayern-Inter, um Milan-Chelsea, etc? O problema é que esta competição seria o fim dos campeonatos nacionais tal como os conhecemos. Mas seria também a evolução natural do futebol.

Recordo que o futebol, pelo menos em Portugal, começou por ter como provas mais importantes os campeonatos regionais, no início do século XX. Mais tarde, em meados dos anos 30, surgiu o campeonato nacional (primeiro conhecido por I Liga). Para essa prova apuravam-se os melhores classificados de cada regional, todos os anos, isto é, não havia subidas nem descidas de divisão. As equipas classificadas a seguir iam para a II Divisão e assim sucessivamente. Só em 1946/47 é que o sistema foi alterado e passou a haver subidas e descidas. Os campeonatos regionais passaram então a albergar equipas sem lugar nos nacionais. Mais tarde surgiram as provas europeias, para as quais o apuramento era feito a partir das classificações nos campeonatos nacionais e nas taças. Mais tarde a UEFA alterou o modo de funcionamento dessas provas, extinguindo a Taça das Taças e abrindo a Liga dos Campeões a várias equipas do mesmo país.

Penso, sinceramente, que o caminho a seguir é transformar as provas europeias em verdadeiros campeonatos, com pelo menos três escalões. Haveria uma I Liga, com, por exemplo, entre 16 e 20 equipas, jogando todas contra todas a duas voltas. Haveria uma II Liga, dividida em duas séries, também com 16 a 20 equipas. As séries poderiam ser Norte (com Inglaterra, Alemanha, França, Holanda e outros) e Sul (com Espanha, Itália, Portugal, Grécia, Turquia e outros). No final subiam duas equipas de cada série e desciam quatro da I Liga. A III Liga teria quatro séries, igualmente de 16 a 20 equipas, divididas igualmente de forma geográfica, mas de maneira a assegurar competitividade idêntica. Subiriam igualmente duas equipas de cada série, descendo quatro de cada uma da II Liga. Os últimos classificados da III Liga seriam despromovidos aos campeonatos nacionais (que passavam a funcionar como os actuais regionais) e dos nacionais subiria o campeão à III Liga europeia.

Pensando em Portugal (mas também se aplica a outros países), existem obviamente alguns problemas que se colocam:

Primeiro: Duvido que alguma equipa portuguesa pudesse actualmente jogar numa I Liga europeia. Penso que os três grandes andariam pela II Liga. No entanto, como adepto, confesso que preferia todas as semanas ver o Sporting defrontar o Atlético de Madrid, o Sevilha, o Espanyol, a Fiorentina, a Roma, a Lazio, o Olympiakos, etc, do que o Penafiel, o Rio Ave, o Estrela da Amadora e por aí fora. É certo que numa competição europeia haveria muito mais despesas em transportes, mas as receitas seriam igualmente muito maiores, tanto as de televisão como as de bilheteira.

Segundo: Sem os tradicionais grandes, os campeonatos nacionais poderiam perder muito interesse. Não penso tanto assim. Sem grandes, penso que seria uma boa ocasião para as pessoas apoiarem os clubes das suas terras, o Vitória de Setúbal, o Vitória de Guimarães, o Beira-Mar, etc, podendo ainda apoiar um dos grandes na Liga europeia. Haveria, estou certo, grande competitividade na luta pelo título, que daria acesso ao futebol europeu. Se calhar teríamos mais gente nos estádios do que hoje.

Em resumo, penso que este será o caminho correcto a seguir para se transformar o futebol num espectáculo desportivo ainda maior, ao nível das grandes competições desportivas dos EUA (NFL, NBA, NHL e MLB), que movimentam milhões, tanto em termos de dinheiro, como de espectadores e telespectadores.

