on Friday, July 22, 2005

Realizou-se, nos dias 2 e 3 de Julho, o simpósio comemorativo dos 2 anos do Futeblog Total. A convite do presidente do comité responsável pela organização do espectáculo, Augusto Justo, a Malta da Tropa marcou presença. José Cavra e Gilberto Mandamil foram os representantes (Octávio Cagado e Alexi Lilás não tiveram disponibilidade devido aos exames) e deram de beber os seus conhecimentos aos pós-modernos presentes:
"Senhoras e senhores, gente do futebol em geral, pós modernos em particular. É com grande ufania que estou aqui diante vós, neste dia tão importante que é o aniversário do Futeblog Total. Obrigado, Professor Doutor Augusto Justo por endereçar o convite à Malta da Tropa, para orar em tão nobre gala, você é um abnegado! E perguntam vocês: “Porque é que Augusto Justo é abnegado?” Meus amigos Augusto Justo é a personificação da pós modernidade, Augusto Justo fez mais pela pós modernidade do que todos nós juntos. “Augusto! Augusto! Justo! Justo!” (AJ levanta-se e recebe a uma sentida ovação) Certo dia o pensador Millor Fernandes afirmou que o futebol era o ópio do povo. Pois bem, hoje podemos referir o pós-modernismo como o ópio do futebol. Como seria encarado o desporto rei sem as portentosas figuras de um Marco Almeida, um Diogo Luís ou um Tonel? Algo de insonso , sensaborão, insípido. Enfim, um lote infindável de adjectivos que fariam o mestre Gabriel Alves ficar com água na boca. O pós-modernismo tem, como seus principais alicerces, factos que, por vezes, nos passam tão despercebidos como a passagem de Frank Rijkaard pelo Sporting. Ora é fácil para o adepto relembrar com saudade as míticas declarações do candidato à Câmara Municipal de Palmela, Octávio Machado, interagindo com todos nós para avisar da constante perturbação provocada pelos “Big Ladens”. Eu próprio não escondo a lágrima no canto do olho ao referir as sessões terapêuticas (ou nem tanto) oferecidas por Peter Schmeichel aos defesas da sua formação após um golo sofrido. Não ouso, no entanto, divagar sobre as contínuas tentativas de Brian Deane para tratar a bola por tu, pois para isso precisaria de discursar em mais 5 ou 6 simpósios promovidos pelo Augusto. Costumo dizer no seio do meu grupo de amigos e familiares que o futebol não é uma ciência exacta. Normalmente sou mandado calar com frequência nessas alturas, mas, nesse caso, dirijo-me de cabeça erguida para um banco de jardim com um livro de poemas de Ary dos Santos numa mão e com a biografia de Lazlo Boloni na outra. Dissecar o pós-modernismo exaustivamente é algo que não me atrevo a tentar, pois é difícil explorar de forma tão determinada o que é subjectivo. Porém não me canso de falar regularmente das destemidas saídas da baliza de Ivica Kralj (de meter inveja a Labreca) ou de repescar nas entranhas do futebolês a solidez entre os postes de Carlos Bossio. Ainda há relativamente pouco tempo fui interpelado em Leça da Palmeira por meia dúzia de idosas que queriam observar a apresentação da minha teoria acerca da limpeza do equipamento de Tamagnini Néné. Depois desta quantidade industrial de deambulações por esse mundo fora, é com satisfação que constato que ainda tenho muito mais a descobrir no que toca à vida desportiva. Confesso que ainda não consigo compreender casos como a queda livre de jogadores como Diogo Luís ou Akwá ou o súbito desaparecimento do mapa de craques como Gil, vencedor do Campeonato do Mundo de juniores em Lisboa. A presença assídua de Nuno Gomes dentro das quatro linhas é outra coisa que me remete para uma reflexão profunda. Um dos conceitos que mais me fascina é sem dúvida o do chamado “tosco”. O “tosco” está para o futebol como Sigmund Freud para a psicanálise ou como os Monty Phyton para a comédia “nonsense “. É o indivíduo que mais facilmente consegue soltar o riso da malta, sem que para isso tenha de recorrer à arte e audácia. É aquele sujeito que nos faz dizer “se a bola fosse quadrada, ele seria muito bom”. Apesar de ser um apetecível alvo de piadas, ele está sempre lá para animar o nosso quotidiano. O futebol inglês tem uma admirável quantidade desta espécie. Como exemplos dentro das nossas fronteiras podemos apontar expoentes nesta área como Karadas e Hugo. Muito obrigado, mas já nos estão a fazer sinais. O tempo deve ter ido acabar e a malta quer ir para os comes e bebes. Não se esqueçam de passar pela recepção e pedirem a vossa K7 do jogo das meias finais da taça entre o Vitória de Setubal e o Boavista."
on Wednesday, July 20, 2005
Nos últimos meses não foi dado,neste blog, o devido relevo à grandiosa vitória sadina na Taça de Portugal. Se isto já era suficiente para nos penitenciarmos,então o facto de José Rachão e Carlos Cardoso estarem metidos ao barulho leva-nos a pensar que mereciamos ser espancados pelo Paulinho Santos ou obrigados a ouvir um discurso do Fidel Castro na íntegra por não termos cumprido aquilo que era nossa obrigação. Por tudo isto,as nossas sinceras desculpas.

Pretendemos,portanto, aplaudir o trabalho da equipa técnica e jogadores que levaram o Vitória de Setúbal à conquista do prestigiado troféu. E aproveitamos para relembrar outras equipas sadinas cujos nomes constam ainda no léxico futebolístico.
José Rachão(o 1º jogador a usar fita na cabeça em Portugal),por exemplo,após a sua saída da Académica, fez parte de uma famosa equipa, na qual era companheiro de meio-campo de Fernando Tomé e Jacinto João,um dos maiores dribladores(produtivos) da história do futebol.

Vitória de Setúbal 77/78 - José Rachão(3º,em cima,a contar da direita),com o sua imagem de marca: o visual estilo "viking"

Nesse mesmo plantel estavam Ricardo Formosinho, ex-treinador do Santa Clara e Penafiel, agora na frente do projecto da equipa B sadina, José Mendes e Rui Palhares,ambos vindos do Sporting, e o ex-júnior Silvino Louro.

Carlos Cardoso(à direita) com os 4 juniores promovidos ao plantel principal,sendo um deles o guarda-redes Silvino,com a bola nas mãos.


Igualmente memorável a turma das riscas verdes e brancas verticais da época 82/83. Na baliza o titular era Padrão,oriundo das escolas de Alvalade. Da mesma "cantera" veio o defesa Nunes, que mais tarde viria a brilhar também nas areias da Figueira da Foz, representando a selecção nacional de futebol de praia. De referenciar também a presença de Baltemar Brito no Bonfim, com a bem característica barba já ostentada no Rio Ave, mas que viria a ser preterida em prol de um bigode simples nos tempos do Varzim,talvez por influência do outro defesa da equipa principal,Cerdeira,também possuidor de uma invejável pilosidade facial.

No meio-campo, o número de estrelas aumentava. Rui Nascimento,eterno adjunto de Manuel Cajuda, juntava o seu nome ao de Octávio (Machado), o inventor da frase "eu só não lhe chamo palhaço porque tenho um grande respeito pela classe dos palhaços" e homem que nos abriu os olhos para a questão dos "Big Ladens", bem como (Jorge) Jesus,hoje um conhecido treinador ainda á procura de colocação esta temporada.



No sector mais ofensivo o quarteto era formado por Fernando Cruz,eterna esperança vitoriana,uma espécie de Hugo Leal do Sado que viria a ter uma passagem pelo Sporting;Rui Lopes,jogador formando no Benfica;o leiriense Reis e o ponta-de-lança com uma força fora do normal, Narciso.


De enorme relevância o sistema táctico utilizado, um 4-4-3 muito ofensivo mais parecido com um 3-3-4, provando a vertente aventureira da equipa.
É com enorme emoção que relato os feitos do clube da minha terra,ainda por cima sendo este um histórico do futebol portuguêse que tantas alegrias deu a esta cidade à beira-mar plantada.

Vivó Vitória,gritemos todos bem alto!
on Monday, July 18, 2005
A Malta da Tropa tem o prazer de apadrinhar o sucesso além fronteiras de um dos seus filhos pródigos. Com 2 jornadas ainda por disputar, Henrique Calisto, técnico sobejamente incompreendido em Portugal, sagrou-se campeão nacional do Vietname ao serviço do histórico Dong Pam.

O conceituado mister tem ainda a oportunidade de fazer a dobradinha, uma vez que os Dongs ainda estão nas meias finais da taça. Após o rotundo sucesso do professor Neca à frente da sempre complicada selecção das Ilhas Maldivas, Calisto escreve uma vez mais, a letras douradas, o nome dePortugal no livro do futebol.