PS - Sabiam que pelo esquema antigo, de apuramento para os nacionais através dos regionais, o FC Porto deveria ter ficado de fora da I Divisão em duas ocasiões? O distrital do Porto apurava os dois primeiros para o nacional e em 1939/40 e 1941/42 o FC Porto foi apenas 3º classificado. Mas dois oportunos alargamentos, primeiro de oito para 10 equipas e depois de oito para 12 resolveram o problema e lá puderam os dragões competir, somando tantas presenças no primeiro escalão como Benfica e Sporting.
on Sunday, January 29, 2006
Como não poderia deixar de ser, hoje faz-se o rescaldo do Derby que gelou o suposto "Inferno" da Luz.

O jogo começou com as duas equipas a estudarem-se mutuamente e os primeiros 10, 15 minutos revelaram um relativo equilíbrio. Logo no primeiro minuto, uma má decisão do auxiliar ao assinalar falta, afirmando que Ricardo havia saído da área com a bola nas mãos. Um erro crasso, visto que a bola não chega a sair da área e existe falta de Geovanni, pois este empurrou Ricardo para obter o livre. Uma má decisão, que não afecta, porém, o excelente trabalho do Major Pedro Henriques.
A partir daí foi só Sporting... Ocasiões de golo, boas jogadas, domínio a meio-campo. Um espectáculo digno de se ver! Contudo, o Benfica chega à vantagem através de uma grande penalidade, marcada por Simão, castigando a mão na bola de Custódio. Um resultado, de todo, injusto para o clube de Alvalade, que dominava o jogo. A primeira parte continuou com o o Sporting a criar mais perigo e Moretto foi obrigado a fazer uma excelente defesa a remate de Sá Pinto, já dentro da área. Um cabeceamento desastroso de Deivid e um potente remate de Carlos Martins que embateu no poste foram as principais incidências, depois do golo dos encarnados.

O segunda tempo começou com os mesmos onze que haviam começado o jogo, o que revelava que Koeman estava satisfeito com o resultado e Bento com a exibição. Os primeiros minutos foram, tal como na primeira parte, marcados por um certo equilíbrio entre as equipas, mas o Sporting mantinha sempre maior posse de bola e dominava o jogo. Aos 65 minutos a justiça no marcador é reposta, com uma grande penalidade convertida por Sá Pinto, depois de Beto ter pontapeado Liedson, naquela zona que nós, homens, sabemos bem o quanto dói! O Sporting reagiu bem ao golo, ao contrário do Benfica e continuou a causar embaraços ao clube da Luz. O segundo golo é obtido através de Liedson, que recebe a bola no lado esquerdo, ganha a Luisão no um-para-um e remata forte para as redes de Moretto. Sporting ganha vantagem em pleno estádio da Luz. O Benfica não conseguia superar um Sporting que se revelava quase imbatível e, aos 83 minutos, Liedson recebe a bola isolado, depois de uma assistência fantástica de Sá Pinto, ultrapassa Moretto com um toque de classe e envia a bola para dentro da baliza encarnada!

O resultado foi mais que justo, tendo em conta as inúmeras oportunidades de golo da parte do Sporting. Koeman admitiu ter jogado mal e revelou uma visão um pouco pessimista quanto às hipóteses de revalidar o título. Paulo Bento ressalvou a atitude dos seus jogadores e reafirmou a justiça do resultado.

A justiça do resultado é incontestável. A atitude e garra dos jogadores durante o encontro foi fenomenal, mesmo quando se viam em desvantagem na casa de um grande rival. É uma equipa jovem e que pode evoluir muito. É de louvar o trabalho de Paulo Bento com estes jovens talentos. O Projecto que está a ser desenvolvido é bom, mas não nos esqueçamos que o Sporting vive um período difícil e que esta época é uma época de transição, como já disse. Porém, não impede os jogadores de lutar pelos seus objectivos e, na Luz, revelaram que têm qualidade para ir mais além! No fim da época, marcada pelo Centenário do clube, será tempo de reflexão e de discussão do Mundo Sporting... Espero que o Sporting melhore este seu Projecto, que tem qualidade, mas como tudo, tem de ser trabalhado. Os adeptos são incansáveis, enchem estádios e pavilhões! Os adeptos têm um sonho... Deixem-nos sonhar! O Sporting é mais que um clube para muita gente: É um ideal!

Devo dizer, também, que nunca fui grande admirador de Ricardo Sá Pinto, antes pelo contrário, ele sempre mereceu, da minha parte, muitas críticas. De facto, para mim, Sá Pinto não passa de um jogador de médio, ou mesmo fraco nível... É violento, não imprime velocidade ao jogo e a técnica deixa algo a desejar. Contudo, tenho de admitir que Sá, hoje em dia, é um factor de união do grupo e é um importante elemento para a integração dos jovens jogadores e das novas contratações. Parece que, de uma vez por todas, Sá Pinto começa a retribuir o que o Sporting lhe proporcionou. Com a saída de Pedro Barbosa, Rui Jorge e Beto, os jogadores mais jovens perderam grandes referências e Sá, nestas circunstâncias, assume-se como principal modelo e líder de balneário. A confiança depositada por Paulo Bento em Sá, é também, indicador dessa situação. A Juve Leo continua a idolatrar Sá Pinto, esperemos que ele demonstre porquê!

A vitória do Sporting na Luz pode ser um marco importante e um ponto de viragem nos resultados e na entrega dos jogadores... Ainda é possível chegar ao título? A resposta cabe aos jogadores responder!

on Friday, January 27, 2006
"É impressão minha ou o Sporting está a recuar em demasiada?"
"É verdade, os jogadores já sabem que o Futebol Clube do Porto venceu o seu jogo... logo empatar ou ganhar é a mesma coisa... não deveria ser assim, mas é futebol."
"7 minutos para jogar, livre para o Benfica, Petit para bater... Ricardo saiiii... e é golo do Benfica! Já está!"

Foi assim que Luisão carimbou a vitória dos encarnados frente a um Sporting pouco ambicioso que se apresentou na Luz sobretudo para não perder.
As portas do título abriam-se à turma de Trap. Faltava 1 semana para o título, que já fugia há 11 anos, ser uma realidade. E assim foi!

Para concluir este post cheio de facciosismo, onde o meu benfiquismo é demonstrado sem pejo, deixo-vos um site fantástico. Vejam porque vale a pena.

http://daemlich.net/10167

Realce para o gajo que tenta o marcar o PK como o Panenka. Divinal!