Continuando na senda dos deuses do olimpo futebolistico, o meu amigo (e nosso leitor) Tiago "ex-solteirão" Castro rubricou mais um golo de antologia no passado Sábado. Dominando o esférico de costas para a baliza, rodopia deixando o defesa Carlos Nuno "Ninja" pregado ao solo...remate pronto e a bola entra no canto superior esquerdo da baliza à minha guarda .O resultado foi de 12-1 para os amigos de José Cavra.Contudo temos que assumir que a presença de Slowly "Papa Urso" Mário, na equipa contrária poderia perfeitamente ter alterado o rumo dos acontecimentos. Realce igualmente para os 5 minutos de grande classe rubricados por Pedro "o Pulmão" Nuno, o homem que tal como o nome indica, nunca se cansa.
No final, discutiu-se um tema que será abordado num posts vindouros "Porque razão os defesas esquerdos têm alto petardo e os direitos não?"
on Saturday, July 16, 2005

Estamos no ínicio da década de 80, em 1982 para sermos mais exactos, Guerra Madaleno (esse mesmo que já foi candidato à presidência do Benfica), então presidente do Ginásio de Alcobaça é detido, após ter vendido as mesmas casas a várias pessoas. Caso no mínimo hilariantes que demonstra toda a sua seriedade.

Curiosamente é com o presidente preso, que a turma de Alcobaça consegue a subida á 1ª divisão nacional e alcança as meias finais da taça de Portugal.
No ano seguinte (época 1982/83), já com Madaleno em liberdade, o Ginásio tem uma simpática presença no nacional maior, sendo normalmente deglutinado e manietado pelos adversários.
Contam as gentes de Alcobaça que clube ainda hoje paga o preço da ruínosa gestão do então presidente, que desatou a comprar brasileiros de qualidade dúvidosa. Actualmente a equipa alterna presenças na 3ª divisão nacional e na 1ª divisão distrital de Leiria.
Para finalizar, vamos recordar o onze base do Ginásio de Alcobaça (82-83), de onde é imperativo descatar o épico José Romão.


Viva Alcobaça! Viva o Ginásio! Viva a seriedade!
on Wednesday, July 13, 2005
Quando falamos em equipas da margem sul do Tejo de menor dimensão que encantam pela sua tradição ou pela nossa simpatia pelas cidades a memória remete-nos para Barreirense,a extinta CUF,Seixal,Montijo e Amora,por exemplo. É sobre este último que se vão focar as nossas atenções.

Apesar da descida de divisão à 3ª divisão consumada na última temporada, o clube que veste de azul tem acolhido as maiores estrelas do panorama nacional.Ora vejamos:
-O ataque amorense de com baterias carregadas através do matador George Jardel(contratado pelo Benfica em tempos idos,com o objectivo de aliciar o seu irmão a vestir de encarnado),apoiado com um meio-campo experiente comandado por João Oliveira Pinto, histórico do Farense e da Acádemica, fez furor no mítico estádio da Medideira.


De destacar também nos últimos anos a presença imperial de Cláudio Oeiras,antiga estrela dos juniores do Benfica onde formava uma dupla de ataque com Mawete "Novo Eusébio" Júnior,assim como a presença na equipa técnica da antiga estrela dos relvados portugueses, Jaime das Mercês.


Jaime das Mercês - Then and Now

É obrigatório recuar ao ínicio dos anos 80,mais precisamente à temporada de 82/83, para relatar a presença do Amora na 1ª Divisão, ao lado dos míticos Ginásio de Alcobaça e Portimonense.
Na equipa pontificavam valores como a dupla vinda da Argentina Hector Alfredo e Alberto Hernandez ou o avançado que viria a ser transferido do Porto para o Matra Racing de Artur Jorge, Jorge Plácido.

Alfredo e Alberto - O tango presente nos relvados da margem sul



Relevantes também as presenças do temível Caio Cambalhota e do seu companheiro com bigode,Ribeiro.


No onze inicial apresentavam-se Botelho á baliza, João António, Laranjeira, Alfredo e Nélson na defesa,Jorge Plácido, Alberto, Valter, Ribeiro formavam o meio-campo que apoiava Caio Cambalhota e Zé Rafael.