on Thursday, January 26, 2006

Como grande portista que sou,devo dizer que ando um bocado decepcionado com o meu clube.Aliás,não com o clube,mas com certas "instituições"dentro do clube.Que razões tenho eu para isso?Análise.
Talvez começa na pré epoca,dispensas,saidas etc.Entre tantos mercenarios que vieram parar ao FCP(contando c a epoca passada),o FCP nao reforça o que mais precisa.Defesa.
Novela Kromkamp - Tanta insistencia em Kromkamp,falava-se em valores a volta de 8 milhoes +/-,exagerado,quando dentro das fronteiras,temos bons defesas direitos.Ainda tive esperança que tivessem aberto os olhos,e contratassem Nelson,n altura no Boavista.
Com o mercado prestes a fechar,contratação "à pressão",o valoroso Fatih Sonkaya.Nao vale a pena dizer mais.Reforço de pressão,sem qualquer valor para jogar acima duma 2ª divisão B.Depressa passou a proscrito do Dragão.O grande Jorge Costa.A personificação do Dragão.O que se fez com ele,não se faz com ninguem.a "encarnação" do cavaleiro do imaginario medieval,caçador de dragoes,um dos ultimos da sua geração,sem ele,a chama da mistica portista desapareceu mais um bocado.Proscrito de Adriaanse,mas com qualidade para jogar no FCP pelo menos mais 1 temporada.Depressa saiu para o Standard Liege.
Obrigado por tudo meu Capitão,e um espero eu,até breve!Com o mercado reaberto,o FCP,que faz?Em vez d reforçar o sector mais fraco da equipa,compra mais 1 médio de quem nunca se ouviu falar,sinceramente,alguem ouviu falar do Anderson,antes de se comentar o interesse portista nele?Os jornais tambem sao bons a fazer especulação.Tambem se fala do D~uda,do Malaga.Por favor senhores.Ja temos medios,por sinal BONS,que chegue.Analisemos a equipa portista.se Pepe ou Pedro Emanuel se lesionam,o FCP só tem Ricardo Costa como alternativa,nao sendo tambem,uma alternativa muito consistente.Nao tem defesas de raiz,tirando Sonkaya,proscrito à equipa B,e Marek Cech.Joga com adaptações a laterais,Ricardo Costa,Bosingwa ou Peixoto,nao sendo nenhum deles alternativas consistentes.É preciso urgentemente 1 defesa direito e 1 defesa central de créditos firmados.
A aposta de Pinto da Costa,Co Adriaanse,ainda está para se revelar,se foi ou não uma aposta acertada.Para já,mesmo o FCP,mesmo ganhando o campeonato,nao apaga a imagem da sombra que foi na LIga Dos Campeões.Prestação horrivel,nada digna para um clube com os seus pregaminhos.Adriaanse inventa,inventa,e nao tem resultados nenhums.Após uma serie de jogos em que a equipa parecia ir pelo caminho certo,eis que uma derrota na Amadora surge no caminho.Adriaanse,como um general imperial chinês,desata a desmobilizar a tropa e a inventar tacticas novas,so que ao contrario do general os resultados sao nulos.Segundo os jornais(estou para ver se realmente é verdade),em pleno Santuario,contra a Naval,ata a equipa num imaginario 3x3x4,deixando o defesa mais consistente no banco,e o medio mais demolidor e criativo.Nenhuma equipa de topo europeia joga assim,senhor Adriaanse!!
Vitor Baía,o ultimo descendente,de 1 império ja a ruir.O jogador com mais titulos no mundo.Tudo bem,o senhor peru que deu na Amadora foi demais,mas a Baía desculpa-se.Não é por causa disso que se tira 1 homem do jogo.Que se renega um jogador,um homem da qualidade de Vitor Baía.Será que Co Adriaanse,quer dar 1 demonstração do seu poder,tendo relegado J.Costa,e agora,conseguiu a desculpa que queria,para por Baia no banco?
E as polemicas...Pinto da Costa,Veiga,etc etc etc.Por favor,respeitem os adeptos.Nós queremos é futebol.Deixem os jogadores serem os protagonistas.O resto nao interessa.Ou o senhor Pinto da Costa esta a suar,por ter o SLb a 3 pontos?Por favor Presidente!Temos equipa para ganhar este campeonato,a Taça,e fazer 1brilharete para o proximo ano!Não é preciso manobras de bastidor!

Razoes Principais: Perda de Mistica que tomou de assalto o FCP 2: O entreposto comercial de jogadores em que se tornou o FCP.(Ver Epoca Passada.Pitbulls,Sandros,Rossatos etc)
3: Fico triste,porque teoricamente vejo o FCp com bons jogadores novos,sim Pepe,Quaresma,Diego,Lucho,Lisandro,Marek,Anderson talvez,entre outros,e a não aproveitar todo este talento a solta.
Será que o senhor Pinto da Costa,nest fase da sua vida,estará como Nero em Roma?A criação de toda a sua vida,quererá destrui-la,ateando fogos por onde passa?Criei Roma,destruirei Roma?
Roma está a arder...dentro dos seus portões.
(este post é estritamente uma visão pessoal MINHA sobre a realidade do FCP.Pode nao haver concordâncias)
on Tuesday, January 24, 2006
Tenho lido e ouvido nos últimos tempos muitas críticas de sportinguistas em relação à escolha, primeiro, e à sua prestação no cargo, depois, de Paulo Bento para treinador principal do Sporting. O maior argumento utilizado nessas críticas é o da falta de experiência. Paulo Bento não é, obviamente, uma velha raposa do futebol, pelo menos enquanto treinador, mas, na minha opinião, não só não merece as críticas, como merece a oportunidade para mostrar o que vale. E isso só poderá acontecer se se mantiver no cargo na próxima época, o que espero que aconteça.

Paulo Bento, para já, tem um currículo impressionante como treinador. Uma época, uma prova disputada, um título. Cem por cento de eficácia. Claro que foi apenas um título nacional de juniores, mas não deixa de ser um bom começo. E o Sporting, apesar de ter claramente a melhor escola portuguesa de jogadores, tem menos títulos nas camadas jovens que Benfica e FC Porto. Como treinador principal, Paulo Bento não pode fazer mais do que tentar salvar o que for possível, isto é, tentar ficar entre o 3º e o 5º lugares, conseguindo o apuramento para uma prova europeia, e começar a preparar a próxima época.

Para já, posso dizer que estou satisfeito com o trabalho de Paulo Bento à frente da equipa principal do Sporting. Tanto em termos estatísticos, como de atitude. Fiz uma pequena e rápida pesquisa estatística, para comprovar que o ex-trinco internacional português, em termos de resultados, não se tem saído assim tão mal quanto isso. Para tal comparei o seu rendimento com o de José Peseiro no Sporting e com o de José Mourinho no Benfica e no FC Porto, quando teve pegar nas equipas com a temporada em andamento.

José Peseiro, na época passada, somou 61 pontos em 34 jogos, o que dá uma média de 1,79 pontos por jogo. No período em que dirigiu a equipa nesta temporada, o campino ainda fez pior: 12 pontos em 7 jogos, média de 1,71 por jogo. Paulo Bento, para já, somou 22 pontos em 12 jogos, o que dá uma média de 1,83 pontos por encontro. Em todo o caso, melhor do que Peseiro. Em termos classificativos, Paulo Bento encontrou o Sporting em 7º lugar e colocou-o, para já, em 5º, apesar de a diferença para o líder ter aumentado entretanto de 5 para 9 pontos. Convém não esquecer que, neste período, os leões jogaram no Bessa, no Dragão e em Braga, tendo perdido apenas um desses jogos. As nódoas foram mesmo a derrota com o Estrela e o empate com o Marítimo.

Em 2000/01 José Mourinho chegou ao Benfica à 5ª jornada, substituindo Jupp Heynckes. Orientou a equipa em 9 jogos da I Liga, somando 17 pontos, média de 1,88 pontos por jogo. Apenas mais 0,05 que Paulo Bento, actualmente. O Special One chegou à Luz com o Benfica em 7º lugar e deixou-a com a equipa em 6º, mas a distância pontual para o líder aumentou entretanto de 5 para 7 pontos. Além disso, também foi sob a orientação de Mourinho que o Benfica foi eliminado da Taça UEFA. Ainda com Heynckes, a equipa encarnada tinha perdido por 1-2 fora com o Halmstads, mas a eliminação consumou-se já com o actual treinador do Chelsea no banco, após um empate 2-2 na Luz. Nas Antas, Mourinho entrou à 20ª jornada de 2001/02, substituindo Octávio Machado. Somou 35 pontos em 15 jogos, uma média bastante razoável de 2,33 pontos por jogo. Conseguiu levar a equipa do 5º ao 3º lugar, mas a diferença pontual para o líder e depois campeão Sporting nunca foi encurtada: 7 pontos à chegada, 7 pontos no final da prova. Pelo meio ficaram alguns deslizes, como a derrota caseira com o Beira Mar e o empate com o Alverca, a juntar à derrota no Restelo por 0-3.