Um abraço para os todos os amorenses e vivam os bravos azuis da bela margem sul.
A quando do nosso post do dia 22 de Junho 2005, intitulado "Defesa vs Avançado", omitimos (por esquecimento, diga-se de passagem) aquele que foi sem dúvida o maior de todos os caceteiros. Alguém a quem o contacto com o adversário era mais familiar do que com a própria bola.
Falamos como é óbvio de Eusébio, antigo jogador do Sporting de Braga, Beira Mar e Tirsense.

Um grande obrigado às gentes de Santo Tirso (as quais saúdo efusivamente) pelo lembrete.
Um dia o vosso "mui nobre" Tirsense (de Caetano, Batista, Marcelo e Paredão) será recordado neste também "mui nobre" elemento da blogosfera.

Aproveito este momento de reflecção intrínseca para enunciar o seguinte comunicado.

"Na qualidade de membro fundador deste Blog, informo os leitores que me demito caso o número de leitores em Outubro não atinja os 100 mil. É um pequeno sacrifício que peço aos simpatizantes deste blog no intuito de nos ajudarem a continuar a crescer e a ombrear com os maiores blogs da europa."
Atenciosamente
José Augusto dos Santos Cavra
on Tuesday, July 12, 2005
Após a estoica vitória na RFA quis a sorte que Portugal ficasse no grupo F, juntamente com ingleses, polacos e marroquinos.
Saltilho foi o quartel general de uma equipa preocupada em ganhar e ...sobretudo com os prémios de jogo.

Na foto a mítica conferência de imprensa onde depois da ameaça de greve, o capitão Manuel Galrinho Bento lê um comunicado promentendo tréguas.
Vamos deixar os casos de parte e relatar sobretudo a heroica prestação dos "infantes" em terras do pique, essa simpática mascote só ultrapassada em termos de popularidade e bom gosto pelo Naranjito de Espanha.


Portugal - Inglaterra
Jogo realizado no estádio Tecnológico de Monterrey, com capacidade para 34 mil espectadores.
Perante a supremacia britãnica, onde pontificavam Gary Lineker, Chris Wadle, Mark Hatley, o indisciplinado Ray Wilkins, Glen Hodle e o veterano Peter Shilton, José Torres apostou na retranca, por outras palavras no autocarro estacionado à frente da baliza (parafreseando Mourinho anos mais tarde).
Num dos raros momentos de inspiração da selecção nacional, Álvaro Magalhães arranca pela esquerda, serve Diamantino Miranda que com uma finta de corpo parte literalmente os rins ao mais novo dos manos Stevens (Gary), cabeça levantada e a assistência para Carlos Manuel que encosta a menos de meio metro da linha de golo. GOLO DE PORTUGAL!

Depois o clássico queima tempo, o alívio para a bancada e a frente de ataque entregue a um puto de 20 anos, em vias de se sagrar campeão europeu, de nome Paulo Jorge dos Santos Futre.
Numa das imagens mais marcantes do campeonato, José António Prudêncio Conde dirige-se ao juiz da partida, quando faltavam 5 minutos para o "terminus", argumentando: "Então, Como é que é? Isto acaba ou não?".
E terminou´, com a vitória lusitana por 1-0 e toda a esperança numa prestação digna.

Portugal - Polónia
O azar bateu á porta dos "infantes" momentos antes deste desafio com a lesão de Manuel "o heroi do 1º jogo" Bento, contraída num choque com o malogrado José António.

Apesar da fatalidade a Polónia de Boniek e Smolarek, afigurava-se como uma adversário perfeitamente acessível.

...e até o seria não fosse uma estrondosa exibição do guardião do nosso Porto, Josef Mlynarczyk (na foto congratulado por Carlos "a locomotiva do Barreiro" Manuel.

Já na 2ª parte, Smoralek, ponta de lança Widzew Lodz, surge isolado perante Vitor Damas, colocando-lhe o esférico no poste esquerdo.
Estava feito o 1-0, resultado que se manteria até final da partida.

Portugal - Marrocos
Não era caso para alarme, o empate bastava perante a frágil, ou talvez não, formação marroquina, liderada pelo guardiola do WAC de Casablanca, Baddou Zaki.

Um vendaval marroquino varreu Monterrey, sobretudo a baliza de Vitor Damas que "enfardou" 3 num ápice. Realce para o ultimo tento africano, um petardo de Abdelkrim Krimau.
A 15 minutos Diamantino Mirando, num lance de antologia reduziu a contenda. Ainda se recordou o Portugal - Coreira de Norte de há 20 anos atrás, mas o pé na dava para tão grande pedalada e a selecção acabaria fora da competição.