Pelos números, e parafraseando o nada saudoso ex-treinador do Sporting, Paulo Bento ainda merece ter crédito junto dos sportinguistas. Para além disso, Bento ainda pode queixar-se de ter herdado um dos piores plantéis leoninos dos últimos anos. Hugo Viana, Rochemback, Enakarhire, Rui Jorge e Pedro Barbosa, indiscutíveis na época passada, deixaram o clube, por diferentes razões. Já com o actual treinador, o Sporting sofreu mais duas baixas, Rogério e Beto, que saíram de Alvalade por vontade própria. Ao todo, são sete titulares, ou no mínimo, jogadores bastante utilizados. É certo que Paulo Bento abdicou de outros jogadores, como Wender, Paíto, Edson, Pinilla, Silva e Varela, que, ao todo, somaram 586 minutos no relvado para a Liga, esta época. Ou seja, nenhum destes jogadores se conseguiu impor no Sporting, com ou antes de Paulo Bento.

Em comparação com, por exemplo, José Peseiro, o actual técnico tem, pelo menos, duas vantagens. Por um lado, na imposição da disciplina, coisa que, como é sabido, não existiu em Alvalade durante os 16 meses de reinado do coruchense. Não me parece que um jogador que mande Paulo Bento “tomar” num certo sítio tenha muita sorte. Não sei se o afastamento de Beto do onze terá a ver com disciplina, mas concordei com ele. Beto, alegadamente grande sportinguista, não tardou a querer fugir assim que perdeu o seu lugar cativo na equipa. Se calhar foi esse lugar cativo que o levou a estagnar enquanto jogador, há alguns anos. Pensando bem, as únicas épocas decentes que Beto fez no Sporting foi com parceiros experientes ao lado, nomeadamente Marco Aurélio e André Cruz. Quando foi ele a ter de comandar a defesa, as coisas raramente correram bem. Eu ainda penso que Beto é melhor que Polga, mas não fico chocado com a sua saída. A única situação que não compreendo e na qual não apoio Paulo Bento é na sua insistência em Sá Pinto. O agora capitão tem um rendimento fraquíssimo e até perigoso para a equipa, como se viu nos dois últimos jogos. É um mistério que gostava de ver esclarecido. A outra vantagem de Paulo Bento é a forma como fala na Comunicação Social. Ao contrário de Peseiro, que aparecia inchado quando ganhava e se engasgava quando perdia, Bento mantém sempre a mesma atitude confiante e só responde ao que lhe interessa e da forma que lhe interessa. Um pouco à Mourinho, salvo seja.

Muitos adeptos do Sporting exigem ter um treinador de renome internacional. Parece-me mal pensado. Para já, existem poucos nomes que dão garantias de sucesso, isto é, que tenham um currículo totalmente à prova de desconfianças: José Mourinho, Rafa Benitez, Arsene Wenger, Alex Ferguson, Fabio Capello, Marcello Lippi, Guus Hiddink, Otmar Hitzfeld, Otto Rehhagel e poucos mais. Estes estão claramente fora do alcance do Sporting, nesta altura. Outros há que têm currículos impressionantes, na América do Sul, por exemplo, mas que falharam rotundamente na Europa. Os casos mais recentes foram os de Wanderlei Luxemburgo e Carlos Bianchi, recém-demitidos dos dois maiores clubes de Madrid. Portanto, e para evitar fiascos como estes e como Waseige, Materazzi, Souness, Heynckes, Del Neri e Fernandez, porque não deixar Paulo Bento mostrar o que vale no início de uma época, com um plantel formado por ele? Até pode dar certo!
on Sunday, January 22, 2006
Após a conquista do título mundial de pesados, Cassius Clay tornou-se igualmente famoso pela conversão ao Islamismo. Querendo romper em definitivo com as raízes de escravatura o campeão mudou o nome para Muhammad Ali.
Em Fevereiro de 1967, Ali enfrentou Ernie Terrel em pleno Madison Square Garden.
Seria uma defesa normal do título mundial de pesados, não fosse Terrel cometer a ousadia de se referir ao campeão como Cassius Clay, em claro gesto de provocação.
Durante o combate Ali massacrou literalmente o adversário fazendo-o pagar pela sua imprudência. Acabou por vencer por decisão unânime, uma vez que se recusou a inflingir o KO. A cada golpe Ali perguntava: "What's my name? What's my name boy? Uncle Tom?"
Um tratamento brutal, deveras cruel ... mas uma prova inequivoca da grande capacidade de Muahmmad Ali.

http://www.youtube.com/watch?v=GPtFBTyZ1-U
on Thursday, January 19, 2006
Tenho para mim que os portugueses são dos povos mais chauvinistas que existe. OK, eu sei que passamos a vida a falar mal de nós próprios e, infelizmente, quase sempre com toda a razão. Mas temos outras características que roçam o chauvinismo. Por exemplo, ficamos muito indignados quando um estrangeiro nos critica, mesmo que saibamos que ele está certo naquilo que diz. Foi o recente caso das declarações do russo do Benfica, Karyaka (ou da mulher dele, ou do jornalista, ou do cão, o que é certo é que alguém “arrasou” Portugal). Nós sabemos que Portugal é um país atrasado, que Lisboa (e muitas outras cidades) não têm sítios suficientes para as crianças brincarem à vontade, etc. Mas o que é certo é que não gostamos de o ouvir da boca dos outros. Foi também o caso, mais antigo, de um responsável da UEFA, que, antes do Euro2004, veio dizer, não me recordo a propósito do quê, que em Portugal se encontra sempre alguém disposto a se deixar corromper. A reacção de Madaíl e afins foi violenta. Nós sabemos que Portugal é dos países mais corruptos da Europa, mas odiamos ouvi-lo por parte de estrangeiros.

Há outro aspecto em que esse chauvinismo se demonstra, no que ao futebol diz respeito. Confesso que nunca percebi a enorme importância que os jornalistas e os jornais desportivos dão a todo e qualquer jogador português que jogue num campeonato estrangeiro. No Verão de 2000, estava eu a iniciar a minha carreira de jornaleiro desportivo quando se começou a ouvir falar de um tal de Jorge Leitão, ponta-de-lança português que começou a marcar uns golos ao serviço do Walsall. “What the f*** is that?”, veio-me imediatamente à cabeça. Pois bem, informei-me um pouco e descobri que o Walsall era um clube inglês, que jogava quase sempre na III Divisão daquele país, com uma ou outra passagem pela II Divisão. E Jorge Leitão, soube-o depois, tinha-se transferido para aquele clube do Feirense, clube no fundo semelhante ao Walsall (se bem que, pelo menos, ainda tenha passado 2 ou 3 vezes pela nossa I Divisão).

Jorge Leitão nunca tinha merecido muitas linhas nos nossos jornais desportivos (eu devorava-os a todos e nunca tinha ouvido falar na figura). Mas a partir do momento em que aterrou em Inglaterra (confesso que ainda hoje não sei em que parte do país fica Walsall), passou a merecer referências semanais na nossa imprensa. O “Walsall de Jorge Leitão” passou a ser um clube de referência. No passado mês de Dezembro, o avançado terminou a sua carreira naquele clube, com números na verdade nada impressionantes para um ponta-de-lança: 71 golos em 258 jogos (média de 0,27 golos por jogo). Jorge Leitão ingressou no Beira-Mar, líder da Liga de Honra. E estreou-se no passado fim-de-semana, marcando o primeiro golo na vitória por 2-1 sobre o Santa Clara. Mas a sua chama apagou-se e a imprensa já não quer saber dele. Já não é emigrante.

Jorge Leitão apagou-se, mas muitos novos vultos do futebol português se acendem. Basta irem jogar para o estrangeiro, não importa em que clube nem em que campeonato. Assim podemos deliciar-nos com as aventuras de Tiago Rodrigues (ex-Infesta), Vítor Santos (ex-Académico de Viseu) e Pedro Moutinho (ex-Penafiel) no Falkirk, esse colosso que ocupa um honroso antepenúltimo lugar na emocionante liga escocesa. Ou com as proezas de Kenedy, Ricardo Fernandes, João Paiva, Hélio Pinto e Zé Nando, espalhados por vários clubes no palpitante campeonato cipriota. E muitos outros ficam por citar e a esses apresento as minhas desculpas. Mas não se preocupem, para os nossos jornais desportivos vocês são emigrantes de sucesso e merecem o espaço que ocupam.

Deixando as ironias de lado por um pouco, acho incompreensível esta atitude da nossa imprensa desportiva. Imaginemos outro tipo de imprensa e outro tipo de emigrantes. Se um português fosse nomeado presidente ou vice-presidente da Mercedes seria certamente motivo de notícia em qualquer jornal. Mas acham que se um português fosse trabalhar para a linha de montagem da mesma Mercedes deveria ter direito a uma linha que fosse? Segundo a mentalidade dos nossos jornais desportivos, com certeza! Eu acompanho com interesse a carreira dos jogadores portugueses em grandes campeonatos e grandes clubes. Também acharia natural que se Luís Figo fosse jogar para a Moldávia merecesse acompanhamento jornalístico, pelo nome e carreira que tem. Ou ao invés, se um desconhecido for jogar para um grande clube, também merece atenção, como aconteceu há uns anos quando Boa Morte trocou o Lourinhanense pelo Arsenal. Agora um jogador desconhecido num clube ou campeonato desconhecido também merece relevo? For God’s sake! Imaginem quantas páginas não teriam os jornais desportivos brasileiros, se eles optassem por esse caminho.

Outro foco de chauvinismo surge nos frequentes exageros com que são tratadas as prestações dos nossos jogadores mais famosos no estrangeiro. Veja-se por exemplo o que escreveu o director do Maisfutebol, Luís Sobral, sobre Rui Costa, depois de este ter marcado dois golos em Brescia (equipa da Serie B) na segunda mão de uma eliminatória da Taça de Itália que já estava praticamente decidida desde a primeira mão: “Rui Costa marcou por duas vezes e ofereceu outros dois golos, na vitória do Milan para a Taça. Isto depois de já ter dado recentes sinais de estar a readquirir importância na equipa italiana. É sempre agradável ter coisas boas para escrever sobre um jogador que merece tudo e que não devemos esquecer. Até porque os italianos, pelos vistos, não o fazem.” Rui Costa é claramente o menino bonito dos jornalistas (e dos benfiquistas, obviamente), entre todos os que jogam no estrangeiro. Aliás, a penúltima frase do Luís Sobral diz tudo. Já a última merece um comentariozinho: os jornalistas italianos esquecem-se por vezes de Rui Costa como os portugueses se esquecem de Karagounis, Ibson ou o agora emprestado Pinilla; porque não são elementos essenciais nas respectivas equipas! Encaremos os factos: Rui Costa foi uma grande figura de uma equipa de segundo plano, um Vitória de Guimarães ou um Sporting de Braga de Itália, como é a Fiorentina; depois nunca se impôs como titular absoluto num colosso, caso do AC Milan. Rui Costa tem variado entre duas funções: ora é suplente de Kaká, ora é titular quando Ancellotti coloca o brasileiro a descansar, normalmente em jogos mais fáceis, como o de ontem frente ao Ascoli. Nesse aspecto Luís Figo está bem à frente, sendo ou tendo sido titular em três gigantes europeus, Barcelona, Real Madrid e Inter. E eu nem simpatizo pessoalmente com ele, Rui Costa até é provavelmente melhor pessoa. Mas o que conta para mim, como adepto, é o que fazem no campo.